08.02.2003 / 6 de Adar I de 5763.
Parashah – TERUMAH – Ex. 25:1– 28:19.
Haftarah – I Rs. 5:20 – 6:13.
A parashah desta semana tem como foco central o TABERNÁCULO. Para uma visão geral, fugiremos dos limites do texto supra, pois navegaremos, em outros capítulos dentro do mesmo livro. Tais capítulos são o 30, 35, 38, 39 e 40.
A ratificação do pacto ensinou aos israelitas a grande verdade de que um povo disposto a fazer a vontade de D-us podia aproximar-se dele mediante sacrifícios. Uma teofania impressionante no monte Sinai havia-lhes mostrado de forma visível a realidade de D-us, sua majestade e transcendência. Que faltava aos israelitas para completar a promessa do concerto “Eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso D-us?” Necessitavam da presença palpável de D-us e permanentemente entre eles, o que se realizou por meio do Tabernáculo.
Embora em sentido literal seja impossível que Sua presença de limite a um lugar, pois D-us não habita em templos feitos por mãos humanas, na realidade Ele se manifesta de maneira especial em Seu Templo. O Tabernáculo seria para lembrar ao povo de que possuía a dita incomparável de ter D-us no meio de Israel. Naquela tenda D-us habitava como Rei de seu povo e recebia a homenagem de Seu culto. Desejava peregrinar com a nação hebraica no deserto, guiá-la em seus caminhos, defendê-la de seus inimigos e conduzi-la ao descanso de uma vida sedentária em Canaã. Assim D-us se diferenciava dos deuses pagãos por habitar com o seu povo e manifestar sua presença no Tabernáculo.
A importância do Tabernáculo torna-se manifesta nos treze capítulos dedicados ao relato de sua descrição e construção.
Propósitos do Tabernáculo:
- Proporcionar um lugar onde D-us habite entre seu povo. Aí o Rei invisível podia encontrar-se com os representantes de seu povo e eles com o Rei. O Tabernáculo lembrava também aos israelitas que D-us os acompanhava em sua peregrinação.
- Ser o centro da vida religiosa, moral e social. A tenda sempre se situava no meio do acampamento das doze tribos e era o lugar de sacrifício e centro de celebração das festas nacionais.
- Representar grandes verdades espirituais que D-us desejava gravar na mente humana, tais como sua majestade e santidade, sua proximidade e a forma de aproximar-se de um D-us santo.
Construção do Tabernáculo:
D-us ensinou a Israel muitas lições mediante o livramento do Egito, das experiências no deserto e das leis dadas no Sinai. Não obstante, há lições que podem ser aprendidas somente trabalhando em cooperação com D-us e na forma como ele deseja.
A primeira coisa que D-us pediu foi uma oferta. O tabernáculo foi construído com as ofertas voluntárias do povo. D-us desejava ver um coração bem disposto. Ninguém foi obrigado a dar. Não devia haver obrigação de nenhum tipo, exceto a que nasce do amor e da gratidão. Eram ofertas custosas, pois se calcula que por si só equivalia hoje a mais de um milhão de dólares. Êxodo 35:4- 29 demonstra quão importante era para D-us que cada um tivesse a oportunidade de dar alguma coisa. Precisava-se de metais, materiais e tecidos de todos os tipos. Todos podiam dar segundo o que possuíam. D-us não depende de uns poucos homens ricos para pagar as contas. Deseja que todos desfrutem a emoção e a bênção de partilhar o que têm. Os israelitas davam com alegria e tão generosamente que foi necessário suspender as ofertas.
Que mais pediu D-us aos israelitas além das coisas que possuíam? D-us necessitava da habilidade, do conhecimento e do trabalho deles. Inclusive as mulheres empregavam suas mãos e cérebros fiando tecidos primorosos. Bezalel e Aoliabe foram chamados por D-us e ungidos com o Espírito para projetar as plantas, trabalhar os metais e ensinar a outros. D-us concede ministérios especiais a alguns e trabalho para todos.
Quem fez a planta do Tabernáculo? Todos os detalhes foram feitos de acordo com o desenho que D-us mostrou a Moisés no monte. Ensina a grande lição de que é o próprio D-us quem determina os pormenores relacionados com o culto verdadeiro. Ele não aceita as invenções religiosas humanas nem o culto prestado segundo prescrições de homens; temos de adorar a D-us da forma indicada em sua Palavra. Ao construir o tabernáculo estritamente conforme as ordenanças de D-us, os israelitas foram recompensados, pois a glória de D-us encheu a tenda e a nuvem de D-us permaneceu sobre ela. Igualmente conosco, se desejamos a presença e bênção divina, temos de cumprir as condições expressas na Palavra de D-us.
A tenda em si mesma media quatorze metros de comprimento por quatro e meio de largura. A armação foi feita de quarenta e oito tábuas de madeira de acácia recobertas de ouro puro. Cada tábua se assentava sobre duas bases de prata e se uniam às demais tábuas por meio de cinco barras. O teto plano consistia em uma cortina de linho fino com finos bordados de figuras de querubins em azul, púrpura e carmesim. Havia três cobertas sobre as tábuas e o teto plano: o exterior era de peles de texugo (ou possivelmente de foca), depois, para dentro uma de peles de carneiro tingido em vermelho e uma branca de pêlos de cabra. A coberta interna consistia em uma cortina de linho fino retorcido em cores azul, púrpura e carmesim com figuras de querubins. A tenda dividia-se em duas câmaras. A entrada ficava ao oriente e conduzia ao lugar santo; este media nove metros de comprimento. Mais para dentro estava o Santo dos Santos ou lugar Santíssimo. Entre os dois compartimento havia um véu de linho com desenhos em cor azul, púrpura e carmesim, adornado com figuras de querubins. O lugar Santíssimo tinha a forma de um cubo.
No lugar Santo encontrava-se três móveis: a mesa dos pães, o castiçal e o altar do incenso. À direita estava a mesa dos pães da proposição, feita de acácia e revestida de ouro; media noventa e um centímetros de comprimento por quarenta e seis de largura, com uma altura de sessenta e sete centímetros. Todos os sábados os sacerdotes punham doze pães asmos, ou seja, sem fermento, sobre a mesa e retiravam os pães envelhecidos que os sacerdotes comiam no lugar santo.
Ao lado esquerdo do lugar santo encontrava-se o castiçal ou candelabro de ouro com suas sete lâmpadas. Sua “cana” ou tronco descansava sobre um pedestal. Tinha sete braços, três de cada lado e um no centro. Cada um com figuras de maçãs, flores e copos lavrados em derredor. Todas as tardes os sacerdotes limpavam as mechas e enchiam as lâmpadas com azeite puro de oliva a fim de que ardessem durante toda à noite.
Diante do véu no lugar santo estava o altar do incenso. À semelhança dos outros móveis da tenda, era feito de acácia e revestido de ouro. Tinha seus quatro lados iguais; cada lado media meio metro e sua altura era aproximadamente de um metro. Sobressaindo da superfície, havia em seus quatro cantos umas pontas em forma de chifre. Todas as manhãs e todas as tardes, quando preparavam as lâmpadas, os sacerdotes queimavam sobre esse altar o incenso utilizando-se de fogo tirado do altar do holocausto. O altar do incenso relacionava-se mais estreitamente com o lugar santíssimo do que os demais móveis do lugar santo. É descrito como o altar “que está perante a face do Senhor”, como senão existisse o véu entre ele e a arca. Portanto era considerado em conjunto com a arca, com o propiciatório e com a Shekinah (morada/habitação) de glória. O lugar santíssimo diferenciava-se dos templos pagãos em que não tinha nenhuma figura que representasse a D-us. Continha um único móvel; a arca do concerto, o objeto mais sagrado de Israel. A arca era um cofre de 1,15 mt. por 0,70 mt. construído de acácia e revestido de ouro por dentro e por fora. Sobre a coberta da arca estavam dois querubins (seres angelicais) diante um do outro, feitos de ouro, que com suas asas cobriam o local conhecido como ”propiciatório”. Aí D-us manifestava a sua glória.
Em torno da tenda estava o átrio ou pátio; seu perímetro era de cento e quarenta metros, com uma entrada de nove metros ao oriente. A metade oriental do átrio era a arca onde se permitia que os adoradores israelitas prestassem cultos a D-us. Dois móveis havia no átrio: o altar dos holocaustos, situado perto da porta do concerto e a pia de cobre, localizada entre o altar dos holocaustos e a porta da tenda.
O altar dos holocaustos também foi conhecido como altar de cobre por ser feito de acácia e revestida de cobre; media quase dois metros e meio tanto de largura com de comprimento e um metro e meio de altura. O interior deste altar era oco. Cada canto tinha um chifre, ponta que se sobressaia em forma de chifre de boi. Os animais para o sacrifício eram atados a este chifre. Também, se alguma pessoa era perseguida, podia apegar-se aos chifres do altar a fim de obter misericórdia, e proteção. Sobre este altar eram oferecidos os sacrifícios; esta era sua finalidade.
É provável que a pia de cobre fosse feita completamente de metal. Não há nenhum detalhe pelo que se possa saber sua forma ou tamanho, embora se suponha que deve ter sido um modelo em miniatura do tanque circular do templo de Salomão chamado “mar”. Os sacerdotes eram obrigados, sob pena de morte, a lavar-se na pia antes de oferecer sacrifícios ou entrar no lugar santo.
O Tabernáculo foi construído de tal maneira que fosse fácil de desarmar e tornar a armá-lo; era portátil para poder ser levado de um lugar para outro. Cada móvel tinha argolas por onde passavam as barras que os israelitas utilizavam para alçar as partes do Tabernáculo.
Simbolismo do Tabernáculo:
Em comparação com os templos pagãos, a tenda da congregação era muito pequena. Não foi projetada para que o povo israelita se reunisse em seu interior para adorar a D-us, mas com o fim de que seus representantes, os sacerdotes, oficiassem como mediadores. Evidentemente que cada móvel e sua localização tinham grande valor simbólico.
As figuras dos querubins, com as asas estendidas para cima, e o rosto de cada um voltado para o rosto do outro, representavam reverência e culto a D-us. A arca continha as duas tábuas da Lei, um vaso com maná, e mais tarde se incluiu a vara de Aarão. Todos esses objetos lembravam a Israel o concerto e o amor de D-us. As tábuas da Lei simbolizavam a Santidade de D-us e a pecaminosidade do homem. Também lembrava aos hebreus que não se pode adorar a D-us em verdade sem se dispor a cumprir sua vontade revelada. O véu que separava o lugar santíssimo do lugar santo e excluía todos os homens com exceção do sumo sacerdote acentuava que D-us é inacessível ao homem pecador.
As disposições dos móveis no pátio do tabernáculo mostravam como o homem pode aproximar-se de D-us e restaurar a comunhão com Ele. O primeiro passo para aproximar-se o homem de D-us está simbolizado pelo altar dos holocaustos, ou seja, a expiação dos pecados. O segundo passo para aproximar-se de D-us e preparar-se para ministrar nas coisas sagradas é simbolicamente representado pela pia de cobre. Aí os sacerdotes se lavavam antes de oficiar nas coisas sagradas. Demonstra que é necessário purificar-se para servir a D-us. Os móveis do lugar santo indicavam como a nação sacerdotal podia prestar culto a D-us e servi-lo de uma forma aceitável. O altar do incenso estava no centro; ensina-nos que uma vida de oração é imprescindível para agradar a D-us, já que o incenso simboliza a oração, o louvor e a intercessão do povo de D-us. Duas vezes por dia acendia-se o incenso sobre o altar e provavelmente ardia o dia todo. Isto nos ensina que devemos ser constantes na oração
Ao entrar no lugar santo encontrava-se à direita a mesa dos pães da proposição. A frase “pães da proposição” significa literalmente “pães do rosto”, e alguns teólogos o traduzem como “pães da presença”, pois o pão era colocado continuamente na presença de D-us. Os doze pães colocados na mesa representavam uma oferta de gratidão a D-us da parte das doze tribos, pois pão é ao mesmo tempo uma dádiva de D-us e fruto dos esforços humanos. Por isso o povo reconhecia que havia recebido seu sustento de D-us e ao mesmo tempo consagrava a Ele os frutos de seu trabalho. Portanto a mesa dos pães refere-se também a mordomia dos bens materiais. O terceiro móvel no lugar santo era o castiçal de ouro, que simbolizava o povo de D-us, Israel. Ensinava que Israel devia ser “luz dos gentios”, dando testemunho ao mundo por meio de uma vida santa e da mensagem proclamada por D-us. Era necessário encher o castiçal com azeite puro de oliveira a fim de que ardesse e iluminasse ao seu redor. O profeta Zacarias empregou a figura do castiçal com abundante azeite para representar a Israel. O azeite é, pois, símbolo do Espirito de D-us.
Já notamos que os móveis do lugar Santo ensinam como os filhos de D-us podem prestar culto e serviço ao seu Senhor. Todos os aspectos do culto representados pelos móveis são importantes, mas o lugar central que o altar do incenso ocupava parece indicar que a atividade relacionada com este é o mais importante.
Acredito que os três itens supra, tenham contribuído para melhor entendermos a importância do conteúdo desta parashah.
Shabat Shalom!