VAYAKÉL

1.03.2003 / 27de Adar I de 5763

Parashah – VAYAKÉL – Ex.35:1 – 38:20
Haftarah – I Reis 7.13- 26

“E reuniu Moisés toda a congregação dos filhos de Israel e disse-lhes: Estas são as coisas que ordenou o Eterno que se fizessem. Seis dias fazer-se-á trabalho, e no SÉTINO DIA haverá para vós SANTIDADE, Sábado de repouso ao Eterno: Todo aquele que nele fizer trabalho, será morto (Ex.35.1,2)“.

Antes de fixarmos no texto inicial da parashah, iremos discorrer um pouco sobre história, a que mudou a guarda do Sábado para o Domingo, segundo busca em várias obras que tratam do assunto.

A mudança de Sábado para Domingo
Já no século segundo da era atual, o Domingo era guardado em lugar do Sábado pelos cristãos de Alexandria. Essa apostasia local fora evidentemente derivada do gnosticismo, um sistema teológico e filosófico que ali se estabelecera. Mas não tardou essa defecção em estender suas raízes a outras partes, de maneira que, no século terceiro já se guardavam, em diversos lugares, ambos os dias. O domingo, porém, ia tomando ascendência sobre o Sábado, até suplantá-lo por completo.

Os pagãos do império romano guardavam o atual Domingo, o primeiro dia da semana, ao qual honravam como “dies solis” (dia do Sol). Essa prática foi aceita pelo gnosticismo, passando daí para a Igreja em Alexandria , como acabamos de referir. E, no século quarto, grande parte da cristandade já guardava o dia do Sol dos pagãos, como sendo o dia do Senhor.

Constantino Magno, Imperador pagão, via que a linha demarcatória entre o cristianismo e o paganismo se desvanecia mais e mais. Via que, com um pouco de esforço, podia ganhar apoio, não só dos seus súditos pagãos, mas também dos cristãos. Mas, para tanto, era necessário que os dois credos se aproximassem mais ainda, pois a fusão entre o cristianismo e o paganismo ainda não era completa. Havia muitos cristãos fiéis que guardavam o verdadeiro descanso do Altíssimo – o Sábado – que é o quarto mandamento da Lei Original de D-us, e rejeitavam, como fruto do paganismo, a observância do primeiro dia da semana (Domingo), o dia do Sol. Visando salvaguardar a suposta santidade do primeiro dia da semana e favorecer a aproximação das duas classes, Constantino, a 7 de março de 321 AD (Era Atual), promulgou o seguinte decreto:

“Que todos os juizes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo Céu.” – Codex Justinianus, lib. 3, tit. 12. Par. 2(3).

Esta lei foi acatada de bom grado pelos dirigentes da igreja em Roma. “Em quase todos os concílios o Sábado que D-us havia instituído, era rebaixado um pouco mais, enquanto o Domingo era em idêntica proporção exaltado. Destarte a festividade pagã veio finalmente a ser honrada como instituição divina, ao mesmo tempo em que se declarava ser o Sábado bíblico relíquia do judaísmo, amaldiçoando-se os seus observadores.” – E. G. White, O Grande Conflito, pág. 50.

Do supra, vem uma grande pergunta: Com que poder um pagão muda algo que nos proporciona Santidade?

Promessa de Santidade
Muito pouco vamos discorrer sobre o tema Santidade, apenas reforçar, Portanto santificai-vos, e sede santos, pois Eu sou o Senhor vosso D-us. Lv.20.7
Acredito piamente, que apenas este versículo deixado por Moisés, através de inspiração Divina, é suficiente, para despertar em nós a necessidade de obedecermos a D-us em toda sua plenitude, para que continuemos como povo eleito a serví-lo para sua honra e glória, só que para estarmos neste espaço concedido por D-us, uma coisa importante é, sejamos SANTO porque Ele, o Eterno, é SANTO.

Shabat Shalom !

KI TISSÁ

22.02.2003 / 20 de Adar I de 5763

Parashah – KI TISSÁ – Ex.30:11- 34:35
Haftarah – I Rs.18:1- 39

O título da parashah inicia com um questionamento, cujo significado é “quando levantares”, que se refere à elevação das cabeças dos filhos de Israel, após terem praticado o grave erro em deixar de adorar o Eterno, para adorarem um bezerro de ouro, feito por mãos humanas.

O pecado da adoração do bezerro de ouro trouxe a tona mais um declínio trágico para o povo israelita, pois ficou em pé de igualdade com o pecado de Adão e Eva, quando em estado de desobediência partilharam da Árvore do Conhecimento. Cabe aqui expor que tal pecado havia sido outorgado, quando do recebimento da Torah, fazendo então o retorno ao pecado que tem sido fonte de todas as transgressões posteriores.

Ao analisarmos o estudo do saudoso Reb Lubavitcher sobre tal parashah, vemos que sua visão teológica é profunda ao declarar que toda a punição sofrida pelo povo judeu através dos séculos está ligada a este pecado, fazendo surgir uma pergunta: Que tal acontecimento tem a ver com uma Porção cujo nome sugere elevação dos judeus? Em função de tal, o Reb Lubavitcher sugeria a análise dos seguintes pontos:

Para que o Homem se Torne Mais que Humano.
“Para responder a esta questão, temos que ampliar nossos parâmetros de pensamento, pois o estado para o qual D-us deseja levar a humanidade está acima das concepções humanas normais. Isto está insinuado pela própria expressão ‘Quando elevares as cabeças’; isto é, o intelecto humano precisa ser elevado”. Nada mais lógico e justo, para que cada um possa ver com a devida dignidade que é requerida.

“A essência de nossa alma é ‘uma verdadeira partícula de D-us de cima’, e D-us deseja que o ser humano transcenda a si mesmo e experimente este potencial Divino. Além disto, a intenção não é apenas de nos erguermos acima do intelecto humano, mas ‘elevarmos as cabeças‘, reformulando a mente. “Em outras palavras, não é com o nosso racional que viveremos nos caminhos do Eterno, mas sim na real transcendência de nosso intelecto”.

Viagem Projetada por D-us.
Disse-nos o Reb:

“O intelecto é uma encruzilhada. Por um lado é a faculdade que possibilita à humanidade crescer e expandir seus horizontes. Por outro, o intelecto de um mortal é limitado por definição. Além disso, todo intelecto baseia-se no ego; quanto mais a pessoa entende, mais forte é o senso de si própria”. Analisando tal exposição, ficamos a meditar, quão escasso é a linha que separara a realidade da fantasia, o que leva-nos a crer a dificuldade do humano, que não tem conhecimento de D-us como linha de vida, para transitar em tal situação, pois por pura comodidade, mais fácil será cair para a fantasia do que o caminho da realidade.

Plano Temeroso de D-us.
Ainda na visão do Reb, ele preocupa-se e expõem “Nesta linha de pensamento, a Chassidut descreve o pecado como ‘plano temeroso bolado contra o homem’. Se o yêtser hará (má inclinação) domina alguém e o faz pecar, isto ocorre porque o yêtser hará foi induzido lá de Cima para fazê-lo. É intencional, ‘um plano temeroso’ projetado por D-us para efetuar uma união mais completa entre D-us, essa pessoa e o Universo em geral.

Em sua explicação sobre a afirmação de nossos Sábios de que ‘onde se encontram os baalê teshuvah (os que retornaram ao caminho da Torah e mitzvot), coube uma pergunta. Por que um báal teshuvah tem o potencial de elevar aspectos da existência que são distanciados de D-us por natureza? Porque para se esforçar para a teshuvah precisa captar as fontes espirituais mais profundas, aquela alma que é ‘verdadeira partícula de D-us’. Quando chega a este ponto, consegue entender que nada está separado d’Ele, e pode demonstrar em sua vida como todos os elementos da existência que expressam Sua verdade.”

Três Fases.
Com base no que foi explicado acima, podemos entender a seqüência de Parashah KI TISSÁ. O objetivo - a elevação do povo judeu – está no versículo inicial. Posteriormente, a leitura continua com os mandamentos finais para a construção e inauguração do Tabernáculo, a oferenda do incenso e a outorga das Primeiras Tábuas. Todos estes assuntos refletem uma conexão com D-us acima dos limites da experiência cotidiana.

Para esta conexão penetrar o Universo mundano e preencher até mesmo os aspectos mais inferiores da existência, tem que haver a seqüência do pecado do bezerro de ouro e a quebra das Tábuas. Esta queda terrível motivou o povo judeu a se voltar para D-us em teshuvah, evocando uma terceira fase – a revelação dos Trezes Atributos da Misericórdia Divina – um nível de Divindade totalmente ilimitado, que abrange até mesmo os níveis mais baixos.

Este pináculo superior encontra expressão na outorga das Segundas Tábuas e o último acontecimento mencionado na leitura da Torah desta semana – o brilho do semblante de Moisés.

O brilho do rosto de Moisés representou a fusão suprema do físico com o espiritual. Luz divina brilhou do corpo físico de Moisés.

Finalmente Subidas e Descidas.
“Ciclos de descida e subida parecidos moldaram a história de nosso povo. O objetivo deste processo é uma união suprema entre o espiritual e o material – a Era da Redenção, quando o mundo estará repleto do conhecimento de D-us como as águas encobrem o leito do oceano”.

“Quando vistos por este prisma, todos os anos de exílio parecem ser apenas ‘um momento fugaz’. Pois o exílio não tem objetivo por si só; é um meio para evocar uma conexão mais profunda com D-us, e um instrumento que possibilita a esta ligação preencher todos os aspectos da experiência. Quando este objetivo for atingido, o exílio terminará; como disse Rambam: “A Torá prometeu que no fim do exílio Israel retornará a D-us e será redimido imediatamente”.

“E terá início uma subida infinita, conforme está escrito: Avançarão de força em força, e aparecerão diante de D-us em Tzion”.

Shabat Shalom!

TETZAVEH

13.02.2003 / 13 de Adar I de 5763.

Parashah – TETZAVEH – Ex.:27:20- 30:10
Haftarah – Ez.:43:10- 27

Na parashah anterior, Mishpatim, nós navegamos em outros capítulos além dos pré-estabelecidos para aquela parashah. A razão foi que o assunto por ser amplo, entendemos que a melhor forma de comentá-la, seria em um único momento.

Na parashah de hoje, estaremos então discorrendo sobre as reflexões do compromisso de um Líder.

Liderança inclui auto-sacrifício. Para receber é preciso dar, mas a verdadeira liderança está acima deste tipo de barganha, um verdadeiro líder se eleva acima de auto-interesse, identifica-se inteiramente com o povo e seu ideal, estando disposto a abdicar de tudo por eles. Como um exemplo marcante, temos o que foi dado por Moisés quando D-us censurou severamente o povo, quando da construção do bezerro de ouro, a ponto de pedir Moisés a D-us que o retirasse do livro da vida, se não perdoasse o povo por tamanha idolatria.

A construção do bezerro de ouro, traz-nos um turbilhão de fatos que aconteceram e que levados pela fertilidade de nossa criatividade, poderão acontecer. Os fatos a que me refiro são ações que de uma forma ou outra, desabonam-nos frente ao Criador e tudo passa pela EDUCAÇÂO, quer por parte de quem transmite e de quem recebe e será sobre o tema educação que me estenderei.

Sem que alguém tenha maiores pendores para cientista, bastando apenas que seja um ser racional, verá que existe algo que controla o meio natural onde vivemos, é a LEI DA NATUREZA. Logo, se D-us criou tudo, e friamente notamos que para o mundo irracional existem leis, regras, normas, então para o homem que é um ser racional e entende ser o dono do mundo, desde o início deixou muito claro que não estava apto a colocar em prática “suas leis”, razão pela qual D-us teve que interferir de uma forma, até rude, segundo nosso entendimento. Mas não esqueçamos que há somente duas formas de educar-se o homem, pelo amor, falando brandamente, tal qual como D-us falou a Adão, “não coma do fruto desta árvore, porque certamente morrerás”. Quando esta forma não suscita efeito, a outra maneira de educar-se o homem, infelizmente é pela dor. O educar pela dor, a que me refiro, não é necessariamente a provocada pelo espancamento. Por exemplo, podemos educar nossos filhos pela dor, quando os privamos de ir ao parque, usar o vídeo game, o computador e tantos outros meios que lhe aprazem. Lógico, há situações que como pais, sabemos como aplicar a educação pela “dor”. No dia-a-dia da vida, de igual modo o educar o homem pela dor, passa por formas de privações, só que devemos ter o cuidado para que estas formas, não venham cair em banalidade, passando então a nada contribuir. Esta forma e ação, passam também por todos os outros segmentos da sociedade, quer política, social, judicial, … .

Supra me referi que a forma “rude” como D-us muitas vezes agiu e age, não é de nos surpreendermos, pois escrito está, coisa horrenda é cair nas mãos do D-us vivo. Nada mais poderá causar-nos espanto, mas uma coisa é importante, a obediência à Lei do Eterno.

É muito comum ouvirmos hoje que as coisas são diferentes, e com tristeza até concordamos, as coisas estão diferentes e como. D-us mudou? Não, Ele é eterno, imutável, seu grande plano, deixado muito claro lá no jardim do Éden após a desobediência de Adão, foi o de enviar o Messias. Este plano ainda está em pé, só que cada dia mais o homem tornasse distante da base deste plano. O perfil para a caminhada rumo ao projeto Divino, foi dado no monte Sinai, basta apenas que o sigamos.

Na parashah de hoje fala-nos de paramentos, parece-nos muito sofisticado, mas é a forma como D-us quer e assim devemos aceitar. O obedecer serve como uma forma de educar, e como já foi dito, o educar vem pelo amor ou pela dor. Se observarmos atentamente o modo de vida de nossos antepassados, lá na caminhada rumo a Canaã, notaremos que quando o povo andava conforme os padrões pré-estabelecidos por D-us, tudo ia de forma próspera, mas quando começavam a andar em desacordo, tudo desandava em todos os sentidos, era tal qual os braços de Moisés, na peleja de Amaleque contra os israelitas.

Acredito que ainda hoje, se faz necessária uma vida pia, para poder alcançarmos as promessas feitas por D-us ao nosso grande pai da fé, Abraão. Ainda hoje é tempo de “revisar” nossos caminhos, reformular nosso levantar, andar e deitar, pois D-us deixou muito claro da necessidade de buscá-lo em todo o tempo, em todo o lugar e ainda mais, inculcar em nossos filhos e até mesmo nos nossos companheiros de jornada.

Acredito, que buscando o homem a D-us, muito vai mudar, não só no viver direto de cada um, mas principalmente no viver coletivo e só neste pequeno mudar, estaremos sem dúvida cumprindo os Dez Mandamentos. Tiremos uma grande lição, pois tudo passa pelo OBEDECER.

Shabat Shalom!

TERUMAH

08.02.2003 / 6 de Adar I de 5763.

Parashah – TERUMAH – Ex. 25:1– 28:19.
Haftarah – I Rs. 5:20 – 6:13.

A parashah desta semana tem como foco central o TABERNÁCULO. Para uma visão geral, fugiremos dos limites do texto supra, pois navegaremos, em outros capítulos dentro do mesmo livro. Tais capítulos são o 30, 35, 38, 39 e 40.

A ratificação do pacto ensinou aos israelitas a grande verdade de que um povo disposto a fazer a vontade de D-us podia aproximar-se dele mediante sacrifícios. Uma teofania impressionante no monte Sinai havia-lhes mostrado de forma visível a realidade de D-us, sua majestade e transcendência. Que faltava aos israelitas para completar a promessa do concerto “Eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso D-us?” Necessitavam da presença palpável de D-us e permanentemente entre eles, o que se realizou por meio do Tabernáculo.

Embora em sentido literal seja impossível que Sua presença de limite a um lugar, pois D-us não habita em templos feitos por mãos humanas, na realidade Ele se manifesta de maneira especial em Seu Templo. O Tabernáculo seria para lembrar ao povo de que possuía a dita incomparável de ter D-us no meio de Israel. Naquela tenda D-us habitava como Rei de seu povo e recebia a homenagem de Seu culto. Desejava peregrinar com a nação hebraica no deserto, guiá-la em seus caminhos, defendê-la de seus inimigos e conduzi-la ao descanso de uma vida sedentária em Canaã. Assim D-us se diferenciava dos deuses pagãos por habitar com o seu povo e manifestar sua presença no Tabernáculo.

A importância do Tabernáculo torna-se manifesta nos treze capítulos dedicados ao relato de sua descrição e construção.

Propósitos do Tabernáculo:

-
Proporcionar um lugar onde D-us habite entre seu povo. Aí o Rei invisível podia encontrar-se com os representantes de seu povo e eles com o Rei. O Tabernáculo lembrava também aos israelitas que D-us os acompanhava em sua peregrinação.

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Ser o centro da vida religiosa, moral e social. A tenda sempre se situava no meio do acampamento das doze tribos e era o lugar de sacrifício e centro de celebração das festas nacionais.

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Representar grandes verdades espirituais que D-us desejava gravar na mente humana, tais como sua majestade e santidade, sua proximidade e a forma de aproximar-se de um D-us santo.

Construção do Tabernáculo:

D-us ensinou a Israel muitas lições mediante o livramento do Egito, das experiências no deserto e das leis dadas no Sinai. Não obstante, há lições que podem ser aprendidas somente trabalhando em cooperação com D-us e na forma como ele deseja.

A primeira coisa que D-us pediu foi uma oferta. O tabernáculo foi construído com as ofertas voluntárias do povo. D-us desejava ver um coração bem disposto. Ninguém foi obrigado a dar. Não devia haver obrigação de nenhum tipo, exceto a que nasce do amor e da gratidão. Eram ofertas custosas, pois se calcula que por si só equivalia hoje a mais de um milhão de dólares. Êxodo 35:4- 29 demonstra quão importante era para D-us que cada um tivesse a oportunidade de dar alguma coisa. Precisava-se de metais, materiais e tecidos de todos os tipos. Todos podiam dar segundo o que possuíam. D-us não depende de uns poucos homens ricos para pagar as contas. Deseja que todos desfrutem a emoção e a bênção de partilhar o que têm. Os israelitas davam com alegria e tão generosamente que foi necessário suspender as ofertas.

Que mais pediu D-us aos israelitas além das coisas que possuíam? D-us necessitava da habilidade, do conhecimento e do trabalho deles. Inclusive as mulheres empregavam suas mãos e cérebros fiando tecidos primorosos. Bezalel e Aoliabe foram chamados por D-us e ungidos com o Espírito para projetar as plantas, trabalhar os metais e ensinar a outros. D-us concede ministérios especiais a alguns e trabalho para todos.

Quem fez a planta do Tabernáculo? Todos os detalhes foram feitos de acordo com o desenho que D-us mostrou a Moisés no monte. Ensina a grande lição de que é o próprio D-us quem determina os pormenores relacionados com o culto verdadeiro. Ele não aceita as invenções religiosas humanas nem o culto prestado segundo prescrições de homens; temos de adorar a D-us da forma indicada em sua Palavra. Ao construir o tabernáculo estritamente conforme as ordenanças de D-us, os israelitas foram recompensados, pois a glória de D-us encheu a tenda e a nuvem de D-us permaneceu sobre ela. Igualmente conosco, se desejamos a presença e bênção divina, temos de cumprir as condições expressas na Palavra de D-us.

A tenda em si mesma media quatorze metros de comprimento por quatro e meio de largura. A armação foi feita de quarenta e oito tábuas de madeira de acácia recobertas de ouro puro. Cada tábua se assentava sobre duas bases de prata e se uniam às demais tábuas por meio de cinco barras. O teto plano consistia em uma cortina de linho fino com finos bordados de figuras de querubins em azul, púrpura e carmesim. Havia três cobertas sobre as tábuas e o teto plano: o exterior era de peles de texugo (ou possivelmente de foca), depois, para dentro uma de peles de carneiro tingido em vermelho e uma branca de pêlos de cabra. A coberta interna consistia em uma cortina de linho fino retorcido em cores azul, púrpura e carmesim com figuras de querubins. A tenda dividia-se em duas câmaras. A entrada ficava ao oriente e conduzia ao lugar santo; este media nove metros de comprimento. Mais para dentro estava o Santo dos Santos ou lugar Santíssimo. Entre os dois compartimento havia um véu de linho com desenhos em cor azul, púrpura e carmesim, adornado com figuras de querubins. O lugar Santíssimo tinha a forma de um cubo.
No lugar Santo encontrava-se três móveis: a mesa dos pães, o castiçal e o altar do incenso. À direita estava a mesa dos pães da proposição, feita de acácia e revestida de ouro; media noventa e um centímetros de comprimento por quarenta e seis de largura, com uma altura de sessenta e sete centímetros. Todos os sábados os sacerdotes punham doze pães asmos, ou seja, sem fermento, sobre a mesa e retiravam os pães envelhecidos que os sacerdotes comiam no lugar santo.

Ao lado esquerdo do lugar santo encontrava-se o castiçal ou candelabro de ouro com suas sete lâmpadas. Sua “cana” ou tronco descansava sobre um pedestal. Tinha sete braços, três de cada lado e um no centro. Cada um com figuras de maçãs, flores e copos lavrados em derredor. Todas as tardes os sacerdotes limpavam as mechas e enchiam as lâmpadas com azeite puro de oliva a fim de que ardessem durante toda à noite.

Diante do véu no lugar santo estava o altar do incenso. À semelhança dos outros móveis da tenda, era feito de acácia e revestido de ouro. Tinha seus quatro lados iguais; cada lado media meio metro e sua altura era aproximadamente de um metro. Sobressaindo da superfície, havia em seus quatro cantos umas pontas em forma de chifre. Todas as manhãs e todas as tardes, quando preparavam as lâmpadas, os sacerdotes queimavam sobre esse altar o incenso utilizando-se de fogo tirado do altar do holocausto. O altar do incenso relacionava-se mais estreitamente com o lugar santíssimo do que os demais móveis do lugar santo. É descrito como o altar “que está perante a face do Senhor”, como senão existisse o véu entre ele e a arca. Portanto era considerado em conjunto com a arca, com o propiciatório e com a Shekinah (morada/habitação) de glória. O lugar santíssimo diferenciava-se dos templos pagãos em que não tinha nenhuma figura que representasse a D-us. Continha um único móvel; a arca do concerto, o objeto mais sagrado de Israel. A arca era um cofre de 1,15 mt. por 0,70 mt. construído de acácia e revestido de ouro por dentro e por fora. Sobre a coberta da arca estavam dois querubins (seres angelicais) diante um do outro, feitos de ouro, que com suas asas cobriam o local conhecido como ”propiciatório”. Aí D-us manifestava a sua glória.

Em torno da tenda estava o átrio ou pátio; seu perímetro era de cento e quarenta metros, com uma entrada de nove metros ao oriente. A metade oriental do átrio era a arca onde se permitia que os adoradores israelitas prestassem cultos a D-us. Dois móveis havia no átrio: o altar dos holocaustos, situado perto da porta do concerto e a pia de cobre, localizada entre o altar dos holocaustos e a porta da tenda.

O altar dos holocaustos também foi conhecido como altar de cobre por ser feito de acácia e revestida de cobre; media quase dois metros e meio tanto de largura com de comprimento e um metro e meio de altura. O interior deste altar era oco. Cada canto tinha um chifre, ponta que se sobressaia em forma de chifre de boi. Os animais para o sacrifício eram atados a este chifre. Também, se alguma pessoa era perseguida, podia apegar-se aos chifres do altar a fim de obter misericórdia, e proteção. Sobre este altar eram oferecidos os sacrifícios; esta era sua finalidade.

É provável que a pia de cobre fosse feita completamente de metal. Não há nenhum detalhe pelo que se possa saber sua forma ou tamanho, embora se suponha que deve ter sido um modelo em miniatura do tanque circular do templo de Salomão chamado “mar”. Os sacerdotes eram obrigados, sob pena de morte, a lavar-se na pia antes de oferecer sacrifícios ou entrar no lugar santo.

O Tabernáculo foi construído de tal maneira que fosse fácil de desarmar e tornar a armá-lo; era portátil para poder ser levado de um lugar para outro. Cada móvel tinha argolas por onde passavam as barras que os israelitas utilizavam para alçar as partes do Tabernáculo.

Simbolismo do Tabernáculo:

Em comparação com os templos pagãos, a tenda da congregação era muito pequena. Não foi projetada para que o povo israelita se reunisse em seu interior para adorar a D-us, mas com o fim de que seus representantes, os sacerdotes, oficiassem como mediadores. Evidentemente que cada móvel e sua localização tinham grande valor simbólico.
As figuras dos querubins, com as asas estendidas para cima, e o rosto de cada um voltado para o rosto do outro, representavam reverência e culto a D-us. A arca continha as duas tábuas da Lei, um vaso com maná, e mais tarde se incluiu a vara de Aarão. Todos esses objetos lembravam a Israel o concerto e o amor de D-us. As tábuas da Lei simbolizavam a Santidade de D-us e a pecaminosidade do homem. Também lembrava aos hebreus que não se pode adorar a D-us em verdade sem se dispor a cumprir sua vontade revelada. O véu que separava o lugar santíssimo do lugar santo e excluía todos os homens com exceção do sumo sacerdote acentuava que D-us é inacessível ao homem pecador.

As disposições dos móveis no pátio do tabernáculo mostravam como o homem pode aproximar-se de D-us e restaurar a comunhão com Ele. O primeiro passo para aproximar-se o homem de D-us está simbolizado pelo altar dos holocaustos, ou seja, a expiação dos pecados. O segundo passo para aproximar-se de D-us e preparar-se para ministrar nas coisas sagradas é simbolicamente representado pela pia de cobre. Aí os sacerdotes se lavavam antes de oficiar nas coisas sagradas. Demonstra que é necessário purificar-se para servir a D-us. Os móveis do lugar santo indicavam como a nação sacerdotal podia prestar culto a D-us e servi-lo de uma forma aceitável. O altar do incenso estava no centro; ensina-nos que uma vida de oração é imprescindível para agradar a D-us, já que o incenso simboliza a oração, o louvor e a intercessão do povo de D-us. Duas vezes por dia acendia-se o incenso sobre o altar e provavelmente ardia o dia todo. Isto nos ensina que devemos ser constantes na oração

Ao entrar no lugar santo encontrava-se à direita a mesa dos pães da proposição. A frase “pães da proposição” significa literalmente “pães do rosto”, e alguns teólogos o traduzem como “pães da presença”, pois o pão era colocado continuamente na presença de D-us. Os doze pães colocados na mesa representavam uma oferta de gratidão a D-us da parte das doze tribos, pois pão é ao mesmo tempo uma dádiva de D-us e fruto dos esforços humanos. Por isso o povo reconhecia que havia recebido seu sustento de D-us e ao mesmo tempo consagrava a Ele os frutos de seu trabalho. Portanto a mesa dos pães refere-se também a mordomia dos bens materiais. O terceiro móvel no lugar santo era o castiçal de ouro, que simbolizava o povo de D-us, Israel. Ensinava que Israel devia ser “luz dos gentios”, dando testemunho ao mundo por meio de uma vida santa e da mensagem proclamada por D-us. Era necessário encher o castiçal com azeite puro de oliveira a fim de que ardesse e iluminasse ao seu redor. O profeta Zacarias empregou a figura do castiçal com abundante azeite para representar a Israel. O azeite é, pois, símbolo do Espirito de D-us.

Já notamos que os móveis do lugar Santo ensinam como os filhos de D-us podem prestar culto e serviço ao seu Senhor. Todos os aspectos do culto representados pelos móveis são importantes, mas o lugar central que o altar do incenso ocupava parece indicar que a atividade relacionada com este é o mais importante.

Acredito que os três itens supra, tenham contribuído para melhor entendermos a importância do conteúdo desta parashah.

Shabat Shalom!