TZAV

03.04.2004 / 12 de Yiar de 5764.

Parashah – TZAV – Lv. 6:1- 8:36
Haftarah – Jr. 7:21- 34; 8:1- 3; 11: 22,23

Retomando o estudo do Livro de Levítico, vamos enfocar o tema:

SACRIFÍCIOS

Como a revelação era o meio que D-us usava para aproximar-se de seu povo, assim o sacrifício era o meio pelo qual o povo podia aproximar-se de D-us. O Senhor ordenou: Ninguém aparecerá vazio diante de mim (Ex.34:20; Dt.16:16). Como se originou a idéia do sacrifício? O sistema sacrifical foi instituído por D-us para ligar a nação israelita a Ele próprio. Não obstante, os sacrifícios remontam ao período primitivo da raça humana. Menciona-se o ato pela primeira vez em Gn. 4, no caso de Caim e Abel. Provavelmente D-us mesmo ensinou aos homens a oferecerem sacrifícios como meio de aproximar-se Dele. A idéia ficou gravada na mente humana e o costume foi transmitido a toda a humanidade. Com o transcorrer do tempo, os sacrifícios oferecidos pelos que não conheciam a D-us uniram-se a costumes pagãos e a idéias corruptas como, por exemplo, o conceito de que os deuses literalmente comiam o fumo e o odor do sacrifício.

Não se sabe se os israelitas, antes de chegarem ao Sinai, conheciam e distinguiam claramente os diversos tipos de ofertas. Como nação liberta da escravidão do Egito, já como povo da aliança, Israel recebeu instruções específicas com respeito aos sacrifícios.

O Sistema Mosaico de Sacrifícios.

1. Idéias relacionadas com o sacrifício:

a) O motivo básico dos sacrifícios é a substituição, e seu fim é a expiação. O pecado é sumamente grave porque é contra D-us. Além do mais, D-us “é tão puro de olhos que não pode ver o mal” (Habacuque 1:13). O homem que peca merece a morte. D-us propiciou que em seu lugar, morra um animal inocente, esta morte cancela ou retira o pecado.

No texto de Lv. 17:11 temos o texto-chave quanto à expiação: “A alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas”. Isso quer dizer que D-us designou o sangue como sacrifício, provendo assim a forma de atender a necessidade do homem.

Que significa sangue? Ele é considerado o princípio vital. Não tem significado em si mesmo senão como símbolo e demonstração de que se tirou a vida de um animal inocente para pagar pelos pecados do culpado. Portanto, o sangue usado na expiação simboliza uma vida oferecida na morte. Ao espargir sangue sobre pessoas ou coisas, mostra-se que a elas se aplicam os méritos dessa morte.

Esta possibilidade de alcançar a expiação do pecado mediante um sacrifício substitutivo evidencia a graça Divina e constituía o coração da aliança. Sem possibilidade de expiação, a lei permaneceria esplêndida, porém inatingível. Serviria apenas para condenar o homem, deixando-o frustrado e desesperado. Se não fosse pelos sacrifícios, ficaria anulada toda a possibilidade de que o homem se aproximasse de D-us. A idéia de um D-us Santo e o Concerto seriam uma desilusão. Por mais que o homem se esforçasse por cumprir a lei, fracassaria por sua fraqueza moral. Por isso, enquanto a lei revela as exigências da santidade de D-us, a expiação por meio do sacrifício manifesta a graça Divina que cumpre as exigências de D-us.

b) A segunda idéia relacionada com o sacrifício é a consagração. Ao colocar as mãos sobre o animal antes de degolá-lo, o ofertante identifica-se com o animal. Oferecida sobre o altar, a vítima representa aquele que a oferece e indica que o ofertante pertence a D-us.

c) A idéia de mordomia ou administração dos bens materiais também se vê na lei, por exemplo, em certas ofertas de alimentos e no fato de que a melhor parte do animal era queimada sobre o altar. Ao devolver a D-us uma porção dos bens que lhe custaram tempo e trabalho, o ofertante reconhece que tudo é do Senhor D-us.

d) Também está presente a idéia de jubilosa comunhão com D-us nas ofertas de paz, pois o ofertante participa da carne sacrificada em um banquete sagrado.

e) Naturalmente se encontra também a idéia de adoração ao sistema sacrifical. Sacrificar equivale a “prestar culto a D-us, atribuindo-lhe glória por ser o D-us de quem dependemos e a Quem devemos culto e submissão”.

Com o transcorrer do tempo, os israelitas chegaram a atuar como se o que importasse para D-us fossem os próprios sacrifícios em lugar do coração do ofertante. O Salmista David e os profetas procuraram inculcar no povo a verdade de que D-us não se contenta com as vítimas oferecidas quando faltam o arrependimento, a fé, a justiça e a piedade naqueles que as oferecem (I Sm. 15:22; Sl. 51:16, 17; Is. 1:11- 17; Mq. 6:6- 8) .

2. Tipo de animais que se ofereciam:

A lei não admitia mais do que estas cinco espécies de animais como aptas para o sacrifício: a vaca, a ovelha, a cabra, a pomba e a rola. Estes eram animais limpos; o animal imundo não podia ser símbolo do sacrifício santo.

Só eram sacrificados animais domésticos porque eram estimados por seus donos, caros e submissos. De outro modo não poderia ser figuras profética daquele que “como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is. 53:7). O animal tinha de ser propriedade do ofertante. Finalmente, deveria ser sem mancha, simbolizando desse modo o Redentor sem mácula.

3. A forma em que se ofereciam os sacrifícios:

Os passos no ato do sacrifício eram:

a) O ofertante levava pessoalmente o animal à porta da cerca do tabernáculo onde estava o altar do holocausto.

b) Depois o ofertante punha as mãos sobre o animal para indicar que este era seu substituto. Em determinados sacrifícios este ato indicava a transferência dos pecados para o animal, e em outros, a dedicação da própria pessoa mediante seu substituto; podia, também, indicar ambas as coisas.

c) O ofertante o degolava como sinal da justa paga de seus pecados. A seguir, o sacerdote derramava o sangue sobre o altar.

d) Segundo o tipo de sacrifício, todo o animal, ou uma parte dele era queimado; o restante da vítima era comido na arca do tabernáculo pelos sacerdotes e suas famílias ou, no caso do sacrifício pacífico, pelos sacerdotes e pelos adoradores.

Shabat Shalom !

VAYIKRAH

27/03/2004 / 05 de Nissan de 5764.

Parashah – VAYIKRAH – Lv. 1:1 – 5:26
Haftarah – Is. 43:21 – 44:23

Iniciamos a leitura do Livro de Levítico, faremos uma breve introdução ao citado livro.

1. Título e caráter: Em hebraico o terceiro livro da Torah é o Vayikrah, que na versão grega recebeu o nome de Levítico porque ele trata das leis relacionadas com os ritos, sacrifícios e serviços do Sacerdócio Levítico. Nem todos os homens da tribo de Levi eram sacerdotes; o termo “levita” referia-se aos leigos que faziam o trabalho manual do tabernáculo. O livro não trata destes “levitas”, porém o título não é completamente inadequado porque todos os sacerdotes eram efetivamente da tribo de Levi.
Embora o livro de Levítico tenha sido escrito principalmente como manual dos sacerdotes, encontra-se muitas vezes a ordenança de D-us: “Fala aos filhos de Israel”, de modo que contém muitos ensinamentos para toda a nação. As leis que se encontram em Levítico foram dadas pelo próprio D-us (ver Lv. 1:1; Nn. 7:89; Êx. 25:1), de modo que têm um caráter elevado.
2. Relação com Êxodo e com Números:
A revelação que encontramos em Levítico foi entregue a Moisés quando Israel ainda se acampava diante do monte Sinai. Segue o “fio” da última parte de Êxodo, a qual descreve o Tabernáculo. A seguir, Números continua com o conteúdo de Levítico. Assim, os três livros formam um conjunto e estão estreitamente relacionados entre si. Todavia, Levítico difere dos outros dois em que é quase totalmente legislativo. Narra apenas três acontecimentos históricos: a investidura dos sacerdotes (capítulos 8 e 9) o pecado e castigo de Nadabe e Abiú (capítulo 10) e o castigo de um blasfemo (24:10-14, 23).
3. Propósito e aplicação:
Assim como Êxodo tem por tema a comunhão que D-us oferece a seu povo mediante sua presença no Tabernáculo, Levítico apresenta as leis pelas quais Israel haveria de manter essa comunhão. O Senhor D-us queria ensinar a seu povo a santificar-se. A palavra santificação significa aparta-se do mal e dedicar-se ao serviço de D-us. É condição necessária para desfrutar-se da comunhão com D-us. As leis e as instituições de Levítico faziam os israelitas tomar consciência de sua pecaminosidade e de sua necessidade de receber a misericórdia divina; ao mesmo tempo, o sistema de sacrifícios ensinava-lhes que o próprio D-us provia o meio de expiar seus pecados e de santificar sua vida. D-us é santo e seu povo há de ser santo também. Israel deve ser diferente das outras nações e deve separar-se de seus costumes. “Não fareis segundo as obras da terra do Egito … nem fareis segundo as obras da terra de Canaã”. O pensamento chave encontra-se em “Santo sereis porque Eu, o Senhor vosso D-us, Sou Santo”. A palavra santo aparece setenta e três vezes no livro. O tabernáculo e seus móveis eram santos, santos os sacerdotes, santas as suas vestimentas, santas as ofertas, santas as festas, e tudo eram santo para que Israel fosse santo. Nota-se a santidade Divina no castigo do pecado de Nadabe e Abiú e o do blasfemo. A santidade de D-us impõe leis concernentes às ofertas, ao alimento, à purificação, à castidade, às festividades e outras cerimônias. Somente por seus mediadores, o sacerdote, pode um povo pecaminoso aproximar-se do D-us santo. Tudo isto ensinou aos hebreus que o pecado é que afasta o homem de D-us, que D-us exige a santidade e que só o sangue espargido sobre o altar pode expiar a culpa. De modo que Levítico fala de santidade, mas ao mesmo tempo fala da graça, ou possibilidade de obter o perdão por meio de sacrifícios.
4. Significado e valor:
Embora Levítico pareça árido e pouco interessante a muitos leitores, o Livro tem grande significado e valor quando bem compreendido.
a)
Proporciona-nos um antecedente que torna compreensíveis outros livros da Tanach (Bíblia). Se alguém deseja entender as referências aos sacrifícios, às cerimônias de purificação, às instituições tais como o sacerdócio ou as convocações sagradas, é necessário consultar o livro de Levítico. Os profetas destacados, Isaías, Jeremias e Ezequiel em suas visões contemplavam verdades permanentes dadas por via do simbolismo do Templo, das ofertas, das festas e das pessoas sagradas.
b)
Levítico apresenta princípios elevados da religião. As leis e cerimônias de Levítico mostram como D-us opera para remover o pecado mediante o sacrifício e a purificação, como D-us atua contra pecados sociais por meio do ano sabático e do ano do jubileu, e como ele enfrenta a imoralidade por meio de leis de castidade e também mediante promessas e ameaças. É notável que em Levítico se encontra o sublime preceito “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
c)
Finalmente, este livro tinha o propósito de preparar a mente humana para as grandes verdades. Os sacrifícios da aliança, especialmente o dos grandes dias de expiação.
5. Conteúdo e métodos de estudar o Levítico:
Este estudo da Torah (Pentateuco) afastou-se mais de uma vez do método ‘capítulo por capítulo’ ao fazer sua exposição. Em seu lugar, desenvolveu temas na forma lógica e sistemática. O estudo de Levítico segue este método e não somente reúne material de várias partes do Livro para desenvolver os temas, mas também emprega seções de Êxodo para completar o quadro de Levítico.
Shabat Shalom !

VAIAKEL / PEKUDÊ

1.03.2003 / 27de Adar I de 5763

Parashah – VAYAKÉL – Ex.35:1 – 38:20 / PEKUDÊ – Ex. 38:21– 40:38
Haftarah – I Reis 7.13- 26 / I Rs 7:40– 8:21

“E reuniu Moisés toda a congregação dos filhos de Israel e disse-lhes: Estas são as coisas que ordenou o Eterno que se fizessem. Seis dias fazer-se-á trabalho, e no SÉTINO DIA haverá para vós SANTIDADE, Sábado de repouso ao Eterno: Todo aquele que nele fizer trabalho, será morto (Ex.35.1,2)“.

Antes de fixarmos no texto inicial da parashah, iremos discorrer um pouco sobre história, a que mudou a guarda do Sábado para o Domingo, segundo busca em várias obras que tratam do assunto.

A mudança de Sábado para Domingo
Já no século segundo da era atual, o Domingo era guardado em lugar do Sábado pelos cristãos de Alexandria. Essa apostasia local fora evidentemente derivada do gnosticismo, um sistema teológico e filosófico que ali se estabelecera. Mas não tardou essa defecção em estender suas raízes a outras partes, de maneira que, no século terceiro já se guardavam, em diversos lugares, ambos os dias. O domingo, porém, ia tomando ascendência sobre o Sábado, até suplantá-lo por completo.

Os pagãos do império romano guardavam o atual Domingo, o primeiro dia da semana, ao qual honravam como “dies solis” (dia do Sol ou o conhecido Sunday). Essa prática foi aceita pelo gnosticismo, passando daí para a Igreja em Alexandria , como acabamos de referir. E, no século quarto, grande parte da cristandade já guardava o dia do Sol dos pagãos, como sendo o dia do Senhor.

Constantino Magno, Imperador pagão, via que a linha demarcatória entre o cristianismo e o paganismo se desvanecia mais e mais. Via que, com um pouco de esforço, podia ganhar apoio, não só dos seus súditos pagãos, mas também dos cristãos. Mas, para tanto, era necessário que os dois credos se aproximassem mais ainda, pois a fusão entre o cristianismo e o paganismo ainda não era completa. Havia muitos cristãos fiéis que guardavam o verdadeiro descanso do Altíssimo – o Sábado – que é o quarto mandamento da Lei Original de D-us, e rejeitavam, como fruto do paganismo, a observância do primeiro dia da semana (Domingo), o dia do Sol. Visando salvaguardar a suposta santidade do primeiro dia da semana e favorecer a aproximação das duas classes, Constantino, a 7 de março de 321 AD (Era Atual), promulgou o seguinte decreto:

“Que todos os juizes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo Céu.” – Codex Justinianus, lib. 3, tit. 12. Par. 2(3).

Esta lei foi acatada de bom grado pelos dirigentes da igreja em Roma. “Em quase todos os concílios o Sábado que D-us havia instituído, era rebaixado um pouco mais, enquanto o Domingo era em idêntica proporção exaltado. Destarte a festividade pagã veio finalmente a ser honrada como instituição divina, ao mesmo tempo em que se declarava ser o Sábado bíblico relíquia do judaísmo, amaldiçoando-se os seus observadores”. E.G.White, O Grande Conflito, pág. 50.

Do supra, vem uma grande pergunta: Com que poder um pagão muda algo que nos proporciona Santidade?

Promessa de Santidade
Muito pouco vamos discorrer sobre o tema Santidade, apenas reforçar, Portanto santificai-vos, e sede santos, pois Eu sou o Senhor vosso D-us. Lv.20.7
Acredito piamente, que apenas este versículo deixado por Moisés, através de inspiração Divina, é suficiente, para despertar em nós a necessidade de obedecermos a D-us em toda sua plenitude, para que continuemos como povo eleito a serví-lo para sua honra e glória, só que para estarmos neste espaço concedido por D-us, uma coisa importante é, sejamos SANTO porque Ele, o Eterno, é SANTO.

PEKUDÊ

Versículo inicial desta parashah, Moisés que era o responsável por todos os trabalhos, reuniu a coletividade e declarou as contas em público, a fim de não dar lugar a dúvidas no que se refere ao emprego da prata, do ouro e de outras doações feitas para confecção do Tabernáculo. Mesmo sendo venerado, e sua honestidade conhecida por todos, Moisés fez questão de prestar contas, servindo de exemplo a todos os dirigentes comunais, para que fizessem o mesmo. “Quando a hora do comparecimento do homem perante o Juiz Supremo soar, D-us, em primeiro lugar, pede-lhe que preste conta para ver se foi honesto em suas transações”.

No versículo 11 do capítulo 39, observamos que o Midrash escreve que uma das pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote perdeu-se um dia. Era a safira, e não podiam encontrar outra do mesmo tamanho e cor apropriada para este uso.

Os rabinos souberam que um certo pagão, cujo nome era Damá, filho de Netimá a possuía, e este se prontificou a vendê-la por mil “siclos”. Porém quando entrou no gabinete para trazer a pedra preciosa, viu que seu pai estava deitado sobre a chave do cofre, e recusou-se molestá-lo. Os rabinos assim, não conseguiram convencê-lo. Então esperaram um certo tempo até que Netimá acordou. O filho pegou a pedra e disse aos rabinos: Ei-la aqui! Pagai-me o preço de mil siclos, pois não quero tirar proveito do respeito que devo a meu pai!

Ao continuar a leitura da parashah, verificamos o versículo 29, ainda do capítulo 39 que o Talmude (Shabat ) conta que um nobre pagão, tendo ouvido o relato das magníficas indumentárias que vestia o sumo sacerdote se dirigiu ao chefe da célebre escola “Bet-Shamai” e disse –lhe: possuo uma grande fortuna e sou muito considerado entre a gente. Converter-me-ei ao Judaísmo, com a esperança de ser, algum dia, sumo sacerdote, e poder levar os seus ornamentos. Ouvindo isto, Shamai despediu-o rudemente.

O pagão não desanimou e dirigiu-se ao famoso Hilel, manifestando-lhe o seu desejo. Hilel fez-lhe ver com boas maneiras que ninguém, a não ser da família de Aarão, o sacerdote, poderia levar as ditas vestimentas (Nm.18:7). O pagão compreendeu e renunciou as suas pretensões, mas converteu-se ao Judaísmo e foi um bom israelita, fazendo parte do reino de sacerdotes povo de Israel – Êx. 19:6. Então ele disse: “A rudeza de Shamai me rechaçou, mas doce maneira de Hilel me recolheu e me fez chegar a isto”.

Continuando a leitura da parashah, verificamos no versículo três do capítulo 40, onde mais uma vez o Midrash, escreve parábola referente à Casa de D-us.

Um rei tinha uma filha a quem muito estimava. Educou-a da melhor forma e quando estava em idade de casar, escolheu um marido digno dela.

Uma vez celebrada a boda, ao chegar o amargo momento da despedida, ele falou nestes termos ao jovem cônjuge:

“Dou-te minha filha como esposa, desligando-me assim de meu direito de permanecer em sua proximidade. Espero que saibas cuidar bem dela, e como me resulta dura esta separação, te peço querido genro, que sempre me reserves um aposento para que possa ir de vez em quando desfrutar da companhia deste ser que é tão querido”

De igual modo D-us deu a Torah, sua filha querida, ao povo de Israel, recomendando-lhe: “Confio-vos esta jóia. Espero que saibais cuidar dela e que não esquecereis de reservar-me, em qualquer lugar em que viveis, uma morada da qual eu possa fazer uso, para permanecer a seu lado”. E desde então o templo constituiu a casa de D-us.

Ainda no capítulo 40 versículo 17 a leitura leva-nos a concluir que o Tabernáculo foi feito, sobretudo, para inculcar no povo a idéia da Presença Divina, que D-us se encontra em todo o lugar e acompanha o homem onde quer que esteja. “Em todo o lugar onde Eu fizer recordar o meu nome, virei Ter contigo e te abençoarei”.

Quando Titus penetrou no Templo de Jerusalém, buscou o D-us que os israelitas adoravam, mas nada pode encontrar. Como pagão não podia compreender como era possível adorar aquele D-us Invisível.

“Eis que os céus, e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa”. (I Reis 8,27). Porém quando os homens unidos elevam seus corações ao Eterno, com sinceridade, D-us desce e mora entre eles: “E farão para mim um santuário, e Eu habitarei entre eles“(Êx.25:8).

E finalmente, quando lemos o último versículo da presente parashah, notamos que na leitura do primeiro versículo desta, acha-se repetida, duas vezes, a palavra “Mishcan” (Tabernáculo) e os rabinos vem nesta repetição uma alusão ao Templo que foi duas vezes destruído. Uma outra interpretação diz que a palavra “Mishcan” tem uma grande semelhança com “Mashcon”, o que significa prenda ou garantia. Sendo assim, o Mishcan é uma prenda que D-us tem do povo de Israel. Quando Israel abandona a senda de D-us, Ele exige a sua prenda e esta foi à causa da destruição dos dois Templos.

Porém, se estes foram destruídos materialmente, o Templo espiritual jamais o será, pois “A nuvem do Eterno estará sobre ele de dia e à noite haverá fogo nele; aos olhos de toda a casa de Israel em todas as suas jornadas”.

Shabat Shalom!

Shabat Shalom !

KI TISSA

13.03.2004 / 20 de Adar de 5764.

Parashah – KI TISSÁ – Ex.30:11 – 34.35
Haftarah – I Rs.l8:1,39

Nesta semana, a parashah Ki Tissá estará sendo enfocada mais uma vez, na ótica do saudoso Reb Lubavitcher.

O título da parashah inicia com um questionamento, cujo significado é “quando levantares” o que se refere à elevação das cabeças dos filhos de Israel, após terem praticado o grave erro em deixar de adorar o Eterno, para adorarem um bezerro de ouro, feito por mãos humanas.

O pecado da adoração do bezerro de ouro trouxe a tona mais um declínio trágico para o povo israelita, pois ficou em pé de igualdade com o pecado de Adão e Eva, quando em estado de desobediência partilharam da Árvore do Conhecimento. Cabe aqui expor que tal pecado, havia sido outorgado, quando do recebimento da Torah, fazendo então o retorno ao pecado que tem sido fonte de todas as transgressões posteriores.

O Reb vai mais longe, dentro de sua visão, dizendo que de modo semelhante, todas as punições sofridas pelo povo judeu através dos séculos estão ligados a este pecado, fazendo surgir uma pergunta: Que tal acontecimento tem a ver com uma Porção cujo nome sugere elevação dos judeus?

Em função de tal, o Reb Lubavitcher sugere análise dos seguintes pontos:

- Para que o Homem se Torne Mais que Humano.

“Para responder a esta questão, temos que ampliar nossos parâmetros de pensamento, pois o estado para o qual D-us deseja levar a humanidade está acima das concepções humanas normais. Isto está insinuado pela própria expressão ‘ Quando elevares as cabeças ’; isto é, o intelecto humano, necessita ser elevado”. Nada mais lógico e justo, para que cada um possa ver com a devida dignidade que é requerida .

“A essência de nossa alma é ‘ uma verdadeira partícula de D-us de cima’, e D-us deseja que o ser humano transcenda a si mesmo e experimente este potencial Divino. Além disto, a intenção não é apenas de nos erguermos acima do intelecto humano, mas ‘ elevarmos as cabeças ‘, reformulando a mente. “ Em outras palavras, não é com o nosso racional que viveremos nos caminhos do Eterno, mas sim na real transcendência de nosso intelecto.

- Viagem Projetada por D-us.

Diz-nos o Reb:

“O intelecto é uma encruzilhada. Por um lado é a faculdade que possibilita à humanidade crescer e expandir seus horizontes. Por outro, o intelecto de um mortal é limitado por definição. Além disso, todo intelecto baseia-se no ego; quanto mais a pessoa entende, mais forte é o senso de si própria”. Analisando tal exposição, ficamos a meditar, quão escasso é a linha que separara a realidade da fantasia, o que leva-nos a crer a dificuldade do humano, que não tem conhecimento de D-us como linha de vida, para transitar em tal situação, pois por pura comodidade, mais fácil será cair para a fantasia do que o caminho da realidade.

- Plano Temeroso de D-us.

Ainda na visão do Reb, ele preocupa-se e expõem “Nesta linha de pensamento, a Chassidut descreve o pecado como ‘ plano temeroso bolado contra o homem’. Se o yêtser hará (má inclinação) domina alguém e o faz pecar, isto ocorre por queo yêtser hará foi induzido lá de Cima para faze-lo. É intencional, ‘um plano temeroso’ projetado por D-us para efetuar uma união mais completa entre D-us, essa pessoa e o Universo em geral.

Em sua explicação sobre a afirmação de nossos Sábios de que ‘onde se encontram os baalê teshuvah (os que retornaram ao caminho da Torah e mitzvot), coube uma pergunta. Por que um báal teshuvah tem o potencial de elevar aspectos da existência que são distanciados de D-us por natureza? Porque para se esforçar para a teshuvah precisa captar as fontes espirituais mais profundas, aquela alma que é ‘verdadeira partícula de D-us’. Quando chega a este ponto, consegue entender que nada está separado d’Ele, e pode demonstrar em sua vida como todos os elementos da existência expressam Sua verdade”.

-Três Fases.

“Com base no que foi explicado acima, podemos entender a seqüência de Parashah KI TISSÁ. O objetivo - a elevação do povo judeu – está no versículo inicial. Posteriormente, a leitura continua com os mandamentos finais para a construção e inauguração do Tabernáculo, a oferenda do incenso e a outorga das Primeiras Tábuas. Todos estes assuntos refletem uma conexão com D-us acima dos limites da experiência cotidiana”.

Para esta conexão penetrar o Universo mundano e preencher até mesmo os aspectos mais inferiores da existência, tem que haver a seqüência do pecado do bezerro de ouro e a quebra das Tábuas. Esta queda terrível motivou o povo judeu a se voltar para D-us em teshuvah, evocando uma terceira fase – a revelação dos Trezes Atributos da Misericórdia Divina – um nível de Divindade totalmente ilimitado, que abrange até mesmo os níveis mais baixos.

Este pináculo superior encontra expressão na outorga das Segundas Tábuas e o último acontecimento mencionado na leitura da Torah desta semana – o brilho do semblante de Moisés.

O brilho do rosto de Moisés representou a fusão suprema do físico com o espiritual. Luz divina brilhou do corpo físico de Moisés.

- Finalmente Subidas e Descidas.

“Ciclos de descida e subida parecidos moldaram a história de nosso povo. O objetivo deste processo é uma união suprema entre o espiritual e o material – a Era da Redenção, quando ‘o mundo estará repleto do conhecimento de D-us como as águas encobrem o leito do oceano”.

“Quando vistos por este prisma, todos os anos de exílio parecem ser apenas ‘um momento fugaz”. Pois o exílio não tem objetivo por si só; é um meio para evocar uma conexão mais profunda com D-us, e um instrumento que possibilita a esta ligação preencher todos os aspectos da experiência. Quando este objetivo for atingido, o exílio terminará; como disse Rambam: “A Torá prometeu que no fim do exílio Israel retornará a D-us e será redimido imediatamente”.

“E terá início uma subida infinita, conforme está escrito: Avançarão de força em força, e aparecerão diante de D-us em Tzion”.

Shabat Shalom !

KI TISSA

13.03.2004 / 20 de Adar de 5764.

Parashah – KI TISSÁ – Ex.30:11 – 34.35
Haftarah – I Rs.l8:1,39

Nesta semana, a parashah Ki Tissá estará sendo enfocada mais uma vez, na ótica do saudoso Reb Lubavitcher.

O título da parashah inicia com um questionamento, cujo significado é “quando levantares” o que se refere à elevação das cabeças dos filhos de Israel, após terem praticado o grave erro em deixar de adorar o Eterno, para adorarem um bezerro de ouro, feito por mãos humanas.

O pecado da adoração do bezerro de ouro trouxe a tona mais um declínio trágico para o povo israelita, pois ficou em pé de igualdade com o pecado de Adão e Eva, quando em estado de desobediência partilharam da Árvore do Conhecimento. Cabe aqui expor que tal pecado, havia sido outorgado, quando do recebimento da Torah, fazendo então o retorno ao pecado que tem sido fonte de todas as transgressões posteriores.

O Reb vai mais longe, dentro de sua visão, dizendo que de modo semelhante, todas as punições sofridas pelo povo judeu através dos séculos estão ligados a este pecado, fazendo surgir uma pergunta: Que tal acontecimento tem a ver com uma Porção cujo nome sugere elevação dos judeus?

Em função de tal, o Reb Lubavitcher sugere análise dos seguintes pontos:

- Para que o Homem se Torne Mais que Humano.

“Para responder a esta questão, temos que ampliar nossos parâmetros de pensamento, pois o estado para o qual D-us deseja levar a humanidade está acima das concepções humanas normais. Isto está insinuado pela própria expressão ‘ Quando elevares as cabeças ’; isto é, o intelecto humano, necessita ser elevado”. Nada mais lógico e justo, para que cada um possa ver com a devida dignidade que é requerida .

“A essência de nossa alma é ‘ uma verdadeira partícula de D-us de cima’, e D-us deseja que o ser humano transcenda a si mesmo e experimente este potencial Divino. Além disto, a intenção não é apenas de nos erguermos acima do intelecto humano, mas ‘ elevarmos as cabeças ‘, reformulando a mente. “ Em outras palavras, não é com o nosso racional que viveremos nos caminhos do Eterno, mas sim na real transcendência de nosso intelecto.

- Viagem Projetada por D-us.

Diz-nos o Reb:

“O intelecto é uma encruzilhada. Por um lado é a faculdade que possibilita à humanidade crescer e expandir seus horizontes. Por outro, o intelecto de um mortal é limitado por definição. Além disso, todo intelecto baseia-se no ego; quanto mais a pessoa entende, mais forte é o senso de si própria”. Analisando tal exposição, ficamos a meditar, quão escasso é a linha que separara a realidade da fantasia, o que leva-nos a crer a dificuldade do humano, que não tem conhecimento de D-us como linha de vida, para transitar em tal situação, pois por pura comodidade, mais fácil será cair para a fantasia do que o caminho da realidade.

- Plano Temeroso de D-us.

Ainda na visão do Reb, ele preocupa-se e expõem “Nesta linha de pensamento, a Chassidut descreve o pecado como ‘ plano temeroso bolado contra o homem’. Se o yêtser hará (má inclinação) domina alguém e o faz pecar, isto ocorre por queo yêtser hará foi induzido lá de Cima para faze-lo. É intencional, ‘um plano temeroso’ projetado por D-us para efetuar uma união mais completa entre D-us, essa pessoa e o Universo em geral.

Em sua explicação sobre a afirmação de nossos Sábios de que ‘onde se encontram os baalê teshuvah (os que retornaram ao caminho da Torah e mitzvot), coube uma pergunta. Por que um báal teshuvah tem o potencial de elevar aspectos da existência que são distanciados de D-us por natureza? Porque para se esforçar para a teshuvah precisa captar as fontes espirituais mais profundas, aquela alma que é ‘verdadeira partícula de D-us’. Quando chega a este ponto, consegue entender que nada está separado d’Ele, e pode demonstrar em sua vida como todos os elementos da existência expressam Sua verdade”.

-Três Fases.

“Com base no que foi explicado acima, podemos entender a seqüência de Parashah KI TISSÁ. O objetivo - a elevação do povo judeu – está no versículo inicial. Posteriormente, a leitura continua com os mandamentos finais para a construção e inauguração do Tabernáculo, a oferenda do incenso e a outorga das Primeiras Tábuas. Todos estes assuntos refletem uma conexão com D-us acima dos limites da experiência cotidiana”.

Para esta conexão penetrar o Universo mundano e preencher até mesmo os aspectos mais inferiores da existência, tem que haver a seqüência do pecado do bezerro de ouro e a quebra das Tábuas. Esta queda terrível motivou o povo judeu a se voltar para D-us em teshuvah, evocando uma terceira fase – a revelação dos Trezes Atributos da Misericórdia Divina – um nível de Divindade totalmente ilimitado, que abrange até mesmo os níveis mais baixos.

Este pináculo superior encontra expressão na outorga das Segundas Tábuas e o último acontecimento mencionado na leitura da Torah desta semana – o brilho do semblante de Moisés.

O brilho do rosto de Moisés representou a fusão suprema do físico com o espiritual. Luz divina brilhou do corpo físico de Moisés.

- Finalmente Subidas e Descidas.

“Ciclos de descida e subida parecidos moldaram a história de nosso povo. O objetivo deste processo é uma união suprema entre o espiritual e o material – a Era da Redenção, quando ‘o mundo estará repleto do conhecimento de D-us como as águas encobrem o leito do oceano”.

“Quando vistos por este prisma, todos os anos de exílio parecem ser apenas ‘um momento fugaz”. Pois o exílio não tem objetivo por si só; é um meio para evocar uma conexão mais profunda com D-us, e um instrumento que possibilita a esta ligação preencher todos os aspectos da experiência. Quando este objetivo for atingido, o exílio terminará; como disse Rambam: “A Torá prometeu que no fim do exílio Israel retornará a D-us e será redimido imediatamente”.

“E terá início uma subida infinita, conforme está escrito: Avançarão de força em força, e aparecerão diante de D-us em Tzion”.

Shabat Shalom !

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