MISHPATIM

21.02.2004 / 22 de Shevat de 5764.

Parashah - MISHPATIM – Ex. 21 – 24
Haftarah – Jr. 34:8,22 ; 33:25,26

Comentário:

Dois pontos básicos definem a presente parashah: Leis civis e cerimoniais e a Ratificação do pacto.

Leis civis e cerimoniais: Depois de dar os Dez Mandamentos, D-us entregou as leis pelas quais a nação devia governar-se. Essas leis desenvolvem pontos do decálogo onde muitos entendem que alguns casos tratam de coisas que não têm importância para nós, mas considerando que D-us é eterno, as suas leis também o são. As leis de Israel colocavam a nação em absoluto contraste com as práticas das nações ao seu derredor. Suas leis humanitárias, morais e religiosas, foram infinitamente superiores às leis de outros povos. Algumas das restrições quanto a alimentos e sacrifícios podem ser bem mais compreendidas à luz das práticas pagãs. Por exemplo: Proibia cozinhar o cabrito no leite de sua mãe, o que era um rito religioso dos cananeus (Êx. 23:19).

Destacam-se algumas características distintivas do código hebreu. Todo o código se baseia na autoridade de D-us e não na de um rei. Não há divisão entre a lei civil e a religiosa; as leis morais, legais e religiosas estão entretecidas e são inseparáveis. Isto demonstra que D-us se interessa por todos os aspectos da vida. As leis eram aplicadas sem fazer acepção de pessoas segundo sua categoria. Protegem os indefesos tais como os escravos, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Os castigos da lei manifestam um alto conceito do valor da vida humana.

A lei do talião (pena igual à ofensa), “olho por olho, dente por dente” (Ex. 21:23-25), não foi dada para que a pessoa ultrajada exercesse vingança, mas para que não quisesse compensar-se com mais do que era justo. Já não seria vingado sete vezes um delito contra seu próximo (Gn. 4:15-24).

Ratificado o pacto: A ratificação do pacto foi uma das cerimônias mais solenes da história das doze tribos, já que por ela ficaram estreitamente unidas a D-us. Quando Moisés desceu do monte, deu a lei ao povo que a aceitou prometendo fazer tudo o que D-us havia dito. Então Moisés escreveu as condições do pacto no “livro do concerto”. No dia seguinte o pacto foi firmado com um voto de obediência e selado com sacrifício. O altar representava D-us; as colunas, as doze tribos; o sangue aspergido sobre o altar e sobre o povo ligou com um vínculo sagrado as partes contratantes. Todo o Israel estava “sob o sangue” e identificado com seu poder salvador. Os setentas anciãos participaram com D-us de um banquete de comunhão e presenciaram uma teofania majestosa. Assim foi ratificado o pacto do Sinai e se assinalou o cumprimento da promessa divina: “E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso D-us” (Ex. 6:7).

Shabat Shalom!

YITRO

29.01.2004 / 22 de Shevat de 5764.

Parashah YITRÓ – Êxodo l8. – 20.26
Haftarah – Isaías 6.1 – 7.6, 9.5,6

Esta parashah enfoca três assuntos temas: A visita do sogro de Moisés, A subida de Moisés ao monte Sinai e Os Dez Mandamentos.

Jetro visita Moisés. Recaía sobre os ombros de Moisés a tarefa de organizar uma multidão tão grande e julgar o povo mesmo nas coisas insignificantes que surgiam entre eles a cada momento. Ele procurava fazer tudo em vez de repartir trabalhos e responsabilidades entre diversas pessoas. Quando seu sogro Jetro o visitou, trazendo-lhe sua esposa e filhos, Moisés recebeu seu conselho. Organizou Israel em grupos e colocou chefes sobre estes para resolver as dificuldades. Moisés demonstrou grande sabedoria e humildade ao receber as sugestões de outros.

Parece que nesta ocasião Jetro se converteu à religião do Senhor. Ao ouvir falar dos prodígios que D-us havia feito, Jetro reconheceu que D-us era supremo sobre os deuses pagãos e lhe ofereceu sacrifício (Ex.18.8,12).

A subida ao Sinai: Israel chegou ao monte Sinai aproximadamente seis semanas após sua partida do mar Vermelho. Ali permaneceu quase um ano (Núm.10.11). A montanha conhecida hoje como monte Sinai “é uma massa isolada de rocha que se levanta abruptamente da planície com imponente majestade”. O teólogo Ross observa: “Este local era muito apropriado para a promulgação da Lei. Havia uma magnífica concordância entre as rochas de granito do Sinai e os fundamentos duradouros da moral eterna”.

Ao pé do monte Sinai, Israel recebeu a lei e fez aliança com D-us como seu Rei. Esta forma de governo chama-se teocracia. Nota-se nas palavras Alexander MacLaren a importância dos Dez Mandamentos:

“Uma obscura tribo de escravos procedentes do Egito submerge nos desertos e depois de quarenta anos sai com um código sintetizado em dez frase, muito breves porém completas, onde estão entretecidas a moral e a religião, tão livre de peculiaridades locais ou nacionais e tão estritamente relacionadas com os deveres fundamentais, que hoje, após três mil anos, esse código é autoridade entres a maioria dos povos civilizados.”

O pacto da lei não teve a intenção de ser meio de salvação. Foi celebrado com Israel depois de sua redenção alcançada mediante poder e sangue. D-us já havia restaurado Israel à justa relação com Ele, mediante a graça. Israel já era seu povo. D-us desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo seu povo e a ter uma relação mais intima com ele. O motivo que levasse a cumprir a lei haveria de ser o amor e a gratidão a D-us por havê-los redimido e feito filhos seus.

D-us prometeu três coisas condicionadas à obediência de Israel (Ex.l9.5,6)

* Israel seria sua “propriedade peculiar” ou possessão. Implica tanto um valor especial como uma relação íntima. O Senhor escolheu a Israel dentre todas as nações para seu povo especial e para ser como sua esposa (Isaías 54.5).

* Seria um “reino sacerdotal”. Os israelitas teriam acesso a D-us e deveriam representar o Senhor, seu Rei, perante o mundo inteiro.

* Seria “povo santo”, diferente das nações pagãs que o rodeavam, uma nação separada para de D-us, a que serviria e prestaria culto.

Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a lei, mas não percebera quão fraca é a natureza humana nem quão forte é a tendência para pecar. Séculos depois parece que se esqueceram de que estavam obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o pacto era incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do favor divino (Jeremias 7.4-16).

Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça e não pudesse ser negociada pela obediência, podia, contudo, ser perdida pela desobediência.

Em geral são propósitos da Lei:

* Proporcionar uma norma moral pela qual os redimidos possam demonstrar que são filhos de D-us e viver em justa relação com seu Criador e com o próximo.

* Demonstrar que D-us é Santo e Ele exige a santidade de toda a raça humana.

* Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e fazê-la entender que somente mediante a graça pode ser salva.

A Lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e ajudá-lo a permanecer em contato com D-us. Mas junto com a Lei foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça. Os profetas posteriores demonstraram que sem fé e amor as formas, cerimônias e sacrifícios da Lei de nada valiam (Miquéias 6.6-8; Amós 5.21-24; Oséias 6.6; Isaías 1.1-15f).

Para gravar na mente hebraica a importância do pacto da Lei, D-us se apresentou em forma de nuvem, figura que Israel não poderia reproduzir, e pronunciou o Decálogo em voz troante. A santidade infinita de D-us foi ressaltada pelos preparativos que Israel devia fazer. Primeiro, os israelita tinham de santificar-se lavando suas vestes e praticando a continência. Segundo, Moisés devia marcar ao povo um limite em torno do monte Sinai para que os israelitas não o tocassem. Assim se acentuaram a grandeza inacessível de D-us e sua sublime majestade.

“Do meio de uma tremenda tempestade, acompanhada de terremotos e do som sobrenatural de trombetas, com a montanha toda envolta em fumo e coroada de chamas aterradoras, D-us falou as palavras dos Dez Mandamentos e deu a Moisés a Lei.”

Os Dez Mandamentos: D-us fez escrever os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra. Foram guardadas dentro da arca durante séculos. Portanto, deu-se ao tabernáculo o nome de “tenda do testemunho” para lembrar aos israelitas que dentro da arca estava a lei e que deviam viver de acordo com ela. Os primeiros quatro mandamentos tratam das relações que devem imperar entre os homens e D-us, e os restantes têm que ver com as relações dos homens entre si. A ordem é muito apropriada. Somente os que amam a D-us podem em verdade amar o próximo.

O significado dos Dez Mandamentos consiste no seguinte:

A unicidade de D-us: “Não terás outros deuses diante de mim”. Há um só D-us e só a ele havemos de oferecer culto. Adoração a anjos, a santos ou qualquer outra coisa é violação do primeiro mandamento.

A espiritualidade de D-us: ”Não farás para ti imagem”. (Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor. Dt.27:15). Proíbe-se não somente a adoração de imagens ou de deuses falsos, mas também o prestar culto ao verdadeiro D-us em forma errada. Tais coisas desagradam ao Criador, D-us é espírito e não tem forma.

A santidade de D-us: ”Não tomarás o nome do Senhor teu D-us em vão”. Este mandamento inclui qualquer uso do nome de D-us de maneira leviana. Blasfema ou insincera. Deve-se reverenciar o nome divino porque revela o caráter de D-us.

4° A soberania de D-us: “Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar”. Um dia da semana pertence a D-us. Reconhece-se a soberania de D-us guardando o dia de repouso, visto que esse dia nos lembra que D-us é o Criador a quem devemos culto e serviço. “Santificar” o dia significa separá-lo para culto.

Respeito aos representantes de D-us. “Honra a teu pai e a tua mãe”. O homem que não honra a seus pais tampouco honrará a D-us, pois esta é à base do respeito a toda a autoridade.

A vida humana é sagrada: “Não matarás”. Este mandamento proíbe o homicídio mas não a pena capital, visto que a própria Lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra, visto como o soldado atua como agente do estado.

A família é sagrada: “Não adulterarás”. Este mandamento protege o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por D-us. Isto vigora tanto para o homem como para a mulher (Levítico 20.10).

Respeito à propriedade alheia: “Não furtarás”. Há muitas maneiras de violar este mandamento, tais como não pagar o suficientemente ao empregado, não fazer o trabalho correspondente ao salário combinado, cobrar demasiado, descuidar a propriedade do senhor, …

A Justiça: “Não dirás falso testemunho”. O testemunho falso, desnecessário, sem valor ou sem fundamento constitui uma das formas mais seguras de arruinar a reputação de uma pessoa e impedi-la de receber tratamento justo por parte dos outros.

10° O controle dos desejos: “Não cobiçarás”. A cobiça é o ponto de partida de muitos dos pecados contra D-us e contra os homens.

As palavras “porque eu, o Senhor teu D-us, sou D-us zelos, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Ex.20.3) devem ser interpretadas à luz do caráter de D-us e de outras escrituras. D-us é zeloso no sentido de ser exclusivista, não tolerando que seu povo preste culto a outros deuses. Como um marido que ama sua esposa não permite que ela reparta seu amor com outros homens (Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; Ele será chamado o D-us de toda a terra. Is.54:5), D-us não tolera nenhum rival.

D-us não castiga os filhos pelos pecados de seus pais senão nos casos em que os filhos continuem nos pecados dos pais. Castiga os que o “aborrecem” e não os arrependidos. “A alma que pecar, essa morrerá”; “o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho” (Ezequiel 18.20). Em vez disso, a maldade passa de geração a geração pela influência dos pais quando chega a seu ponto culminante, D-us traz castigo sobre os pecadores (Gênesis 15.16; 2° Reis 17.6-23).

Shabat Shalom!

BESHALACH

07.02.2004 / 15 de Shevat de 5764.

[b]BESHALACH

Parashah – Ex.13: 7 – 17:16
Haftarah – Jz. 4:4 – 5:31.

A presente parashah enfoca: A travessia do mar Vermelho, A importância do êxodo, Israel indo para o Sinai, as Provações do deserto e a Guerra com Amaleque com a ajuda Divina.

A travessia do mar Vermelho: D-us mesmo se constituiu em guia de seu povo manifestando-se em uma coluna de nuvem e de fogo. Por que Ele não conduziu Israel pela rota curta ao longo da linha costeira do mar Mediterrâneo? Porque nessa rota havia fortes guarnições egípcias e na Palestina o esperavam os belicosos filisteus. Se os israelitas seguissem por ali, teriam de lutar imediatamente. Como escravos recém-libertos, os hebreus não estavam preparados para lutar nem para entrar na terra prometida. Necessitavam ser organizados e disciplinados na escola do deserto, receber o pacto da Lei e o desenho do Tabernáculo. Além do mais, D-us os levou ao sul, para o mar Vermelho (possivelmente o mar de Canas) para levar Faraó à sua derrota final e desse modo destruir a ameaça egípcia e libertar para sempre os israelitas do Egito.

D-us colocou os hebreus em uma situação muito perigosa. Estavam encerados por montanhas, pelo deserto e pelo mar, e de repente viram o exército egípcio que se aproximava deles; D-us quis revelar-se como único guerreiro da batalha e protetor de seu povo dando-lhe um livramento inesquecível. Ao verem os egípcios, os israelitas perderam sua confiança e começaram a lançar culpa sobre Moisés, porém Moisés sabia a quem recorrer em busca de ajuda. O fato de que o mar Vermelho se abrisse foi milagroso. Embora D-us tenha usado seu servo e um forte vento como instrumento para abrir o mar, o poder era Dele. Somente por um milagre pôde o vento ter soprado em duas direções ao mesmo tempo, amontoando a água de um lado e a outro do caminho aberto pelo leito do mar. A coluna de nuvem converteu-se na retaguarda de Israel, de maneira que a própria coluna que foi uma bênção para os israelitas, constituiu-se em obstáculo para seus inimigos. Os israelitas atravessaram pelo leito seco e o exército inimigo foi afogado. Um dos estudiosos observa que a travessia do mar Vermelho foi para Israel a salvação, a redenção, e o juízo de D-us, tudo em um mesmo ato.

Depois do espetacular livramento, os hebreus cantaram louvores ao Eterno pelo triunfo. A primeira parte do cântico de Moisés trata da vitória sobres os egípcios, a segunda profetiza a conquista de Canaã. Foi composto para reconhecer a bondade e o inigualável poder de D-us, mediante os quais salvou a seu povo.

A importância do êxodo: Ao longo da história de Israel, legisladores, profetas e salmistas repetidamente assinalaram o caráter providencial, extraordinário e miraculoso dos acontecimentos que acompanharam a saída de Egito e, em especial, a travessia do mar Vermelho. Quando os hebreus se lembrassem desses favores, deviam sentir-se movidos à gratidão e à observância da Lei.

O êxodo do Egito foi o acontecimento mais significativo na história da nação, tão grande era a importância deste sucesso, que o Senhor D-us em todo o Tanach (Antigo Testamento) é “o que nos fez subir. . . da terra do Egito.” (Js. 24:17; Am. 2:10; Mq. 6:4; Sl. 81:10 … ).

Israel vai para o Sinai: D-us conduziu Israel ao deserto, onde encontraram um lugar muito quente, estéril e vazio. Não havia água nem alimentos suficientes. Ali estiveram os israelitas em perigo de morrer de fome e de sede além do perigo de serem atacados pelas tribos aguerridas e ferozes. As dificuldades da caminhada no deserto são maiores do que podemos imaginar. Toda a viagem por ali foi muito penosa. Por que D-us os guiou por semelhante região? D-us tinha vários propósitos que concretizar:

1. D-us colocou os israelitas na escola preparatória do deserto a fim de que as provações os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a terra prometida, pois ainda não estavam em condições de enfrentar as hostes de Canaã, nem estavam desenvolvidos espiritualmente para servir a D-us desde o momento da entrada na terra. Embora tenham sido libertados da escravidão, ainda tinham espírito de escravos, isto é, demonstravam traços de covardia, murmuração e rebeldia.

2. D-us desejava que os israelitas aprendessem a depender inteiramente Dele. Desde o momento em que Israel partiu do Egito, D-us começou a submetê-lo a uma séria de provas, tendo em vista desenvolver e fortalecer a sua fé. Não havia água nem alimentos. A única maneira de conseguir tais elementos era confiarem em D-us. O deserto era uma praça de esportes onde se podia desenvolver os músculos espirituais.

3. D-us conduziu-os a deserto para prová-los e trazer à luz o que havia em seus corações (Dt. 8:2,3). Obedecer-lhe-iam ou não? As provas e aflições no deserto demonstrariam se os hebreus creriam ou não na onipotência, no cuidado e no amor de D-us.

Provações no deserto:

1. Desilusão em Mara: a árvore que tornou doces as águas: Decorridos três dias de viagem pelo deserto de Sul, os israelitas chegaram finalmente às fontes de Mara. Todavia, quão grande foi sua desilusão! As águas eram amargas. Imediatamente o povo começou a queixar-se, porém Moisés clamou a D-us. Eles não perceberam que D-us ali os provou. Não existe nenhuma prova de que a árvore que foi lançada nas fontes tivesse a propriedade de tornar potáveis as águas. D-us tornou-as doces. O milagre não somente mostrou que D-us tinha cuidado de seu povo, como também simbolizou no começo desta viagem que adoçaria as amargas experiências futuras se os israelitas buscassem sua ajuda.

a) Às vezes, depois de alcançar grandes vitórias, como na travessia do mar Vermelho, vêm as experiências amargas.

b) De igual maneira, assim como há épocas de severas provações, também á tempos de refrigério na presença do Eterno. Após a saída de Mara chegaram a Elim onde havia água em abundância além de palmeiras.

c) As provas ofereceram uma solução muito acessível. Que significa a árvore lançada na água? Ao aceitar as provas como permitidas por D-us, as amargas experiências tornam-se doces.

d) A experiência de Mara deu a oportunidade de revelar-se outro aspecto do caráter de D-us, por meio de um novo nome: Jeová Rafah, ou seja, o Senhor que sara ou, D-us provê a cura. Como a mãe ama a seus filhos por inclinação natural, assim D-us cura a seu povo, pois está em sua natureza o curar. D-us é a saúde de seu povo. Se lhe obedecessem, não traria Ele nenhuma das enfermidades mediante as quais julgou os egípcios.

2. A fome e o maná: Os israelitas sentiram fome no deserto e começaram a expressar de novo seus queixosos lamentos. Esquecendo-se da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância. As queixas eram dirigidas contra Moisés, porém em realidade murmuravam conta D-us, porém Ele retribui-lhes o mal com o bem; proveu codornizes e maná.

Grandes bandos de codornizes em suas viagens migratórias atravessam com freqüência o mar Vermelho e a península do Sinai. Esgotadas pelo longo vôo sobre o mar, às vezes grandes quantidades delas caem e são fáceis de caçar. D-us levou-as ao acampamento dos israelitas nesta ocasião e somente uma vez mais na marcha através do deserto ocorreu este fato. (Nm. 11: 31,32)

De modo natural D-us providenciou as codornizes, porém a provisão de maná foi um fato completamente milagroso. Chovia pão do céu. Durante todo tempo de peregrinação pelo deserto, o maná caía todas as noites juntamente com o orvalho. Era moído em moinhos ou em grãos e cozidos em panela para fazer pão. A ração diária era de um gômer (3,7 litros) por pessoa.

Destacam-se alguns ensinos:

a) D-us deseja ensinar a seu povo, por meio do maná, a confiar Nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia de amanhã. D-us provia cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do sábado. É importante destacar que D-us nunca falhou com Seu povo nos quarenta anos de peregrinação.

b) Por meio do maná D-us quis ensinar seu povo a não ser preguiçoso nem avaro. Embora o maná fosse dádiva do céu, cada família tinha de fazer sua parte recolhendo o maná todas as manhãs. Ao avaro que recolhia muito do que necessitava, nada lhe sobrava.

c) D-us também desejava ensinar os hebreus a obedecerem-lhe, por isso lhes deu normas para recolher o maná. Se por incredulidade ou avareza um hebreu guardava maná para o dia seguinte, o pão do céu bichava e apodrecia. Ou se passava por alto a ordem de recolher uma porção dobrada na sexta-feira, jejuava forçosamente no dia de descanso porque nesse dia não caía maná do céu. Desse modo D-us provou a seu povo e o preparou para receber a lei.

3. A sede e a rocha de Horebe: Em vez de aprender a suportar as dificuldades, os israelitas murmuravam ainda mais. Os perigos, as aperturas e desconfortos parecem aumentar a irritação, a agitação e a ira. Chegados a Refidim onde esperavam encontrar um grande manancial, desiludiram-se. A falta de água causou sofrimento cuja severidade podemos avaliar. Mas isto não justificava a reação dos israelitas. Estavam prestes a apedrejar Moisés, e em sua incredulidade provocaram a D-us. Desconfiavam do cuidado do Eterno e com sarcasmo falaram a respeito da presença de D-us no meio deles a qual se manifestara a eles de modo tão patente na coluna de nuvem e na coluna de fogo e em seus livramentos no passado. Por isto se deu ao lugar o nome de Massá (prova) e Meribá (contenda). O líder levou consigo os anciãos de Israel afim de que presenciassem a fonte milagrosa e dela dessem testemunho.

4. Guerra com Amaleque e a ajuda divina: Enquanto D-us trabalhava na vanguarda, uma tribo saqueadora, Amaleque, atacou pela retaguarda. As tribos nômades estavam sempre prontas para lançar-se sobre a presa, onde quer que houvesse oportunidade. Desta vez D-us mudou seus métodos e permitiu que Israel tomasse parte em sua própria salvação. Josué teria de ser o general da primeira batalha contra homens ímpios. Por que Moisés não dirigiu a batalha? D-us não quer que uma única pessoa faça tudo. Ele dá diferentes ministérios a homens diferentes. A Moisés cabia subir ao outeiro e desempenhar sua função espiritual. A vara representava a autoridade de D-us, e as mãos levantadas, a intercessão. Como necessitamos em nossos dias de homens como Aarão e Hur que lhes sustentem os braços! As orações de Moisés, combinadas com os esforços dos israelitas, tornaram eficazes as armas.

O juízo severo contra Amaleque foi pronunciado porque Amaleque levantou a mão contra o trono de D-us, isto é, recusou-se a reconhecer que era o Eterno quem operava maravilhas a favor de Israel. Os amalequitas provocaram a ira de D-us atacando desapiedadamente os fracos e cansados que ficavam para trás. (Dt. 25:17- 19)

Quando Moisés deu ao altar o nome de “o Senhor é minha bandeira”, reconheceu que o próprio D-us era Seu libertador e general. Por isso esse nome de D-us se relaciona com a milícia de seu povo.

Façamos deste comentário, a real bandeira para nossa vida espiritual !

Shabat Shalom!