SHEMINI

17.04.2004 / 26 de Nissan de 5764

Parashah – SHEMINI – Lv. 9:1 – 11:47

Há pouco comemoramos o Pessach, onde um dos pontos enfocados foi o questionamento: Sabes o que é um? …. Sabes o que é treze? Para cada pergunta, cada número tem uma explicação. Traçando um paralelo entre o questionamento do que representa cada número no Pessach, a parashah desta semana, que quer dizer oitavo e quer dizer neste caso consagração.

No Pessach, oitavo é referente ao milah, na Parashah refere-se ao primeiro dia de Nissan, quando o Tabernáculo foi inaugurado, sendo assim chamado, porque os sete dias que o precederam foram sete dias de consagração, e entre as ações de consagração, Moisés armou e desarmou, durantes estes sete dias o Santuário, para que Aarão e seus filhos aprendessem o seder do Serviço Divino dos Sacrifícios.

Observando o texto da Parashah, está claro que neste dia quando Moisés ofereceu sacrifícios junto com Aarão e seus filhos. Convidou também aos anciãos, não para fazerem sacrifícios, mas para honrar a velhice, dando-nos uma lição de que devemos sempre, em respeito à tradição, consultar aos anciãos, pois sem os mesmos, somos como que pássaros sem asas que não podem voar nem podemos dar nenhum passo com firmeza sem consultarmos as experiências dos anciãos.

Ainda nesta Parashah, vemos o que aconteceu a Nadab e Abihu, perderam suas vidas pelo fato de não terem ouvido aos mais conhecedores, aos mais experientes.

Demos ênfase ao termo ancião embora para o povo ocidental seja sinônimo de velho, para a cultura israelita, ancião quer dizer experiente, sábio, sem levar em conta a idade, pois segundo Rabi Iosef, só merece ser chamado de “zaken” (velho, ancião) aquele que detenha conhecimento e seja realmente sábio independente da idade.

Como lição da Parashah Shemini, embora pareça mudado de assunto, fica claro que é um ato de gratidão, de reconhecimento, louvor, quando respeitamos o ancião, pois é uma forma não só de amarmos a D-us, mas especialmente buscarmos santidade, amando o próximo (no caso em foco o ancião) como a nós mesmos e a D-us sobre todas as demais coisas.

Shabat Shalom!

PESSACH

HOJE É PESSACH!

O Seder nos lembra cativeiro, calabouço.

Fico a me perguntar, hoje, agora, não é tempo de abrirmos definitivamente a porta de nosso calabouço?

Porque tamanho espanto? Quem não tem calabouço repleto de prisioneiros? … Claro que temos! …

No fim desta tarde comecei a meditar em tudo que envolve Pessach, desde o início da escravidão e dos calabouços… Foi horrível tanto para os escravos com o fim do Faraó e de todos os que lhe apoiavam.

Convido para fazermos uma reflexão, faça um auto-exame, podes visualizar teu calabouço? …

Quando ficamos tristes, geralmente tomamos a escada que conduz ao nosso calabouço e quem vemos lá? Talvez nosso pai, mãe, irmãos, filhos, amigos, … quantos… Lá estão todos eles por nós amarrados. Olhamos nos olhos de cada um e ainda lhes dizemos:

- Vais mofar ai! … Vais morrer ai! … Como? Ainda está vivo? …

E assim vamos sentenciando palavras agressivas e ainda dando-lhes chicoteadas. Descarregamos nosso fel. Depois lentamente nos retiramos com um imenso conflito entre nosso racional versus irracional …

Neste tormento nos esquecemos do pedido de perdão dos nossos pecados que fizemos no último Yom Kipur. Oh! … Como assim? Pecados? Pedidos de perdão?

É! … Na noite de Col Nidrei no momento em que o chazan pronuncia “Al chet Shechatanu…” (pelo pecado que cometemos tais como astúcia, mentiras, irresponsabilidades, lascívia, …).

E nós completamos: “selach lanu, mecha lanu (perdoa-nos, expia-nos)” , batendo no peito.

É… Exatamente neste momento estamos pedindo perdão a D-us de nossos pecados…

Creio que de nada adianta fazermos o “nosso” Yom Kipur, se desconhecemos o Divino dom de perdoar, pois batemos no nosso peito, mas continuamos olhando com chamas de ódio os olhos dos prisioneiros do nosso calabouço.

Estamos em Pessach, D-us nos libertou do Egito e perdoou nossos pecados. Não façamos “Egitos” para aprisionar nem escravizar nossos irmãos.

Chag Smeach!