TZAV
03.04.2004 / 12 de Yiar de 5764.
Parashah – TZAV – Lv. 6:1- 8:36
Haftarah – Jr. 7:21- 34; 8:1- 3; 11: 22,23
Retomando o estudo do Livro de Levítico, vamos enfocar o tema:
SACRIFÍCIOS
Como a revelação era o meio que D-us usava para aproximar-se de seu povo, assim o sacrifício era o meio pelo qual o povo podia aproximar-se de D-us. O Senhor ordenou: Ninguém aparecerá vazio diante de mim (Ex.34:20; Dt.16:16). Como se originou a idéia do sacrifício? O sistema sacrifical foi instituído por D-us para ligar a nação israelita a Ele próprio. Não obstante, os sacrifícios remontam ao período primitivo da raça humana. Menciona-se o ato pela primeira vez em Gn. 4, no caso de Caim e Abel. Provavelmente D-us mesmo ensinou aos homens a oferecerem sacrifícios como meio de aproximar-se Dele. A idéia ficou gravada na mente humana e o costume foi transmitido a toda a humanidade. Com o transcorrer do tempo, os sacrifícios oferecidos pelos que não conheciam a D-us uniram-se a costumes pagãos e a idéias corruptas como, por exemplo, o conceito de que os deuses literalmente comiam o fumo e o odor do sacrifício.
Não se sabe se os israelitas, antes de chegarem ao Sinai, conheciam e distinguiam claramente os diversos tipos de ofertas. Como nação liberta da escravidão do Egito, já como povo da aliança, Israel recebeu instruções específicas com respeito aos sacrifícios.
O Sistema Mosaico de Sacrifícios.
1. Idéias relacionadas com o sacrifício:
a) O motivo básico dos sacrifícios é a substituição, e seu fim é a expiação. O pecado é sumamente grave porque é contra D-us. Além do mais, D-us “é tão puro de olhos que não pode ver o mal” (Habacuque 1:13). O homem que peca merece a morte. D-us propiciou que em seu lugar, morra um animal inocente, esta morte cancela ou retira o pecado.
No texto de Lv. 17:11 temos o texto-chave quanto à expiação: “A alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas”. Isso quer dizer que D-us designou o sangue como sacrifício, provendo assim a forma de atender a necessidade do homem.
Que significa sangue? Ele é considerado o princípio vital. Não tem significado em si mesmo senão como símbolo e demonstração de que se tirou a vida de um animal inocente para pagar pelos pecados do culpado. Portanto, o sangue usado na expiação simboliza uma vida oferecida na morte. Ao espargir sangue sobre pessoas ou coisas, mostra-se que a elas se aplicam os méritos dessa morte.
Esta possibilidade de alcançar a expiação do pecado mediante um sacrifício substitutivo evidencia a graça Divina e constituía o coração da aliança. Sem possibilidade de expiação, a lei permaneceria esplêndida, porém inatingível. Serviria apenas para condenar o homem, deixando-o frustrado e desesperado. Se não fosse pelos sacrifícios, ficaria anulada toda a possibilidade de que o homem se aproximasse de D-us. A idéia de um D-us Santo e o Concerto seriam uma desilusão. Por mais que o homem se esforçasse por cumprir a lei, fracassaria por sua fraqueza moral. Por isso, enquanto a lei revela as exigências da santidade de D-us, a expiação por meio do sacrifício manifesta a graça Divina que cumpre as exigências de D-us.
b) A segunda idéia relacionada com o sacrifício é a consagração. Ao colocar as mãos sobre o animal antes de degolá-lo, o ofertante identifica-se com o animal. Oferecida sobre o altar, a vítima representa aquele que a oferece e indica que o ofertante pertence a D-us.
c) A idéia de mordomia ou administração dos bens materiais também se vê na lei, por exemplo, em certas ofertas de alimentos e no fato de que a melhor parte do animal era queimada sobre o altar. Ao devolver a D-us uma porção dos bens que lhe custaram tempo e trabalho, o ofertante reconhece que tudo é do Senhor D-us.
d) Também está presente a idéia de jubilosa comunhão com D-us nas ofertas de paz, pois o ofertante participa da carne sacrificada em um banquete sagrado.
e) Naturalmente se encontra também a idéia de adoração ao sistema sacrifical. Sacrificar equivale a “prestar culto a D-us, atribuindo-lhe glória por ser o D-us de quem dependemos e a Quem devemos culto e submissão”.
Com o transcorrer do tempo, os israelitas chegaram a atuar como se o que importasse para D-us fossem os próprios sacrifícios em lugar do coração do ofertante. O Salmista David e os profetas procuraram inculcar no povo a verdade de que D-us não se contenta com as vítimas oferecidas quando faltam o arrependimento, a fé, a justiça e a piedade naqueles que as oferecem (I Sm. 15:22; Sl. 51:16, 17; Is. 1:11- 17; Mq. 6:6-
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2. Tipo de animais que se ofereciam:
A lei não admitia mais do que estas cinco espécies de animais como aptas para o sacrifício: a vaca, a ovelha, a cabra, a pomba e a rola. Estes eram animais limpos; o animal imundo não podia ser símbolo do sacrifício santo.
Só eram sacrificados animais domésticos porque eram estimados por seus donos, caros e submissos. De outro modo não poderia ser figuras profética daquele que “como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is. 53:7). O animal tinha de ser propriedade do ofertante. Finalmente, deveria ser sem mancha, simbolizando desse modo o Redentor sem mácula.
3. A forma em que se ofereciam os sacrifícios:
Os passos no ato do sacrifício eram:
a) O ofertante levava pessoalmente o animal à porta da cerca do tabernáculo onde estava o altar do holocausto.
b) Depois o ofertante punha as mãos sobre o animal para indicar que este era seu substituto. Em determinados sacrifícios este ato indicava a transferência dos pecados para o animal, e em outros, a dedicação da própria pessoa mediante seu substituto; podia, também, indicar ambas as coisas.
c) O ofertante o degolava como sinal da justa paga de seus pecados. A seguir, o sacerdote derramava o sangue sobre o altar.
d) Segundo o tipo de sacrifício, todo o animal, ou uma parte dele era queimado; o restante da vítima era comido na arca do tabernáculo pelos sacerdotes e suas famílias ou, no caso do sacrifício pacífico, pelos sacerdotes e pelos adoradores.
Shabat Shalom !
