BEHAALOTECHA

05.06.2004 / 16 de Sivan de 5764.

Parashah – BEHAALOTECHA – Nm.8:1- 12:16.
Haftarah – Zc.2:14- 4:7

D-us determina a Moisés a forma do acender as lâmpadas do candelabro. Num paralelismo, podemos tirar exemplo, dos quais citamos alguns:

. A questão da lâmpada acesa é um chamamento para que em cada um judeu se inspire na condição, importância, utilidade e especialmente necessidade da existência da mesma em nossas vidas, tanto no interior para relacionar-se com D-us como no exterior para o relacionamento com o mundo, pois no instante que passamos a assumir tais destaques, sem dúvida alguma passamos a ser um referencial, ser o fiel da balança.

. Com relação a disposições das velas no candelabro, é uma forma de destaque e respeito da comunidade para aquele que detém conhecimento e discernimento no campo espiritual, pois quer queiramos ou não, D-us chama cada um de nós para uma tarefa específica neste mundo, dentre tais, há aqueles que D-us chama para serem sacerdotes, pois por vivermos na galut, nem sempre tem um Cohen na comunidade, e não será pela ausência deste, que o povo judeu também ficará a mercê da diáspora espiritual, D-us sempre levanta um “pastor” para cuidar do Seu rebanho.

. Um outro exemplo que podemos tirar é com relação ao candelabro. Este é construído em ouro, material nobre. Assim todo aquele que busca em D-us o seu norte fanal, sem dúvida alguma deixará de ter alto valor, será uma vida nobre frente às vicissitudes do mundo.

A luz que obtemos da vela indica vida e vida em abundância, por conseguinte todo aquele que se inclina inteiramente para os preceitos Divino é uma luz para a comunidade e para o mundo todo, o que, aliás, no presente momento é o que muito está a humanidade a carecer. Sejamos, pois, o reflexo da luz que D-us coloca em cada um de nós que o bendizemos, exaltamos, adoramos, louvamos e O tememos.

Creio que cada um dentro da sua experiência com D-us, possa tirar outros tantos significados das disposições das luzes do candelabro, para uma vida no dia-a-dia, repleta das bênçãos de D-us.

Shabat Shalom!

NASSÓ

29.05.2004 / 09 de Sivan de 5764.

Parashah – NASSÓ – Nm. 4:21 - 7:89
Haftarah – Jz. 8:2-25

Nesta parashah, veremos algo mais sobre a tribo de Levi, pois além do encargo no serviço do Tabernáculo, era dividida também em quatro partes ao redor da Tenda sagrada. No ocidente, achavam-se os filhos de Gershon que tinham a seu cargo a tenda, a sua coberta, o reposteiro etc. Ao sul, os filhos de Kehat, cuja missão era o transporte da Arca de D-us. Ao norte, os filhos de Merari, que tinham a seu cargo as madeiras, as tábuas do Tabernáculo, as travessas, colunas e afins, e na parte oriente estavam Moisés, Aarão e seus filhos, como guias espirituais do povo.

Apesar de Kehat ser mais jovem que Gershon, os kehatitas foram citados em primeiro, pois a sua missão no serviço do Tabernáculo era mais importante. Sem dúvida, os Gershonitas descendiam do filho primogênito de Levi, porém não atingiam o grau de perfeição dos filhos de Kehat, pois estes serviam na santidade das santidades, no meio de uma atmosfera de luz e pureza. A sabedoria é mais preciosa que as pérolas e nenhuma das coisas que se deseja pode ser comparada com ela [/](Pv. 3:15), neste texto do rei Salomão, concluímos que o sábio é superior ao rei. Muitos são os que podem substituir um rei, porém nem todos podem substituir um sábio que desaparece. Os chefes de estado, os dignatários, e todos os que ocupam altos cargos, não deveriam ocupar as suas cadeiras por suas idades, títulos e fortunas, mas por seu próprio mérito.

Na presente parashah encontramos o seguinte texto:

[I]O Eterno te abençoe e te guarde. Faça resplandecer o Eterno o seu rosto sobre ti, e te agracie. Tenha o Eterno misericórdia de ti, e ponha em ti a paz. Nm.6:24-26

Estes três versículos constituem a clássica benção do Cohanim para o povo de Israel. Denomina-se “Bircat Cohanim”, ou seja, Benção dos Sacerdotes. Os ministros de outros cultos, também incluíram-na nos seus rituais. Conforme o espírito da Torah e do Talmud, os Cohanim não são seres superiores que dão a sua benção, apenas são o veículo por intermédio dos quais, a benção de D-us desce para o povo. Eles não podem abençoar o povo de uma maneira arbitrária. Assim abençoarei os filhos de Israel (vers. 22) disse a Torah. Os sacerdotes não podem modificar esta fórmula, pois eles não são os legisladores, mas os executantes. Durante a oração, os Cohanim não podem abençoar a congregação sem antes serem chamados pelo Sheliah tsibur (oficiante, delegado da congregação) o qual não deve ser, se for possível, um Cohen. Enquanto se recita (ora) o Bircat Cohanim, o público não deve olhar para suas mãos, pois a benção não reside nas mãos dos Cohanim, eles não são mais do que um instrumento, mas a benção vem de D-us que confirma as palavras dos Cohanim, e abençoa estes ao mesmo tempo. Este é o verdadeiro significado do versículo 27.

Muito teríamos a discorrer sobre a presente parashah, mas iremos lentamente absorvendo assunto por assunto, deve ser um crescimento lento mas proveitoso, é como uma grande construção, ergue-se colocando um tijolo após outro.

Shabat Shalom !

EMOR

08.05.2004 / 17 de Iyar de 5764.

Parashah – EMOR – Lv.21:1- 24:23.
Haftarah – Ez.44:15- 31

No início da presente parashah encontramos o texto ordenando aos Cohanim (Sacerdotes) que não devem impurificar-se e os proíbe permanecer sob o mesmo teto onde esteja sendo velado um morto. O destaque do texto parece ser redundante: “Diga aos Cohanim filhos de Aarão e lhes dirás a eles”. Segundo os exegetas, explicam que o uso do termo: “lhes dirás” é para responsabilizar os adulto pelos pequenos. Esta não é a única oportunidade de que a Torah recomenda aos adultos pela conduta dos meninos(as). Nossos sábios indicam que esta regra aparece em outras situações, das quais citamos: o não comer insetos, não comer ou beber sangue e que os Cohanim não devam se impurificar.

Cabe uma pergunta: Por que a Torah destaca a importância da educação nestes três pontos? Isto ocorre porque o educador poderá pensar que não é possível educar o menino no patamar que a Torah exige. Para que seja alcançada também a educação dos pequenos, a Torah dá ênfase que o adulto deve ensinar os mandamento aos meninos(as) desde sua mais tenra idade.

O não comer insetos, é uma questão de higiene, pureza de nosso corpo. A questão da abstinência do sangue, pois nele está a vida, era uma prática comum entre os povos pagãos o uso do sangue na alimentação. Quanto aos Cohanim em particular, deveriam manter-se na mais absoluta pureza de santidade. O destaque dado pela Torah na questão de bem conduzir os meninos, nos é possível destacarmos três pontos ou regras fundamentais na educação.

- Quando nos deparamos a uma situação crítica, ou frente a uma reação grosseira ou pouco amável por parte do educando, podemos até pensar que é um caso perdido, porém a Torah nos ensina que mesmo que uma pessoa coma algo de mais imundo, de forma alguma devemos nos omitir de mostrar-lhe o verdadeiro caminho.

- Alguns opinam que a educação é aplicada somente a pessoas que não estejam acostumadas a desviarem-se do bom caminho, porém aos que com seus maus costumes se converteram em hábitos, será em vão todo e qualquer esforço para o reconduzir ao bom caminho. A Torah nos mostra que inclusive quando os judeus se encontravam totalmente habituados ao comer sangue, como faziam os egípcios, puderam de pronto abandonar tal hábito pelo simples mandar da Torah. Também com os pequenos, através de uma educação apropriada, podemos seguramente reverter os hábitos.

- Há outros grupos que sustentam que a Torah e o judaísmo não só podem, mas devem instruir aos jovens, só com conceito racionais possíveis de serem explicados com a lógica, porém os temas sobre a fé são impossíveis de transmitir aos pequenos ou aos barmitzvandos.

Concluindo, entendemos que todos os temas envolvendo principalmente a fé judaica não só podem, mas se devem ser ensinados e transmitidos. Em última instância, todo judeu é um crente aos ensinamentos que lhe proporcionamos, pois serve para revelar a fé que já se encontra nele. Devemos ter consciência de que D-us não pede nada mais além de nossa força disponível, apenas D-us nos manda pela Torah que busquemos todo o conhecimento de Sua vontade, para que possamos ser santos, porque Ele é Santo.

Shabat Shalom!