NOACH

01.11.2003 / 06 de Cheshvan de 5764

Parashah: NOACH – Gn. 6:9- 11:32.
Haftarah – Is. 54:1- 55:5.

1. A corrupção da humanidade e a dor divina: Gn. 6:1- 8. Com o transcorrer do tempo, a separação entre os descendentes de Set e os de Caim cessou por causa do casamento das duas linhagens (6:2). A união dos piedosos com mulheres incrédulas foi motivada pela atração física de tais mulheres.

Sem mães piedosas, a descendência de Set degenerou-se espiritualmente.

Os filhos dos casamentos mistos eram “gigantes” (pessoas extraordinárias) e parece que se destacavam pela violência. Exaltavam-se a si mesmos, cada um procurando ser valente (herói) e também varão de renome. Corromperam a terra com sua imoralidade. Chegou o momento quando a família de Noé foi a única que cumpria as normas morais e espirituais de D-us. Parece que o anjo do mal (satanás), ao ver que não pode destruir a linha messiânica pela força bruta no caso de Abel, agora procura extingui-la mediante casamento mistos; e por pouco não teve êxito.

A corrupção e violência dos homens doeram a D-us e lhe pesava havê-los criado. Determinou D-us destruir a perversa geração. Horton observa que sua ira procedeu de um coração quebrantado. D-us concedeu a estes homens um prazo de 120 anos pra arrepender-se (6:3). Depois, se não o fizessem, retiraria deles seu espírito.

O propósito do dilúvio era tanto destrutivo como construtivo. A linhagem da mulher corria o perigo de desaparecer completamente pela maldade. Por isso D-us exterminou a incorrigível raça velha para estabelecer uma nova. O dilúvio foi também o juízo contra uma geração que havia rejeitado totalmente a justiça e a verdade. Isto nos ensina que a paciência de D-us tem limites.

2. Noé constrói a arca: Gn. 6:9- 22. Noé constrói um raio de esperança em uma época sombria. Seu pai Lameque provavelmente entesourava em seu coração a promessa de Gn. 3:15, pois deu o nome de Noé (descanso, consolo) a seu filho na esperança de que este viesse a ser um libertador (5:29), mas nunca sonhou de que maneira o Eterno cumpriria seu desejo expresso.

Noé destaca-se na Tanach como um dos mais completos varões de D-us. Somente ele, entre seus contemporâneos, achou a graça e o favor de D-us em forma pessoal (6:9), isto é, travou amizade com D-us e desfrutou da comunhão divina. Noé era justo e reto (6:9), uma pessoa de conduta irrepreensível, de integridade moral e espiritual no meio de uma geração perversa. Finalmente, era um proclamador da justiça. O segredo de seu caráter e constância encontra-se em seu andar diário com o Eterno.

D-us revelou a Noé seu plano de destruir a raça corrupta e de salvá-lo junto com sua família e, por ele, a humanidade inteira. Noé viria a ser o segundo pai da raça. Recebeu diretriz para a construção de uma nave flutuante bem proporcionada que seria o veículo de escape. Segundo certos cálculos, a arca teria 135m de comprimento, 22,5m de largura e 13,5m de altura e correspondia em tamanho a um transatlântico moderno. Constava de três pavimentos divididos em compartimentos e uma abertura de 45 cm de altura em volta, localizada entre espaços de parede na parte superior; acredita-se que tinha a forma de um caixão alongado. Alguns estudiosos calculam que a arca teria capacidade para 7.000 espécies de animais.

Pela fé Noé. . . preparou a arca“. A Palavra de D-us foi a garantia única de que viria o dilúvio. Deve ter sido um projeto enorme e de longa duração construir e armazenar os alimentos necessários. Enquanto construía a nave, Noé propagava a necessidade da teshuvah, mas ninguém quis dar-lhe atenção. Sem dúvida alguma Noé e seus filhos eram alvos de incessantes zombarias, porém não vacilaram em sua fé. Acentua-se sua completa obediência: “conforme a tudo o que D-us lhe mandou, assim o fez” (6:22; 7:5).

3. D-us limpa a terra com o dilúvio: Gn. 7:1- 8:14. Sete dias antes de começar o dilúvio, D-us mandou que Noé, sua família e os animais entrassem na arca. Possivelmente D-us tenha feito que os animais pressentissem a iminente catástrofe e se tornassem mansos. Noé devia levar na arca um casal de animais de cada espécie (6:19) e sete casais dos animais limpos (7:2); os adicionais provavelmente era para fornecer carne e animais para o sacrifício. Supõe-se que a maioria dos animais estava invernando enquanto permaneciam na arca.

O Eterno fechou a porta” (7:16). Significa que o período de graça (benevolência do Eterno para com o homem) já havia terminado; isto nos fala de redenção e juízo. Noé ficou dentro, protegido, e os pecadores impenitentes fora, expostos ao juízo. (Fato semelhante houve quando da décima praga sobre o Egito).

Romperam-se todas as fontes do grande abismo e as janelas dos céus foram abertas” (7:11). Parece indicar que se produziram terremotos e estes fizeram que subissem impetuosamente as águas subterrâneas enquanto caiam chuvas torrenciais. Pensa-se que a terra, ao fender-se, produziu alterações nas suas superfície. Alguns crêem que estes verdadeiros cataclismos tenham sido acompanhados de gigantescos maremotos que atravessaram os oceanos e continentes até que nada restou da civilização daquele tempo. Foi um juízo cabal contra o mundo pecaminoso. Depois, D-us enviou um vento para fazer baixar as águas. Cinco meses após o começo do dilúvio, a arca pousou sobre o monte Ararate, porém Noé não saiu em seguida porque obedientemente esperou até receber a permissão divina. Ele e sua família permaneceram na arca aproximadamente um ano solar.

Qual foi a extensão do dilúvio? Foi universal ou limitado à área dos Oriente Médio? O Gênesis diz que as águas cobriram as montanhas mais altas e destruíram toda a criatura (fora da arca), sob os céus (7:19- 23). Não obstante, há diferença de opiniões entre eruditos. Alguns pensam que se refere somente à terra habitada daquele tempo, pois o propósito divino era destruir a humanidade pecaminosa. Dizem que o uso bíblico da expressão “toda a terra” amiúde significa a terra conhecida pelo autor (Gn. 41:57; Dt. 2:25).

Por outro lado, os que crêem que o dilúvio foi universal notam que o relato bíblico emprega expressões fortes e as repete dando a impressão de um dilúvio universal. Pergunta: Qual era a extensão da população humana? Parece-lhes possível que esta se houvesse estendido até a Europa e África. Além do mais, certos estudiosos crêem que as grandes mudanças na crosta terrestre e repentinas e drásticas alterações no clima de áreas geográficas, como Alasca e Sibéria, podem ser atribuídas ao dilúvio. Talvez, com o transcurso do tempo, os geólogos encontrem evidencias conclusivas para determinar qual seja a interpretação correta.

São encontradas em diferentes continentes, tradições que aludem a um grande dilúvio, inclusive detalhes da destruição de toda a humanidade, exceto uma única família e a escapatória em um barco. A famosa epopéia Gilgames, poema babilônico, contém muitas semelhanças com o relato bíblico, embora seja politeísta em seu enfoque. Parece que o dilúvio deixou uma impressão indelével na memória da raça, e que as tradições, por mais corrompidas que estejam, testificam do fato que houve um dilúvio.

4. Estabelece-se a nova ordem do mundo: Gn. 8:15- 9:17. Ao sair da arca, Noé entrou em um mundo purificado pelo juízo de D-us; figurativamente era uma nova criação e a humanidade começaria de novo. A primeira coisa que Noé fez foi oferecer um grande sacrifício a D-us como sinal de sua gratidão pelo grande livramento passado e como consagração de sua vida a D-us para o futuro.

D-us estabeleceu a nova ordem dando provisões básicas pelas quais a vida do homem se regeria na terra depois do dilúvio:

. Para dar segurança ao homem prometeu que as estações ficariam restabelecidas para sempre.
. Reiterou o mandamento de que o homem se multiplicasse.

. Confirmou o domínio sobre os animais dando-lhe permissão para comer sua carne, porém não o seu sangue.

. Estabeleceu a pena capital.

. Fez aliança como homem prometendo-lhe que jamais voltaria a destruir a terra por meio de um dilúvio.

Por que foi proibido comer o sangue? Alguns estudiosos crêem que o sangue é o símbolo da vida, a qual só D-us pode dar; portanto, o sangue pertence a D-us e o homem não deve tomá-lo. Há, porém, uma explicação mais bíblica, ou seja, a proibição preparou o caminho para ensinar a importância do sangue como meio de expiação (Lv. 17:10- 14). O sangue representa uma vida entregue na morte.

D-us estabeleceu a pena capital para restringir a violência. O homem é de grande valor e a vida é sagrada, pois “D-us fez o homem conforme a sua imagem“. O magistrado não traz debalde sua espada, instrumento de execução.

D-us fez um pacto com Noé e com toda a humanidade prometendo não mais destruir o mundo por dilúvio. Ao presenciar a terrível destruição pelo juízo de D-us, o homem poderia perguntar-se: “Valerá a pena edificar e semear? Pode ser que haja outro dilúvio e arrase tudo”. Mas, para dar-lhe segurança de que a raça continuaria e o homem teria um futuro garantido, D-us fez aliança com ele. Deixou o Arco-de-D-us (o termo “arco-íris” é uma alusão a deusa Íris, mensageira dos deuses) como sinal de sua felicidade. É provável que o Arco-de-D-us já existisse, mas agora se reveste de novo significado. Ao ver o Arco-de-D-us nas nuvens, o homem se lembra da promessa misericordiosa de D-us.

A aliança com Noé é a primeira que se encontra na Bíblia. A relação de D-us com seu povo mediante aliança veio a ser assunto importantíssimo. D-us estabeleceu sua aliança sucessivamente com Noé, com Abraão, com Israel (por meio de Moisés) e com Davi.

Que é uma aliança? Uma aliança humana é, em geral, um acordo mútuo entre duas partes com igual capacidade de firmá-lo; porém não é assim quanto às alianças divinas, porque D-us é quem toma a iniciativa, estipula as condições e faz uma solene promessa pela qual se prende voluntariamente em benefício do homem. Embora na aliança com Noé D-us se impôs a si mesmo a obrigação de guardar a aliança apesar dos fracassos do homem, em geral não é assim. D-us exige como contrapartida a fidelidade de seu povo. a desobediência de Israel podia romper o vínculo da aliança, pelo menos temporariamente.

5. Noé abençoa a Sem e Jafé: Gn. 9:18- 29.Noé, o homem justo perante o mundo, caiu no pecado de embriaguez em seu próprio lar. Os longos anos de fidelidade não garantem que o homem esteja imune a tentações novas. As diferentes reações dos filhos deram-lhe ocasião de amaldiçoar a Cam (Canaã - pode ser que estivesse seguindo os passos de seu pai, zombando dele) e abençoar a Jafé e a Sem (Origem dos Semitas - Hebreus).

Nota-se que a maldição se aplica a Canaã e aos cananeus somente e não aos outros filhos de Cam. Aparentemente, Canaã era o único filho que compartilhava a atitude desrespeitosa de seu pai. A maldição, portanto, não pode aplicar-se aos egípcios ou a outros camitas africanos.

Além do mais, é provável que os cananeus tenham sido amaldiçoados não tanto pelo pecado de Cam e de seu filho Canaã, mas pela notória impureza que caracterizaria os cananeus nos séculos vindouros. Os descendentes de Canaã radicaram-se na Palestina e na Fenícia (Gn.10:15-19), e eram notoriamente imorais. Olhando adiante, D-us viu o caráter que teriam e inspirou Noé a pronunciar seu castigo. D-us empregou uma nação semita, os hebreus, para retribuir-lhes a sua maldade mediante a conquista de Canaã por Josué. Em referencias posteriores aos juízos divinos sobre os cananeus, Moises o relaciona com a extrema impiedade deles (Gn. 15:16; 19:5; Lv. 20:2; Dt. 9:5).

A bênção sobre Sem, traduzida literalmente é: Bendito seja o Eterno, o D-us de Sem (9:26a) e implica que o Eterno seria o D-us dos semitas. Cumpriu-se notavelmente no povo hebreu, uma raça semita. Os descendentes de Jafé (os indo-europeus) seriam os hóspedes dos semitas, dando-lhes estes proteção e unindo-se, inclusive aos semitas, e se vê o primeiro anúncio da entrada dos gentios (Jafé) na comunidade cristã que nasceu dos hebreus (Sem).

6. Dispersão das nações: Gn. 10- 11.

a. Rol das nações: Gn.10. Se a promessa de redenção havia de ser realizada pela linhagem de Sem, por que o escritor sagrado dedicou tanto espaço traçando a origem das outras nações? Para demonstrar que a humanidade é uma: D-us “de um pó fez toda a gerações dos homens”. Também o escritor insinua que no plano de D-us as nações não seriam excluídas para sempre de sua misericórdia. Mediante o povo escolhido seriam benditas e viriam a ser participantes da comum redenção (redenção, ou salvação, para todos) .

Agrupam-se os povos não tanto por suas afinidades étnicas, mas segundo suas relações históricas e distribuição geográfica. Os descendentes de Jafé ocuparam a Ásia Menor e as ilhas do Mediterrâneo; formaram, inclusive, grupos como os celtas, citas, medos, persas e gregos. Os filhos de Cam povoaram as terras meridionais tais como: Egito, Etiópia, e Arábia. Canaã era o antigo povo da Palestina e Síria meridional antes da conquista dos hebreus. As nações semitas (elamitas, assírios, arameus e os antepassados dos hebreus) radicaram-se na Ásia, desde as praias do mar Mediterrâneo até o Oceano Índico, ocupando a maior parte do terreno entre Jafé e Cam.

Menciona-se a Ninrode como o fundador do império babilônico e construtor de Nínive e outras cidades (10:8- 12). Segundo Delitzsch, Ninrode significa “rebelar-nos-emos” e é possível que seus contemporâneos lho tenham atribuído por parecer mais um sobrenome que seu próprio nome. Destacou-se por ser o primeiro “poderoso na terra” (foi o primeiro potentado) e “poderoso caçador”. Alguns pensam que figurativamente significa que era “caçador de homens” (escravagista). Babel (Babilônia) veio a ser o símbolo do opressor do povo de D-us após o cativeiro babilônico. Alguns estudiosos julgam que Ninrode prefigura o homem iníquo que será o último e pior inimigo do povo de D-us.

b. A torre de Babel: Gn. 11:1- 19. A cidade de Babel foi edificada na planície que se encontra entre os rios Tigre e Eufrates. Por que desagradou a D-us a construção da torre de Babel?

. Os homens passaram por alto o mandamento de que deviam espalhar-se e encher a terra (9:1; 11:4); um dos motivos que os impulsionavam e pelo qual levaram a cabo a construção era que desejavam permanecer unidos. Sabiam que os edifícios permanentes e uma coletividade firmemente estabelecida produziria um modelo comum de vida que os ajudaria a permanecer juntos.

. Foram motivados pela intenção de exaltação pessoal (”façamo-nos um nome” - disseram) e de culto ao poder que posteriormente caracterizou Babilônia. Uma torre elevada e assim visível para todas as nações seria um símbolo de sua grandeza e de seu poder para dominar os habitantes da terra.

c. Excluíram a D-us de seus planos; ao glorificar seu próprio nome, esqueciam-se do nome de D-us, nome por excelência: o Eterno.

D-us desbaratou seus planos não só para frustrar-lhes o orgulho e independência, mas também para espalhá-los, afim de que povoassem a terra. Com escárnio se chama Babel (confusão) a cidade; originalmente queria dizer “Porta de D-us”. Por meio deste relato evidencia-se a insensatez de edificar sem D-us.

Tiramos deste tema uma grande lição: Quando os homens, motivados pelo orgulho, vangloriam-se de seu êxitos, nada resulta exceto divisão, confusão e falta de compreensão; mas quando se proclamam as obras maravilhosas de D-us, todo homem pode ouvir o outro em seu próprio idioma.

7. Genealogias de Sem e de Abraão: Gn. 11:10- 32. A história das nações gira agora em torno da genealogia dos semitas, a linhagem da promessa divina feita por meio de Noé (9:26a). Depois o horizonte se reduz aos antepassados de Abraão. Prepara-se, assim, o caminho para começar a história do povo escolhido de D-us.

A maioria dos estudiosos identifica a cidade natal de Abraão, Ur dos caldeus, com as ruínas de Mukayyar (montículo de betume) a 225 km ao sudeste da Babilônia. Estava sobre o rio Eufrates e se calcula que possuía 24.000 habitantes. Era a antiga capital da região civilizada e próspera da Suméria, considerada o berço da civilização. Era também o centro do culto imoral à deusa lunar Nanar-Sin. Ainda se vêem algumas ruínas de edifícios bem elaborados no local religioso da cidade. Entre eles está um zigurate (torre escalonada). Havia casas de dois pavimentos, possuíam sistemas de cloacas e também escolas. Têm sido achados no cemitério desta cidade tesouros que remontam a 3.000 anos. Existem provas, contudo, de outra Ur ao norte de Harã, situada onde se encontra a atual cidade de Edessa. Abraão, portanto, procedia de uma civilização altamente desenvolvida.

Shabat Shalom !

BERESHIT

BERESHIT! ( Gn.1:1- 6:8)

25 /10/2003 / 29 de Tishrei de 5764

Pela graça do Eterno, estamos iniciando o quuinto ano de nossas atividades.

Semanalmente de uma forma ou outra temos trazido aos nossos visitantes, comentários das Parashot. A princípio, entendemos que as mesmas devem ser objetivas e de forma reduzidas, embora vez por outra tenham se alongado um pouco mais.

Excepcionalmente a Parashah Bereshit deste 5764, será um pouco mais longa, mas acredito que muito irá contribuir. Fala da criação, abrangendo tudo que se possa entender como criação concernente ao homem, ou seja, a criação Divina e as “criações” malignas do homem, pelo fato do mesmo possuir livre arbítrio e especialmente a “criação” do veículo para que o homem se recupere de forma definitiva junto ao Eterno, através de Mashiach.

Assim sendo, a Tanach (A Bíblia) revela ao homem os propósitos estabelecidos pelo Eterno, Criador de todas as coisas, como a seguir veremos:

A. Seu propósito para a criação e a queda do homem

1. O fato básico. Gn.1:1.

No princípio criou D-us os céus e a terra.

2. A criação do homem. Gn.1:26.

E disse D-us: Façamos homem à nossa imagem segundo a nossa semelhança; e que domine sobre o peixe do mar e sobre a ave dos céus, e sobre o quadrúpede e em toda a terra, e em todo réptil que se arrasta sobre a terra!

3. Os detalhes da criação. Gn.2:7.

E formou, o Eterno D-us ao homem, pó da terra, e soprou em suas narinas o alento da vida; e foi o homem, alma viva.

4. À vontade do homem ou o seu direito de escolha (O mandamento – se você pecar, morrerá. Há morte material e morte espiritual). Gn.2:17.

E da árvore do conhecimento, do bem e do mal não comerás dela; porque no dia em que comeres dela, morrerás.

5. A entrada do pecado. Gn.3:1-17.

a- A serpente dá início à dúvida. Gn.3:1.

E a serpente era astuta, mais do que qualquer animal do campo que fez o Eterno D-us. E disse para a mulher: Foi assim que D-us disse: Não comereis de toda árvore do Jardim?

b- A mulher torce as palavras divinas. Gn.3:2,3.

E disse a mulher à serpente: Do fruto da árvore do jardim podemos comer; E do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse D-us, não comereis dele, nem tocareis nele, para que não morreis.

c- A serpente mente. Gn.3:4

E disse a serpente à mulher: Não morrereis!

d- A serpente apela ao orgulho. Gn.3:5.

Porque sabe D-us que, no dia em que comerdes dele, abrir-se-vos-ão os olhos e sereis como D-us, conhecedores do bem e do mal.

e- Tentação tripla. Gn.3:6

E viu a mulher que boa era a árvore para comer e que desejável era para os olhos e cobiçável a árvore para entender (o bem e o mal), e tomou do seu fruto e comeu; e deu também a seu marido, (que estava) com ela, e ele comeu.

Obs. Adão incorre em vários pecados, onde citamos o de conivência, e desobediência.

-1 Concupiscência da carne.
-2 Concupiscência dos olhos.
-3 Soberba da vida.

6. D-us vai à procura do homem. Gn.3:8,9.

E ouviram a voz do Eterno D-us que passeava no jardim, na direção (do por do sol) do dia, e esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Eterno D-us dentro da árvore do jardim. E chamou D-us ao homem e disse-lhe: Onde estás?

7. O homem encobre o pecado e esconde-se de D-us. Gn.3:10.

E disse: A tua voz ouvi no jardim, e temi porque estou nu; e escondi-me.

8. A maldição. Gn.3:14-19.

E disse o Eterno D-us a serpente: Porquanto fizeste isto, maldita és tu, mais que todo o quadrúpede e mais que todo animal do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. (E inimizade porei entre ti e a mulher, e entre a tua semente e entre a sua semente; ela te ferirá (socará) a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.) À mulher disse: Multiplicarei o teu sofrer e tua concepção; com dor, darás à luz, filhos; e para teu marido será o teu desejo e ele dominará em ti. E ao homem disse: porquanto escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo, não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; com fadiga comerás dela todos os dias de tua vida. Espinho e abrolho produzirá para ti e comerás a erva do campo. Com o suor de teu rosto comerás pão; até teu voltar para a terra, pois dela foste tomado; porquanto tu és pó, e ao pó hás de tornar.

9. A semente prometida para esmagar a serpente. Gn.3:15.

E inimizade porei entre ti e a mulher, e entre a tua semente e entre a sua semente; ela te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.

10. O primeiro sacrifício. Gn.3:21.

E fez o Eterno D-us para o homem e para sua mulher, túnicas de pele e os fez vestir.

B. O método divino para cobrir (kipur) o pecado.
- um animal inocente morto no lugar do homem culpado

1. O primeiro pecado - D-us forneceu um sacrifício animal. Gn.3:21.

E fez o Senhor D-us a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.

2. O sacrifico de Abel é aceito. Gn.4:4.

E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. E atentou o Senhor D-us para Abel e para a sua oferta,

3. Noé, um homem de sacrifício. Gn.8:20

E edificou Noé um altar ao Senhor D-us; e tomou de todo o animal limpo, e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar.

4. O altar de sacrifício de Abraão. Gn.12:7 e 22:13.

E apareceu o Senhor D-us a Abrão, e disse: A tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor D-us, que lhe aparecera.

Então levantou Abraão os seus olhos, e olhou, e eis um carneiro detrás dele, travado pelas suas pontas num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho.

5. Jacó e o holocausto de um cordeiro. Gn.31:54.

E sacrificou Jacó um sacrifício na montanha, e convidou seus irmãos, para comer pão; e comeram pão, e passaram a noite na montanha.

6. A Páscoa e o sacrifício de um cordeiro. Êx.12:3, 21, 26, 27.

Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: No dia dez deste mês, tome para si, cada homem, um cordeiro para cada família, um cordeiro para cada casa.

E chamou Moisés a todos os anciãos de Israel, e lhes disse: Tirai do rebanho ou comprai um cordeiro para vossas famílias, e sacrificai para a Páscoa.

E quando vos disserem vossos filhos: Que culto é este para vós?

Direis: Sacrifício de Páscoa é para o Eterno, que saltou sobre as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e as nossas casa livrou.E humilhou-se o povo, e curvou-se (adorou).

7. O Tabernáculo e o Templo, um centro de sacrifícios. Ex.29:38- 41; I Rs.8:63,64.

E isto é o que farás sobre o altar: cordeiros de um ano de idade, dois por dia, continuamente.

E ofereceu Salomão em sacrifício pacífico o que sacrificou ao Senhor D-us, vinte e duas mil vacas e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os filhos de Israel consagraram a casa do Senhor D-us.

No mesmo dia santificou o rei o meio do átrio que estava diante da casa do Senhor D-us; porquanto ali preparara os holocaustos e as ofertas com a gordura dos sacrifícios pacíficos, porque o altar de cobre que estava diante da face do Senhor D-us era muito pequeno para nela caberem os holocaustos, e as ofertas, e a gordura dos sacrifícios pacíficos.

Comentário:

O homem pecou e colocou-se sob a escravidão do pecado. Ele se tornou um escravo da concupiscência de sua carne, da concupiscência dos seus olhos e totalmente sufocado pelo orgulho do ego. Ele descobre que a comunicação espiritual com D-us está interrompida e que ele é espiritualmente inoperante. Ele está transgredindo as leis divinas, e, portanto, está julgado e condenado. “A alma que pecar, essa morrerá”.(Ez.18:4). Mas D-us, em seu amor infinito, providenciou um meio de escape. Isto chama-se a oportunidade de ser salvo agora da Pena do Pecado (morte) e um dia, no futuro, da Presença do Próprio Pecado.

O Tanach (Bíblia) começa, desde o princípio, a expor o plano divino que fornece ao homem este meio de escape. Os sacrifícios são uma ilustração, quadro ou sombra do tremendo Plano Divino da Salvação. Se alguém não compreende o propósito dos sacrifícios, deixa de compreender o propósito do Tanach (Bíblia).

Considerando que todos os homens são culpados – Sl.14:1-3

“-1. Disse o néscio no seu coração: Não há D-us. teem-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem.
–2. O Eterno olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia alguém que tivesse entendimento e buscasse a D-us.
–3. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um.”,

Logo, todos estão condenados à morte. O plano de D-us fornece um sacrifício onde D-us diz que Ele aceitaria a morte de um animal inocente como substituto temporário do homem; temporário porque aqueles sacrifícios eram continuamente repetidos, como quadro do sacrifício perfeito ainda por vir. Isto se evidencia especialmente em um Dia Santo chamado Yom Kipur ou Dia da Expiação (Cobertura). Lv.16:29-34:

-29. E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhuma obra fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós.
-30. Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o Senhor D-us.
-31. É um sábado de descanso para vós, e afligireis as vossas almas; isto é estatuto perpétuo.
–32. E o sacerdote, que for ungido, e que for sagrado, para administrar o sacerdócio no lugar de seu pai, fará a expiação, havendo vestido os vestidos de linho, os vestidos santos;
-33. Assim expiará o santo santuário; também espiará a tenda da congregação e o altar; semelhantemente fará expiação pelos sacerdotes e por todo o povo da congregação;
-34. E isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação pelos filhos de Israel de todos os seus pecados, uma vez no ano. E fez Arão como o Senhor D-us ordenara a Moisés”;

Lv.17:11 “Porque a alma da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma”.

A palavra kipur vem da raiz kofar que significa cobrir. Uma vez que um ser inferior (um animal) era oferecido em lugar do homem, os sacrifícios só cobriam o pecado do homem por um curto período.

Os sacrifícios de animais e todo o culto do templo ilustravam e apontavam para o Plano Divino do perdão completo através do Sacrifício de alguém perfeito (Ele não tinha pecado próprio), chamado de Servo Justo de D-us, também conhecido como o Ungido ou Messias.

Este plano de que o Messias morreria pelo pecado do homem tem sua origem no Tanach. Vejamos Isaías 53. No livro das Orações Judaicas para o Yom Kipur há uma espantosa Oração Mussaf que diz: O Messias, nossa justiça, afastou-se de nós (significando que uma vez Ele esteve conosco mas agora afastou-se). Estamos alarmados. Não temos ninguém que nos justifique. Ele tomou sobre Si nossos pecados e o jugo de nossas transgressões. Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades. Ele carregou sobre os Seus ombros os nossos pecados. Somos sarados através de Suas feridas. D-us Todo-Poderoso apressa o dia em que Ele possa vir a nós novamente a fim de que ouçamos do Monte Líbano uma segunda vez a voz do Messias que é chamado de Yenon (que permanece para sempre).

Oferecendo-Se a Si mesmo, o Messias não apenas cobre o pecado, mas perdoa e remove completamente o pecado do homem. Os homens do Tanach (Bíblia) que oferecem sacrifícios de animais só tinham os seus pecados cobertos temporariamente até que o Supremo Sacrifício pudesse vir para perdoar e remover todo o pecado humano. Isto inclui os pecados do Homem no Passado, no Presente e no Futuro em todas as gerações.

Tudo o que o homem tem a fazer é aceitar para si mesmo, o Sacrifício Supremo do Messias, o Perfeito.

C. O plano do Eterno para o perdão completo do sacrifício do Perfeito (o Messias).

1. Seria um Profeta como Moisés. Dt.18:15.

Profeta do meio de ti, dentre os teus irmãos, como sou eu, te fará surgir o Eterno, em todas as gerações; a ele ouvireis.

2.
Descendência do Messias:

- nasceria da Semente da Mulher. Gn.3:15
E inimizade colocarei entre ti e a mulher, e entre a tua semente e entre a sua semente; ela te ferirá (socará) a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.

- da semente de Abraão. Gn.22:18
E se abençoarão em tua semente, todas as nações da terra; porque ouviste a minha voz.

- de Jacó. Gn.28:14
E será a tua semente como o pó da terra, e te fortalecerás, ao Oeste, ao Leste, ao Norte e ao Sul; e por ti serão benditas todas as famílias da terra, e por tua posteridade.

- de Davi. Jr.23:5,6
Eis que vem dias, diz o Senhor D-us, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará, e prosperará, e praticará o juízo e a justiça na terra. (Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro, e este será o seu nome, com que o nomearão; O SENHOR JUSTIÇA NOSSA).

3. Seria o filho de Davi e o Rei. I Cr.17;11- 14; Is.9:6,7.

E há de ser que, quando forem cumpridos os teus dias, para ires a teus pais, suscitarei a tua semente depois de ti, a qual será dos teus filhos, e confirmarei o seu reino. Este me edificará casa, e eu confirmarei o seu trono para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho, e a minha benignidade não desviarei dele, como a tirei daquele, que foi antes de ti. Mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu trono será firme para sempre.

( Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, D-us forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz). Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora para sempre; o selo do Senhor dos Exércitos fará isto.

4. Época de sua vinda:
- Viria numa hora determinada. Dn.9:24- 26
Setenta semanas serão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos santos.

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas, e setenta e duas semanas: as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos.

E depois das setenta e duas semanas será tirado o Messias, e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações.

- antes da destruição do Segundo Templo. Ag.2:9.
A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos.

5. Ele nasceria em Belém. Mq.5:2
E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

6. Teria nascimento miraculoso. Is.7:14.
Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.
obs.: A Septuaginta traduz “virginal”. Os versículos precedentes falam de um sinal significativamente miraculoso. A mesma palavra foi usada referindo-se aos milagres das 10 pragas no Êxodo.

7. Ele seria D-us em carne. Is.9:6.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, D-us forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz.

8. Sua presença traria grande glória ao Segundo Templo. Ag.2:7-9.
E farei tremer todas as nações, e virá o Desejado de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos.

Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos.

A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos.

9. Ele seria precedido por um mensageiro no espírito e poder de Elias. Ml.3:1; Is.40:3.

Eis que eu envio meu anjo, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o anjo do concerto, a quem vós desejais; eis que vem, diz o Senhor dos Exércitos.

10. Ele teria uma vida extremamente fora do comum e maravilhosa, uma vida caracterizada por:

a- Compaixão. Is.40:11

Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam, ele guiará mansamente.

b- Justiça. Is.42:3

A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade produzirá o juízo.

c- Um ministério na Galiléia. Is.9:1,2.

Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida. Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftalí, mas nos últimos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia dos gentios.

O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.

d- Proclamação da liberdade. Is. 61:1,2

O Espírito do Senhor Jeová está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos mansos: enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;
A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso D-us; a consolar todos os tristes;

e- Operação de milagres. Is.35:5,6.

Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão.

Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.

f- Nem violência nem engano. Is.53:9

E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca.

g- Unção do Espírito. Sl.45:7; Is.11:2.

Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; por isso D-us, o teu D-us te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.

E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.

h- Humildade, até o clímax de Sua humilde entrada em Jerusalém. Zc.9:9.

Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, sobre um asninho filho de jumenta.

11. Ele seria rejeitado como Rei pelas autoridades judaicas. Sl.118:22; Is.49:7; Sl.69:4.

A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça da esquina.

Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, o seu Santo, à alma desprezada, ao que as nações abominam, ao servo dos que dominam; Os reis o verão, e se inclinarão, por amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu.

Aqueles que me aborrecem sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça; aqueles que procuram destruir-me, sendo injustamente meus inimigos, são poderosos; então restituí o que não furtei.

12. Ele teria a oposição também dos gentios. Sl.2:1,2.

Por que se amotinam as gentes, e os povos imaginam coisas vãs?

Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos se mancomunam contra o Senhor e contra o seu ungido, (dizendo:)

13. Ele seria traído e vendido por prata. Sl.41:9; Zc.11:12.

Até o meu próprio amigo íntimo, em que eu tanto confiava, que comia do meu pão. levantou contra mim o seu calcanhar.

E eu disse-lhes: Se parece bem aos vossos olhos, daí-me o que me é devido; e, se não, deixai-o e pesaram o meu salário, trinta moedas de prata.

14. Ele seria abandonado. Zc.13:7.

Ó espada, ergue-te contra o meu Pastor e contra o varão que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o Pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas; mas volverei a minha mão para os pequenos.

15. O seu preço seria destinado para a compra de um Campo de Oleiro. Zc.11:13.

O Senhor, pois, me disse: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro na casa do Senhor.

16. Cuspir-lhe-iam no rosto e açoitar-lhe-iam as costas. Is.50:6; Mq.5:1.

As minhas costas dou aos que me ferem, e as minhas faces aos que me arrancam os cabelos; não escondo a minha face dos que me afrontam e me cospem.

Agora ajuntar-te em esquadrões, ó filha de esquadrões; por-se-á cerco contra nós: ferirão com a vara no queixo ao Juiz de Israel.

17. Ele teria suas mãos e pés perfurados. Sl.22:16; Zc.12:10.

Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, transpassaram-me as mãos e os pés.

E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.

18. Ele sofreria as agonias da crucificação. Sl.22:14; Dt.21:22,23.

Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.

A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar, e me puseste no pó da morte.

19. Ele teria de beber vinagre e fel. Sl.69:21.

Deram-me fel por mantimento, e na minha sede deram a beber vinagre.

20. Suas vestes seriam repartidas e sua túnica sorteada. Sl.22:18.

Repartem entre si os meus vestidos, e lançam sortes sobre a minha túnica.

21. Ele seria desprezado e rejeitado dos homens. Is.53:3.

Era desprezado, e o mais indigno entre os homens; homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

22. Ele seria zombado. Sl.22:7,8.

Todos os que me vêem zombam de mim, estendem os beiços e meneiam a cabeça dizendo:

Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer.

23. Ele não abriria a sua boca diante do sofrimento. Is.53:7

Ele foi oprimido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, e não abriu a sua boca.

24. Ele seria contado entre os transgressores. Is.53:12.

Pelo que lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercede.

25. Ele não teria nenhum osso quebrado. Ex.12:46; Sl.34:20.

Numa casa será comido, não levarão para fora da casa a carne, nem o osso quebrarão.

Ele lhe guarda todos os seus ossos; nem sequer um deles se quebra.

26. Ele intercederia pelos transgressores. Is.53:12.

Pelo que lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercede.

27. Sua sepultura seria com o rico. Is.53:9.

E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca.

28. Sua morte seria para:

a. tomar sobre Si nossas dores e sofrimentos. Is.53:4.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de D-us, e oprimido.

b. tomar sobre Si nossas transgressões. Is.53:11

O trabalho de sua alma ele verá, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si.

c. tomar sobre Si a iniqüidade de todos. Is.53:6-11.

.6- Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.

.7- Ele foi oprimido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca.

.8- Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo foi ele atingido

.9- E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; porquanto nuca fez injustiça, nem houve engano na sua boca.

.10- Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.

.11- O trabalho da sua alma ele verá, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si.

d. morrer especialmente pelo povo judeu. Is.53:8.

Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo foi ele atingido.

e. ser nossa oferta pelo pecado. Is.53:10.

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.

f. satisfazer a justiça divina. Is.53:11.

O trabalho de sua alma ele verá, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si.

g. tomar sobre Si o pecado de muitos. Is.53:12.

Pelo que lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercede.

29. Ele seria Ressuscitado. Sl.16:10.

Pois não deixarás a minha alma no inferno,nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.

30. Ele voltaria para o Céu e aceitar-se-ia à direita de D-us. Sl.68:18; 110:1.

Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro; recebeste dons para os homens, a até para os rebeldes, para que o Senhor D-us habitasse entre eles.

Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.

31. Ele atrairia os gentios (nações) para Si mesmo. Is.42:6; 49:6.

Eu o Senhor te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios:

Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e te tornares a trazer os guardados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.

32. Ele viria duas vezes. Os.5:15; (Zc.9:9,10; 14:4).

Irei, e voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão.

(Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, sobre um asninho filho de jumenta).

(E destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém e o arco de guerra será destruído; e o seu domínio se estenderá de um mar a outro mar, e desde o rio até às extremidades da terra).

Boa Leitura e Shabat Shalom.

SIMCHAT TORAH

Simchat Torah

A Tanach, incluindo a Torah, é uma dádiva preciosa de D-us. É como a carta de um pai amoroso aos filhos. Conta-nos à verdade sobre D-us – quem Ele é e o que representa. Explica como lidar com problemas e como conseguir verdadeira felicidade. Só a Tanach nos diz o que temos de fazer para agradar a D-us – Bem-Aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na Lei do Eterno, e na sua Lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará. (Sl.1:1- 3), e Assim dia o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu D-us, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar. (Is.48:17. 18).

A Tanach foi escrita a mais de 2400 anos, é composta por 39 livros. Os escritores da Tanach foram inspirados por D-us. Escreveram os pensamentos do Eterno, não os seus próprios. Desta maneira, não homem algum na terra, mas sim D-us no céu é o Único Autor.

D-us certificou-se de que a Tanach fosse copiada e preservada com exatidão. Nem todos se agradam de que se estude a Tanach, mas não deixe que isso o impeça. Seu futuro eterno depende de você chegar a conhecer verdadeiramente D-us e de fazer a Sua vontade, a pesar de qualquer tipo de oposição.

Bendito és Tu, Eterno, nosso D-us, Rei do Universo, que nos escolheste entre todos os povos, e que nos deste a Torah. Bendito és Tu, Eterno, por nos teres dado a Torah.

Chag Sameach!

SUKOT

SUKAH (Cabana, Tenda, Tabernáculo, Choça)

Quão formosas são as tuas tendas, ó Jacó, as tuas moradas, ó Israel. Nm. 24:5.

Sukot, a festa dos Tabernáculos inicia em 15 de Tishrei, estendendo-se por sete dias. Dois fatos festivos são comemorados sob a denominação de Sukot, quais sejam, a festa das cabanas, quando moramos sob as mesmas enquanto atravessávamos o deserto vindo do exílio do Egito para a Terra Prometida, e a outra que associamos é a colheita dos frutos, que encerra por assim dizer, o ciclo do ano agrícola. Por tais fatos, nada mais justo do que agradecermos ao Eterno, pois somos ensinados a dar graças por tudo.

Observando na Torah, o texto escrito em Lv.23:42, 43, lemos: Nas cabanas habitareis por sete dias; todo o natural de Israel, habitará nas cabanas. Para que as vossas gerações saibam que, nas cabanas, fiz habitar os filhos de Israel, quando os tirei da terra do Egito, Eu sou o Eterno, vosso D-us.

Analisando a simples e frágil construção de uma sukah, tiramos lições de vida, onde uma delas pode ser o espelho de nossa vida individual, pois somos tão impotentes às vicissitudes da vida, mas tendo o Eterno como nosso shomér, nada temeremos. D-us envia anjos para nos proteger, tal qual protegeu não só na travessia do deserto, mas também ao longo de milhares de anos. Basta apenas que busquemos ser realmente para com D-us, os filhos que decálogo aconselha: Honrarás a teu pai… Ex.20:12.

Nesta comemoração, destaca-se o Arbá Minim, ou seja, as quatro espécies de plantas, que embora diferentes, apresentam pontos íntimos de união. Os quatro tipos são o Lulav, ou galho de tamareira, o Etrog, uma fruta, o Hadás, uma planta decorativa e Aravá, arbusto geralmente junto a ribeiros.

O Arbá Minim tem um significado figurativo, dentro de cada comunidade:

1. Lulav – É grande, mas sem sabor algum, ou seja, representa pessoas que embora de destaque, não tem expressão espiritual.

2. Etrog – Embora sendo uma fruta pequena, tem gostoso aroma e prazerosamente consumida, sendo então comparado a membros que sem “expressão”, mas se observados com atenção, são verdadeiros poços de conhecimento, espiritualidade e bondade.

3. Hadás – Tem aroma, mas não tem utilidade real, são aqueles que parecem que são, mas não os são.

4. Aravá – Nada de útil tem a apresentar, estão ali por estarem, tal como muitos, só servem para dificultar e estorvar dentro da comunidade.

Apesar de tanta disparidade, não devemos desprezar nenhum dos elementos, pois além de terem sido criados por D-us, podemos nos casos figurados, buscar exemplos de como proceder e como não proceder. Em suma, tenhamos bons olhos para fazer o que é agradável ao Eterno.

Em suma, as quatro espécies unem-se para simbolizar a união dos indivíduos, pois, embora uma pessoa não venha valer muito, mas ao unir-se no grande conjunto, é óbvio que cada judeu forma a unidade maior, a de cumprir a missão que D-us deu a Abraão e que é válida até a grande vinda do Messias, Baruch Rabah!

Chag Sameach!

HAAZÍNU

04.10.2003 / 08 de Tishrei de 5764.

Parashah – HAAZÍNU – Dt.32:1–32:52
Haftarah – Jl.2:15-27; II Sm.22:1-51

A Parashah de Haazínu coroa dignamente, a grandiosa obra de Moises pela sua magnificência e elevação de pensamento. O profeta reuniu, nela, todas as riquezas da poesia e da eloqüência, para fazer penetrar na alma de seu povo a sua preciosa prédica:

Que a minhas palavras sejam para vós como a chuva que penetra na terra, a fecunda e a vivifica; como o orvalho bendito que sempre traz proveito“.

Após esta poética introdução, Moisés resume em poucas palavras a história dos Hebreus, evocando seu passado, sua modesta origem, suas felicidades e suas iniqüidades; mais adiante, ele adverte sobre as desgraças que alcançarão ao povo, que embriagado pela fortuna, esquecerá a sua missão moral, para entregar-se inteiramente aos prazeres materiais.

E engordou-se Israel e deu coices; engordou-se, engrossou-se, cobriu-se de gordura, e abandonou o D-us, que o fez e desprezou o Forte da sua salvação” Dt.32:15.

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Ouvi, ó céus, e falarei; e ouça a terra os ditos da minha boca.
Dt.32:1

Moisés dirige-se nesta Parashah aos céus e a terra para que ouvissem as suas palavras. Segundo o Midrash, a razão desta magnífica invocação foi a seguinte:

Eu sou, disse Moisés, um ser de carne e osso, sujeito a morrer; os meus sucessores o serão de igual forma; se o povo de Israel vier a esquecer a Lei e transgredir a Divina Aliança, que lhe faria lembrar a sua desobediência e infidelidade? Eu vou chamar contra eles testemunhas permanentes, os céus e a terra. Ouvi ó céus e falarei, e ouça a terra os ditos da minha boca. É a vós que eu invoco; eu chamo os céus e a natureza inteira para encaminhar Israel na senda do bem e desviá-lo da via do mal e da ingratidão humana. Que os céus e a terra sejam os eternos censores do povo de D-us. Nós os condutores dos povos passamos, e vós ficareis para sempre!

Comigo está a vingança e o pago; retribuir-lhes-Ei quando resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e, o seu destino se apressa em chegar. Dt.32:35

Até este versículo, Moisés disse-lhes palavra de admoestações, fazendo o quadro negro das catástrofes que o atingiram. De aqui em diante, falou-lhes palavra de consolo: “Quando D-us vir que o poder do inimigo se fortalece muito e que os israelitas já foram suficientemente abandonados à mercê deles, salvá-los-á (Dt.32:36). Esta profecia de Moisés, repetiu-se várias vezes, no curso da longa e dolorosa história de Israel, inclusive em nossos dias. Hoje, mais do que nunca, deverá fazer-se sentir, entre nós, este discurso de Moisés: “Aplicai o vosso coração a todas as palavras que hoje testifico entre vós, para que ordeneis a vossos filhos, para que cuidem de cumprir todas a palavras desta Lei; porque isto não é coisa vã, mas é vossa vida, e por esta coisa prolongareis dias nas terra para a qual, estais passando o Jordão, a fim de herdá-la”. (Dt.32:46,47)

Shanah Tovah!