SHEMINI

29.03.2003 / 25 de Adar II de 5763.

Parashah – Lv.9:1- 11:47.
Haftarah – II Sm.6:1- 7: 17.

E foi no oitavo dia que Moises chamou Aarão e seus filhos, e aos anciãos de Israel, e disse a Aarão: - Toma para ti um bezerro, como oferta de pecado e um carneiro, como holocausto, sem defeito, e oferece-os diante do Eterno. (Lv.9:1, 2).

Segundo o que nos determinou o Eterno, só Aarão e seus descendentes é que oficiam as ofertas de holocausto, por que então convidar os anciãos de Israel para partilharem deste momento, se não lhes cabia tal tarefa sacerdotal?

Segundo o Midrash, a razão de tal ordenança de convocar os anciãos, era uma forma de honrar os mais velhos, o que é uma tradição judaica. Segundo expressão de alguns rabinos, o povo de Israel é como um pássaro, pois assim como as asas são para voarem, os anciãos de Israel são para serem consultados, pois em toda a história de Israel, sempre os anciãos foram consultados e levada em conta a sua larga experiência. No conceito do Rabi Iosef, somente o sábio deve ser chamado de zaken (velho), mesmo que ele tenha pouca idade.

Como lição fica claro que é um ato de gratidão, reconhecimento, louvor, respeitarmos o ancião, pois é uma forma não só de amarmos a D-us, mas especialmente buscarmos santidade, amando o próximo (no caso em foco o ancião) como a nós mesmos e a D-us sobre todas as demais coisas.

Ao iniciarmos a leitura do capitulo décimo do Livro de Levítico, nos deparamos com o relato da trágica morte dos filhos de Aarão, Nadab e Abihú. A morte foi o fruto da frontal desobediência dos mesmos para com D-us, pois ofereceram ao Eterno um fogo estranho. O acontecido com os filhos de Aarão serve-nos de lição, pois muitas vezes temos oferecido “fogo estranho” ao Eterno.

Tal fogo estranho infelizmente é muito presente entre o povo judeu em nossos dias, pois praticamos atos que colidem com os ensinamentos da Torah, ou Ela mudou? Creio que a Palavra do Eterno foi, é e será eternamente. Acreditamos que tal atitude é a falta da leitura atenta das parashot, não só em hebraico, mas principalmente na língua portuguesa para que todos entendam e reconheçam quão longe estão dos preceitos do Eterno e voltem-se urgentemente para a vida Santa que o Eterno deseja de cada um de nós, “portanto vós vos santificareis, e sereis santos, porque Eu Sou Santo” Lv.11:44.

Shabat Shalom!

VAYIKRA

15.03.2003 / 11 de Adar II de 5763

Parashah – VAYIKRAH – Lv.1:1 – 5:26
Haftarah – Is.43:21 – 44:23

Ao iniciarmos a leitura do livro de Levítico, faremos uma breve introdução ao citado livro.
1. Título e caráter: Em hebraico o terceiro livro da Torah é o Vayikrah, que na versão grega este livro recebeu o nome de Levítico porque ele trata das leis relacionadas com os ritos, sacrifícios e serviços do Sacerdócio Levítico. Nem todos os homens da tribo de Levi eram sacerdotes; o termo “levita” referia-se aos leigos que faziam o trabalho manual do tabernáculo. O livro não trata destes “levitas”, porém o título não é completamente inadequado porque todos os sacerdotes eram efetivamente da tribo de Levi.
Embora o livro de Levítico tenha sido escrito principalmente como manual dos sacerdotes, encontra-se muitas vezes a ordenança de D-us: “Fala aos filhos de Israel”, de modo que contém muitos ensinamentos para toda a nação. As leis que se encontram em Levítico foram dadas pelo próprio D-us (ver Lv.1:1; Nm.7:89; Ex.25:1), de modo que têm um caráter elevado.
2. Relação com êxodo e com Números: A revelação que encontra em Levítico foi entregue a Moisés quando Israel ainda se acampava diante do monte Sinai. Segue o fio da última parte de Êxodo, a qual descreve o tabernáculo. A seguir, Números continua com o conteúdo de Levítico. Assim, os três livros formam um conjunto e estão estreitamente relacionados entre si. Todavia, Levítico difere dos outros dois em que é quase totalmente legislativo. Narra apenas três acontecimento históricos: a investidura dos sacerdotes (capítulos 8 e 9),o pecado e castigo de Nadabe e Abiú (capítulo 10) e o castigo de um blasfemo ( 24:10-14, 23).
3. Propósito e aplicação: Assim como Êxodo tem por tema a comunhão que D-us oferece a seu povo mediante sua presença no tabernáculo, Levítico apresenta as leis pelas quais Israel haveria de manter essa comunhão. O Senhor D-us queria ensinar a seu povo a santificar-se. A palavra santificação significa aparta-se do mal e dedicar-se ao serviço de D-us. É condição necessária para desfrutar-se da comunhão com D-us. As leis e as instituições de Levítico faziam os israelitas tomar consciência de sua pecaminosidade e de sua necessidade de receber a misericórdia divina; ao mesmo tempo, o sistema de sacrifícios ensinava-lhes que o próprio D-us provia o meio de expiar seus pecados e de santificar sua vida. D-us é santo e seu povo há de ser santo também. Israel deve ser diferente das outras nações e deve separar-se de seus costumes. “Não fareis segundo as obras da terra do Egito… nem fareis segundo as obras da terra de Canaã”. O pensamento chave encontra-se em “Santo sereis porque Eu, o Senhor vosso D-us, Sou Santo”. A palavra santo aparece setenta e três vezes no livro. O tabernáculo e seus móveis eram santos, santos os sacerdotes, santas as suas vestimentas, santas as ofertas, santas as festas, e tudo era santo para que Israel fosse santo. Nota-se a santidade divina no castigo do pecado de Nadabe e Abiú e ao blasfemo. A santidade de D-us impõe leis concernentes às ofertas, ao alimento, à purificação, à castidade, às festividades e outras cerimônias. Somente por seus mediadores, os sacerdotes, pode um povo pecaminoso aproximar-se do D-us santo. Tudo isto ensinou aos hebreus que o pecado é que afasta o homem de D-us, que D-us exige a santidade e que só o sangue espargido sobre o altar pode expiar a culpa. De modo que Levítico fala de santidade, mas ao mesmo tempo fala da graça, ou possibilidade de obter o perdão por meio de sacrifícios.
4. Significado e valor: Embora Levítico pareça árido e pouco interessante a muitos leitores, o livro tem grande significado e valor quando bem compreendido.
a) Proporciona-nos um antecedente que torna compreensíveis outros livros do Tanach (Bíblia). Se alguém deseja entender as referências aos sacrifícios, às cerimônias de purificação, às instituições tais como o sacerdócio ou as convocações sagradas, é necessário consultar o livro de Levítico. Os profetas destacados, Isaías, Jeremias e Ezequiel em suas visões contemplavam verdades permanentes dadas por via do simbolismo do templo, das ofertas, das festas e das pessoas sagradas.
b) Levítico apresenta princípios elevados da religião. As leis e cerimônias de Levítico mostram como D-us opera para remover o pecado mediante o sacrifício e a purificação, como D-us atua contra pecados sociais por meio do ano sabático e do ano do jubileu, e como ele enfrenta a imoralidade por meio de leis de castidade e também mediante promessas e ameaças. É notável que em Levítico se encontra o sublime preceito “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
c) Finalmente, este livro tinha o propósito de preparar a mente humana para as grandes verdades. Os sacrifícios da aliança, especialmente o do grande dia da expiação.
5. Conteúdo e métodos de estudar o Levítico: Este estudo da Torah (Pentateuco) afastou-se mais de uma vez do método ‘capítulo por capítulo’ ao fazer sua exposição. Em seu lugar, desenvolveu temas na forma lógica e sistemática. O estudo de Levítico segue este método e não somente reúne material de várias partes do livro para desenvolver os temas, mas também emprega seções do livro de Êxodo para completar o quadro de Levítico.
Shabat Shalom !

PEKUDE

08.03.2003 / 4de Adar II de 5763.

Parashah – PECUDÊ – Ex. 38:21– 40:38
Haftarah – I Rs 7:40– 8:21

Na presente parashah chegamos as seguintes conclusões:
Versículo inicial da parashah, Moisés que era o responsável por todos os trabalhos, reuniu a coletividade e declarou as contas em público, a fim de não dar lugar a dúvidas no que se refere ao emprego da prata, do ouro e de outras doações feitas para confecção do Tabernáculo. Mesmo sendo venerado, e sua honestidade conhecida por todos, Moisés fez questão de prestar contas, servindo de exemplo a todos os dirigentes comunais, para que fizessem o mesmo. “Quando a hora do comparecimento do homem perante o Juiz Supremo soar, D-us, em primeiro lugar, pede-lhe que preste conta para ver se foi honesto em suas transações”.
No versículo 11 do capítulo 39, observamos que o Midrash escreve que uma das pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote perdeu-se um dia. Era a safira, e não podiam encontrar outra do mesmo tamanho e cor apropriada para este uso.
Os rabinos souberam que um certo pagão, cujo nome era Damá, filho de Netimá a possuía, e este se prontificou a vendê-la por mil “siclos”. Porém quando entrou no gabinete para trazer a pedra preciosa, viu que seu pai estava deitado sobre a chave do cofre, e recusou-se molestá-lo. Os rabinos assim, não conseguiram convencê-lo. Então esperaram um certo tempo até que Netimá acordou. O filho pegou a pedra e disse aos rabinos: Ei-la aqui! Pagai-me o preço de mil siclos, pois não quero tirar proveito do respeito que devo a meu pai!
Ao continuar a leitura da parashah, verificamos o versículo 29, ainda do capítulo 39 que o Talmude (Shabat ) conta que um nobre pagão, tendo ouvido o relato das magníficas indumentárias que vestia o sumo sacerdote se dirigiu ao chefe da célebre escola “Bet-Shamai” e disse –lhe: possuo uma grande fortuna e sou muito considerado entre a gente. Converter-me-ei ao Judaísmo, com a esperança de ser, algum dia, sumo sacerdote, e poder levar os seus ornamentos. Ouvindo isto, Shamai despediu-o rudemente.
O pagão não desanimou e dirigiu-se ao famoso Hilel, manifestando-lhe o seu desejo. Hilel fez-lhe ver com boas maneiras que ninguém, a não ser da família de Aarão, o sacerdote, poderia levar as ditas vestimentas (Nm.18:7). O pagão compreendeu e renunciou as suas pretensões, mas converteu-se ao Judaísmo e foi um bom israelita, fazendo parte do reino de sacerdotes povo de Israel – Êx.19:6. Então ele disse: “A rudeza de Shamai me rechassou, mas doce maneira de Hilel me recolheu e me fez chegar a isto”.
Continuando a leitura da parashah, verificamos no versículo 3 do capítulo 40, onde mais uma vez o Midrash, escreve parábola referente à Casa de D-us.
Um rei tinha uma filha a quem muito estimava. Educou-a da melhor forma e quando estava em idade de casar, escolheu um marido digno dela.
Uma vez celebrada a boda, ao chegar o amargo momento da despedida, ele falou nestes termos ao jovem cônjuge:
“Dou-te minha filha como esposa, desligando-me assim de meu direito de permanecer em sua proximidade. Espero que saibas cuidar bem dela, e como me resulta dura esta separação te peço, querido genro, que sempre me reserves um aposento para que possa ir de vez em quando desfrutar da companhia deste ser que é tão querido”
De igual modo D-us deu a Torah, sua filha querida, ao povo de Israel, recomendando-lhe: “Confio-vos esta jóia. Espero que sabereis cuidar dela e que não esquecereis de reservar-me, em qualquer lugar em que viveis, uma morada da qual eu possa fazer uso, para permanecer a seu lado”. E desde então o templo constituiu a casa de D-us.
Ainda no capítulo 40 versículo 17 a leitura leva-nos a concluir que o Tabernáculo foi feito, sobretudo, para inculcar no povo a idéia da Presença Divina, que D-us se encontra em todo o lugar e acompanha o homem onde quer que esteja. “Em todo o lugar onde Eu fizer recordar o meu nome, virei Ter contigo e te abençoarei”
Quando Titus penetrou no Templo de Jerusalém, buscou o D-us que os israelitas adoravam, mas nada pode encontrar. Como pagão, não podia compreender como era possível adorar aquele D-us Invisível.
“Eis que os céus, e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa”. (I Reis 8,27). Porém quando os homens unidos elevam seus corações ao Eterno, com sinceridade, D-us desce e mora entre eles: “E farão para mim um santuário, e Eu habitarei entre eles“(Êx.25:8).
E finalmente, quando lemos o último versículo da presente parashah, notamos que na leitura do primeiro versículo desta parashah, acha-se repetida, duas vezes, a palavra “Mishcan” (Tabernáculo) e os rabinos vem nesta repetição uma alusão ao Templo que foi duas vezes destruído. Uma outra interpretação diz que a palavra “Mishcan” tem uma grande semelhança com “Mashcon”, o que significa prenda ou garantia. Sendo assim , o Mishcan é uma prenda que D-us tem do povo de Israel. Quando Israel abandona a senda de D-us, Ele exige a sua prenda e esta foi à causa da destruição dos dois Templos.
Porém, se estes foram destruídos materialmente, o Templo espiritual jamais o será, pois “A nuvem do Eterno estará sobre ele de dia e à noite haverá fogo nele; aos olhos de toda a casa de Israel em todas as suas jornadas”.

Shabat Shalom!