VAYISHLACH
23.11.2002 / 18 de Kislev de 5763.
Parashah – VAISHLACH – Gn.32:4 – Gn.36:43.
Haftarah – Ob.1:1-21; Am.2:6-3:8.
Jacó envia mensageiros a Esaú : Jacó assustou-se ao ouvir que seu irmão ofendido vinha ao seu encontro com 400 homens (supõe-se que vinham armados). Não podia fugir, pois seus filhos e esposas o acompanhavam. Tomou precauções para que em caso de ataque não fossem destruídos. Enviou mensagens amistosas e depois enviou astutamente presentes para apaziguar a ira de Esaú, porém seu irmão não lhe respondeu nem uma palavra sequer. Ao que parece, Jacó estava entre “a faca e a parede”. Orou de uma boa forma, lançando mão das promessas de D-us, reconhecendo sua própria indignidade e a fidelidade divina; mas não reconheceu a causa fundamental de suas dificuldades. Quis ver-se livre de Esaú, porém seu verdadeiro inimigo era ele próprio, Jacó. Foi fato que havia enganado e levantado obstáculos em seu próprio caminho. D-us quis livrá-lo de seu espírito egoísta e carnal antes de permitir-lhe entrar na terra prometida.
Na luta com o anjo junto ao ribeiro de Jaboque, aprecia-se em conjunto a vida de Jacó até esta altura. Sempre confiou em suas próprias forças, em sua astúcia e nas armas carnais e saíra vencedor. Agora de nada lhe serviam. Bastou um toque do anjo para que Jacó ficasse coxo e incapaz de continuar lutando. Lançou-se nos braços de D-us, não pedindo livramento de seu irmão nem de nenhuma outra coisa material, mas pedindo a bênção de D-us. Confessou que foi um “Jacó”, que foi um “suplantador”. Sua vitória foi à submissão a D-us.
O Anjo do Eterno mudou-lhe o nome e isto indica mudança de caráter (Gn.17:5).Agora é “o que luta com D-us” e o significado de seu novo nome dá a norma da maneira como venceu. Daqui para frente não era o enganador lutando astutamente com os homens, mas o homem que obtinha vitórias com D-us por meio da fé. Seu novo nome foi transmitido a seus descendentes, os quis foram chamados “israelitas” e “Israel” a nação da aliança. Sua coxeadura simbolizava a derrota de seu próprio eu, seu “espírito quebrantado” e um “coração quebrantado e contrito” (Sl.51:17).
Jacó estava agora preparado para entrar em Canaã. Possivelmente D-us tenha usado a manqueira de Jacó para tocar o coração de seu irmão Esaú de modo que este ao vê-lo manquitolando mudasse de atitude (era tradição poupar pessoas com defeitos físicos); parece que assim foi,porque toda a sua ira e ressentimento desapareceram.Os dois abraçaram-se e choraram. Ilustra-se a verdade de Pv.16:7 “Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Eterno, até a seus inimigos faz que tenha paz com ele.” Não obstante, Jacó prudentemente rejeitou a escolta oferecida por Esaú e foi por outro lado. Embora os dois irmãos se tenham reconciliado, eram muito diferentes em espírito e Carter; um era homem de mundo e o outro um servo de D-us. Convinha que estivessem separados.
Jacó e sua família na terra prometida: Gn.33:18- 36:43. Jacó havia prometido a D-us que voltaria a Betel (Gn.28:21)m porém foi somente até Siquém. Ali comprou uma propriedade bem perto da cidade cananéia e se radicou comodamente durante quase dez anos. Também edificou um altar, talvez para dar testemunho de que D-us havia sido fiel ao permitir-lhe regressar a Canaã e para expressar sua fé na promessa de possuir a terra da Palestina. Contudo, edificar um altar não compensava o descumprimento de não regressar a Betel.
Jacó pagou um elevado preço por não cumprir o voto, sua filha Dinah foi violentada e pela influência cananéia seus filhos Simeão e Levi converteram-se em seres cruéis, traidores e vingativos. É de estranhar que Jacó permitisse a união de seus filhos com as filhas do cananeus, porque eles deviam permanecer separados, visto que era o povo escolhido de D-us. A pouca autoridade que ele exercia em sua casa naquele tempo fica demonstrada pela forma de falar e atuar. O ultraje perpetuado contra os indefesos habitantes da cidade encheu o coração de Jacó com o temor de uma vingança coletiva dos cananeus, e isto o despertou para ouvir a voz de D-us que lhe ordenou a volta a Betel.
O patriarca respondeu imediatamente à ordem divina exortando sua família a remover todo indício do culto idólatra. Os pendentes (colares) às vezes indicavam seu determinado estado social ou elevado posto. Alguns tinham a figura de alguma divindade e os consideravam amuletos. Jacó não podia obedecer a D-us e adora-lo de todo o coração enquanto estes símbolos pagãos não fossem sepultados. Depois voltou a Betel. O Eterno interveio semeando terror nos corações do cananeus e protegendo assim a família de Jacó da vingança dos pagãos. Em Betel Jacó edificou um altar efetuando novamente suas primeiras obras. D-us manifestou-se a ele e lhe confirmou seu novo nome e as promessas do concerto. Depois ele se foi para Hebrom, lar de seu pai Itzak. Ali teve comunhão com D-us e algumas experiências tristes que o amadureceram espiritualmente, fazendo-o assim digno de seu nome “Israel”. Raquel, sua amada esposa, morreu no caminho para Hebrom. Ruben, seu filho mais velho, trouxe a vergonha ao pai cometendo incesto; por isso perdeu sua preeminência entre as tribos hebréias e esta passou para Judah (Gn.49:3-5). Itzak, seu velho pai, morreu também depois de haver vivido alguns anos com Jacó. Finalmente, José foi vendido enquanto Jacó residia em Hebrom.
Jacó e Esaú são visto junto pela ultima vez no enterro de seu pai Itzak. Esaú e seus descendentes ocuparam a aterra de Seir (vale entre o mar Morto, o golfo de Acaba e a região montanhosa situada em ambos os lados do vale). Assim se formou a nação de Edom. Depois do capitulo 36 já são se fala de Esaú. Ao longo da h9istória da nação de Israel, os edomitas foram seus perpétuos inimigos (Ob.10 – 14) e até foi edomita (idumeu) o rei Herodes.
A importância de Jacó: As lições que tiramos da vida de são as seguintes:
a – Exemplifica magnificamente a graça de D-us. A eleição de Jacó para continuar a linhagem messiânica e o concerto abrâmico não dependia do mérito humano mas da vontade de D-us. Era filho mais novo e tinha grave falha de caráter. D-us operou na vida de Jacó revelando-se a ele, guiando-o na casa de Labão (Gn.31:13), protegendo-o de Labão,e por fim transformando-o em Peniel. Tudo foi feito por graça.
b – Mostra que D-us usa os homens, tais quais ele são, para cumprir seus propósitos. Parece que D-us tem de fazer o melhor possível com o material que usa. Lançou mão de Jacó com todas as imperfeições deste, e fez dele um de seus grandes servos.
c – A luta com o anjo em Peniel ensina-nos que as vitórias espirituais não são ganhas por meios duvidosos tais como a força e a astúcia, mas aceitando a própria impotência e lançando-se nas mãos de D-us.
d – Ilustra a lei inexorável da semeadura e colheita, Jacó enganou a seu velho e cego pai, porem ele foi enganado Labão e, depois, cruelmente, por seus filhos, quando fizeram José desaparecer.
e – Nas famílias de Abraão e Itzak somente uma pessoa foi herdeira das promessas em cada família.Mas não houve eliminação de pessoas na de Jacó. Todos os filhos eram herdeiros da promessa e vieram a ser pais das doze tribos.
[/b]Um Shabat Shalom![/b]
