VAYERA

29.10.2004 / 14 de Cheshvan de 5765

Parashah – VAYERA – Gn.18:1- 22:24.
Haftarah – II Rs.4:1- 37

A destruição de Sodoma e livramento de Lot: Gn.18:16- 19:38. O pecado dos sodomitas havia chegado ao máximo e D-us estava preste a castigá-los. O Eterno revelou a Abraão que havia resolvido destruir Sodoma e Gomorra.

Por que D-us comunicou seu plano a Abraão? Em virtude de Abraão haver-se feito amigo de D-us e de manter comunhão com e Ele, foi que lhe deu uma antecipação de seu propósito. Os amigos compartilham os segredos entre si e “o segredo do Eterno é para os que o temem” Sl.25:14. Também era necessário que Abraão compreendesse que a destruição das cidades não era um acidente natural, mas o juízo divino sobre a repugnante imundície dos pecadores que nelas habitavam, para poder inculcar em seus descendentes o temor de D-us, pois a recompensa (o salário) do pecado é a morte.

A intercessão de Abraão põe em relevo que o amigo de D-us era-o também dos homens. Indiscutivelmente lhe daria asco a impureza dos habitantes destas cidades ao sul do mar Morto e se sentiria como um estranho entre eles, não obstante, a comunhão com D-us havia despertado nele um profundo amor ao próximo.

Em sua intercessão, Abraão apresentou o problema de todas as épocas: como podia o justo Juiz castigar os bons juntamente com os maus? Uma nota da bíblia de Jerusalém observa: “Sendo forte, no antigo Israel, o sentimento da responsabilidade coletiva, não cabe aqui a pergunta se os justos poderiam ser individualmente poupados”, Visto que todos haveriam de sofrer a mesma sorte, Abraão perguntou se acaso a presença dos justos não afastaria o juízo dos culpados. D-us respondeu afirmativamente, porém não havia sequer dez justos em Sodoma.

A intercessão de Abraão pode servir-nos de modelo. O patriarca combinou nesta intercessão a intrepidez com reverência, considerou o caráter de D-us e sua justiça e persistiu intercedendo até obter a certeza de que D-us perdoaria a cidade se houvesse nela dez justos. Depois deixou os resultados nas mãos de D-us. Embora D-us não tenha salvado a Sodoma, respondeu libertando a Lot e sua família.

O “justo” Lot foi afligido pela manhã pela má conduta dos sodomitas. Não obstante, podia-se encontrá-lo sentado à porta da cidade, isto é, imiscuía-se nos negócios e ouvia as palavras obscenas do povo. Também permitiu que suas filhas desposassem homens de Sodoma. Assim foi cedendo mais e mais. Não pode convencer seus futuros genros de que D-us julgaria o pecado. Demorou e vacilou. Sentia-se tão apegado aos benefícios materiais que nem mesmo a ameaça do enxofre e do fogo o fez capacitar-se. Abraão, pelo contrário, havia aprendido a desfrutar das coisas materiais, mas sem esquecer-se da esperança espiritual.

Por que a esposa de Lot olhou para trás? Porque seu tesouro estava em Sodoma; ali também estava seu coração. Parece que se atrasou na planície de Sodoma e ali foi alcançada pela chuva destruidora. Provavelmente se formou sobre seu corpo uma crosta de sal e ficou ali convertida em estatua como advertência às pessoas cujos corações estão no mundo. A destruição de Sodoma é também uma advertência de que D-us não suporta indefinidamente a maldade.

Em ambos os lados do mar Morto existem ainda jazidas de petróleo que se derretem e arde. Na mesma área foi encontrada também uma camada de sal misturas com enxofre. Conjetura-se que D-us acendeu os gases para produzir uma explosão enorme, e que assim sal e enxofre foram atirados sobre a cidade de modo que literalmente choveu enxofre e fogo, do Eterno desde os céus. Ainda há colunas de sal nas cercanias do extremo sul do mar Morto, As quais recebem o nome de “esposa de Lot”. Atualmente o local das cidades julgadas está coberto pelas águas do mar Morto.

Pobre Lot! Perdeu a esposa e o lar; suas filhas se corromperam e mediante um truque por elas planejado, Lot veio a ser o antepassado incestuoso dos grandes inimigos de Israel; os moabitas e os amonitas. Estes povos foram notórios por suas ambições idolatras e constituíram o perigo de contagio para Israel através dos séculos. Nm:25:1- 3; Rs.11:7. Lot é uma amostra do homem carnal que procura ganhar o mundo e ao mesmo tempo reter o espiritual. Perdeu tudo, salvo sua própria alma.

Abraão e Abimeleque: Gn.20. Abraão, movido pelo temor recorreu ao engano como havia feito no Egito. Pôs assim em perigo o cumprimento do plano da redenção. Alguns crêem que este relato não se encontra em correta ordem cronológica, pois a esta altura Sara teria noventa anos. É possível que haja ocorrido nos primeiros anos em que o casal se encontrava em Canaan. D-us denomina a Abraão ”profeta” (20:7) não no sentido de ser como os outros profetas da Tanach, mas porque tinha relações privilegiadas com D-us e era um poderoso intercessor. Neste capitulo encontra-se a primeira referência à cura divina como respostas à oração (20:7).

Nascimento de Itzak, expulsão de Ismael: Gn. 21. O Eterno recompensou grandemente a fé que Abraão demonstrou durante os vinte e cinco anos de sua peregrinação a Canaan. Também interveio milagrosamente para dar-lhe um filho. O nome Itzak, dado ao recém nascido, que parecia uma censura ao riso incrédulo do velho casal, agora tem novo significado: era o riso de alegria por ter um filho.

A presença de Itzak no lar trouxe outra prova para o patriarca, Ismael, que teria aproximadamente dezesseis anos, demonstrou seu caráter zombando de Itzak. Parece que foi motivado por sua incredulidade e inveja. Sara percebeu que a natureza do rapaz não concordava com o espírito de fé prevalecente na família. As duas linhagens tinham de estar marcadamente separadas. Sara pediu ao seu marido que expulsasse a Ismael. Era penoso para Abraão fazê-lo, mas D-us o consolava dizendo-lhe que por meio de Itzak viria sua descendência. Além do mais, por amor a Abraão D-us cuidaria do jovem e sua descendência formaria uma grande nação.

Hagar e Ismael aprenderam que embora expulsos das tendas e sem proteção de Abraão, não estavam por isso alijados da solicitude de D-us. Ele estava com Ismael e cuidou dele em sua juventude, possibilitando assim o cumprimento da promessa que ele mesmo fizera de que por meio de Ismael faria uma grande nação. Não se afastou da família de Abraão.

O incidente pelo qual os filisteus fizeram aliança com Abraão demonstra claramente que este, com a benção de D-us chegara a ser um personagem de grande importância e influência aos olhos dos senhores pagãos. Estes reconheceram que D-us estava com ele em tudo quanto fazia (21:22). Desejavam sua boa vontade e ser seus aliados. Este relato salienta também a importância dos poços naquela região aonde a quantidade de chuva chega a ser de 100 mm durante o mês de janeiro e diminui até chegar a nada nos quatro meses do verão. A posse dos poços seriam no futuro motivo de rixas entre os filisteus e Itzak (Gn.26:17-0 33).

O sacrifício de Itzak: Gn:22. O pedido do Eterno de que Abraão oferecesse a Itzak como sacrifício foi a prova suprema da fé do patriarca. Podemos observar que lhe era difícil porque:

a – A alma de Abraão se desfazia ante o conflito de seu amor paternal e a obediência a D-us.

b – Parecia-lhe estranho porque Abraão já sabia que não agradava a D-us o conceito pagão de ganhar o favor dos deuses sacrificando seres humanos.

c – D-us não lhe deu razão alguma que apoiasse seu pedido como havia feito quando animou a Abraão a expulsar a Ismael.

d – O pedido era contrário a promessa de que somente por Itzak se formaria a nação escolhida, pois no entender humano D-us estava contra D-us, fé contra fé e promessa contra ordem.

O propósito da prova era aumentar a fé que Abraão tinha, dar-lhe à oportunidade de alcançar uma vitória maior e receber uma revelação mais profunda ainda de D-us e de seu plano. D-us não tentou a Abraão como algumas versões bíblicas traduzem Gn.22:1. A tentação é demoníaca e tem o propósito de conduzir o homem ao pecado. Ao contrário, D-us prova o homem para dar-lhe a oportunidade de demonstrar sua obediência e crescer espiritualmente. Antes de expor Abraão à prova final, havia-o submetido a uma longa preparação.

Embora Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de D-us, obedeceu imediatamente. Parece que enquanto caminhava para o monte Moriá meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar Itzak e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Teria pensado que a solução era crer que mesmo quando atravessasse com o cutelo o coração de Itzak e acendesse o fogo para que o corpo de seu filho fosse reduzido a cinzas, D-us ressuscitaria a Itzak do montão de cinzas. Por isso, ao deixar seus criados, disse-lhes que tornariam a eles (22:5). Crer no poder divino para ressuscitar os mortos foi o auge de sua fé.Tal tipo de fé é indispensável para alcançarmos a redenção.

O que aconteceu depois mostra-nos que D-us não quer que lhe ofereçamos um corpo morto, mas um sacrifício vivo, uma vida consagrada a Ele. Não estendas a tua mão sobre o moço . . . porquanto agora sei que temes a D-us, e não me negaste o teu filho, o teu único. Tudo o que D-us queria era a rendição de Abraão, um sacrifício em espírito. Queria que Abraão mostrasse que amava mais a D-us que a seu próprio filho e as promessas feitas. Exige D-us de nós algo que Ele próprio não esteja disposto a dar? Abraão teve sua fé grandemente recompensada. Recebeu a seu filho simbolicamente dentre os mortos e dali em diante esse filho lhe foi mais precioso que nunca. Da mesma forma, o que entregamos a D-us Ele no-lo devolve muito mais enriquecido e elevado que antes.

Shabat Shalom!

LECH-LECHA

23.10.2004 / 08 de Cheshvan de 5765

Parashah - LECH LECHÁ – Gn.12:1 - 17:27
Haftarah – Is.40:27-31; 41:16

Comentário:

No Bereshit (Gênesis), dos capítulos 12 até 50, temos a História Patriarcal que passa a ser relatada nas próximas dez parashot, iniciando na presente e indo até Vayechi.

Ao começar a história de Abraão, o escritor inspirado deixa para trás a história primitiva da raça em geral para relatar a de uma família. Reúne as lembranças que se conservam “os grandes antepassados de Israel. Abraão, Itzak, Iakov (Jacó) e Iosef (José). Todos eles se destacam como homens que ouvem a voz de D-us e a obedecem. Todos os seus momentos estão assinalados pela intervenção divina. O grande propósito de D-us aos escolher essas pessoas é formar um povo que realiza a sua vontade na terra e seja um meio de cumprir o plano da salvação”.

O período patriarcal começa por volta do ano 2000 aeC e dura mais ou menos três séculos.

O chamado de Abraão

É sem dúvida o acontecimento mais importante do Tanach. Aqui tem início a obra da redenção que foi instituída no jardim do Éden (3:15). Os primeiros onze capítulos do Gênesis demonstram que D-us se relacionava com a humanidade em geral, sem fazer distinção entre as raças. Tanto o mundo antediluviano como o da torre de Babel ressaltam que a despeito do progresso material e do nascimento das civilizações, o homem fracassa moral e espiritualmente. Até aqui, o Eterno havia posto os olhos sobre diferentes indivíduos, que eram os meios apropriados para conservar a “semente da mulher” e o conhecimento de D-us. Agora ele muda seus métodos. Chama a um homem para fundar a raça escolhida mediante a qual realizaria a restauração da humanidade. O espaço que o livro do Gênesis concede a esta passagem demonstra sua importância. Os primeiros onze capítulos abrangem mais tempo do que todo o restante da Tanach. Trinta e nove capítulos, porém, são dedicados aos começos da nação escolhida, da qual virá o Messias.

Abraão é o personagem mais importante do Gênesis, e um dos mais importantes de toda a Tanach. Moisés dedicou meramente onze capítulos ao que aconteceu antes de Abraão, enquanto que treze capítulos se referem exclusivamente à vida pessoal do patriarca. D-us usou Abraão para fundar tanto a família de Israel como a fé dos hebreus. As três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, reverenciam-no como o pai de sua fé. Em realidade, a Tanach declara que o “povo escolhido” não se refere somente à descendência carnal do patriarca, mas a todos quantos tem a mesma fé que Abraão tinha. Isto é, ele é o pai espiritual de todos os que crêem em D-us. Somente a Abraão se chama “amigo de D-us” II Cr.20:7.

Considerando que a religião do Eterno consiste no ato de depositar a fé em um D-us pessoal, Abraão tinha de aprender a confiar nele implicitamente. D-us cultivou de três maneiras a fé que Abraão tinha: dando-lhe grandes promessas, pondo-o à prova cada vez mais, e concedendo-lhe muitas aparições divinas. Era preciso que Abraão conhecesse a D-us, pois esse conhecimento era a base de sua fé.

D-us chama a Abraão : primeira prova. (12:1-9). A família de Abraão e, provavelmente, o próprio Abraão prestava culto a vários deuses (Js.24:2). Não obstante, as Escrituras insinuam que ainda assim tinham certo conhecimento do Eterno, pois Abraão em sua velhice enviou seu servo para buscar entre eles uma esposa para Itzak, seu filho. Seu motivo era religioso; queria ter uma nora que adorasse ao Eterno. Por isso, em meio da idolatria universal, D-us se manifestou a Abraão, chamando-o para uma vida de fé e separação.

As promessas feitas a Abraão são interessantes. Abraão seria famoso e reverenciado, não por sua própria virtude, mas pelo favor de D-us, que disse: “abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome”. Abraão tinha a responsabilidade de ser um canal de bênção para outros: ” tu serás (deverás ser) uma bênção” (D-us nos abençoa para que sejamos bênção). Finalmente, D-us prometeu abençoar ou amaldiçoar aos homens segundo a atitude que tivessem para com Abraão: ” E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem! Assim D-us o protegeria.

As transcendentais promessas feitas a Abraão e a seus descendentes são três:

* Herdariam a terra de Canaã.

* Chegariam a ser uma grande nação (a grandeza prometida significa muito mais do que uma população numerosa).

* Por meio deles, todas as linhagens da terra seriam abençoadas (esta é a promessa messiânica).

A primeira prova à qual D-us submeteu a Abraão foi a separação de sua pátria e de sua família. Tinha de voltar as costas para a idolatria a fim de poder ter comunhão com D-us. A vida de fé começa com a obediência e a separação. “Ou nossa fé nos separa do mundo, ou o mundo nos separa de nossa fé”. Abraão foi o Cristóvão Colombo do Tanach, pois “saiu, sem saber para onde ia”, tinha de confiar incondicionalmente no Eterno.

Parece que no principio a obediência foi apenas parcial. Foi com Terah, seu pai, até Haran, centro de reunião de caravanas e também do impuro culto a Sin, deusa da Lua. Terah havia renunciado a seus pais, mas aparentemente não havia abandonado de todo sua idolatria. Em Haran radicou-se para viver o restante de sua vida, mas depois D-us guiou a Abraão a seguir rumo a Canaan, distante 650 km.

Por fim, chegou à terra que D-us lhe havia indicado. Agora vivia como estrangeiro e peregrino, viajando de um lugar para outro. Nunca foi dono de um metro quadrado de terra, a não ser o local de sua sepultura. Shchem (Siquém), a encruzilhada da Palestina, situada a 50 km ao norte de Jerusalém, foi a sua primeira parada. Depois chegou ao carvalho de More, considerado o centro de adivinhações e idolatria. Ali D-us apareceu a Abraão, segurando-lhe de novo sua presença e confirmando-lhe que sua descendência herdaria Canaan. Assim D-us o recompensou por sua obediência. Abraão respondeu construindo um altar e oferecendo culto público ao Eterno. A onde que ia, levantava sua tenda e edificava um altar. A expressão hebraica indica que Abraão invocou em alta voz o nome do Eterno; uma proclamação do nome, da natureza e do caráter de D-us. De modo que Abraão tinha comunhão com D-us, e ao mesmo tempo testificava perante o mundo.

A fome : segunda prova. (12:10-20). Por falta de fé Abraão foi para o Egito. D-us não lhe havia ordenado sair da Palestina. Recorreu à mentira para escapara do perigo (ainda que houvesse um elemento de verdade no que disse; 20:12). “Não duvidou por incredulidade” das grandes promessas, porém tropeçou nas pequenas coisas. É de surpreender que Sara tenha sido considerada mulher atraente, já que tinha sessenta e cinco anos; mas como viveu 127 anos, naquela altura seria como outra mulher aos quarenta.

Abraão não edificou nenhum altar no Egito, Saiu humilhado, reconhecendo que D-us é santo. Até a escrava egípcia Hagar e o aumento de gados obtidos no Egito lhe causaram problemas mais tarde. Aprendeu quão perigoso é afastar-se de D-us. À semelhança do acontecido no episódio em Gênesis capítulo 20, D-us demonstrou sua fidelidade. Trouxe seu juízo sobre os que ameaçavam o plano divino de que Sara fosse a antecessora de Israel.

Contenda sobre pastagens : terceira prova.(Gn.13). Lot, sobrinho de Abraão, acompanhava-o desde sua partida de Ur. Como seu tio , Lot havia adquirido grande soma de gado e servos. Surgiu uma contenda entre os pastores dos dois senhores, porque se tornava difícil encontrar água e pastos suficientes para os rebanhos de ambos. Parecei a Abraão melhor separar-se antes que brigar. Apresentou seu argumento: “porque somos irmãos”. Por direito de antiguidade, Abraão poderia ter escolhido sua parte do terreno; não obstante, permitiu que seu sobrinho escolhesse, demonstrando assim a generosidade do homem que vivia pela fé. Lot escolheu egoisticamente, guiando-se pelas aparências, e teve de sofrer as conseqüências mais tarde. É exemplo do homem carnal que busca em primeiro lugar as coisas do mundo e no fim perde tudo. Por outro lado, D-us recompensou Abraão: disse-lhe que olhasse em seu derredor, pois toda a terra ao alcance de sua vista seria sua, inclusive à parte de seu sobrinho Lot. Também devia percorrer a terra de Canaan no seu comprimento e largura. “Significa que Abraão podia sentir-se tão livre na terra como se tivesse em suas mãos a escritura legal”. Certamente deve ter-se alegrado pela fé no que D-us lhe havia dado. Além do mais, D-us prometeu que seus descendentes seriam inumeráveis. Quanto melhor foi para Abraão haver ocupado o segundo lugar deixando seu futuro nas mãos de D-us.

Abraão liberta a Lot : (Gn.14). Uma vez que Lot escolheu a melhor terra de pastagem antes que a vontade de D-us, de imediato se encontrou em Sodoma. Esta cidade foi atacada depois por forças inimigas e Lot sofreu o castigo de sua insensatez.

Os detalhes históricos do capitulo 14 concordam exatamente com o que a arqueologia tem descoberto acerca daquela região nessa época. A área de Canaan estava bem povoada e havia cidades-estados governadas por xeques (senhores locais). Em regra geral, eram vassalos de reis mais fortes. Elão, pai ao Oriente da Suméria, tinha domínio sobre Babilônia e os demais países da região. As cidades ao sul do mar Morto eram seus vassalos. Os invasores tomaram o caminho real, descendo pelo leste do Jordão até o deserto e depois subindo rumo ao mar Morto. O vale de Sidim (14:3, 10), ao sul do mar Morto tinha poços de betume (14:10); agora estão coberto pelas águas, mas ainda o mar Morto, nessa área, lança betume em quantidade.

Ao ser avisado do desastre militar que haviam sofrido as cidades do vale, Abraão armou seus 318 servos, conseguiu a ajuda de seus aliados amorreus e perseguiu os invasores. Recuperou os cativos e o despojo, mediante um ataque surpresa à noite. Em parte a excessiva confiança que os vencedores tinham em si mesmos, nascidas de seus fáceis triunfos anteriores e a resolução inesperada de Abraão e seus aliados, influíram na vitória sobre o formidável exército. Não obstante, o elemento mais importante foi à intervenção de D-us (14:20).

D-us faz aliança com Abraão : (Gn.15). Por que o Eterno disse a Abraão: “não temas?” Parece que Abraão se encontrava em um estado depressivo depois de chegar ao clímax de um testemunho intrépido. Voltariam os quatro reis para vingar-se dele? Havia sido néscio não aceitando o despojo de Sodoma, que bem lhe pertencia? D-us lhe deu confiança dizendo que ele próprio, D-us, seria seu defensor e o recompensaria grandemente. Mas Abraão se entristecia por não ter filho. Eliezer seria seu herdeiro? Naquele tempo, se um homem não tinha filhos, a herança podia recais sobre um servo fiel. Porem D-us lhe prometeu que ele teria um filho, e seus descendentes seriam inumeráveis como as estrelas do céu. Abraão reconheceu que a promessa era humanamente impossível, “creu no Eterno, e foi-lhe imputado isto por justiça”. Este é um dos versículos mais significativos da Bíblia. Em face da fé que Abraão possuía, D-us o aceitou como se fosse um homem justo. É a primeira indicação clara da doutrina da justificação pela fé. A frase “creu no Eterno” significa literalmente em hebraico “apoiou-se no Eterno”. Era mais do que aceitar intelectualmente a promessa: refere-se a confiar incondicionalmente na pessoa de D-us e em sua promessa. Abraão colocou-se a si mesmo e seu futuro nas mãos de D-us.

D-us prometeu a Abraão, uma terra que se estenderia do Nilo até Eufrates. Israel nunca ocupou toda a terra que D-us lhe prometeu, e parece que a promessa ainda se cumprirá . Não obstante,os hebreus ocuparam Canaan no tempo de Josué e sua nação chegou ao apogeu quanto à extensão territorial na época de Davi.

Canaan está na encruzilhada entre três continentes: Europa, Ásia e África . D-us poderia ter colocado seu povo em um lugar mais protegido,porém escolheu uma terra estratégica onde os israelitas pudessem exercer maior influencia no mundo.

D-us confirmou sua promessa fazendo uma aliança solene com Abraão, segundo o costume da época (Jr.34:17- 20). As partes contratantes se punham cada um à extremidade do animal dividido e passavam por entre as metades, Assim expressavam que “se não cumprir minha parte do pacto, posso ser cortado em pedaços como este sacrifico”. Neste caso, porém,, somente o Eterno passou, em forma de um forno fumegante e uma tocha, pois sua aliança era unilateral, uma iniciativa divina, e somente Ele poderia cumpri-la. O que cabia a Abraão era simplesmente aceitar a aliança e continuar crendo em D-us.

O cumprimento da aliança não começaria até que os descendentes de Abraão tivessem vivido 400 anos em terra alheia, onde seriam oprimidos e escravizados. Seus opressores, porém, seriam julgados e os hebreus sairiam com grande riqueza. Assim D-us preparou seu povo para suportar os padecimentos antes de apossar-se da Canaan.

Hagar e Ismael : (Gn.16). Uma das provas mais difíceis que Abraão e Sara tiveram de suportar foi a longa demora antes de receberem o filho. Por que tardou tanto tempo em cumprir-se a promessa? D-us queria que eles soubessem que o cumprimento da promessa não seria o resultado de esforços humanos, mas da pura graça, um milagre. Ao passar dez anos em Canaan sem ter filhos, Sara procurou ajudar a D-us a fim de que se cumprisse a promessa. Segundo a lei mesopotâmica daquela época, uma esposa estéril podia dar a seu marido uma serva como mulher e reconhecer como seus os filhos nascidos dessa união. Abraão, em um momento de incredulidade, cedeu ao plano de Sara, porém as conseqüências foram tristes. Havia inveja e conflitos no lar. Hagar reagiu ante o tratamento dura de Sara conforme a seu nome, pois a palavra Hagar significa “foge” (errante).

Selada a aliança com a circuncisão : (Gn.17:1- 18:15). Abraão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Haran e agora estava com noventa e nove. Havia andado treze anos pela fé desde a ultima revelação divina. A perspectiva de ter um filho por meio de Sara, parecia muito remota e Gênesis 17:18 indica que Abraão já pensava em Ismael como substituto do filho prometido.

D-us apareceu a Abraão para fortalecer sua fé minguante, para dar-lhe uma suave repreensão e renovar o pacto. revelou-se com El Shadai. El significa D-us e ressalta seu poder; o significado exato de Shadai é incerto; sabe-se, porém, que se refere à sua onipotência e suficiência. Assim D-us animou a Abraão mostrando-se como o D-us Todo-poderoso, capaz de fazer tudo o que havia prometido. Anda em minha presença e sê perfeito, eram as condições para que o pacto fosse cumprido.

D-us deu dois sinais para confirmar a aliança: a mudança de nomes e a circuncisão. Já não se chamaria mais Abrão (pai enaltecido) mas Abraão (pai de uma multidão). Aparentemente, a mudança de Sarai para Sara era simplesmente mudar de um, a forma para outra palavra que tem o mesmo significado. Não obstante, a mudança elevou-a a uma posição de alta dignidade no pacto. Uma mudança de nomes é sinal do favor divino, mas como escarneceriam os cananeus das pretensões inerentes aos novos nomes deste velho casal? D-us denomina o que ainda não é como se já o fosse

Embora a circuncisão fosse praticada por outros povos, aqui é dada como sinal da aliança entre o Eterno e seu povo. Também tinha grande significado simbólico. Os profetas falaram da circuncisão do coração e dos ouvidos, referindo-se à obediência à lei de D-us. Representava purificação e renovação do coração (Dt.10:16; Jr.4:4).

Ao ouvir a promessa de que Sara daria a luz um filho, Abraão riu-se; pôs em dúvida a capacidade geradora de si mesmo e da sua esposa, e exclamou: “Oxalá que viva Ismael diante de teu rosto!”

O riso de Abraão seria secundado pelo riso de Sara (18:12). Portanto D-us deu ao filho prometido o nome de Itzak, que significa riso. Quando Itzak nasceu, o riso incrédulo de Sara converteu-se em riso de gozo: “D-us me tem feito riso (21:6). Foi necessário que D-us repreendesse a Sara a fim de que ela cresse. O cumprimento da promessa dependia da fé de ambos.” Haveria coisa difícil ao Eterno?

Shabat Shalom !

NOACH

13.10.2004 / 01 de Cheshvan de 5765.

Parashah: NOACH – Gn. 6:9- 11:32.
Haftarah – Is. 54:1- 55:5.

1. A corrupção da humanidade e a dor divina: Gn. 6:1- 8. Com o transcorrer do tempo, a separação entre os descendentes de Set e os de Caim cessou por causa do casamento das duas linhagens (6:2). A união dos piedosos com mulheres incrédulas foi motivada pela atração física de tais mulheres.

Sem mães piedosas, a descendência de Set degenerou-se espiritualmente.

Os filhos dos casamentos mistos eram “gigantes” (pessoas extraordinárias) e o que tudo indica, se destacavam pela violência. Exaltavam-se a si mesmos, cada um procurando ser valente (herói) e também varão de renome. Corromperam a terra com sua imoralidade. Chegou o momento quando a família de Noé foi a única que cumpria as normas morais e espirituais de D-us. Parece que o anjo do mal (satanás), ao ver que não pode destruir a linha messiânica pela força bruta no caso de Abel, agora procura extingui-la mediante casamento mistos; e por pouco não teve êxito.

A corrupção e violência dos homens doeram a D-us e lhe pesava havê-los criado. Determinou D-us destruir a perversa geração. O exegeta Horton observa que sua ira procedeu de um coração quebrantado. D-us concedeu a estes homens um prazo de 120 anos pra arrepender-se (6:3). Depois, se não o fizessem, retiraria deles seu espírito.

O propósito do dilúvio era tanto destrutivo como construtivo. A linhagem da mulher corria o perigo de desaparecer completamente pela maldade. Por isso D-us exterminou a incorrigível raça velha para estabelecer uma nova. O dilúvio foi também o juízo contra uma geração que havia rejeitado totalmente a justiça e a verdade. Isto nos ensina que a paciência de D-us tem limites.

2. Noé constrói a arca: Gn. 6:9- 22. Noé constrói um raio de esperança em uma época sombria. Seu pai Lameque provavelmente entesourava em seu coração a promessa de Gn. 3:15, pois deu o nome de Noé (descanso, consolo) a seu filho na esperança de que este viesse a ser um libertador (5:29), mas nunca sonhou de que maneira o Eterno cumpriria seu desejo expresso.

Noé destaca-se na Tanach como um dos mais completos varões de D-us. Somente ele, entre seus contemporâneos, achou a graça e o favor de D-us em forma pessoal (6:9), isto é, travou amizade com D-us e desfrutou da comunhão divina. Noé era justo e reto (6:9), uma pessoa de conduta irrepreensível, de integridade moral e espiritual no meio de uma geração perversa. Finalmente, era um proclamador da justiça. O segredo de seu caráter e constância encontra-se em seu andar diário com o Eterno.

D-us revelou a Noé seu plano de destruir a raça corrupta e de salvá-lo junto com sua família e, por ele, a humanidade inteira. Noé viria a ser o segundo pai da raça. Recebeu diretriz para a construção de uma nave flutuante bem proporcionada que seria o veículo de escape. Segundo certos cálculos, a arca teria 135m de comprimento, 22,5m de largura e 13,5m de altura e correspondia em tamanho a um transatlântico moderno. Constava de três pavimentos divididos em compartimentos e uma abertura de 45 cm de altura em volta, localizada entre espaços de parede na parte superior; acredita-se que tinha a forma de um caixão alongado. Alguns estudiosos calculam que a arca teria capacidade para 7.000 espécies de animais.

Pela fé Noé. . . preparou a arca“. A Palavra de D-us foi a garantia única de que viria o dilúvio. Deve ter sido um projeto enorme e de longa duração construir e armazenar os alimentos necessários. Enquanto construía a nave, Noé propagava a necessidade da teshuvah, mas ninguém quis dar-lhe atenção. Sem dúvida alguma Noé e seus filhos eram alvos de incessantes zombarias, porém não vacilaram em sua fé. Acentua-se sua completa obediência: “conforme a tudo o que D-us lhe mandou, assim o fez” (6:22; 7:5).

3. D-us limpa a terra com o dilúvio: Gn. 7:1- 8:14. Sete dias antes de começar o dilúvio, D-us mandou que Noé, sua família e os animais entrassem na arca. Possivelmente D-us tenha feito que os animais pressentissem a iminente catástrofe e se tornassem mansos. Noé devia levar na arca um casal de animais de cada espécie (6:19) e sete casais dos animais limpos (7:2); os adicionais provavelmente era para fornecer carne e animais para o sacrifício. Supõe-se que a maioria dos animais estava invernando enquanto permaneciam na arca.

O Eterno fechou a porta” (7:16). Significa que o período de graça (benevolência do Eterno para com o homem) já havia terminado; isto nos fala de redenção e juízo. Noé ficou dentro, protegido, e os pecadores impenitentes fora, expostos ao juízo. (Fato semelhante houve quando da décima praga sobre o Egito).

Romperam-se todas as fontes do grande abismo e as janelas dos céus foram abertas” (7:11). Parece indicar que se produziram terremotos e estes fizeram que subissem impetuosamente as águas subterrâneas enquanto caiam chuvas torrenciais. Pensa-se que a terra, ao fender-se, produziu alterações nas suas superfície. Alguns crêem que estes verdadeiros cataclismos tenham sido acompanhados de gigantescos maremotos que atravessaram os oceanos e continentes até que nada restou da civilização daquele tempo. Foi um juízo cabal contra o mundo pecaminoso. Depois, D-us enviou um vento para fazer baixar as águas. Cinco meses após o começo do dilúvio, a arca pousou sobre o monte Ararate, porém Noé não saiu em seguida porque obedientemente esperou até receber a permissão divina. Ele e sua família permaneceram na arca aproximadamente um ano solar.

Qual foi a extensão do dilúvio? Foi universal ou limitado à área dos Oriente Médio? O Gênesis diz que as águas cobriram as montanhas mais altas e destruíram toda a criatura (fora da arca), sob os céus (7:19- 23). Não obstante, há diferença de opiniões entre eruditos. Alguns pensam que se refere somente à terra habitada daquele tempo, pois o propósito divino era destruir a humanidade pecaminosa. Dizem que o uso bíblico da expressão “toda a terra” amiúde significa a terra conhecida pelo autor (Gn. 41:57; Dt. 2:25).

Por outro lado, os que crêem que o dilúvio foi universal notam que o relato bíblico emprega expressões fortes e as repete dando a impressão de um dilúvio universal. Pergunta: Qual era a extensão da população humana? Parece-lhes possível que esta se houvesse estendido até a Europa e África. Além do mais, certos estudiosos crêem que as grandes mudanças na crosta terrestre e repentinas e drásticas alterações no clima de áreas geográficas, como Alasca e Sibéria, podem ser atribuídas ao dilúvio. Talvez, com o transcurso do tempo, os geólogos encontrem evidencias conclusivas para determinar qual seja a interpretação correta.

São encontradas em diferentes continentes, tradições que aludem a um grande dilúvio, inclusive detalhes da destruição de toda a humanidade, exceto uma única família e a escapatória em um barco. A famosa epopéia Gilgames, poema babilônico, contém muitas semelhanças com o relato bíblico, embora seja politeísta em seu enfoque. Parece que o dilúvio deixou uma impressão indelével na memória da raça, e que as tradições, por mais corrompidas que estejam, testificam do fato que houve um dilúvio.

4. Estabelece-se a nova ordem do mundo: Gn. 8:15- 9:17. Ao sair da arca, Noé entrou em um mundo purificado pelo juízo de D-us; figurativamente era uma nova criação e a humanidade começaria de novo. A primeira coisa que Noé fez foi oferecer um grande sacrifício a D-us como sinal de sua gratidão pelo grande livramento passado e como consagração de sua vida a D-us para o futuro.

D-us estabeleceu a nova ordem dando provisões básicas pelas quais a vida do homem se regeria na terra depois do dilúvio:

. Para dar segurança ao homem prometeu que as estações ficariam restabelecidas para sempre.
. Reiterou o mandamento de que o homem se multiplicasse.

. Confirmou o domínio sobre os animais dando-lhe permissão para comer sua carne, porém não o seu sangue.

. Estabeleceu a pena capital.

. Fez aliança como homem prometendo-lhe que jamais voltaria a destruir a terra por meio de um dilúvio.

Por que foi proibido comer o sangue? Alguns estudiosos crêem que o sangue é o símbolo da vida, a qual só D-us pode dar; portanto, o sangue pertence a D-us e o homem não deve tomá-lo. Há, porém, uma explicação mais bíblica, ou seja, a proibição preparou o caminho para ensinar a importância do sangue como meio de expiação (Lv. 17:10- 14). O sangue representa uma vida entregue na morte.

D-us estabeleceu a pena capital para restringir a violência. O homem é de grande valor e a vida é sagrada, pois “D-us fez o homem conforme a sua imagem“. O magistrado não traz debalde sua espada, instrumento de execução.

D-us fez um pacto com Noé e com toda a humanidade prometendo não mais destruir o mundo por dilúvio. Ao presenciar a terrível destruição pelo juízo de D-us, o homem poderia perguntar-se: “Valerá a pena edificar e semear? Pode ser que haja outro dilúvio e arrase tudo”. Mas, para dar-lhe segurança de que a raça continuaria e o homem teria um futuro garantido, D-us fez aliança com ele. Deixou o Arco-de-D-us (o termo “arco-íris” é uma alusão a deusa Íris, mensageira dos deuses) como sinal de sua felicidade. É provável que o Arco-de-D-us já existisse, mas agora se reveste de novo significado. Ao ver o Arco-de-D-us nas nuvens, o homem se lembra da promessa misericordiosa de D-us.

A aliança com Noé é a primeira que se encontra na Bíblia. A relação de D-us com seu povo mediante aliança veio a ser assunto importantíssimo. D-us estabeleceu sua aliança sucessivamente com Noé, com Abraão, com Israel (por meio de Moisés) e com Davi.

Que é uma aliança? Uma aliança humana é, em geral, um acordo mútuo entre duas partes com igual capacidade de firmá-lo; porém não é assim quanto às alianças divinas, porque D-us é quem toma a iniciativa, estipula as condições e faz uma solene promessa pela qual se prende voluntariamente em benefício do homem. Embora na aliança com Noé D-us se impôs a si mesmo a obrigação de guardar a aliança apesar dos fracassos do homem, em geral não é assim. D-us exige como contrapartida a fidelidade de seu povo. a desobediência de Israel podia romper o vínculo da aliança, pelo menos temporariamente.

5. Noé abençoa a Sem e Jafé: Gn. 9:18- 29.Noé, o homem justo perante o mundo, caiu no pecado de embriaguez em seu próprio lar. Os longos anos de fidelidade não garantem que o homem esteja imune a tentações novas. As diferentes reações dos filhos deram-lhe ocasião de amaldiçoar a Cam (Canaã - pode ser que estivesse seguindo os passos de seu pai, zombando dele) e abençoar a Jafé e a Sem (Origem dos Semitas - Hebreus).

Nota-se que a maldição se aplica a Canaã e aos cananeus somente e não aos outros filhos de Cam. Aparentemente, Canaã era o único filho que compartilhava a atitude desrespeitosa de seu pai. A maldição, portanto, não pode aplicar-se aos egípcios ou a outros camitas africanos.

Além do mais, é provável que os cananeus tenham sido amaldiçoados não tanto pelo pecado de Cam e de seu filho Canaã, mas pela notória impureza que caracterizaria os cananeus nos séculos vindouros. Os descendentes de Canaã radicaram-se na Palestina e na Fenícia (Gn.10:15-19), e eram notoriamente imorais. Olhando adiante, D-us viu o caráter que teriam e inspirou Noé a pronunciar seu castigo. D-us empregou uma nação semita, os hebreus, para retribuir-lhes a sua maldade mediante a conquista de Canaã por Josué. Em referencias posteriores aos juízos divinos sobre os cananeus, Moises o relaciona com a extrema impiedade deles (Gn. 15:16; 19:5; Lv. 20:2; Dt. 9:5).

A bênção sobre Sem, traduzida literalmente é: Bendito seja o Eterno, o D-us de Sem (9:26a) e implica que o Eterno seria o D-us dos semitas. Cumpriu-se notavelmente no povo hebreu, uma raça semita. Os descendentes de Jafé (os indo-europeus) seriam os hóspedes dos semitas, dando-lhes estes proteção e unindo-se, inclusive aos semitas, e se vê o primeiro anúncio da entrada dos gentios (Jafé) na comunidade cristã que nasceu dos hebreus (Sem).

6. Dispersão das nações: Gn. 10- 11.

a. Rol das nações: Gn.10. Se a promessa de redenção havia de ser realizada pela linhagem de Sem, por que o escritor sagrado dedicou tanto espaço traçando a origem das outras nações? Para demonstrar que a humanidade é uma: D-us “de um pó fez toda a gerações dos homens”. Também o escritor insinua que no plano de D-us as nações não seriam excluídas para sempre de sua misericórdia. Mediante o povo escolhido seriam benditas e viriam a ser participantes da comum redenção (redenção, ou salvação, para todos) .

Agrupam-se os povos não tanto por suas afinidades étnicas, mas segundo suas relações históricas e distribuição geográfica. Os descendentes de Jafé ocuparam a Ásia Menor e as ilhas do Mediterrâneo; formaram, inclusive, grupos como os celtas, citas, medos, persas e gregos. Os filhos de Cam povoaram as terras meridionais tais como: Egito, Etiópia, e Arábia. Canaã era o antigo povo da Palestina e Síria meridional antes da conquista dos hebreus. As nações semitas (elamitas, assírios, arameus e os antepassados dos hebreus) radicaram-se na Ásia, desde as praias do mar Mediterrâneo até o Oceano Índico, ocupando a maior parte do terreno entre Jafé e Cam.

Menciona-se a Ninrode como o fundador do império babilônico e construtor de Nínive e outras cidades (10:8- 12). Segundo Delitzsch, Ninrode significa “rebelar-nos-emos” e é possível que seus contemporâneos lho tenham atribuído por parecer mais um sobrenome que seu próprio nome. Destacou-se por ser o primeiro “poderoso na terra” (foi o primeiro potentado) e “poderoso caçador”. Alguns pensam que figurativamente significa que era “caçador de homens” (escravagista). Babel (Babilônia) veio a ser o símbolo do opressor do povo de D-us após o cativeiro babilônico. Alguns estudiosos julgam que Ninrode prefigura o homem iníquo que será o último e pior inimigo do povo de D-us.

b. A torre de Babel: Gn. 11:1- 19. A cidade de Babel foi edificada na planície que se encontra entre os rios Tigre e Eufrates. Por que desagradou a D-us a construção da torre de Babel?

. Os homens passaram por alto o mandamento de que deviam espalhar-se e encher a terra (9:1; 11:4); um dos motivos que os impulsionavam e pelo qual levaram a cabo a construção era que desejavam permanecer unidos. Sabiam que os edifícios permanentes e uma coletividade firmemente estabelecida produziria um modelo comum de vida que os ajudaria a permanecer juntos.

. Foram motivados pela intenção de exaltação pessoal (”façamo-nos um nome” - disseram) e de culto ao poder que posteriormente caracterizou Babilônia. Uma torre elevada e assim visível para todas as nações seria um símbolo de sua grandeza e de seu poder para dominar os habitantes da terra.

c. Excluíram a D-us de seus planos; ao glorificar seu próprio nome, esqueciam-se do nome de D-us, nome por excelência: o Eterno.

D-us desbaratou seus planos não só para frustrar-lhes o orgulho e independência, mas também para espalhá-los, afim de que povoassem a terra. Com escárnio se chama Babel (confusão) a cidade; originalmente queria dizer “Porta de D-us”. Por meio deste relato evidencia-se a insensatez de edificar sem D-us.

Tiramos deste tema uma grande lição: Quando os homens, motivados pelo orgulho, vangloriam-se de seu êxitos, nada resulta exceto divisão, confusão e falta de compreensão; mas quando se proclamam as obras maravilhosas de D-us, todo homem pode ouvir o outro em seu próprio idioma.

7. Genealogias de Sem e de Abraão: Gn. 11:10- 32. A história das nações gira agora em torno da genealogia dos semitas, a linhagem da promessa divina feita por meio de Noé (9:26a). Depois o horizonte se reduz aos antepassados de Abraão. Prepara-se, assim, o caminho para começar a história do povo escolhido de D-us.

A maioria dos estudiosos identifica a cidade natal de Abraão, Ur dos caldeus, com as ruínas de Mukayyar (montículo de betume) a 225 km ao sudeste da Babilônia. Estava sobre o rio Eufrates e se calcula que possuía 24.000 habitantes. Era a antiga capital da região civilizada e próspera da Suméria, considerada o berço da civilização. Era também o centro do culto imoral à deusa lunar Nanar-Sin. Ainda se vêem algumas ruínas de edifícios bem elaborados no local religioso da cidade. Entre eles está um zigurate (torre escalonada). Havia casas de dois pavimentos, possuíam sistemas de cloacas e também escolas. Têm sido achados no cemitério desta cidade tesouros que remontam a 3.000 anos. Existem provas, contudo, de outra Ur ao norte de Harã, situada onde se encontra a atual cidade de Edessa. Abraão, portanto, procedia de uma civilização altamente desenvolvida.

Shabat Shalom !

BERESHIT

BERESHIT! ( Gn.1:1- 6:8)

09 /10/2004 / 24 de Tishrei de 5765

Pela graça do Eterno, estamos iniciando o sexto ano de nossas atividades.

Semanalmente de uma forma ou outra temos trazido aos nossos visitantes, comentários das Parashot. A princípio, entendemos que as mesmas devem ser objetivas e de forma reduzidas, embora vez por outra tenham se alongado um pouco mais.

Excepcionalmente a Parashah Bereshit deste 5765, será um pouco mais longa, mas acredito que em muito irá contribuir. Pois Bereshit fala-nos da criação, abrangendo tudo que se possamos entender como criação concernente ao homem, ou seja, a criação Divina e as “criações” malignas do homem, pelo fato do mesmo possuir livre arbítrio e especialmente a “criação” do veículo para que o homem se recupere de forma definitiva junto ao Eterno, através de Mashiach.

Assim sendo, a Tanach (A Bíblia) revela ao homem os propósitos estabelecidos pelo Eterno, o Criador de todas as coisas, como a seguir veremos:

A. Seu propósito para a criação e a queda do homem

1. O fato básico. Gn.1:1.

No princípio criou D-us os céus e a terra.

2. A criação do homem. Gn.1:26.

E disse D-us: Façamos homem à nossa imagem segundo a nossa semelhança; e que domine sobre o peixe do mar e sobre a ave dos céus, e sobre o quadrúpede e em toda a terra, e em todo réptil que se arrasta sobre a terra!

3. Os detalhes da criação. Gn.2:7.

E formou, o Eterno D-us ao homem, pó da terra, e soprou em suas narinas o alento da vida; e foi o homem, alma viva.

4. À vontade do homem ou o seu direito de escolha (O mandamento – se você pecar, morrerá. Entendamos que há morte material e morte espiritual). Gn.2:17.

E da árvore do conhecimento, do bem e do mal não comerás dela; porque no dia em que comeres dela, morrerás.

5. A entrada do pecado. Gn.3:1-17.

a- A serpente dá início à dúvida. Gn.3:1.

E a serpente era astuta, mais do que qualquer animal do campo que fez o Eterno D-us. E disse para a mulher: Foi assim que D-us disse: Não comereis de toda árvore do Jardim?

b- A mulher torce as palavras Divinas. Gn.3:2,3.

E disse a mulher à serpente: Do fruto da árvore do jardim podemos comer; E do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse D-us, não comereis dele, nem tocareis nele, para que não morreis.

c- A serpente mente. Gn.3:4

E disse a serpente à mulher: Não morrereis!

d- A serpente apela ao orgulho. Gn.3:5.

Porque sabe D-us que, no dia em que comerdes dele, abrir-se-vos-ão os olhos e sereis como D-us, conhecedores do bem e do mal.

e- Tentação tripla. Gn.3:6

E viu a mulher que boa era a árvore para comer e que desejável era para os olhos e cobiçável a árvore para entender (o bem e o mal), e tomou do seu fruto e comeu; e deu também a seu marido, (que estava) com ela, e ele comeu.

Obs. Adão incorre em vários pecados, onde citamos o de conivência, e desobediência.

-1 Concupiscência da carne.
-2 Concupiscência dos olhos.
-3 Soberba da vida.

6. D-us vai à procura do homem. Gn.3:8,9.

E ouviram a voz do Eterno D-us que passeava no jardim, na direção (do por do sol) do dia, e esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Eterno D-us dentro da árvore do jardim. E chamou D-us ao homem e disse-lhe: Onde estás?

7. O homem encobre o pecado e esconde-se de D-us. Gn.3:10.

E disse: A tua voz ouvi no jardim, e temi porque estou nu; e escondi-me.

8. A maldição. Gn.3:14-19.

E disse o Eterno D-us a serpente: Porquanto fizeste isto, maldita és tu, mais que todo o quadrúpede e mais que todo animal do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. (E inimizade porei entre ti e a mulher, e entre a tua semente e entre a sua semente; ela te ferirá (socará) a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.) À mulher disse: Multiplicarei o teu sofrer e tua concepção; com dor, darás à luz, filhos; e para teu marido será o teu desejo e ele dominará em ti. E ao homem disse: porquanto escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo, não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; com fadiga comerás dela todos os dias de tua vida. Espinho e abrolho produzirá para ti e comerás a erva do campo. Com o suor de teu rosto comerás pão; até teu voltar para a terra, pois dela foste tomado; porquanto tu és pó, e ao pó hás de tornar.

9. A semente prometida para esmagar a serpente. Gn.3:15.

E inimizade porei entre ti e a mulher, e entre a tua semente e entre a sua semente; ela te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.

10. O primeiro sacrifício. Gn.3:21.

E fez o Eterno D-us para o homem e para sua mulher, túnicas de pele e os fez vestir.

B. O método divino para cobrir (kipur) o pecado.

- um animal inocente morto no lugar do homem culpado

1. O primeiro pecado - D-us forneceu um sacrifício animal. Gn.3:21.

E fez o Senhor D-us a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.

2. O sacrifico de Abel é aceito. Gn.4:4.

E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. E atentou o Senhor D-us para Abel e para a sua oferta,

3. Noé, um homem de sacrifício. Gn.8:20

E edificou Noé um altar ao Senhor D-us; e tomou de todo o animal limpo, e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar.

4. O altar de sacrifício de Abraão. Gn.12:7 e 22:13.

E apareceu o Senhor D-us a Abrão, e disse: A tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor D-us, que lhe aparecera.

Então levantou Abraão os seus olhos, e olhou, e eis um carneiro detrás dele, travado pelas suas pontas num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho.

5. Jacó e o holocausto de um cordeiro. Gn.31:54.

E sacrificou Jacó um sacrifício na montanha, e convidou seus irmãos, para comer pão; e comeram pão, e passaram a noite na montanha.

6. A Páscoa e o sacrifício de um cordeiro. Êx.12:3, 21, 26, 27.

Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: No dia dez deste mês, tome para si, cada homem, um cordeiro para cada família, um cordeiro para cada casa.

E chamou Moisés a todos os anciãos de Israel, e lhes disse: Tirai do rebanho ou comprai um cordeiro para vossas famílias, e sacrificai para a Páscoa.

E quando vos disserem vossos filhos: Que culto é este para vós?

Direis: Sacrifício de Páscoa é para o Eterno, que saltou sobre as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e as nossas casa livrou.E humilhou-se o povo, e curvou-se (adorou).

7. O Tabernáculo e o Templo, um centro de sacrifícios. Ex.29:38- 41; I Rs.8:63,64.

E isto é o que farás sobre o altar: cordeiros de um ano de idade, dois por dia, continuamente.

E ofereceu Salomão em sacrifício pacífico o que sacrificou ao Senhor D-us, vinte e duas mil vacas e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os filhos de Israel consagraram a casa do Senhor D-us.

No mesmo dia santificou o rei o meio do átrio que estava diante da casa do Senhor D-us; porquanto ali preparara os holocaustos e as ofertas com a gordura dos sacrifícios pacíficos, porque o altar de cobre que estava diante da face do Senhor D-us era muito pequeno para nela caberem os holocaustos, e as ofertas, e a gordura dos sacrifícios pacíficos.

Todo este contexto, se D-us assim permitir, estaremos enfocando no decorrer de 5765.

Shabat Shalom!