Nazismo & Tribalismo

A coalizão Heidar-Schüssel que assumiu o governo austríaco na manhã de sexta-feira levantou sérias questões acerca das possibilidades da Europa no chamado terceiro milênio, de que apenas 11 meses nos separam. O elogio da política de “ordem e pleno emprego” de Hitler e o reconhecimento como “homens de caráter” a veteranos da Waffen SS, mesmo que televisivamente abjurados, às vésperas da posse, deixam em péssima fotografia o novo momento da Europa Central.

Se for somada a aliança, recém-feita, do italiano Polo, do magnata da mídia Silvio Berlusconi, com a Liga do Norte, do belicoso senador Umberto Bossi, o quadro assume maior nitidez. Até porque a Itália terá eleições regionais em abril, tidas como prévias das eleições nacionais de 2001. Entre os amigos da Liga estão o sérvio Slobodan Milosevic e o neofascista russo Vladimir Zhirinovsky. Da França, Le Pen observa tudo, com simpatia, logicamente. . . Mas seria tão surpreendente o que está acontecendo? Estamos vendo, “de novo”, o que parecia ter desaparecido na lixeira da História? Onde está a modernidade, e logo na Pátria de Mozart?

Para quem sabe olhar corretamente o mapa europeu, é bem visível que, por debaixo (e nem sempre: bascos, por exemplo) dos limites políticos oficiais, na vida real do cotidiano, a Europa é um continente de tribos, a maioria das quais ali estacionadas a partir da queda do Império Romano ante os bárbaros. Detalhes folclóricos e pitorescos, atraentes quando vistos com olhos de turista, como o fado português, a escocesa gaita de foles, a valsa vienense, a tourada espanhola, a fumaça branca vaticana, a troca de guarda da Rainha, o circuito dos castelos, a rota das catedrais, os caminhos do vinho, tudo encobre identidades culturais fechadas e com valores sociais, silenciosamente disseminados, que buscam sua força em outros tempos. Tempos diversos do que vivemos, valores anteriores ao alargamento - no século XX - da Democracia e da Liberdade, épocas românticas, e bárbaras, de senhores e vassalos. Inquisição, masmorras, fogueiras, eis o pano de fundo sobre o qual se ergueu a Europa, e que ainda está vivo.

Quem escuta, porém, o finale da 9ª Sinfonia de Beethoven e presta atenção nos versos de Schiller (An Die Freude, À Alegria) sabe que embora a Europa se embarace na barbárie do exclusivismo tribal, à ela não se reduz. A última estrofe vibra quando diz Multidões, eu vos abraço. / Esse beijo envio ao mundo inteiro! / Irmãos! Acima desse dossel estrelado / Deve reinar um terno Pai. / Prostrai-vos, multidões?/ Sentes o teu Criador, mundo? / Buscai-o então acima dos astros! / Além das estrelas está sua morada. Ah! e quem ainda pensa que a globalização é invenção de dez anos atrás, no chamado Consenso de Washington, que releia, por favor, estes versos, originalmente publicados em 1786, pouco depois da Independência Americana e pouco antes da Inconfidência Mineira e da Revolução Francesa!

Que neste momento europeu o vírus do exclusivismo tribal se posicione contra a inclusão de países do Leste na União Européia e a favor da interrupção da imigração, a pretexto de defender “interesses nacionais”, é de deixar em alerta todos os que pensam.

Até porque os nossos ridículos separatismos brasileiros, com e sem bombachas, têm parentesco espiritual com esses da Europa, inclusive na argumentação pública e nos resmungos entre dentes.

Semanas atrás, tivemos militar da reserva defendendo, na revista VEJA, a liderança de Hitler; tempo antes, a imprensa deu conta de juvenil aluno de escola militar também fazendo semelhante avaliação. Quer dizer: não estamos imunes a esses restos do anti-racionalismo.

Claro que a barbárie não vencerá, mas como diria o jornalista Boris Casoy, isto é uma vergonha! para todos e para cada um de nós.

Os 10 Mandamentos

Então falou Deus todas estas palavras, dizendo:

Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.

Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

Lembra-te do dia do sábado para o santificar.

Seis dias trabalharás, e farás toda tua obra; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.

Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.

Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

Não matarás.

Não adulterarás.

Não furtarás.

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

O Judaísmo

A Bíblia Hebraica é fundamental para o Judaísmo, relatando as origens do povo judeu, começando pela criação do mundo por Deus.

O Antigo Testamento é aceito pela grande maioria dos atuais 14,5 milhões de judeus que existem no mundo, independentemente dos seus ramos internos, que interpretam o texto de maneira diferente entre si. Mesmo assim, todos seguem um modelo de vida similar, afirmando a sua identidade como grupo religioso e cultural.

As crenças básicas do Judaísmo incluem a fé num único Deus, o Criador, e os Dez Mandamentos (Devarim), que são o código de conduta.