A opção pelo Judaísmo

Com toda a certeza, se você está lendo esta página é porque você ou alguém que você conhece está interessado em se tornar um judeu.

É uma decisão importante, que envolve decisões contraditórias, opiniões e pressões internas e externas. É minha esperança que o processo de formação de um novo judeu ajude a esclarecer as metas espirituais da pessoa e que esse processo ajude a descobrir se a conversão ao Judaísmo é o movimento certo.

Para a conversão ao Judaísmo devemos observar três pontos fundamentais. Primeiro, ninguém converte ninguém ao Judaísmo. Segundo: a única razão que deveria levar você a se tornar judeu é se o Judaísmo acrescenta alguma coisa em sua vida, aprofunda a sua sensibilidade e entendimento e se soma ao significado de viver o Judaísmo todos os dias. Terceiro, não existe nenhum critério de tempo: o judeu vive o Judaísmo.

A palavra “conversão” implica que você abandona uma convicção a favor de outra. Isto faz sentido se o potencial convertido tem convicções que são contrárias ao Judaísmo. Certamente as pessoas que desejam se tornar judeus acreditam que Deus amou o mundo e deu a ele o seu único filho para morrer pelos seus pecados. Esta pessoa teria que converter esta convicção em alguma crença judaica antes de que uma conversão possa ter efeito. Mas como fazer isso? Convicções não são tão facilmente abandonadas. Freqüentemente, nós acreditamos no que nós acreditamos por razões altamente emocionais e por razões não racionais.

Se alguém acredita na divindade de Jesus e a eficácia de rezar em nome dele, não há nada no mundo que faça com que eu mude a mente desta pessoa. E por que eu deveria? Mais importante, as pessoas que acreditam em Jesus, muito improvávelmente, desejariam se tornar judeus sabendo que fazendo isso elas teriam que abandonar o seu estado cristão. A grande maioria das pessoas que buscam se tornar judeus não são cristãs. Elas são seguidores do que Robert Bellah chama de Religião Civil Americana. Elas têm algumas noções vagas de Deus e de bondade; elas celebram Ação de Graças, Natal, e o Sete de Setembro com zelo religioso ou patriótico; e elas raramente questionam as pressuposições inerentes do seu secularismo completamente homogeneizado.

A maioria das pessoas que esperam se tornar judeus não são crentes em qualquer significado da palavra. Então, é improdutivo pensar em conversão como um processo de convicções usando variáveis de não-judeu para judeu.

Meu segundo preconceito, de que uma pessoa possa querer se converter por razões egoístas. As pessoas estão procurando um significando nas suas vidas e na sua comunidade. A religião deveria ser uma coisa muito importante na qual vida e comunidade são nutridas. Se tornar-se judeu não aumenta sua habilidade para encontrar um significando na vida, e você não se preocupa em ser voluntário dentro de uma comunidade democrática e igualitária que apóia sua indagação por significado e compartilha suas alegrias e fardos, então, se tornar judeu, realmente não é para você. Uma pessoa que se converte debaixo de pressão ou coerção não vai se tornar um membro feliz ou produtivo na comunidade judia. Tornar-se um judeu têm que lhe ajudar a ser mais do que você é e do quer ser. Deste modo, sua vida cresce, e leva você para a comunidade judaica.

O meu terceiro preconceito, de que não existe critério de tempo, trabalha de duas maneiras. Primeiro, removendo o fator tempo, nós apagamos qualquer esperança de conversão através de currículo. Não importa se a pessoa estuda durante dez semanas ou dez meses, o tempo envolvido não importa. É uma pergunta do que você ganha de seus estudos, não quanto tempo você põe neles. Segundo, enfatizando “Judaísmo vivo”, sua exploração do Judaísmo se torna uma experiência de auto-descoberta e de solidariedade comunitária.

Se tornar judeu é um ato intensamente privado, embora com conseqüências intensamente públicas. Eu não tenho nenhum criterio pelo qual julgar a autenticidade do compromisso de um indivíduo com o Judaísmo. Eu vi muitos judeus-por-nascimento abandonar ou negar as suas crenças, e muitos judeus-por-escolha se submeterem alegremente a D-us, como posso imaginar e julgar o que você fará com o seu Judaísmo.

Em vez de colocar um critério de julgamento, eu fico com a experiência. Como meus amigos mais conservadores observam corretamente: só um judeu pode viver como um judeu. Assim, viva como um judeu e vê se ajusta. Se fizer isso, você conhecerá as alegrias da que precedem o Shabat e os dias santos, e isso se tornará uma parte da sua vida. Você olhará para frente celebrando sua herança adotada, e achará no Judaísmo um lugar que será um abrigo em sua procura por uma comunidade. A sabedoria do judeu aprofundará sua perspicácia na natureza da vida, e as regras do judeu se tornarão o seu veículo para expressar essas perspicácias em sua vida diária.

E se o Judaísmo não é para você, você saberá também. Não importa o quanto você tenta ou o como você estuda, as imagens, regras e ideais do judeu permanecerão estrangeiros para você. Nenhum “aha!” acompanhará sua leitura ou sua experiência na celebrações dos dias santos. A comunidade não se tornará sua comunidade. O Judaísmo será um fardo, não uma bênção. Mas você não conseguirá saber estas coisas com antecedência, folheando livros ou em salas de aula. Só vivendo como um judeu você saberá se você é um. Se você é leal a si próprio, sua experiência dirá. Se você é falso, nenhuma classe ou currículo, nenhuma definição externa de Judaísmo ou Comunidade efetuarão suas atitudes fundamentais, e você não trairá ninguém, mas continuará usando uma máscarando de judeu. Você tirará de você mesmo a oportunidade de encontrar o seu caminho em outro lugar. Não é uma questão de falhar, é uma questão de ser verdadeiro para você mesmo.

Depois de tudo isso, me deixe listar minhas exigências para uma “conversão”:
1. Um compromisso de um ano para viver como um judeu, participar da vida da sua comunidade ou sinagoga. Isto inclui pagar o dízimo.
2. Freqüência regular e participação em celebrações da congregação, sociais e religiosas.
3. Estudar um programa sobre os dias santos que lhe dê informações sobre as origens, práticas e dinâmica espiritual dos feriados bem como suas relações pessoais, interpessoais e crescimento transpessoal.
4. Participação em outros cursos de estudo judeu disponíveis.
5. Uma vontade de perguntar.
6. Um compromisso para ler e discutir os livros judaicos.

Se você pode em sã consciência concordar com esta lista, então seu processo de formação de judeu já começou. Começando agora, comece a pensar e a se referir a você como um judeu.