08.03.2003 / 4de Adar II de 5763.
Parashah – PECUDÊ – Ex. 38:21– 40:38
Haftarah – I Rs 7:40– 8:21
Na presente parashah chegamos as seguintes conclusões:
Versículo inicial da parashah, Moisés que era o responsável por todos os trabalhos, reuniu a coletividade e declarou as contas em público, a fim de não dar lugar a dúvidas no que se refere ao emprego da prata, do ouro e de outras doações feitas para confecção do Tabernáculo. Mesmo sendo venerado, e sua honestidade conhecida por todos, Moisés fez questão de prestar contas, servindo de exemplo a todos os dirigentes comunais, para que fizessem o mesmo. “Quando a hora do comparecimento do homem perante o Juiz Supremo soar, D-us, em primeiro lugar, pede-lhe que preste conta para ver se foi honesto em suas transações”.
No versículo 11 do capítulo 39, observamos que o Midrash escreve que uma das pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote perdeu-se um dia. Era a safira, e não podiam encontrar outra do mesmo tamanho e cor apropriada para este uso.
Os rabinos souberam que um certo pagão, cujo nome era Damá, filho de Netimá a possuía, e este se prontificou a vendê-la por mil “siclos”. Porém quando entrou no gabinete para trazer a pedra preciosa, viu que seu pai estava deitado sobre a chave do cofre, e recusou-se molestá-lo. Os rabinos assim, não conseguiram convencê-lo. Então esperaram um certo tempo até que Netimá acordou. O filho pegou a pedra e disse aos rabinos: Ei-la aqui! Pagai-me o preço de mil siclos, pois não quero tirar proveito do respeito que devo a meu pai!
Ao continuar a leitura da parashah, verificamos o versículo 29, ainda do capítulo 39 que o Talmude (Shabat ) conta que um nobre pagão, tendo ouvido o relato das magníficas indumentárias que vestia o sumo sacerdote se dirigiu ao chefe da célebre escola “Bet-Shamai” e disse –lhe: possuo uma grande fortuna e sou muito considerado entre a gente. Converter-me-ei ao Judaísmo, com a esperança de ser, algum dia, sumo sacerdote, e poder levar os seus ornamentos. Ouvindo isto, Shamai despediu-o rudemente.
O pagão não desanimou e dirigiu-se ao famoso Hilel, manifestando-lhe o seu desejo. Hilel fez-lhe ver com boas maneiras que ninguém, a não ser da família de Aarão, o sacerdote, poderia levar as ditas vestimentas (Nm.18:7). O pagão compreendeu e renunciou as suas pretensões, mas converteu-se ao Judaísmo e foi um bom israelita, fazendo parte do reino de sacerdotes povo de Israel – Êx.19:6. Então ele disse: “A rudeza de Shamai me rechassou, mas doce maneira de Hilel me recolheu e me fez chegar a isto”.
Continuando a leitura da parashah, verificamos no versículo 3 do capítulo 40, onde mais uma vez o Midrash, escreve parábola referente à Casa de D-us.
Um rei tinha uma filha a quem muito estimava. Educou-a da melhor forma e quando estava em idade de casar, escolheu um marido digno dela.
Uma vez celebrada a boda, ao chegar o amargo momento da despedida, ele falou nestes termos ao jovem cônjuge:
“Dou-te minha filha como esposa, desligando-me assim de meu direito de permanecer em sua proximidade. Espero que saibas cuidar bem dela, e como me resulta dura esta separação te peço, querido genro, que sempre me reserves um aposento para que possa ir de vez em quando desfrutar da companhia deste ser que é tão querido”
De igual modo D-us deu a Torah, sua filha querida, ao povo de Israel, recomendando-lhe: “Confio-vos esta jóia. Espero que sabereis cuidar dela e que não esquecereis de reservar-me, em qualquer lugar em que viveis, uma morada da qual eu possa fazer uso, para permanecer a seu lado”. E desde então o templo constituiu a casa de D-us.
Ainda no capítulo 40 versículo 17 a leitura leva-nos a concluir que o Tabernáculo foi feito, sobretudo, para inculcar no povo a idéia da Presença Divina, que D-us se encontra em todo o lugar e acompanha o homem onde quer que esteja. “Em todo o lugar onde Eu fizer recordar o meu nome, virei Ter contigo e te abençoarei”
Quando Titus penetrou no Templo de Jerusalém, buscou o D-us que os israelitas adoravam, mas nada pode encontrar. Como pagão, não podia compreender como era possível adorar aquele D-us Invisível.
“Eis que os céus, e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa”. (I Reis 8,27). Porém quando os homens unidos elevam seus corações ao Eterno, com sinceridade, D-us desce e mora entre eles: “E farão para mim um santuário, e Eu habitarei entre eles“(Êx.25:8).
E finalmente, quando lemos o último versículo da presente parashah, notamos que na leitura do primeiro versículo desta parashah, acha-se repetida, duas vezes, a palavra “Mishcan” (Tabernáculo) e os rabinos vem nesta repetição uma alusão ao Templo que foi duas vezes destruído. Uma outra interpretação diz que a palavra “Mishcan” tem uma grande semelhança com “Mashcon”, o que significa prenda ou garantia. Sendo assim , o Mishcan é uma prenda que D-us tem do povo de Israel. Quando Israel abandona a senda de D-us, Ele exige a sua prenda e esta foi à causa da destruição dos dois Templos.
Porém, se estes foram destruídos materialmente, o Templo espiritual jamais o será, pois “A nuvem do Eterno estará sobre ele de dia e à noite haverá fogo nele; aos olhos de toda a casa de Israel em todas as suas jornadas”.
Shabat Shalom!