TOLEDOT

29.11.2003 / 4 de Kislev de 5764.

Parashah –TOLEDOT – Gn.25:19 – 28:9.
Haftarah – Ml.1:1- 2:7.

Itzak passou a maior parte de sua vida no sul da Palestina, nas cercanias de Gerar, Reobote e Bersheva. Era homem dado à meditação, conciliador, tranqüilo e até passivo. Sua vida parece ser ”apenas um eco da de seu pai”. Cometeu seus mesmos erros, porém buscou a D-us. Com a exceção do capitulo 26, Itzak sempre ocupa lugar secundário no relato do Gênesis. Não obstante, foi homem de fé e obediência. Cumpriu o propósito de D-us para sua vida sendo guardião de suas promessas e transmitindo-as a Jacó. Foi “um elo necessário” para cumprir o pacto feito com Abraão.

Nascimento de Jacó e Esaú, e a rivalidade entre ambos: (Gn.25:19-34). Rebeca era estéril. Ao comparar-se o versículo 20 com o 26, vê-se que transcorreram 20 anos entre o casamento de Itzak com Rebeca e o nascimento de Esaú e Jacó. À semelhança do nascimento de José, de Sansão e de Samuel, o dos gêmeos ocorreu depois de um longo período de tristeza e oração. Foi dada a Rebeca a profecia de que os dois filhos seriam fundadores de duas nações antagônicas: a nação que descenderia do mais velho serviria à nação do mais novo, ou dela dependeria. Neste caso D-us trocou o costume daquele tempo que favorecia o filho mais velho.

O termo “Esaú” significa cabeludo e é o mesmo patriarca que depois de chamado “Edom”, ou seja, vermelho, por haver comido um guisado avermelhado (25:30). Esaú foi o antepassado dos edomitas que ocuparam a região ao oriente de Judá. A palavra “Jacó” significa o que segura pelo calcanhar, porém mais tarde Esaú o interpretou como o suplantador (27:36). Esaú converteu-se em hábil caçador seguindo uma vocação aloucada em emoções e aventuras. Era impulsivo e até generoso, mas sem domínio-próprio e incapaz de apreciar os valores espirituais. É uma amostra do caráter do homem natural. Em notável contraste com Esaú, Jacó era homem pacifico que amava a vida do lar, eficiente no manejo dos assuntos da família, porém interesseiro, ardiloso e astuto no trato com os demais. Apesar disto, preocupava-o espiritual. A diferença entre os dois acentuava-se pelo fato de os pais mostrarem parcialidade, cada qual por um dos filhos e não aturem como “uma só carne”. O casamento planejado no céu não foi um êxito absoluto na terra porque os esposos falharam.

A venda da primogenitura por um prato de lentilhas revela que Esaú não atribuía valor algum a ela, porque não tinha ideal fora da satisfação física imediata. Posteriormente desprezou o conceito de separação que seus pais tinham e se casou com uma pagã hetéia (26:34). É denominado “profano”, porque significa carente de espiritualidade. Por outro lado, Jacó anelava o espiritual, mas se enganou ao supor que era preciso algum ardil humano para colaborar com D-us no cumprimento de sua promessa. Os direitos e privilégios do primogênito, em geral abrangiam uma porção dupla da herança e da chefia da família durante a guerra e no culto. Neste caso incluía velar pelo pacto e perpetuar a linha messiânica.

Tabuas encontradas em Nuzu indicam que naquele tempo a primogenitura era transferível, e em um contrato dessa natureza um irmão pagou três ovelhas para receber uma parte da herança.

Itzak abençoado em Gerar: (Gn.26). Este capítulo registra três tentações que Itzak teve de enfrentar: abandonar a terra prometida em um período de fome, simular que rebeca não era sua esposa em um momento de perigo, e reagir violentamente à provocação dos filisteus. Falhou em uma das provas (segunda), porém saiu vitorioso nas outras duas. Por que D-us permitiu que ele fosse tentado da mesma maneira em que o fora Abraão? Quis dar-lhe a oportunidade de demonstrar se dependia da fé que seu pai possuía ou estava disposto a confiar ele mesmo, implicitamente, em D-us. Tinha de aprender as lições de fé e consagração. Cada nova geração tem de aprender por experiência própria o que D-us pode fazer por ela.
O mesmo temor de uma fome terrível em Canaã, que apanhou a Abraão de surpresa na geração anterior, por pouco não afligiu a Itzak e o tentou a seguir o exemplo de seu pai. Mas o Eterno apareceu a Itzak e advertiu-o de que não se mudasse para o Egito. As promessas que lhe fez era simplesmente uma repetição das já feitas a Abraão (26:2-5). Rejeitaria Itzak a perspectiva de beneficiar-se da abundancia do Egito para alcançar as bênçãos invisíveis do futuro distante? Estaria disposto a perder as riquezas que seu pai havia acumulado? Atribuiria valor supremo ao espiritual?

Itzak demonstrou que tinha a mesma índole de fé que Abraão, morando como estrangeiro na terra prometida. Sem dúvida alguma, perdeu muitas riquezas, mas D-us empregou estas perdas pra ensinar-lhe lições espirituais. Depois da prova, o Eterno o enriqueceu com uma colheita extraordinária e o abençoou (26:12,13). Como Salomão, Itzak podia dizer: A benção do Eterno é que enriquece. (Pr.10:22).

Na segunda prova, Itzak cometeu o mesmo pecado em que seu pai havia caído, ao fingir que Rebeca era sua irmã. Abimeleque descobriu-o brincando dom sua esposa e esse descuido foi à evidência que D-us usou para proteger Rebeca. O Abimeleque deste relato não era o Abimeleque da época de Abraão, pois parece que este nome era um título dinástico dos filisteus dessa região.

Os filisteus eram um povo comerciante do mar Mediterrâneo; a Palestina derivou deles o seu nome. Os filisteus da região de Gerar são provavelmente um dos primeiros habitantes que se estabeleceram em Canaã e não eram tão belicosos quanto os filisteus que viveram ali posteriormente.

A paciência de Itzak foi grandemente recompensada por D-us. Teve a paz que desejava, não no estreito vale onde encontrou o primeiro poço, mas em um vale amplo e extenso onde havia muito território para ocupar. D-us apareceu-lhe, confirmando-lhe o pacto. Itzak enriqueceu sua vida espiritual edificando um altar e invocando o nome do Eterno. Seus velhos inimigos procedentes de Gerar viram que o Eterno o estava abençoando. Chegaram procurando fazer aliança com ele e deram um extraordinário testemunho deste pacificador (26:28). O relato nos mostra, pois, que D-us permite que seus filhos sofram perdas para dar-lhes algo melhor e para que se destaque seu caráter no caráter deles.

Jacó suplanta Esaú: Gn.27:1-40. O complô de Itzak para entregar a benção a Esaú e a contra-artimanha de Rebeca e Jacó põem em relevo a carnalidade da família toda. Cegado pelos impulsos carnais e pela parcialidade, Itzak estava decidido a dar a Esaú o que ele sabia não pertencer ao filho mais velho, segundo a profecia (25:23). Esaú, por sua vez, estava disposto a receber o que havia vendido por um prato de lentilhas. Rebeca e Jacó não estavam dispostos a deixar a situação nas mãos de D-us, nem a confiar que Ele fosse capaz de cumprir a promessa, mas quiseram contribuir com seus métodos carnais para a solução do problema. Como resultado, todos sofreram. Ao compreender que D-us havia prevalecido sobre seus planos, Itzak se estremeceu. Esaú desiludiu-se e se amargurou contra Jacó. Devido às ameaças formuladas por Esaú, Jacó teve de imediatamente abandonara o lar que ele tanto amava e dirigir-se a uma terra estanha. Aqui sofreu muito sob a mão corretora do Éter. Rebeca, por sua vez, teve de despedir-se do filho amado para não mais vê-lo; morreu antes que ele voltasse.

É interessante analisar as três bênçãos que Itzak pronunciou:

a. A benção transmitida a Jacó (27:27-29), revela que Itzak pensava na parte material que Esaú desejava, pois não mencionou as promessas mais importantes que D-us havia feito a Abraão. Pediu somente a riqueza que nasce dos campos, o senhorio sobre seus irmãos e sobre os cananeus.

b. A benção dada a Esaú (27:39) referia-se principalmente aos descendentes deste: os emitas. Estes habitariam onde era difícil cultivar a terra, fora da Palestina fértil. Transformariam suas relhas de arado em espadas para viver da rapina como bandoleiros. Se se submetessem Israel seriam libertados dessa situação. Historicamente se cumpriu, pois Israel dominou a Edom desde a monarquia em diante (Nm.24:18; II Sm.8:13,14; I Rs,11?:15,16) e Edom se livrou de Israel pouco a pouco (II Rs.8:20-22; Ez.35:3).

c. A bênção que Itzak transmitiu a Jacó quando este estava para dirigir-se a Padã-Arã (28:3,4) foi a verdadeira bênção de Abraão porque incluiu tanto a terra como a descendência. Na visão de Betel, D-us mesmo acrescentou a promessa messiânica (28:14). Desde esse tempo Jacó foi o herdeiro da Aliança.

Jacó vai a Mesopotâmia: Gn.27:41 – 28:9. Motivada em parte pelo medo do que pudesse Esaú fazer a Jacó se este permanecesse em casa e em parte pelo interesse de que Jacó não se casasse com uma cananéia, Rebeca animou Itzak a enviar Jacó à casa de Labão em Padã-Arã. Quando Jacó deixou a casa, Itzak animou-o comunicando-lhe a bênção da aliança e aconselhado-o a buscar uma esposa que fosse digna de compartilhar as bênçãos divinas.

Atentando para todo o enredo, tiramos uma bela lição, não desvirtuarmos em hipótese alguma aquilo que escrito está, devemos apenas fazer e viver nos caminhos que o Eterno já delineou.

Shabat Shalom !

CHAYÊ-SARAH

22.11.2003 / 27 de Cheshvan de 5764.

Parashah - CHAYÊ-SARAH – Gn.23:1- Gn.25:18.
Haftarah – I Rs.1:1- 31.

Morte e sepultura de Sarah

Sarah é a única mulher da Tanach de quem se menciona a idade que tinha ao morrer. Por que se dedica tanto espaço a seu falecimento e sepultura? Tinha a mesma fé que Abraão e é a mãe do povo eleito, por isso merece lugar de importância nas Escrituras.

O principal significado deste capítulo reside no fato de que ao comprar Abraão a sepultura para Sarah demonstrou que acreditava que seus descendentes herdariam Canaã. Não enviaria o corpo ao sepulcro familiar na Mesopotâmia, pois nesse caso seu túmulo não estaria na residência permanente dos descendentes.

A primeira propriedade que os patriarcas adquiriram em Canaã foi um cemitério. Ali foram sepultados Abraão, Itzak, Rebeca e Lia. Jacó, estando no Egito, expressou o desejo de ser sepultado em Hebron (49:29- 32); seu desejo foi acatado e seus filhos realizaram uma peregrinação especial aquele lugar. Por esta causa Macpela veio a ser o centro da terra prometida; o símbolo da posse da terra pelo povo escolhido.

Todos os pormenores do negócio da compra do lote de Macpela corresponde exatamente às leis já conhecidas dos heteus; mencionam-se as árvores, pesa-se a prata segundo as medidas da época e as testemunhas anunciam a compra na porta da cidade. O costume heteu era enterrar os membros da família em uma cova ou em perfurações feitas na rocha. Atualmente se encontra uma mesquita muçulmana no local que tradicionalmente se atribui à cova de Macpela.

Abraão procura esposa para Itzak

Chegada à hora em que Itzak devia casar-se, ocorreu na vida de Abraão outra oportunidade para exercitar sua fé. Segundo os costumes daquele tempo, cabia a Abraão fazer os arranjos para o casamento de seu filho.

Era muito importante que Itzak, como herdeiro da promessa, se casasse com uma mulher que valorizasse o pacto de D-us. Abraão queria que a futura esposa de Itzak fosse de sua parentela e não uma das cananéias pagãs. Abraão não enviou Itzak à Mesopotâmia provavelmente porque não quis que seu filho fosse tentado a ficar ali e abandonar a terra prometida. Portanto, enviou para lá seu criado mais antigo e fiel, que provavelmente era Eliêzer (15:2). Nas palavras de Abraão diz a seu servo, nota-se a confiança implícita do patriarca em D-us: “Ele enviará o seu anjo diante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho” (24:7). A história é tão importante, que no livro de Gênesis ocupa o capitulo mais longo.

Podemos tirar algumas lições praticas do capitulo 24:

- É responsabilidade dos pais procurar que seus filhos se casem no círculo da mesma profissão de fé e de acordo com a vontade do Eterno.

- A oração deve ocupar um lugar importante ao cominar um matrimônio. Há amplos indícios de que Abraão e Itzak oraram ao Eterno, pedindo a direção e vida longa.

A prece do mordomo pedindo direção é muito instrutiva. Propôs um sinal que em si mesmo demonstraria que a jovem era uma pessoa digna. Rebeca era, em realidade, melhor do que ele havia pedido. Não era somente hospitaleira e bondosa, mas extraordinariamente bela e pura. Além disso, era uma mulher de caráter, que não vacilou quanto a fazer a vontade de D-us (24:58). Creu e de boa vontade se ofereceu a ir para um país distante a fim de casar-se com um homem ao qual nuca tinha visto. Quando Rebeca divisou o que seria seu futuro lar, Itzak encontrava-se no campo meditando, talvez orando para que D-us desse êxito a seu servo na missão encomendada. Ela aproximou-se de Itzak com humildade e respeito (24:65). Itzak recebeu-a com igual cortesia e respeito dando-lhe o lugar de honra na tenda de sua mãe. Casaram-se e Itzak amou-ª podemos afirmar que foi um casamento planejado no céu.

A Morte de Abraão

O fato de que Abraão, cujo corpo já estava “amortecido”, tenha podido gerar mais seis filhos com Quetura indica que recebeu novos poderes procriadores ao gerar Itzak. Os filhos dessa união vieram a ser ascendentes de algumas tribos árabes, as quais se radicaram mormente no norte e noroeste da Arábia. Assim Abraão foi pai de muitas nações. O último ato de Abraão foi entregar a Itzak tudo quanto tinha, fazendo-o desse modo herdeiro das promessas.

Abrão morreu aos 175 anos. “Foi congregado ao seu povo; e sepultaram-no Itzak e Ismael. . . na cova de Macpela (25:8). Posto que o povo de Abraão houvesse sido sepultado na Mesopotâmia, a frase “Foi congregado ao seu povo” não se refere ao local de sua sepultura, mas ao encontro com seus antepassados na habitação dos espíritos dos mortos, chamado Seol. Isto nos ensina que existia a esperança da imortalidade neste ponto da história bíblica

Em termos gerais, Abraão foi o maior, o mais puro e o mais venerável dos patriarcas. Era “amigo de D-us” e “pai dos adoradores do Eterno”, generoso, desprendido, um caráter magnífico e um homem cuja fé em D-us não tinha limites, e tudo isto, na vizinhança e ambiente de Sodoma e Gomorra.

Shabat Shalom!

VAYERA

15.11.2003 / 20 de Cheshvan de 5764

Parashah – VAYERA – Gn.18:1- 22:24.
Haftarah – II Rs.4:1- 37

A destruição de Sodoma e livramento de Lot: Gn.18:16- 19:38. O pecado dos sodomitas havia chegado ao máximo e D-us estava preste a castigá-los. O Eterno revelou a Abraão que havia resolvido destruir Sodoma e Gomorra.

Por que D-us comunicou seu plano a Abraão? Em virtude de Abraão haver-se feito amigo de D-us e de manter comunhão com e Ele, foi que lhe deu uma antecipação de seu propósito. Os amigos compartilham os segredos entre si e “o segredo do Eterno é para os que o temem” Sl.25:14. Também era necessário que Abraão compreendesse que a destruição das cidades não era um acidente natural, mas o juízo divino sobre a repugnante imundície dos pecadores que nelas habitavam, para poder inculcar em seus descendentes o temor de D-us, pois a recompensa (o salário) do pecado é a morte.

A intercessão de Abraão põe em relevo que o amigo de D-us era-o também dos homens. Indiscutivelmente lhe daria asco a impureza dos habitantes destas cidades ao sul do mar Morto e se sentiria como um estranho entre eles, não obstante, a comunhão com D-us havia despertado nele um profundo amor ao próximo.

Em sua intercessão, Abraão apresentou o problema de todas as épocas: como podia o justo Juiz castigar os bons juntamente com os maus? Uma nota da bíblia de Jerusalém observa: “Sendo forte, no antigo Israel, o sentimento da responsabilidade coletiva, não cabe aqui a pergunta se os justos poderiam ser individualmente poupados”, Visto que todos haveriam de sofrer a mesma sorte, Abraão perguntou se acaso a presença dos justos não afastaria o juízo dos culpados. D-us respondeu afirmativamente, porém não havia sequer dez justos em Sodoma.

A intercessão de Abraão pode servir-nos de modelo. O patriarca combinou nesta intercessão a intrepidez com reverência, considerou o caráter de D-us e sua justiça e persistiu intercedendo até obter a certeza de que D-us perdoaria a cidade se houvesse nela dez justos. Depois deixou os resultados nas mãos de D-us. Embora D-us não tenha salvado a Sodoma, respondeu libertando a Lot e sua família.

O “justo” Lot foi afligido pela manhã pela má conduta dos sodomitas. Não obstante, podia-se encontrá-lo sentado à porta da cidade, isto é, imiscuía-se nos negócios e ouvia as palavras obscenas do povo. Também permitiu que suas filhas desposassem homens de Sodoma. Assim foi cedendo mais e mais. Não pode convencer seus futuros genros de que D-us julgaria o pecado. Demorou e vacilou. Sentia-se tão apegado aos benefícios materiais que nem mesmo a ameaça do enxofre e do fogo o fez capacitar-se. Abraão, pelo contrário, havia aprendido a desfrutar das coisas materiais, mas sem esquecer-se da esperança espiritual.

Por que a esposa de Lot olhou para trás? Porque seu tesouro estava em Sodoma; ali também estava seu coração. Parece que se atrasou na planície de Sodoma e ali foi alcançada pela chuva destruidora. Provavelmente se formou sobre seu corpo uma crosta de sal e ficou ali convertida em estatua como advertência às pessoas cujos corações estão no mundo. A destruição de Sodoma é também uma advertência de que D-us não suporta indefinidamente a maldade.

Em ambos os lados do mar Morto existem ainda jazidas de petróleo que se derretem e arde. Na mesma área foi encontrada também uma camada de sal misturas com enxofre. Conjetura-se que D-us acendeu os gases para produzir uma explosão enorme, e que assim sal e enxofre foram atirados sobre a cidade de modo que literalmente choveu enxofre e fogo, do Eterno desde os céus. Ainda há colunas de sal nas cercanias do extremo sul do mar Morto, As quais recebem o nome de “esposa de Lot”. Atualmente o local das cidades julgadas está coberto pelas águas do mar Morto.

Pobre Lot! Perdeu a esposa e o lar; suas filhas se corromperam e mediante um truque por elas planejado, Lot veio a ser o antepassado incestuoso dos grandes inimigos de Israel; os moabitas e os amonitas. Estes povos foram notórios por suas ambições idolatras e constituíram o perigo de contagio para Israel através dos séculos. Nm:25:1- 3; Rs.11:7. Lot é uma amostra do homem carnal que procura ganhar o mundo e ao mesmo tempo reter o espiritual. Perdeu tudo, salvo sua própria alma.

Abraão e Abimeleque: Gn.20. Abraão, movido pelo temor recorreu ao engano como havia feito no Egito. Pôs assim em perigo o cumprimento do plano da redenção. Alguns crêem que este relato não se encontra em correta ordem cronológica, pois a esta altura Sara teria noventa anos. É possível que haja ocorrido nos primeiros anos em que o casal se encontrava em Canaan. D-us denomina a Abraão ”profeta” (20:7) não no sentido de ser como os outros profetas da Tanach, mas porque tinha relações privilegiadas com D-us e era um poderoso intercessor. Neste capitulo encontra-se a primeira referência à cura divina como respostas à oração (20:7).

Nascimento de Itzak, expulsão de Ismael: Gn. 21. O Eterno recompensou grandemente a fé que Abraão demonstrou durante os vinte e cinco anos de sua peregrinação a Canaan. Também interveio milagrosamente para dar-lhe um filho. O nome Itzak, dado ao recém nascido, que parecia uma censura ao riso incrédulo do velho casal, agora tem novo significado: era o riso de alegria por ter um filho.

A presença de Itzak no lar trouxe outra prova para o patriarca, Ismael, que teria aproximadamente dezesseis anos, demonstrou seu caráter zombando de Itzak. Parece que foi motivado por sua incredulidade e inveja. Sara percebeu que a natureza do rapaz não concordava com o espírito de fé prevalecente na família. As duas linhagens tinham de estar marcadamente separadas. Sara pediu ao seu marido que expulsasse a Ismael. Era penoso para Abraão fazê-lo, mas D-us o consolava dizendo-lhe que por meio de Itzak viria sua descendência. Além do mais, por amor a Abraão D-us cuidaria do jovem e sua descendência formaria uma grande nação.

Hagar e Ismael aprenderam que embora expulsos das tendas e sem proteção de Abraão, não estavam por isso alijados da solicitude de D-us. Ele estava com Ismael e cuidou dele em sua juventude, possibilitando assim o cumprimento da promessa que ele mesmo fizera de que por meio de Ismael faria uma grande nação. Não se afastou da família de Abraão.

O incidente pelo qual os filisteus fizeram aliança com Abraão demonstra claramente que este, com a benção de D-us chegara a ser um personagem de grande importância e influência aos olhos dos senhores pagãos. Estes reconheceram que D-us estava com ele em tudo quanto fazia (21:22). Desejavam sua boa vontade e ser seus aliados. Este relato salienta também a importância dos poços naquela região aonde a quantidade de chuva chega a ser de 100 mm durante o mês de janeiro e diminui até chegar a nada nos quatro meses do verão. A posse dos poços seriam no futuro motivo de rixas entre os filisteus e Itzak (Gn.26:17-0 33).

O sacrifício de Itzak: Gn:22. O pedido do Eterno de que Abraão oferecesse a Itzak como sacrifício foi a prova suprema da fé do patriarca. Podemos observar que lhe era difícil porque:

a – A alma de Abraão se desfazia ante o conflito de seu amor paternal e a obediência a D-us.

b – Parecia-lhe estranho porque Abraão já sabia que não agradava a D-us o conceito pagão de ganhar o favor dos deuses sacrificando seres humanos.

c – D-us não lhe deu razão alguma que apoiasse seu pedido como havia feito quando animou a Abraão a expulsar a Ismael.

d – O pedido era contrário a promessa de que somente por Itzak se formaria a nação escolhida, pois no entender humano D-us estava contra D-us, fé contra fé e promessa contra ordem.

O propósito da prova era aumentar a fé que Abraão tinha, dar-lhe à oportunidade de alcançar uma vitória maior e receber uma revelação mais profunda ainda de D-us e de seu plano. D-us não tentou a Abraão como algumas versões bíblicas traduzem Gn.22:1. A tentação é demoníaca e tem o propósito de conduzir o homem ao pecado. Ao contrário, D-us prova o homem para dar-lhe a oportunidade de demonstrar sua obediência e crescer espiritualmente. Antes de expor Abraão à prova final, havia-o submetido a uma longa preparação.

Embora Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de D-us, obedeceu imediatamente. Parece que enquanto caminhava para o monte Moriá meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar Itzak e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Teria pensado que a solução era crer que mesmo quando atravessasse com o cutelo o coração de Itzak e acendesse o fogo para que o corpo de seu filho fosse reduzido a cinzas, D-us ressuscitaria a Itzak do montão de cinzas. Por isso, ao deixar seus criados, disse-lhes que tornariam a eles (22:5). Crer no poder divino para ressuscitar os mortos foi o auge de sua fé.Tal tipo de fé é indispensável para alcançarmos a redenção.

O que aconteceu depois mostra-nos que D-us não quer que lhe ofereçamos um corpo morto, mas um sacrifício vivo, uma vida consagrada a Ele. Não estendas a tua mão sobre o moço. . . porquanto agora sei que temes a D-us, e não me negaste o teu filho, o teu único. Tudo o que D-us queria era a rendição de Abraão, um sacrifício em espírito. Queria que Abraão mostrasse que amava mais a D-us que a seu próprio filho e as promessas feitas. Exige D-us de nós algo que Ele próprio não esteja disposto a dar? Abraão teve sua fé grandemente recompensada. Recebeu a seu filho simbolicamente dentre os mortos e dali em diante esse filho lhe foi mais precioso que nunca. Da mesma forma, o que entregamos a D-us Ele no-lo devolve muito mais enriquecido e elevado que antes.

Shabat Shalom!

LECH-LECHA

08.11.2003 / 13 de Cheshvan de 5762

Parashah - LECH LECHÁ – Gn.12:1 - 17:27
Haftarah – Is.40:27-31; 41:16

Comentário:

No Bereshit (Gênesis), dos capítulos 12 até 50, temos a História Patriarcal que passa a ser relatada nas próximas dez parashot, iniciando na presente e indo até Vayechi.

Ao começar a história de Abraão, o escritor inspirado deixa para trás a história primitiva da raça em geral para relatar a de uma família. Reúne as lembranças que se conservam “os grandes antepassados de Israel: Abraão, Itzak, Iakov (Jacó) e Iosef (José)”. Todos eles se destacam como homens que ouvem a voz de D-us e a obedecem. Todos os seus momentos estão assinalados pela intervenção divina. O grande propósito de D-us aos escolher essas pessoas é formar um povo que realiza a sua vontade na terra e seja um meio de cumprir o plano da salvação.

O período patriarcal começa por volta do ano 2000 aeC e dura mais ou menos três séculos.

O chamado de Abraão

É sem dúvida o acontecimento mais importante do Tanach. Aqui tem início a obra da redenção que foi instituída no jardim do Éden (3:15). Os primeiros onze capítulos do Gênesis demonstram que D-us se relacionava com a humanidade em geral, sem fazer distinção entre as raças. Tanto o mundo antediluviano como o da torre de Babel ressaltam que a despeito do progresso material e do nascimento das civilizações, o homem fracassa moral e espiritualmente. Até aqui, o Eterno havia posto os olhos sobre diferentes indivíduos, que eram os meios apropriados para conservar a “semente da mulher” e o conhecimento de D-us. Agora ele muda seus métodos. Chama a um homem para fundar a raça escolhida mediante a qual realizaria a restauração da humanidade. O espaço que o livro do Gênesis concede a esta passagem demonstra sua importância. Os primeiros onze capítulos abrangem mais tempo do que todo o restante da Tanach. Trinta e nove capítulos, porém, são dedicados aos começos da nação escolhida, da qual virá o Messias.

Abraão é o personagem mais importante do Gênesis, e um dos mais importantes de toda a Tanach. Moisés dedicou meramente onze capítulos ao que aconteceu antes de Abraão, enquanto que treze capítulos se referem exclusivamente à vida pessoal do patriarca. D-us usou Abraão para fundar tanto a família de Israel como a fé dos hebreus. As três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, reverenciam-no como o pai de sua fé. Em realidade, a Tanach declara que o “povo escolhido” não se refere somente à descendência carnal do patriarca, mas a todos quantos tem a mesma fé que Abraão tinha. Isto é, ele é o pai espiritual de todos os que crêem em D-us. Somente a Abraão se chama “amigo de D-us” II Cr.20:7.

Considerando que a religião do Eterno consiste no ato de depositar a fé em um D-us pessoal, Abraão tinha de aprender a confiar nele implicitamente. D-us cultivou de três maneiras a fé que Abraão tinha: dando-lhe grandes promessas, pondo-o à prova cada vez mais, e concedendo-lhe muitas aparições divinas. Era preciso que Abraão conhecesse a D-us, pois esse conhecimento era a base de sua fé.

D-us chama a Abraão : primeira prova. (12:1-9). A família de Abraão e, provavelmente, o próprio Abraão prestava culto a vários deuses (Js.24:2). Não obstante, as Escrituras insinuam que ainda assim tinham certo conhecimento do Eterno, pois Abraão em sua velhice enviou seu servo para buscar entre eles uma esposa para Itzak, seu filho. Seu motivo era religioso; queria ter uma nora que adorasse ao Eterno. Por isso, em meio da idolatria universal, D-us se manifestou a Abraão, chamando-o para uma vida de fé e separação.

As promessas feitas a Abraão são interessantes. Abraão seria famoso e reverenciado, não por sua própria virtude, mas pelo favor de D-us, que disse: “abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome”. Abraão tinha a responsabilidade de ser um canal de bênção para outros: ” tu serás (deverás ser) uma bênção” (D-us nos abençoa para que sejamos bênção). Finalmente, D-us prometeu abençoar ou amaldiçoar aos homens segundo a atitude que tivessem para com Abraão: ” E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem! Assim D-us o protegeria.

As transcendentais promessas feitas a Abraão e a seus descendentes são três:

* Herdariam a terra de Canaã.

* Chegariam a ser uma grande nação (a grandeza prometida significa muito mais do que uma população numerosa).

* Por meio deles, todas as linhagens da terra seriam abençoadas (esta é a promessa messiânica).

A primeira prova à qual D-us submeteu a Abraão foi a separação de sua pátria e de sua família. Tinha de voltar as costas para a idolatria a fim de poder ter comunhão com D-us. A vida de fé começa com a obediência e a separação. “Ou nossa fé nos separa do mundo, ou o mundo nos separa de nossa fé”. Abraão foi o Cristóvão Colombo do Tanach, pois “saiu, sem saber para onde ia”, tinha de confiar incondicionalmente no Eterno.

Parece que no principio a obediência foi apenas parcial. Foi com Terah, seu pai, até Haran, centro de reunião de caravanas e também do impuro culto a Sin, deusa da Lua. Terah havia renunciado a seus pais, mas aparentemente não havia abandonado de todo sua idolatria. Em Haran radicou-se para viver o restante de sua vida, mas depois D-us guiou a Abraão a seguir rumo a Canaan, distante 650 km.

Por fim, chegou à terra que D-us lhe havia indicado. Agora vivia como estrangeiro e peregrino, viajando de um lugar para outro. Nunca foi dono de um metro quadrado de terra, a não ser o local de sua sepultura. Shchem (Siquém), a encruzilhada da Palestina, situada a 50 km ao norte de Jerusalém, foi a sua primeira parada. Depois chegou ao carvalho de More, considerado o centro de adivinhações e idolatria. Ali D-us apareceu a Abraão, segurando-lhe de novo sua presença e confirmando-lhe que sua descendência herdaria Canaan. Assim D-us o recompensou por sua obediência. Abraão respondeu construindo um altar e oferecendo culto público ao Eterno. A onde que ia, levantava sua tenda e edificava um altar. A expressão hebraica indica que Abraão invocou em alta voz o nome do Eterno; uma proclamação do nome, da natureza e do caráter de D-us. De modo que Abraão tinha comunhão com D-us, e ao mesmo tempo testificava perante o mundo.

A fome : segunda prova. (12:10-20). Por falta de fé Abraão foi para o Egito. D-us não lhe havia ordenado sair da Palestina. Recorreu à mentira para escapara do perigo (ainda que houvesse um elemento de verdade no que disse; 20:12). “Não duvidou por incredulidade” das grandes promessas, porém tropeçou nas pequenas coisas. É de surpreender que Sara tenha sido considerada mulher atraente, já que tinha sessenta e cinco anos; mas como viveu 127 anos, naquela altura seria como outra mulher aos quarenta.

Abraão não edificou nenhum altar no Egito, Saiu humilhado, reconhecendo que D-us é santo. Até a escrava egípcia Hagar e o aumento de gados obtidos no Egito lhe causaram problemas mais tarde. Aprendeu quão perigoso é afastar-se de D-us. À semelhança do acontecido no episódio em Gênesis capítulo 20, D-us demonstrou sua fidelidade. Trouxe seu juízo sobre os que ameaçavam o plano divino de que Sara fosse a antecessora de Israel.

Contenda sobre pastagens : terceira prova.(Gn.13). Lot, sobrinho de Abraão, acompanhava-o desde sua partida de Ur. Como seu tio , Lot havia adquirido grande soma de gado e servos. Surgiu uma contenda entre os pastores dos dois senhores, porque se tornava difícil encontrar água e pastos suficientes para os rebanhos de ambos. Parecei a Abraão melhor separar-se antes que brigar. Apresentou seu argumento: “porque somos irmãos”. Por direito de antiguidade, Abraão poderia ter escolhido sua parte do terreno; não obstante, permitiu que seu sobrinho escolhesse, demonstrando assim a generosidade do homem que vivia pela fé. Lot escolheu egoisticamente, guiando-se pelas aparências, e teve de sofrer as conseqüências mais tarde. É exemplo do homem carnal que busca em primeiro lugar as coisas do mundo e no fim perde tudo. Por outro lado, D-us recompensou Abraão: disse-lhe que olhasse em seu derredor, pois toda a terra ao alcance de sua vista seria sua, inclusive à parte de seu sobrinho Lot. Também devia percorrer a terra de Canaan no seu comprimento e largura. “Significa que Abraão podia sentir-se tão livre na terra como se tivesse em suas mãos a escritura legal”. Certamente deve ter-se alegrado pela fé no que D-us lhe havia dado. Além do mais, D-us prometeu que seus descendentes seriam inumeráveis. Quanto melhor foi para Abraão haver ocupado o segundo lugar deixando seu futuro nas mãos de D-us.

Abraão liberta a Lot : (Gn.14). Uma vez que Lot escolheu a melhor terra de pastagem antes que a vontade de D-us, de imediato se encontrou em Sodoma. Esta cidade foi atacada depois por forças inimigas e Lot sofreu o castigo de sua insensatez.

Os detalhes históricos do capitulo 14 concordam exatamente com o que a arqueologia tem descoberto acerca daquela região nessa época. A área de Canaan estava bem povoada e havia cidades-estados governadas por xeques (senhores locais). Em regra geral, eram vassalos de reis mais fortes. Elão, pai ao Oriente da Suméria, tinha domínio sobre Babilônia e os demais países da região. As cidades ao sul do mar Morto eram seus vassalos. Os invasores tomaram o caminho real, descendo pelo leste do Jordão até o deserto e depois subindo rumo ao mar Morto. O vale de Sidim (14:3, 10), ao sul do mar Morto tinha poços de betume (14:10); agora estão coberto pelas águas, mas ainda o mar Morto, nessa área, lança betume em quantidade.

Ao ser avisado do desastre militar que haviam sofrido as cidades do vale, Abraão armou seus 318 servos, conseguiu a ajuda de seus aliados amorreus e perseguiu os invasores. Recuperou os cativos e o despojo, mediante um ataque surpresa à noite. Em parte a excessiva confiança que os vencedores tinham em si mesmos, nascidas de seus fáceis triunfos anteriores e a resolução inesperada de Abraão e seus aliados, influíram na vitória sobre o formidável exército. Não obstante, o elemento mais importante foi à intervenção de D-us (14:20).

D-us faz aliança com Abraão : (Gn.15). Por que o Eterno disse a Abraão: “não temas?” Parece que Abraão se encontrava em um estado depressivo depois de chegar ao clímax de um testemunho intrépido. Voltariam os quatro reis para vingar-se dele? Havia sido néscio não aceitando o despojo de Sodoma, que bem lhe pertencia? D-us lhe deu confiança dizendo que ele próprio, D-us, seria seu defensor e o recompensaria grandemente. Mas Abraão se entristecia por não ter filho. Eliezer seria seu herdeiro? Naquele tempo, se um homem não tinha filhos, a herança podia recais sobre um servo fiel. Porem D-us lhe prometeu que ele teria um filho, e seus descendentes seriam inumeráveis como as estrelas do céu. Abraão reconheceu que a promessa era humanamente impossível, “creu no Eterno, e foi-lhe imputado isto por justiça”. Este é um dos versículos mais significativos da Bíblia. Em face da fé que Abraão possuía, D-us o aceitou como se fosse um homem justo. É a primeira indicação clara da doutrina da justificação pela fé. A frase “creu no Eterno” significa literalmente em hebraico “apoiou-se no Eterno”. Era mais do que aceitar intelectualmente a promessa: refere-se a confiar incondicionalmente na pessoa de D-us e em sua promessa. Abraão colocou-se a si mesmo e seu futuro nas mãos de D-us.

D-us prometeu a Abraão, uma terra que se estenderia do Nilo até Eufrates. Israel nunca ocupou toda a terra que D-us lhe prometeu, e parece que a promessa ainda se cumprirá . Não obstante,os hebreus ocuparam Canaan no tempo de Josué e sua nação chegou ao apogeu quanto à extensão territorial na época de Davi.

Canaan está na encruzilhada entre três continentes: Europa, Ásia e África . D-us poderia ter colocado seu povo em um lugar mais protegido,porém escolheu uma terra estratégica onde os israelitas pudessem exercer maior influencia no mundo.

D-us confirmou sua promessa fazendo uma aliança solene com Abraão, segundo o costume da época (Jr.34:17- 20). As partes contratantes se punham cada um à extremidade do animal dividido e passavam por entre as metades, Assim expressavam que “se não cumprir minha parte do pacto, posso ser cortado em pedaços como este sacrifico”. Neste caso, porém,, somente o Eterno passou, em forma de um forno fumegante e uma tocha, pois sua aliança era unilateral, uma iniciativa divina, e somente Ele poderia cumpri-la. O que cabia a Abraão era simplesmente aceitar a aliança e continuar crendo em D-us.

O cumprimento da aliança não começaria até que os descendentes de Abraão tivessem vivido 400 anos em terra alheia, onde seriam oprimidos e escravizados. Seus opressores, porém, seriam julgados e os hebreus sairiam com grande riqueza. Assim D-us preparou seu povo para suportar os padecimentos antes de apossar-se da Canaan.

Hagar e Ismael : (Gn.16). Uma das provas mais difíceis que Abraão e Sara tiveram de suportar foi a longa demora antes de receberem o filho. Por que tardou tanto tempo em cumprir-se a promessa? D-us queria que eles soubessem que o cumprimento da promessa não seria o resultado de esforços humanos, mas da pura graça, um milagre. Ao passar dez anos em Canaan sem ter filhos, Sara procurou ajudar a D-us a fim de que se cumprisse a promessa. Segundo a lei mesopotâmica daquela época, uma esposa estéril podia dar a seu marido uma serva como mulher e reconhecer como seus os filhos nascidos dessa união. Abraão, em um momento de incredulidade, cedeu ao plano de Sara, porém as conseqüências foram tristes. Havia inveja e conflitos no lar. Hagar reagiu ante o tratamento dura de Sara conforme a seu nome, pois a palavra Hagar significa “foge” (errante).

Selada a aliança com a circuncisão : (Gn.17:1- 18:15). Abraão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Haran e agora estava com noventa e nove. Havia andado treze anos pela fé desde a ultima revelação divina. A perspectiva de ter um filho por meio de Sara, parecia muito remota e Gênesis 17:18 indica que Abraão já pensava em Ismael como substituto do filho prometido.

D-us apareceu a Abraão para fortalecer sua fé minguante, para dar-lhe uma suave repreensão e renovar o pacto. revelou-se com El Shadai. El significa D-us e ressalta seu poder; o significado exato de Shadai é incerto; sabe-se, porém, que se refere à sua onipotência e suficiência. Assim D-us animou a Abraão mostrando-se como o D-us Todo-poderoso, capaz de fazer tudo o que havia prometido. Anda em minha presença e sê perfeito, eram as condições para que o pacto fosse cumprido.

D-us deu dois sinais para confirmar a aliança: a mudança de nomes e a circuncisão. Já não se chamaria mais Abrão (pai enaltecido) mas Abraão (pai de uma multidão). Aparentemente, a mudança de Sarai para Sara era simplesmente mudar de um, a forma para outra palavra que tem o mesmo significado. Não obstante, a mudança elevou-a a uma posição de alta dignidade no pacto. Uma mudança de nomes é sinal do favor divino, mas como escarneceriam os cananeus das pretensões inerentes aos novos nomes deste velho casal? D-us denomina o que ainda não é como se já o fosse

Embora a circuncisão fosse praticada por outros povos, aqui é dada como sinal da aliança entre o Eterno e seu povo. Também tinha grande significado simbólico. Os profetas falaram da circuncisão do coração e dos ouvidos, referindo-se à obediência à lei de D-us. Representava purificação e renovação do coração (Dt.10:16; Jr.4:4).

Ao ouvir a promessa de que Sara daria a luz um filho, Abraão riu-se; pôs em dúvida a capacidade geradora de si mesmo e da sua esposa, e exclamou: “Oxalá que viva Ismael diante de teu rosto!”

O riso de Abraão seria secundado pelo riso de Sara (18:12). Portanto D-us deu ao filho prometido o nome de Itzak, que significa riso. Quando Itzak nasceu, o riso incrédulo de Sara converteu-se em riso de gozo: “D-us me tem feito riso (21:6). Foi necessário que D-us repreendesse a Sara a fim de que ela cresse. O cumprimento da promessa dependia da fé de ambos.” Haveria coisa difícil ao Eterno?

Shabat Shalom !