VAYECHI
29.12.2001 / 14 de Tevet de 5762.
Parashah – VEYECHI – Gn.47:28 – 50:26
Haftarah – I Rs.2:1-12.
Comentário:
Jacó contempla o futuro abençoando a seus descendentes e profetizando: Embora Jacó, junto com sua família, desfrutasse do melhor do Egito, nunca perdeu a visão do futuro. À semelhança de Abraão e Itzak, Jacó considerava sua vida terrenal como uma peregrinação (47:9), pois “esperava a cidade . . . da qual o artífice e construtor é D-us“. Tampouco se esqueceu das promessas da aliança de que Israel seria uma nação e herdaria a terra de Canaã (48:3,4). A confiança, tanto de José como de Jacó, de que os israelitas voltariam à terra prometida se observa nas instruções que deram quanto à sua sepultura. Jacó ordenou a seus filhos que o sepultassem no cemitério de Macpela, onde se encontravam os restos de seus pais, avós e também de Léa, sua esposa. José pediu-lhes também, que levassem seus ossos para Canaã porque “D-us certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, Itzak e a Jacó“ (50:42).
Ao abençoar Jacó, seus filhos, foram constituídos pais das tribos de Israel, Jacó profetizou com assombroso discernimento as características das doze tribos. Rúben, por seu caráter impetuoso e instável, não cumpriu seu alto desígnio, e por sua impureza moral fez-se indigno da proeminência. Sua tribo caracterizou-se pela indecisão na época de Débora (Jz.5:15,16), e mais tarde parece ter sido eclipsada por Gade. Por outro lado, de tempos em tempos foi devastada por Moabe.
Os violentos filhos de Simeão e de Levi foram amaldiçoados por seu aleivoso ataque contra Siquém quando vingaram sua violada irmã Dinah (Gn.34). Em pouco tempo ficariam dispersos entre as demais tribos de Israel. Simeão, no meio de Judah (Js.19:1), foi absorvida principalmente por esta tribo, por outro lado, a dispersão de Levi converteu-se em grande bênção, dado que esta tribo foi honrada com a função sacerdotal e a espada da violência foi substituída pelo cutelo do sacrifício. A mais importante bênção e a profecia mais transcendente do presente capítulo é a que se refere à tribo de Judah (49:8-12). O erudito Derek Kidner observa que esta profecia apresenta em miniatura o esquema bíblico da história. Compara-se Judah ao leão por sua valentia, força irresistível e supremacia sobre as outras tribos. Historicamente, Judah foi posta à cabeça do acampamento israelita na peregrinação pelo deserto (Nm.2:2-9; 10:14); foi divinamente designada para ser a primeira em retomar a guerra contra os cananeus após a morte de Josué (Jz.1:1,2); seu exército no período de Davi representava mais de um terço da totalidade dos soldados israelitas (II Sm.24:9). “O Cetro (insígnia real ou de comando) não se arredará de Judah.” A Judah foi concedida a grande honra de ser o progenitor da dinastia real, a casa de Davi.
Pela fé Jacó olhou para o futuro longínquo e contemplou a vinda do Messias. Judah exerceria a autoridade real sobre as outras tribos “até que venha Shiloh”. Não é claro o significado da palavra “Shiloh” no idioma hebraico, porém muitos estudiosos da Bíblia a interpretam de uma ou outra maneira por “pacificador” ou “aquele a quem pertence o direito real” não outro que o Messias. A última interpretação indicaria que o Cetro ou símbolo de autoridade real estaria em mãos de sucessivos reis de Judah até que viesse o Rei a quem D-us reservava o direito de reinar e a quem as nações renderiam homenagem (49:10). Ezequiel (21:26, 27) parece confirmar que Gênesis 49:10 deve ser considerada claramente uma passagem messiânica. Esta profecia antecipou o grande fato histórico de que a linhagem de Davi chegaria a ser eterna no Messias, “o Leão de Judah e Príncipe da Paz”.
Alguns comentaristas julgam que Gênesis 49:11,12 se refere à abundância de vinha no território de Judah, porém outros crêem que o texto fala em sentido figurado da exuberante abundância do reino universal do Messias, cujo advento é profetizado no versículo anterior.
É interessante notar como Jacó empregava outros símbolos de animais para caracterizar certas tribos. Issacar é comparado a um jumento forte que não perdeu seu vigor. À semelhança de muita gente, a tribo de Issacar estava disposta a ceder sua liberdade a fim de obter segurança econômica e uma vida sem riscos nem responsabilidade. Em vez de lutar por submeter os cananeus, aceitou ser submetida por eles. A comparação de Dan a uma serpente venenosa, que ataca sem aviso, talvez se refira profeticamente à tomada de Laís de surpresa por essa tribo (Jz.18:7-9). Naftali seria como uma cerva solta; efetivamente foi localizada em território fértil e tranqüilo. Nos capítulos 19 e 20 de Juízes nota-se algo da violência de um lobo na conduta dos benjamitas. Assim Jacó previu com exatidão algo do caráter e destino das tribos hebraicas. As bênçãos sobre seus filhos constituíram uma conclusão apropriada do período patriarcal.
Lições da vida de José: O livro de Gênesis termina com as palavras “num caixão no Egito”. José deixou o mundo dando testemunho de sua fé na promessa de que Israel voltaria a Canaã, pois ordenou que seu corpo fosse embalsamado a fim de ser levado para Canaã. Para os israelitas que estavam no Egito, o caixão era um símbolo de esperança.
- Podemos aprender muito estudando a história de José. Eis algumas lições que podemos extrair:
- Pureza pessoal. Se não fosse a vida religiosa de José e sua convicção quanto à importância da pureza, teria sido arrastado por paixões carnais e teria cedido à tentação. Mas resolvera levar uma vida pura e se conservou imaculado.
- A prosperidade nos negócios é possível para o fiel servo de D-us. D-us fez José prosperar e ele é um exemplo para nós.
- A importância de cuidar de nossos pais.
- Por meio da humildade, obter a coroa. José sofreu como escravo e depois como preso durante os anos de sua juventude. Foi perseguido pelos irmãos, caluniado pela mulher de Potifar e esquecido pelo copeiro. Tudo sofreu com paciência. Mas seus sofrimentos foram meios que o levaram a alcançar a coroa de autoridade no Egito.
- Toda a vida de José é um exemplo da providência divina. D-us guiou todos os passos de José encaminhado a maldade dos homens e os contratempos da vida para sua meta divina.
Shabat Shalom !
