07.02.2004 / 15 de Shevat de 5764.
[b]BESHALACH
Parashah – Ex.13: 7 – 17:16
Haftarah – Jz. 4:4 – 5:31.
A presente parashah enfoca: A travessia do mar Vermelho, A importância do êxodo, Israel indo para o Sinai, as Provações do deserto e a Guerra com Amaleque com a ajuda Divina.
A travessia do mar Vermelho: D-us mesmo se constituiu em guia de seu povo manifestando-se em uma coluna de nuvem e de fogo. Por que Ele não conduziu Israel pela rota curta ao longo da linha costeira do mar Mediterrâneo? Porque nessa rota havia fortes guarnições egípcias e na Palestina o esperavam os belicosos filisteus. Se os israelitas seguissem por ali, teriam de lutar imediatamente. Como escravos recém-libertos, os hebreus não estavam preparados para lutar nem para entrar na terra prometida. Necessitavam ser organizados e disciplinados na escola do deserto, receber o pacto da Lei e o desenho do Tabernáculo. Além do mais, D-us os levou ao sul, para o mar Vermelho (possivelmente o mar de Canas) para levar Faraó à sua derrota final e desse modo destruir a ameaça egípcia e libertar para sempre os israelitas do Egito.
D-us colocou os hebreus em uma situação muito perigosa. Estavam encerados por montanhas, pelo deserto e pelo mar, e de repente viram o exército egípcio que se aproximava deles; D-us quis revelar-se como único guerreiro da batalha e protetor de seu povo dando-lhe um livramento inesquecível. Ao verem os egípcios, os israelitas perderam sua confiança e começaram a lançar culpa sobre Moisés, porém Moisés sabia a quem recorrer em busca de ajuda. O fato de que o mar Vermelho se abrisse foi milagroso. Embora D-us tenha usado seu servo e um forte vento como instrumento para abrir o mar, o poder era Dele. Somente por um milagre pôde o vento ter soprado em duas direções ao mesmo tempo, amontoando a água de um lado e a outro do caminho aberto pelo leito do mar. A coluna de nuvem converteu-se na retaguarda de Israel, de maneira que a própria coluna que foi uma bênção para os israelitas, constituiu-se em obstáculo para seus inimigos. Os israelitas atravessaram pelo leito seco e o exército inimigo foi afogado. Um dos estudiosos observa que a travessia do mar Vermelho foi para Israel a salvação, a redenção, e o juízo de D-us, tudo em um mesmo ato.
Depois do espetacular livramento, os hebreus cantaram louvores ao Eterno pelo triunfo. A primeira parte do cântico de Moisés trata da vitória sobres os egípcios, a segunda profetiza a conquista de Canaã. Foi composto para reconhecer a bondade e o inigualável poder de D-us, mediante os quais salvou a seu povo.
A importância do êxodo: Ao longo da história de Israel, legisladores, profetas e salmistas repetidamente assinalaram o caráter providencial, extraordinário e miraculoso dos acontecimentos que acompanharam a saída de Egito e, em especial, a travessia do mar Vermelho. Quando os hebreus se lembrassem desses favores, deviam sentir-se movidos à gratidão e à observância da Lei.
O êxodo do Egito foi o acontecimento mais significativo na história da nação, tão grande era a importância deste sucesso, que o Senhor D-us em todo o Tanach (Antigo Testamento) é “o que nos fez subir. . . da terra do Egito.” (Js. 24:17; Am. 2:10; Mq. 6:4; Sl. 81:10 … ).
Israel vai para o Sinai: D-us conduziu Israel ao deserto, onde encontraram um lugar muito quente, estéril e vazio. Não havia água nem alimentos suficientes. Ali estiveram os israelitas em perigo de morrer de fome e de sede além do perigo de serem atacados pelas tribos aguerridas e ferozes. As dificuldades da caminhada no deserto são maiores do que podemos imaginar. Toda a viagem por ali foi muito penosa. Por que D-us os guiou por semelhante região? D-us tinha vários propósitos que concretizar:
1. D-us colocou os israelitas na escola preparatória do deserto a fim de que as provações os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a terra prometida, pois ainda não estavam em condições de enfrentar as hostes de Canaã, nem estavam desenvolvidos espiritualmente para servir a D-us desde o momento da entrada na terra. Embora tenham sido libertados da escravidão, ainda tinham espírito de escravos, isto é, demonstravam traços de covardia, murmuração e rebeldia.
2. D-us desejava que os israelitas aprendessem a depender inteiramente Dele. Desde o momento em que Israel partiu do Egito, D-us começou a submetê-lo a uma séria de provas, tendo em vista desenvolver e fortalecer a sua fé. Não havia água nem alimentos. A única maneira de conseguir tais elementos era confiarem em D-us. O deserto era uma praça de esportes onde se podia desenvolver os músculos espirituais.
3. D-us conduziu-os a deserto para prová-los e trazer à luz o que havia em seus corações (Dt. 8:2,3). Obedecer-lhe-iam ou não? As provas e aflições no deserto demonstrariam se os hebreus creriam ou não na onipotência, no cuidado e no amor de D-us.
Provações no deserto:
1. Desilusão em Mara: a árvore que tornou doces as águas: Decorridos três dias de viagem pelo deserto de Sul, os israelitas chegaram finalmente às fontes de Mara. Todavia, quão grande foi sua desilusão! As águas eram amargas. Imediatamente o povo começou a queixar-se, porém Moisés clamou a D-us. Eles não perceberam que D-us ali os provou. Não existe nenhuma prova de que a árvore que foi lançada nas fontes tivesse a propriedade de tornar potáveis as águas. D-us tornou-as doces. O milagre não somente mostrou que D-us tinha cuidado de seu povo, como também simbolizou no começo desta viagem que adoçaria as amargas experiências futuras se os israelitas buscassem sua ajuda.
a) Às vezes, depois de alcançar grandes vitórias, como na travessia do mar Vermelho, vêm as experiências amargas.
b) De igual maneira, assim como há épocas de severas provações, também á tempos de refrigério na presença do Eterno. Após a saída de Mara chegaram a Elim onde havia água em abundância além de palmeiras.
c) As provas ofereceram uma solução muito acessível. Que significa a árvore lançada na água? Ao aceitar as provas como permitidas por D-us, as amargas experiências tornam-se doces.
d) A experiência de Mara deu a oportunidade de revelar-se outro aspecto do caráter de D-us, por meio de um novo nome: Jeová Rafah, ou seja, o Senhor que sara ou, D-us provê a cura. Como a mãe ama a seus filhos por inclinação natural, assim D-us cura a seu povo, pois está em sua natureza o curar. D-us é a saúde de seu povo. Se lhe obedecessem, não traria Ele nenhuma das enfermidades mediante as quais julgou os egípcios.
2. A fome e o maná: Os israelitas sentiram fome no deserto e começaram a expressar de novo seus queixosos lamentos. Esquecendo-se da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância. As queixas eram dirigidas contra Moisés, porém em realidade murmuravam conta D-us, porém Ele retribui-lhes o mal com o bem; proveu codornizes e maná.
Grandes bandos de codornizes em suas viagens migratórias atravessam com freqüência o mar Vermelho e a península do Sinai. Esgotadas pelo longo vôo sobre o mar, às vezes grandes quantidades delas caem e são fáceis de caçar. D-us levou-as ao acampamento dos israelitas nesta ocasião e somente uma vez mais na marcha através do deserto ocorreu este fato. (Nm. 11: 31,32)
De modo natural D-us providenciou as codornizes, porém a provisão de maná foi um fato completamente milagroso. Chovia pão do céu. Durante todo tempo de peregrinação pelo deserto, o maná caía todas as noites juntamente com o orvalho. Era moído em moinhos ou em grãos e cozidos em panela para fazer pão. A ração diária era de um gômer (3,7 litros) por pessoa.
Destacam-se alguns ensinos:
a) D-us deseja ensinar a seu povo, por meio do maná, a confiar Nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia de amanhã. D-us provia cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do sábado. É importante destacar que D-us nunca falhou com Seu povo nos quarenta anos de peregrinação.
b) Por meio do maná D-us quis ensinar seu povo a não ser preguiçoso nem avaro. Embora o maná fosse dádiva do céu, cada família tinha de fazer sua parte recolhendo o maná todas as manhãs. Ao avaro que recolhia muito do que necessitava, nada lhe sobrava.
c) D-us também desejava ensinar os hebreus a obedecerem-lhe, por isso lhes deu normas para recolher o maná. Se por incredulidade ou avareza um hebreu guardava maná para o dia seguinte, o pão do céu bichava e apodrecia. Ou se passava por alto a ordem de recolher uma porção dobrada na sexta-feira, jejuava forçosamente no dia de descanso porque nesse dia não caía maná do céu. Desse modo D-us provou a seu povo e o preparou para receber a lei.
3. A sede e a rocha de Horebe: Em vez de aprender a suportar as dificuldades, os israelitas murmuravam ainda mais. Os perigos, as aperturas e desconfortos parecem aumentar a irritação, a agitação e a ira. Chegados a Refidim onde esperavam encontrar um grande manancial, desiludiram-se. A falta de água causou sofrimento cuja severidade podemos avaliar. Mas isto não justificava a reação dos israelitas. Estavam prestes a apedrejar Moisés, e em sua incredulidade provocaram a D-us. Desconfiavam do cuidado do Eterno e com sarcasmo falaram a respeito da presença de D-us no meio deles a qual se manifestara a eles de modo tão patente na coluna de nuvem e na coluna de fogo e em seus livramentos no passado. Por isto se deu ao lugar o nome de Massá (prova) e Meribá (contenda). O líder levou consigo os anciãos de Israel afim de que presenciassem a fonte milagrosa e dela dessem testemunho.
4. Guerra com Amaleque e a ajuda divina: Enquanto D-us trabalhava na vanguarda, uma tribo saqueadora, Amaleque, atacou pela retaguarda. As tribos nômades estavam sempre prontas para lançar-se sobre a presa, onde quer que houvesse oportunidade. Desta vez D-us mudou seus métodos e permitiu que Israel tomasse parte em sua própria salvação. Josué teria de ser o general da primeira batalha contra homens ímpios. Por que Moisés não dirigiu a batalha? D-us não quer que uma única pessoa faça tudo. Ele dá diferentes ministérios a homens diferentes. A Moisés cabia subir ao outeiro e desempenhar sua função espiritual. A vara representava a autoridade de D-us, e as mãos levantadas, a intercessão. Como necessitamos em nossos dias de homens como Aarão e Hur que lhes sustentem os braços! As orações de Moisés, combinadas com os esforços dos israelitas, tornaram eficazes as armas.
O juízo severo contra Amaleque foi pronunciado porque Amaleque levantou a mão contra o trono de D-us, isto é, recusou-se a reconhecer que era o Eterno quem operava maravilhas a favor de Israel. Os amalequitas provocaram a ira de D-us atacando desapiedadamente os fracos e cansados que ficavam para trás. (Dt. 25:17- 19)
Quando Moisés deu ao altar o nome de “o Senhor é minha bandeira”, reconheceu que o próprio D-us era Seu libertador e general. Por isso esse nome de D-us se relaciona com a milícia de seu povo.
Façamos deste comentário, a real bandeira para nossa vida espiritual !
Shabat Shalom!