TOLEDOT
29.11.2003 / 4 de Kislev de 5764.
Parashah –TOLEDOT – Gn.25:19 – 28:9.
Haftarah – Ml.1:1- 2:7.
Itzak passou a maior parte de sua vida no sul da Palestina, nas cercanias de Gerar, Reobote e Bersheva. Era homem dado à meditação, conciliador, tranqüilo e até passivo. Sua vida parece ser ”apenas um eco da de seu pai”. Cometeu seus mesmos erros, porém buscou a D-us. Com a exceção do capitulo 26, Itzak sempre ocupa lugar secundário no relato do Gênesis. Não obstante, foi homem de fé e obediência. Cumpriu o propósito de D-us para sua vida sendo guardião de suas promessas e transmitindo-as a Jacó. Foi “um elo necessário” para cumprir o pacto feito com Abraão.
Nascimento de Jacó e Esaú, e a rivalidade entre ambos: (Gn.25:19-34). Rebeca era estéril. Ao comparar-se o versículo 20 com o 26, vê-se que transcorreram 20 anos entre o casamento de Itzak com Rebeca e o nascimento de Esaú e Jacó. À semelhança do nascimento de José, de Sansão e de Samuel, o dos gêmeos ocorreu depois de um longo período de tristeza e oração. Foi dada a Rebeca a profecia de que os dois filhos seriam fundadores de duas nações antagônicas: a nação que descenderia do mais velho serviria à nação do mais novo, ou dela dependeria. Neste caso D-us trocou o costume daquele tempo que favorecia o filho mais velho.
O termo “Esaú” significa cabeludo e é o mesmo patriarca que depois de chamado “Edom”, ou seja, vermelho, por haver comido um guisado avermelhado (25:30). Esaú foi o antepassado dos edomitas que ocuparam a região ao oriente de Judá. A palavra “Jacó” significa o que segura pelo calcanhar, porém mais tarde Esaú o interpretou como o suplantador (27:36). Esaú converteu-se em hábil caçador seguindo uma vocação aloucada em emoções e aventuras. Era impulsivo e até generoso, mas sem domínio-próprio e incapaz de apreciar os valores espirituais. É uma amostra do caráter do homem natural. Em notável contraste com Esaú, Jacó era homem pacifico que amava a vida do lar, eficiente no manejo dos assuntos da família, porém interesseiro, ardiloso e astuto no trato com os demais. Apesar disto, preocupava-o espiritual. A diferença entre os dois acentuava-se pelo fato de os pais mostrarem parcialidade, cada qual por um dos filhos e não aturem como “uma só carne”. O casamento planejado no céu não foi um êxito absoluto na terra porque os esposos falharam.
A venda da primogenitura por um prato de lentilhas revela que Esaú não atribuía valor algum a ela, porque não tinha ideal fora da satisfação física imediata. Posteriormente desprezou o conceito de separação que seus pais tinham e se casou com uma pagã hetéia (26:34). É denominado “profano”, porque significa carente de espiritualidade. Por outro lado, Jacó anelava o espiritual, mas se enganou ao supor que era preciso algum ardil humano para colaborar com D-us no cumprimento de sua promessa. Os direitos e privilégios do primogênito, em geral abrangiam uma porção dupla da herança e da chefia da família durante a guerra e no culto. Neste caso incluía velar pelo pacto e perpetuar a linha messiânica.
Tabuas encontradas em Nuzu indicam que naquele tempo a primogenitura era transferível, e em um contrato dessa natureza um irmão pagou três ovelhas para receber uma parte da herança.
Itzak abençoado em Gerar: (Gn.26). Este capítulo registra três tentações que Itzak teve de enfrentar: abandonar a terra prometida em um período de fome, simular que rebeca não era sua esposa em um momento de perigo, e reagir violentamente à provocação dos filisteus. Falhou em uma das provas (segunda), porém saiu vitorioso nas outras duas. Por que D-us permitiu que ele fosse tentado da mesma maneira em que o fora Abraão? Quis dar-lhe a oportunidade de demonstrar se dependia da fé que seu pai possuía ou estava disposto a confiar ele mesmo, implicitamente, em D-us. Tinha de aprender as lições de fé e consagração. Cada nova geração tem de aprender por experiência própria o que D-us pode fazer por ela.
O mesmo temor de uma fome terrível em Canaã, que apanhou a Abraão de surpresa na geração anterior, por pouco não afligiu a Itzak e o tentou a seguir o exemplo de seu pai. Mas o Eterno apareceu a Itzak e advertiu-o de que não se mudasse para o Egito. As promessas que lhe fez era simplesmente uma repetição das já feitas a Abraão (26:2-5). Rejeitaria Itzak a perspectiva de beneficiar-se da abundancia do Egito para alcançar as bênçãos invisíveis do futuro distante? Estaria disposto a perder as riquezas que seu pai havia acumulado? Atribuiria valor supremo ao espiritual?
Itzak demonstrou que tinha a mesma índole de fé que Abraão, morando como estrangeiro na terra prometida. Sem dúvida alguma, perdeu muitas riquezas, mas D-us empregou estas perdas pra ensinar-lhe lições espirituais. Depois da prova, o Eterno o enriqueceu com uma colheita extraordinária e o abençoou (26:12,13). Como Salomão, Itzak podia dizer: A benção do Eterno é que enriquece. (Pr.10:22).
Na segunda prova, Itzak cometeu o mesmo pecado em que seu pai havia caído, ao fingir que Rebeca era sua irmã. Abimeleque descobriu-o brincando dom sua esposa e esse descuido foi à evidência que D-us usou para proteger Rebeca. O Abimeleque deste relato não era o Abimeleque da época de Abraão, pois parece que este nome era um título dinástico dos filisteus dessa região.
Os filisteus eram um povo comerciante do mar Mediterrâneo; a Palestina derivou deles o seu nome. Os filisteus da região de Gerar são provavelmente um dos primeiros habitantes que se estabeleceram em Canaã e não eram tão belicosos quanto os filisteus que viveram ali posteriormente.
A paciência de Itzak foi grandemente recompensada por D-us. Teve a paz que desejava, não no estreito vale onde encontrou o primeiro poço, mas em um vale amplo e extenso onde havia muito território para ocupar. D-us apareceu-lhe, confirmando-lhe o pacto. Itzak enriqueceu sua vida espiritual edificando um altar e invocando o nome do Eterno. Seus velhos inimigos procedentes de Gerar viram que o Eterno o estava abençoando. Chegaram procurando fazer aliança com ele e deram um extraordinário testemunho deste pacificador (26:28). O relato nos mostra, pois, que D-us permite que seus filhos sofram perdas para dar-lhes algo melhor e para que se destaque seu caráter no caráter deles.
Jacó suplanta Esaú: Gn.27:1-40. O complô de Itzak para entregar a benção a Esaú e a contra-artimanha de Rebeca e Jacó põem em relevo a carnalidade da família toda. Cegado pelos impulsos carnais e pela parcialidade, Itzak estava decidido a dar a Esaú o que ele sabia não pertencer ao filho mais velho, segundo a profecia (25:23). Esaú, por sua vez, estava disposto a receber o que havia vendido por um prato de lentilhas. Rebeca e Jacó não estavam dispostos a deixar a situação nas mãos de D-us, nem a confiar que Ele fosse capaz de cumprir a promessa, mas quiseram contribuir com seus métodos carnais para a solução do problema. Como resultado, todos sofreram. Ao compreender que D-us havia prevalecido sobre seus planos, Itzak se estremeceu. Esaú desiludiu-se e se amargurou contra Jacó. Devido às ameaças formuladas por Esaú, Jacó teve de imediatamente abandonara o lar que ele tanto amava e dirigir-se a uma terra estanha. Aqui sofreu muito sob a mão corretora do Éter. Rebeca, por sua vez, teve de despedir-se do filho amado para não mais vê-lo; morreu antes que ele voltasse.
É interessante analisar as três bênçãos que Itzak pronunciou:
a. A benção transmitida a Jacó (27:27-29), revela que Itzak pensava na parte material que Esaú desejava, pois não mencionou as promessas mais importantes que D-us havia feito a Abraão. Pediu somente a riqueza que nasce dos campos, o senhorio sobre seus irmãos e sobre os cananeus.
b. A benção dada a Esaú (27:39) referia-se principalmente aos descendentes deste: os emitas. Estes habitariam onde era difícil cultivar a terra, fora da Palestina fértil. Transformariam suas relhas de arado em espadas para viver da rapina como bandoleiros. Se se submetessem Israel seriam libertados dessa situação. Historicamente se cumpriu, pois Israel dominou a Edom desde a monarquia em diante (Nm.24:18; II Sm.8:13,14; I Rs,11?:15,16) e Edom se livrou de Israel pouco a pouco (II Rs.8:20-22; Ez.35:3).
c. A bênção que Itzak transmitiu a Jacó quando este estava para dirigir-se a Padã-Arã (28:3,4) foi a verdadeira bênção de Abraão porque incluiu tanto a terra como a descendência. Na visão de Betel, D-us mesmo acrescentou a promessa messiânica (28:14). Desde esse tempo Jacó foi o herdeiro da Aliança.
Jacó vai a Mesopotâmia: Gn.27:41 – 28:9. Motivada em parte pelo medo do que pudesse Esaú fazer a Jacó se este permanecesse em casa e em parte pelo interesse de que Jacó não se casasse com uma cananéia, Rebeca animou Itzak a enviar Jacó à casa de Labão em Padã-Arã. Quando Jacó deixou a casa, Itzak animou-o comunicando-lhe a bênção da aliança e aconselhado-o a buscar uma esposa que fosse digna de compartilhar as bênçãos divinas.
Atentando para todo o enredo, tiramos uma bela lição, não desvirtuarmos em hipótese alguma aquilo que escrito está, devemos apenas fazer e viver nos caminhos que o Eterno já delineou.
Shabat Shalom !
