O JUDAÍSMO NO “SÉCULO 21”

Mas, o Judaísmo enfocado apenas no passado é somente uma imitação: falta vitalidade e paixão. Se pretendemos que o Judaísmo sobreviva no presente, temos que nos permitir viver no presente.

Entendo Judaísmo como uma Filosofia de Vida. Nossa missão como judeus, é ser uma luz entre as nações, um modelo de justiça e compaixão.

O sofrimento e a perseguição nos fez perder o contato com esta missão e a substituimos por uma continuidade fetichista de formas históricas de práticas religiosas, ignorando a sua mensagem profunda. Nós tentamos mudar, mas nos sentimos culpados, medrosos, e tudo parece sem sentido. O resultado é a estagnação.

Mas o que significa ser santo? O que quer D-us?. Faça justiça, generosidade, e caminhe ao lado de D-us.

Se realmente queremos que o Judaísmo sobreviva, nós temos que reunir a coragem, não para voltar à prática antiga, mas para voltar aos princípios infinitos. Nós temos que mudar o modo de comunicar a essência do Judaísmo, de forma que ela fale com o mundo moderno. Se ousássemos falar a verdade do que é o Judaísmo, acharíamos as diretrizes da tradição para articular criativamente o Judaísmo. Não seria uma cópia do passado, mas uma expressão autêntica do presente. Não falaria a nós da memória obscura, mas da ânsia de viver todos os dias.

Não digo abandonar a tradição, mas sim fazer reviver a essência infinita do Judaísmo e permitir que esta essência molde nosso próprio veículo para a expressão no “século 21”.

O que, então, a Torah nos diz hoje? Seja santo. Todo o resto é comentário. Agora, vá e estude.

O Judaísmo é um modo de vida dedicado à santidade expressada por atos de justiça, generosidade, e intimidade espiritual. O Judaísmo descansa em certos princípios essenciais e práticas. Nossa missão como judeus neste “século 21” é viver, explorar, e compartilhar esta essência de uma maneira moral, intelectual, e espiritualmente constrangedora.

No Levitico nós lemos: “Seja santo como eu, Adonai seu Deus, é santo”. Esta é uma declaração radical. Seja santo como D-us é santo, seja divino em sua humanidade. Faça D-us real no mundo pelo seu exemplo. Esta é a missão do judeu. Isto é o que o Judaísmo vem ensinar: como ser santo.

Mas o que significa ser santo? O que quer D-us?. Faça justiça, generosidade, e caminhe ao lado de D-us.

Este é um Judaísmo que descansa firmemente em seus ombros. É você que deve fazer justiça; é você que deve amar com generosidade; é você que deve ter intimidade espiritual com D-us. Não há nenhum intermediário. Não há nenhum ritual. Não há nenhuma forma. Com o passar do tempo, pessoas que lutam para ser santas inventarão alguns rituais, mas nenhum deles é essencial. A tradição nos mostra como as pessoas foram santas no passado, e esta informação pode nos ajudar a moldar nossa santidade no presente, mas é o compromisso: “Seja Santo” e não a santidade da forma histórica que importa.

Quando visto como um ideal, o passado se torna um ídolo. Quando visto como um guia, pode ser um catalisador para nossa própria criatividade.

O caminhar deve ser aberto e livre para podermos manter o equilíbrio no terreno variável da vida. Quando transformamos a tradição como forma fixa e elevamos normas históricas para ideais eternos, na verdade, matamos o espírito do Judaísmo e reduzimos a santidade a uma resposta robotizada da vida. O significado mais profundo e de potencial transformativo do Judaísmo é sacrificado no altar da conformidade.

A ação é essencial à vida. Moldar a ação até certo ponto evoca a unidade fundamental. A perfeição é um papel essencial do povo judeu. É um das razões de por que o Judaísmo existe. O Judaísmo se ergue para fora do seu isolamento egocêntrico e se coloca no meio da história humana e da comunidade. Esta é a maneira como a missão de santidade deve ser continuada.

O Judaísmo está em crise, e, como o provérbio chinês nos ensina, crise contém perigo e oportunidade. O perigo é nos retirarmos da essência do Judaísmo e buscarmos abrigo atrás de uma forma histórica fixa. Abandonaremos a missão da santidade e buscaremos imitar um tempo em que, acreditamos erroneamente, os judeus eram naturalmente santos? Pretenderemos a devoção, pretenderemos a santidade, pretenderemos a submissão. Mas no final, desabará a fachada do compromisso, e a pretensão nos levará para o abismo de uma paixão sem vida.

A oportunidade é voltar à nossa Fonte, D-us e a Torah, que é o registro de nossa união com o Eterno. Nós temos que achar n’Ele o poder e a paixão para não renovar nossa missão de santidade imitando o passado, mas inovando para o presente e para o futuro.

José chega ao posto de primeiro-ministro

Ao contar trinta anos de idade e depois de treze anos de disciplina e preparação (37:2 e 41:46), D-us permitiu que José chegasse ao lugar onde podia honrá-lo. O Eterno deu a Faraó sonhos tais que nem os magos, nem os sábios versados na antiqüíssima sabedoria egípcia podiam interpretar. Então o principal copeiro lembrou-se de que José havia interpretado seu sonho na prisão. Faraó mandou chamara a José. É de notar que José se negou a atribuir-se mérito algum na interpretação de sonhos; pelo contrário, testificou abertamente acerca de D-us perante Faraó. Apesar de José não ter visto ainda o cumprimento de seus próprios sonhos e de haver passado longos e difíceis anos como escravo e preso, não havia perdido sua confiança em D-us. Interpretou o sonho de Faraó como uma predição de sete anos de boas colheitas seguidos de sete anos de fome. Aconselhou também que se escolhesse uma pessoa prudente para fazer os preparativos necessários a enfrentar a fome, mas não sugeriu que fosse ele o escolhido; provavelmente não suspeitava que o designado seria ele.

De imediato Faraó nomeou a José como vizir ou primeiro-ministro do Egito. Apoiava-o com a plena autoridade real colocando em seu dedo seu próprio anel de selo como o qual todos os decretos e documentos oficiais eram legalizados e entravam em vigor. Ordenou que todos se ajoelhassem diante de José como se se tratasse do próprio Faraó. Para que José tivesse posição social, Faraó concedeu-lhe um nome egípcio e lhe deu por esposa a filha do sacerdote de On (Heliópolis), o centro do culto ao Sol, cujo sacerdócio tinha grande importância política. Foi assim que José se aparentou com a mais alta nobreza do Egito.

José não se envaideceu de sua posição nem se aproveitou pessoalmente de sua autoridade; antes, reconheceu que foi levado para desempenhar um trabalho em beneficio de outros, trabalho que ele empreendeu imediatamente. Pensava mais em sua responsabilidade do que em sua dignidade. Primeiro percorreu toda a terra do Egito para inspecionar seus recursos e organizar o trabalho. Depois cumpriram de maneira sistemática as instruções prudentes que D-us lhe havia dado.

Os nomes que José deu a seus filhos indicavam que D-us lhe havia mostrado seu favor. O nome Manassés (o que faz esquecer) demonstra que José havia vencido a amargura. Era um testemunho de que D-us o havia feito esquecer-se de todo o trabalho dos longos anos de provação e de saudade de seu lar em Canaã. Foi, talvez, a maior vitória de sua vida. Depois chamou a seu segundo filho “Efráim” (fértil). D-us faz que frutifiquem os que sabem perdoar e esquecer. Anos mais tarde Jacó declarou que José era como um ramo frutífero junto a uma fonte (49:22). José podia frutificar porque tinha suas raízes em D-us, mantendo-se mediante a comunhão com Ele.

Os críticos liberais têm duvidado do fato que Faraó elevasse ao posto de primeiro-ministro do Egito um escravo estrangeiro, sob condenação e sem prestígio algum. Mas o relato deixa claro que Faraó e seus servos ficaram impressionados pelo fato de que o Espírito de D-us residia em José, de modo que a sabedoria do jovem hebreu não era humana mas uma operação sobrenatural de D-us (41:38). Supõe-seque a ascensão de José foi facilitada porque também nesse período ocupava o trono do Egito uma dinastia de reis asiáticos, os hicsos ou reis-pastores. Os hicsos invasores tomaram o trono do Egito em 1720 aEC. e reinaram aproximadamente 140 anos. Eram semitas e às vezes nomeavam semitas para ocupara postos importantes. Seria natural que um rei dos conquistadores do Egito acolhesse os hebreus e os colocasse no melhor da terra. Não há o que estranhar que não se encontre menção alguma de José nos monumentos existentes no Egito, pois os egípcios odiavam aos hicsos. Ao expulsa-los do Egito, os egípcios procuraram erradicar toda marca de ocupação estrangeira de seu pais, a tal ponto que os arqueólogos tem tido dificuldade para reconstruir os detalhes dos hicsos. Contudo, a arqueologia confirma que muitos pormenores mencionados no relato acerca de José concordam com os costumes daquele tempo. Por exemplo, encontram-se os titulo de chefe dos copeiros e chefe dos padeiros (40:2) em escritos egípcios. Outro dado confirmado é que se conheceram tempos de fome no Egito. Um faraó, segundo um escrito da época ptolomaica (2700 aEC) disse: “estou desolado porque o rio Nilo não transborda em um período de sete anos, falta grão, os campos estão secos e o alimento escasseia.” Desde a antiguidade era o Egito celeiro de Canaã em tempo de escassez. Na Pedra Roseta há um escrito que indica que Faraó tinha o costume de por em liberdade alguns presos no dia de seu aniversário. Tal como o fez no caso do copeiro-mor (40:20). Outro dado é fornecido pelas figuras egípcias nos monumentos antigos porque indicam que os homens não usavam barba e assim explicam a razão pela qual José se barbeou antes de comparecer perante o Faraó (41:14).A cena da investidura de José é nitidamente egípcia. Faraó deu a José seu anel de selo, fê-lo vestir-se com roupa de linho finíssimo e pôs um colar de ouro em seu pescoço (41:42), as três coisas mencionadas nas inscrições egípcias que descrevem investiduras. Além disso, os nomes Tzafnate-Paneach, Asenat e Poti Fera, são nomes egípcios.

José põe seus irmãos à prova: Gn.42. Ao ver os dez homens da família de Jacó que chegaram ao Egito para comprar alimento, José reconheceu de imediato seus irmãos, porem eles não o reconheceram. Por fim cumpriram-se os sonhos de José. Por que os tratou com severidade? Queria prova-los para ver se estava arrependidos do crime cometido havia mais de vinte anos. Havia transferido sua inveja para Benjamim? José sabia que uma reunião sem comunhão constituiria um escárnio. Se ainda guardavam inveja e ressentimento não poderia ele desfrutar de sua companhia, nem eles da companhia de José. Por outro lado, há certos aspectos do trato de José com seus irmãos que demonstram que ele estava animado de profunda solicitude por isso. Também os nomes que deu a seus filhos atestam que não guardava ira nem desejo de vingança em seu coração.

Os três primeiros dias na prisão fizera os irmãos compreenderem a sorte a que havia m exposto José (42:21.22). o fato de que José mandou prender a Simeão em vez de Rúben, oi primogênito, que se opusera a maltratar José havia vinte anos, infundiu neles a sensação de que a justiça divina os estava alcançando. Seu temor aumentou quando encontraram o dinheiro nas bolsas. Agora chegaram à conclusão de que D-us estava acertando contas com eles. A oferta de Rúben de entregar à morte seus dois filhos em troca, pareceria indicar uma mudança de coração, mas em realidade carecia de profundidade, pois Rúben sabia que Jacó não daria morte a seus netos. Não obstante, mostrando uma mudança de atitude, os dez irmãos não se ressentiram com a preferência que José revelava em relação a Benjamim. A mudança de coração evidenciou-se, sem dúvida alguma, quando se encontrou o copo de prata no saco de Benjamim. Todos os irmãos se ofereceram como escravos e se negaram a partir quando José exigiu de novo que somente Benjamim ficasse como escravo. Demonstraram que estavam mais preocupados por Benjamim do que por si mesmos.

Como podemos notar, a história de José é simplesmente impar, que possamos tirar alto proveito do exemplo de vida.

Shabat Shalom!

Introdução à História de José

D-us havia revelado a Abraão que sua descendência passaria quatro séculos em terra alheia (Gn.15:13-16). A paciência de D-us esperaria até que a maldade do amorreu chegasse ao ponto máximo antes de destruí-lo e entregar Canaã aos hebreus. É evidente também a necessidade de que Israel fosse para o Egito. A aliança matrimonial de Judah com uma cananéia e sua conduta vergonhosa descrita no capítulo 38 indica-nos o perigo que havia em Canaã de os hebreus se corrompessem por completo e perdessem seu caráter essencial. No Egito os hebreus não0 seriam tentados a casar-se com mulheres egípcias nem a se misturar com os egípcios, pois estes desprezavam os povos pastores (Gn.46:34). Além do mais, tão logo os cananeus reconhecessem os planos dos israelitas de estabelecer-se permanentemente em Canaã e assenhorear-se da terra, tê-los-iam exterminados. Tal coisa não sucederia em Gósen. Ali, sob a proteção do poderoso Egito, os hebreus poderiam multiplicar-se e desenvolver-se até chegar a ser uma nação numerosa.

D-us usou a José como instrumento para levar a cabo o plano de transferir seu povo para o Egito. Em toda a vida de José destaca-se a providência divina. A palavra providência deriva do latim – providere: videre significa “ver” e pro “antes”. De modo que quer dizer “ver com antecedência” ou “prever”. D-us prevê, e com isso também prepara os passos necessários para realizar tudo o que Ele prevê. O dicionário de Aulete define providência como “A suprema sabedoria atribuída a D-us com que ele governa todas as coisas”, e mais adiante: “O próprio D-us, considerado como supremo árbitro do universo”. O dicionário de Aurélio diz: “A suprema sabedoria com que D-us conduz todas as coisas”. E por extensão: “O próprio D-us.” Em nenhum outro relato da Bíblia brilha mais a providência de D-us do que nesta história. Ele lança mão dos desígnios distorcidos dos homens e os converte em meios para efetuar seus planos (Gn.50:20).A venda de José por seus irmãos: Gn.37. O primeiro passo para situar José no Egito foi ser ele vendido como escravo por seus irmãos invejosos. Seus irmãos odiavam-no por vários motivos:

a. José comunicou a seu pai o mal que se propalava a respeito de seus irmãos. Aos dezessete anos foi enviado a seus para aprender a pastorear ovelhas. A irreverência e a baixa moralidade deles escandalizaram-no. Os filhos mais velhos de Jacó haviam cedido a certas práticas pagãs, fato que se vê na conduta de Judah relatada no capítulo 38. Parece que entre os filhos de Jacó somente José manteve em alta conta as elevadas normas da religião do Eterno. Se José tivesse participado das conversações imundas e da conduta vulgar, eles o teriam aceitado como um deles.

b. Jacó amava-o mais do que a seus outros filhos. Pois José nasceu na velhice de Jacó e era o primogênito de sua esposa predileta, Raquel. Expressou abertamente seu favoritismo presenteando a José com uma túnica de cores que lhe chegava até aos calcanhares e mangas que iam até às palmas das mãos. Este tipo de vestimenta era usado pelos governantes, sacerdotes e outras pessoas de distinção que não tinham de trabalhar manualmente. A túnica dos operários e pastores não tinha mangas e mal chegava até ao joelho. Os irmãos teriam perguntado entre si: “ Não se dará o caso de que nosso pai entregue a primogenitura a José, fazendo-o nosso chefe no culto e na guerra?” Jacó provocou, pois, a inveja de seus filhos mais velhos.

c. Ingenuamente José contou os sonhos que profetizavam que o restante de sua família se inclinaria diante dele da mesma forma que as pessoas prestavam homenagem aos reis naquele tempo. Em geral, não convém contar tais revelações até que se veja de que forma D-us as executará ou até que D-us mostre que devem ser contadas. Qual foi o propósito de D-us ao dar-lhe esses sonhos? Os sonhos deram a José a convicção de que D-us tinha algum alto propósito para a sua vida e mais tarde esses sonhos o sustentariam em seus longos anos de prova.

Ao enviar José a fim de obter informação acercado bem-estar de seus irmãos, Jacó deu a estes a oportunidade que esperavam. Percebe-se porém, que a mão de D-us o guiava mesmo no meio das más paixões de seus irmãos. Haviam-se transferido de Siquém até Dotã, situada dezoito quilômetros ao norte. Dota é uma palavra que significa “poços gêmeos” e existe até hoje em Dotã excelente abastecimento de água. A importância da transferência deles reside em que Dotã estava na rota das caravanas que se dirigiam ao Egito. Rúben se interpôs com a intenção de salvar a José dos planos assassinos de seus irmãos. Como filho mais velho era responsável pela vida de José e parece haver tido maior consideração por seu pai do que os demais. Não obstante,por contemporizar com seus irmãos, Rúben perdeu a oportunidade de salvar a José. Os ismaelitas chegaram no momento oportuno. Desta forma D-us operou usando homens maus para levar José ao Egito.

A forma pela qual os irmãos atuaram mostra como a inveja e o ódio podem endurecer a consciência humana. Passaram por alto a angustia e os rogos do jovem (42:21), sentaram-se tranqüilamente para comer pão depois de lançar José na cisterna. Depois de vendê-lo, felicitavam a si mesmos,sem dúvida, por sua misericórdia e bom tino para negócios. Mais tarde enganaram cruelmente a seu velho pai. Ao apresentar a túnica manchada de sangue, disseram-lhe insensivelmente: “Conhece agora se esta será ou não a túnica de teu filho”, como se José não fosse irmão deles. O fato de que as Escrituras relatem com franqueza os detalhes feios dos fundadores das tribos de Israel é evidência de sua autenticidade e inspiração. As lendas de outros povos sempre atribuem a seus fundadores características heróicas, porém não reconhecem falas neles.

A angústia inconsolável do velho pai não está à altura de um homem que havia lutado com D-us e havia prevalecido. Embora não seja errado expressar o pesar. Parece que Jacó se esqueceu dos sonhos de José e não buscou o consolo divino. Pelo contrário, Jacó sentiu a perda do único filho que havia prezado o espiritual e que o havia consolado com sua presença e amor após a trágica morte de sua querida esposa Raquel.

José na casa de Potifar: Gn.39.1-20. Os midianitas não venderam José a uma pessoa desconhecida que vivia em um lugar obscuro e distante da civilização. Ao invés disso, levaram-no à própria capital do Egito e o venderam a Potifar, capitão da guarda real, pessoa de influência na corte de Faraó. Assim José foi colocado onde se lhe ofereciam as melhores oportunidades de conhecer os costumes do egípcios, de ser iniciado na arte de governar e, sobretudo, de ser introduzido na presença de faraó.

A sorte que um escravo corria era muito dura, pois uma vez feito escravo. Permanecia escravo para sempre. À parte disto, José teria sofrido dolorosamente a saudade da casa e a falta do carinho de seu pai. Não obstante, uma vez levado, não deu sinais de protesto. Consagrou-se de boa vontade a cumprir seus deveres de escravo. Destacou-se como jovem consciencioso, industrioso e digno de confiança. Quatro vezes se dia no capitulo 39: “o Eterno estava com José”. O teólogo F.B.Meyer observa: “O sentido da presença e proteção do D-us de seu pai penetrava em sua alma e a tranqüilizava, e o guarda em perfeita paz”. Reconhecendo que D-us fazia José prosperar, Potifar fê-lo administrador de sua casa.

A integridade que José manteve diante da tentação apresentada pela esposa de Potifar contrasta notavelmente com a conduta de Judah registrada no capítulo anterior, Judah era livre e de sua própria vontade incorreu no pecado em um lugar que ele pensava ser um santuário cananeu. Por sua parte, escravo, longe do lar, José tinha todo o pretexto para ceder à tentação, porém lançou mão de duas armas: a divina e a humana. “Como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra D-us?” Considerou esse ato de imoralidade como pecado contra seu senhor, contra a senhora, contra seu próprio corpo e sobretudo, contra D-us. Também usou a arma humana ao afastar-se dela e por fim fugiu quando a tentação se tornou forte. Ao ser caluniado, não reagiu acusando a mulher, nem ainda defendendo-se a si próprio. Parece que Potifar havia duvidado da verdade da acusação e se irou principalmente porque havia perdido um escravo tão bom. Em vez de mata-lo, que seria o castigo correspondente ao delito, Potifar impôs a José a pena mais leve possível em tais circunstâncias.

José na prisão: Gn.39:2 – 40:23. depois de haver trabalhado com tanto afinco, sem queixas, e de haver chegado a um lugar de prestigio incomparável, José foi objeto de calunias e caiu ao ponto mais baixo e com menos esperança que a de um escravo. Mas José guardou silencio confiando sua causa às mãos de D-us e trabalhando serena e diligentemente. Por que D-us permitiu que José fosse encarcerado? Ali aprenderia muito dos altos personagens que compartilhavam a prisão com ele. também o pesar e a privações, o jugo levado na juventude, tudo contribuiu para formar um caráter firme, paciente e maduro a fim de que José prestasse grandes serviços a D-us e aos homens quando chegasse o momento oportuno. Por último, sua estada no cárcere e sua faculdade de interpretar sonhos puseram-no em seu devido tempo em contato com Faraó.

Como deve ter brilhado o caráter de José no meio dos presos ressentidos e desanimados! Ele tinha consciência de que D-us o acompanhava e este era o segredo de seu êxito. O chefe da prisão notou sua industriosidade e sua responsabilidade e o encarregou do cuidado de toda a prisão e dos presos. No caso dos dois funcionários do rei, presos, vemos que José não permitiu que sua triste situação pessoal despojasse seu coração de solicitude por outro ou o cegasse para as necessidades deles. Por sua comunhão com um D-us amoroso, estava cheio de compaixão. Interrogou o copeiro e o padeiro, que estavam perturbados, e então lhes afirmou que D-us tinha a interpretação de seus sonhos. Embora as interpretações divinamente dadas a José se cumprissem ao pé da letra, viu ele frustradas as suas esperanças de que o copeiro intercedesse por ele perante Faraó. A demora é, com freqüência, parte da disciplina divina. Por isso D-us demorou também a libertação de José par proporcionar-lhe um cumprimento maior dos sonhos que lhe dera muitos anos antes.

Shabat Shalom!

Jacó envia mensageiros a Esaú

Jacó assustou-se ao ouvir que seu irmão ofendido vinha ao seu encontro com 400 homens (supõe-se que vinham armados). Não podia fugir, pois seus filhos e esposas o acompanhavam. Tomou precauções para que em caso de ataque não fossem destruídos. Enviou mensagens amistosas e depois andou astutamente presentes para apaziguar a ira de Esaú, porém seu irmão não lhe respondeu nem uma palavra sequer. Ao que parece, Jacó estava entre “a faca e a parede”. Orou de uma boa forma, lançando mão das promessas de D-us, reconhecendo sua própria indignidade e a fidelidade divina; mas não reconheceu a causa fundamental de suas dificuldades. Quis ver-se livre de Esaú, porém seu verdadeiro inimigo era ele próprio, Jacó. Foi faço que havia enganado e levantado obstáculos em seu próprio caminho. D-us quis livrá-lo de seu espírito egoísta e carnal antes de permitir-lhe entrar na terra prometida.Na luta com o anjo junto ao ribeiro de Jaboque, aprecia-se em conjunto a vida de Jacó até esta altura. Sempre confiou em suas próprias forças, em sua astúcia e nas armas carnais e saíra vencedor. Agora de nada lhe serviam. Bastou um toque do anjo para que Jacó ficasse coxo e incapaz de continuar lutando. Lançou-se nos braços de D-us, não pedindo livramento de seu irmão nem de nenhuma outra coisa material, mas pedindo a bênção de D-us. Confessou que foi um “Jacó”, que foi um “suplantador”. Sua vitória foi à submissão a D-us.

O Anjo do Eterno mudou-lhe o nome e Ito indica mudança de caráter (Gn.17:5).Agora é “o que luta com D-us” e o significado de seu novo nome dá a norma da maneira como venceu. Daqui para frente não era o enganador lutando astutamente com os homens, mas o homem que obtinha vitórias com D-us por meio da fé. Seu novo nome foi transmitido a seus descendentes, os quis foram chamados “israelitas” e “Israel” a nação da aliança. Sua coxeadura simbolizava a derrota de seu próprio eu, seu “espírito quebrantado” e um “coração quebrantado e contrito” (Sl.51:17).

Jacó estava agora preparado para entrar em Canaã. Possivelmente D-us tenha usado a manqueira de Jacó para tocar o coração de seu irmão Esaú de modo que este ao vê-lo manquitolando mudasse de atitude (era tradição poupar pessoas com defeitos físicos); parece que assim foi,porque toda a sua ira e ressentimento desapareceram.Os dois abraçaram-se e choraram. Ilustra-se a verdade de Pv.16:7 “Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Eterno, até a seus inimigos faz que tenha paz com ele.” Não obstante, Jacó prudentemente rejeitou a escolta oferecida por Esaú e foi por outro lado. Embora os dois irmãos se tenham reconciliado, eram muito diferentes em espírito e Carter; um era homem de mundo e o outro um servo de D-us. Convinha que estivessem separados.
Jacó e sua família na terra prometida: Gn.33:18- 36:43. Jacó havia prometido a D-us que voltaria a Betel (Gn.28:21)m porém foi somente até Siquém. Ali comprou uma propriedade bem perto da cidade cananéia e se radicou comodamente durante quase dez anos. Também edificou um altar, talvez para dar testemunho de que D-us havia sido fiel ao permitir-lhe regressar a Canaã e para expressar sua fé na promessa de possuir a terra da Palestina. Contudo, edificar um altar não compensava o descumprimento de não regressar a Betel.

Jacó pagou um elevado preço por não cumprir o voto, sua filha Dinah foi violentada e pela influência cananéia seus filhos Simeão e Levi converteram-se em seres cruéis, traidores e vingativos. É de estranhar que Jacó permitisse a união de seus filhos com as filhas do cananeus, porque eles deviam permanecer separados, visto que era o povo escolhido de D-us. A pouca autoridade que ele exercia em sua casa naquele tempo fica demonstrada pela forma de falar e atuar. O ultraje perpetuado contra os indefesos habitantes da cidade encheu o coração de Jacó com o temor de uma vingança coletiva dos cananeus, e isto o despertou para ouvir a voz de D-us que lhe ordenou a volta a Betel.

O patriarca respondeu imediatamente à ordem divina exortando sua família a remover todo indício do culto idólatra. Os pendentes (colares) às vezes indicavam seu determinado estado social ou elevado posto. Alguns tinham a figura de alguma divindade e os consideravam amuletos. Jacó não podia obedecer a D-us e adora-lo de todo o coração enquanto estes símbolos pagãos não fossem sepultados. Depois voltou a Betel. O Eterno interveio semeando terror nos corações do cananeus e protegendo assim a família de Jacó da vingança dos pagãos. Em Betel Jacó edificou um altar efetuando novamente suas primeiras obras. D-us manifestou-se a ele e lhe confirmou seu novo nome e as promessas do concerto. Depois ele se foi para Hebrom, lar de seu pai Itzak. Ali teve comunhão com D-us e algumas experiências tristes que o amadureceram espiritualmente, fazendo-o9 assim digno de seu nome “Israel”. Raquel, sua amada esposa, morreu no caminho para Hebrom. Ruben, seu filho mais velho, trouxe a vergonha ao pai cometendo incesto; por isso perdeu sua preeminência entre as tribos hebréias e esta passou para Judah (Gn.49:3-5). Itzak, seu velho pai, morreu também depois de haver vivido alguns anos com Jacó. Finalmente, José foi vendido enquanto Jacó residia em Hebrom.

Jacó e Esaú são visto junto pela ultima vez no enterro de seu pai Itzak. Esaú e seus descendentes ocuparam a aterra de Seir (vale entre o mar Morto, o golfo de Acaba e a região montanhosa situada em ambos os lados do vale). Assim se formou a nação de Edom. Depois do capitulo 36 já são se fala de Esaú. Ao longo da h9istória da nação de Israel, os edomitas foram seus perpétuos inimigos (Ob.10 - 14) e até foi edomita (idumeu) o rei Herodes.

A importância de Jacó: As lições que tiramos da vida de são as seguintes:

a - Exemplifica magnificamente a graça de D-us. A eleição de Jacó para continuar a linhagem messiânica e o concerto abrâmico não dependia do mérito humano mas da vontade de D-us. Era filho mais novo e tinha grave falha de caráter. D-us operou na vida de Jacó revelando-se a ele, guiando-o na casa de Labão (Gn.31:13), protegendo-o de Labão,e por fim transformando-o em Peniel. Tudo foi feito por graça.

b - Mostra que D-us usa os homens, tais quais ele são, para cumprir seus propósitos. Parece que D-us tem de fazer o melhor possível com o material que usa. Lançou mão de Jacó com todas as imperfeições deste, e fez dele um de seus grandes servos.

c - A luta com o anjo em Peniel ensina-nos que as vitórias espirituais não são ganhas por meios duvidosos tais como a força e a astúcia, mas aceitando a própria impotência e lançando-se nas mãos de D-us.

d - Ilustra a lei inexorável da semeadura e colheita, Jacó enganou a seu velho e cego pai, porem ele foi enganado Labão e, depois, cruelmente, por seus filhos, quando fizeram José desaparecer.

e - Nas famílias de Abraão e Itzak somente uma pessoa foi herdeira das promessas em cada família.Mas não houve eliminação de pessoas na de Jacó. Todos os filhos eram herdeiros da promessa e vieram a ser pais das doze tribos.

Shabat Shalom!

Autoridade Palestina está persuadindo crianças a arriscarem suas vidas

A Autoridade Palestina paga uma compensação para as famílias dos mortos ou feridos nos confrontos, US$ 2,000 para os mortos e US$ 300 para os feridos.

Como aumentou o número dos mortos, a imprensa palestina não só exalta somente aqueles que morreram, mas também os que têm vontade de morrer como mártires de Alá, enfatizando que o martírio seria a realização de suas esperanças.

No dia 9 de novembro, a Autoridade Palestina em seu diário oficial Al-Hayat Al-Jadida publicou as observações feitas por Wajdi Hatab, 14 anos, para seus amigos dias antes de ser morto, afirmando que iria se tornar um mártir. Reagindo à sua morte, seus colegas juraram que continuariam buscando o martírio.

Em 1º de novembro, Al-Ayyam citou uma mãe que encorajou seus filhos a se sacrificarem para a causa palestina.

Ramahan Sahadi Rabbah, de 13 anos, quando perguntado sobre sua participação nos conflitos junto com os soldados, foi citado em Al-Hayat, no dia 8 de novembro dizendo que, “Meu propósito é não ficar ferido, mas algo mais sublime - o martírio.”

No dia 6 de novembro, o mesmo jornal citou um ferido de 11 anos de idade, refugiadono acampamento de Jabalya: “Somos todos mártires potenciais para Jerusalém e para a pátria.”

No canal de televisão da Autoridade Palestina, no dia 2 de novembro, um professor próximo aos alunos disse, “Nosso sangue é um sinal de nossa luta pela Palestina.”

Desde que começou a intifada, sites palestinos são inundados com “testemunhos ao vivo” dos feridos e daqueles que testemunham a morte de seus amigos. Os mortos são listados como mártires, embora analistas israelitas digam que nem todos foram mortos em conflitos.

Janine Zacharia, comenta, de Washington:

Aproximadamente 200 pediatras dos Estados Unidos, ficam transtornados com as periódicas demonstrações violentas envolvendo crianças no Oriente Médio, e formaram uma associação para condenar aqueles que, de propósito, expõem crianças ao perigo para obter algum ganho político. Eles dizem que serão uma voz para a segurança e o bem-estar das crianças em todo o mundo, objetivando pôr fim à prática de usar crianças como objetivos e armas em atividades políticas violentas.

Eles assinaram uma declaração que pede a todos os pais e governos para daram um fim na participação das suas crianças em demonstrações não pacíficas. Eles colocam a Autoridade Palestina como um ofensor principal e pede a comunidade internacional para fazer uma forte declaração contra este abuso.

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