VAYESHEV

04.12.2001 / 21 de Kislev de 5765.

Parashah – VAYESHEV – Gn.37:1; 40:23.
Haftarah – Am.2:6; 3:8

Introdução à História de José: José é um dos mais atraentes personagens da Bíblia. O teólogo Ross observa que era um “idealista prático”, que no início de sua vida teve sonhos que o animaram e guiaram pelo resto de sua vida. Ele manifestou, talvez, o caráter mais correto de todas as pessoas descritas no Tanach. Nota-se a importância de José no fato de que a ele é dedicado quase tanto espaço no Livro de Gênesis quanto a Abraão. José é importante porque foi o elo entre a vida nômade dos hebreus em Canaã e sua vida sedentária no Egito.

D-us havia revelado a Abraão que sua descendência passaria quatro séculos em terra alheia (Gn.15:13-16). A paciência de D-us esperaria até que a maldade do amorreu chegasse ao ponto máximo antes de destruí-lo e entregar Canaã aos hebreus. É evidente também a necessidade de que Israel fosse para o Egito. A aliança matrimonial de Judah com uma Cananéia e sua conduta vergonhosa descrita no capítulo 38 indica-nos o perigo que havia em Canaã de que os hebreus se corrompessem por completo e perdessem seu caráter essencial. No Egito os hebreus não seriam tentados a casar-se com mulheres egípcias nem a se misturar com os egípcios, pois estes desprezavam os povos pastores (Gn.46:34). Além do mais, tão logo os cananeus reconhecessem os planos dos israelitas de estabelecerem-se permanentemente em Canaã e assenhorear-se da terra, tê-los-iam exterminados. Tal coisa não sucederia em Gósen. Ali, sob a proteção do poderoso Egito, os hebreus poderiam multiplicar-se e desenvolver-se até chegar a ser uma nação numerosa.

D-us usou a José como instrumento para levar a cabo o plano de transferir seu povo para o Egito. Em toda a vida de José destaca-se a providência divina. A palavra providência deriva do latim – providere: videre significa “ver” e pro “antes”. De modo que quer dizer “ver com antecedência” ou “prever”. D-us prevê, e com isso também prepara os passos necessários para realizar tudo o que Ele prevê. O dicionário de Aulete define providência como “A suprema sabedoria atribuída a D-us com que ele governa todas as coisas”, e mais adiante: “O próprio D-us, considerado como supremo árbitro do universo”. O dicionário de Aurélio diz: “A suprema sabedoria com que D-us conduz todas as coisas”. E por extensão: “O próprio D-us”. Em nenhum outro relato da Bíblia brilha mais a providência de D-us do que nesta história. Ele lança mão dos desígnios distorcidos dos homens e os converte em meios para efetuar seus planos (Gn.50:20).

A venda de José por seus irmãos: Gn.37. O primeiro passo para situar José no Egito foi ser ele vendido como escravo por seus irmãos invejosos. Seus irmãos odiavam-no por vários motivos:

a . José comunicou a seu pai o mal que se propalava a respeito de seus irmãos. Aos dezessete anos foi enviado a seus para aprender a pastorear ovelhas. A irreverência e a baixa moralidade deles escandalizaram-no. Os filhos mais velhos de Jacó haviam cedido a certas práticas pagãs, fato que se vê na conduta de Judah relatada no capítulo 38. Parece que entre os filhos de Jacó somente José manteve em alta conta as elevadas normas da religião do Eterno. Se José tivesse participado das conversações imundas e da conduta vulgar, eles o teriam aceitado como um deles.

b . Jacó amava-o mais do que a seus outros filhos. Pois José nasceu na velhice de Jacó e era o primogênito de sua esposa predileta, Raquel. Expressou abertamente seu favoritismo presenteando a José com uma túnica de cores que lhe chegava até aos calcanhares e mangas que iam até às palmas das mãos. Este tipo de vestimenta era usado pelos governantes, sacerdotes e outras pessoas de distinção que não tinham de trabalhar manualmente. A túnica dos operários e pastores não tinha mangas e mal chegava até ao joelho. Os irmãos teriam perguntado entre si: “Não se dará o caso de que nosso pai entregue a primogenitura a José, fazendo-o nosso chefe no culto e na guerra?” Jacó provocou, pois, a inveja de seus filhos mais velhos.

c . Ingenuamente José contou os sonhos que profetizavam que o restante de sua família se inclinaria diante dele da mesma forma que as pessoas prestavam homenagem aos reis naquele tempo. Em geral, não convém contar tais revelações até que se veja de que forma D-us as executará ou até que D-us mostre que devem ser contadas. Qual foi o propósito de D-us ao dar-lhe esses sonhos? Os sonhos deram a José a convicção de que D-us tinha algum alto propósito para a sua vida e mais tarde esses sonhos o sustentariam em seus longos anos de prova.

Ao enviar José a fim de obter informação acerca do bem-estar de seus irmãos, Jacó deu a estes a oportunidade que esperavam. Percebe-se, porém, que a mão de D-us o guiava mesmo no meio das más paixões de seus irmãos. Haviam-se transferido de Siquém até Dotã, situada dezoito quilômetros ao norte. Dotã é uma palavra que significa “poços gêmeos” e existe até hoje em Dotã excelente abastecimento de água. A importância da transferência deles reside em que Dotã estava na rota das caravanas que se dirigiam ao Egito. Rúben se interpôs com a intenção de salvar a José dos planos assassinos de seus irmãos. Como filho mais velho era responsável pela vida de José e parece haver tido maior consideração por seu pai do que os demais. Não obstante, por contemporizar com seus irmãos, Rúben perdeu a oportunidade de salvar a José. Os ismaelitas chegaram no momento oportuno. Desta forma D-us operou usando homens maus para levar José ao Egito.

A forma pela qual os irmãos atuaram mostra como a inveja e o ódio podem endurecer a consciência humana. Passaram por alto a angustia e os rogos do jovem (42:21), sentaram-se tranqüilamente para comer pão depois de lançar José na cisterna. Depois de vendê-lo, felicitavam a si mesmos, sem dúvida, por sua misericórdia e bom tino para negócios. Mais tarde enganaram cruelmente a seu velho pai. Ao apresentar a túnica manchada de sangue, disseram-lhe insensivelmente: “Conhece agora se esta será ou não a túnica de teu filho”, como se José não fosse irmão deles. O fato de que as Escrituras relatem com franqueza os detalhes feios dos fundadores das tribos de Israel é evidência de sua autenticidade e inspiração. As lendas de outros povos sempre atribuem a seus fundadores características heróicas, porém não reconhecem falhas neles.

A angústia inconsolável do velho pai não está à altura de um homem que havia lutado com D-us e havia prevalecido. Embora não seja errado expressar o pesar. Parece que Jacó se esqueceu dos sonhos de José e não buscou o consolo divino. Pelo contrário, Jacó sentiu a perda do único filho que havia prezado o espiritual e que o havia consolado com sua presença e amor após a trágica morte de sua querida esposa Raquel.

José na casa de Potifar: Gn.39.1-20. Os midianitas não venderam José a uma pessoa desconhecida que vivia em um lugar obscuro e distante da civilização. Ao invés disso, levaram-no à própria capital do Egito e o venderam a Potifar, capitão da guarda real, pessoa de influência na corte de Faraó. Assim José foi colocado onde se lhe ofereciam as melhores oportunidades de conhecer os costumes dos egípcios, de ser iniciado na arte de governar e, sobretudo, de ser introduzido na presença de Faraó.

A sorte que um escravo corria era muito dura, pois uma vez feito escravo, permanecia escravo para sempre. À parte disto, José teria sofrido dolorosamente a saudade da casa e a falta do carinho de seu pai. Não obstante, uma vez levado, não deu sinais de protesto. Consagrou-se de boa vontade a cumprir seus deveres de escravo. Destacou-se como jovem consciencioso, industrioso e digno de confiança. Quatro vezes se diz no capitulo 39: “o Eterno estava com José”. O teólogo F.B.Meyer observa: “O sentido da presença e proteção do D-us de seu pai penetrava em sua alma e a tranqüilizava, e o guarda em perfeita paz”. Reconhecendo que D-us fazia José prosperar, Potifar fê-lo administrador de sua casa.

A integridade que José manteve diante da tentação apresentada pela esposa de Potifar contrasta notavelmente com a conduta de Judah registrada no capítulo anterior, Judah era livre e de sua própria vontade incorreu no pecado em um lugar que ele pensava ser um santuário cananeu. Por sua parte, escravo, longe do lar, José tinha todo o pretexto para ceder à tentação, porém lançou mão de duas armas: a divina e a humana. “Como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra D-us?” Considerou esse ato de imoralidade como pecado contra seu senhor, contra a senhora, contra seu próprio corpo e sobretudo, contra D-us. Também usou a arma humana ao afastar-se dela e por fim fugiu quando a tentação se tornou forte. Ao ser caluniado, não reagiu acusando a mulher, nem ainda defendendo-se a si próprio. Parece que Potifar havia duvidado da verdade da acusação e se irou principalmente porque havia perdido um escravo tão bom. Em vez de matá-lo, que seria o castigo correspondente ao delito, Potifar impôs a José a pena mais leve possível em tais circunstâncias.

José na prisão: Gn.39:2 – 40:23. Depois de haver trabalhado com tanto afinco, sem queixas, e de haver chegado a um lugar de prestigio incomparável, José foi objeto de calunias e caiu ao ponto mais baixo e com menos esperança que a de um escravo. Mas José guardou silencio confiando sua causa às mãos de D-us e trabalhando serena e diligentemente. Por que D-us permitiu que José fosse encarcerado? Ali aprenderia muito dos altos personagens que compartilhavam a prisão com ele. Também o pesar e a privações, o jugo levado na juventude, tudo contribuiu para formar um caráter firme, paciente e maduro a fim de que José prestasse grandes serviços a D-us e aos homens quando chegasse o momento oportuno. Por último, sua estada no cárcere e sua faculdade de interpretar sonhos puseram-no em seu devido tempo em contato com Faraó.

Como deve ter brilhado o caráter de José no meio dos presos ressentidos e desanimados! Ele tinha consciência de que D-us o acompanhava e este era o segredo de seu êxito. O chefe da prisão notou sua industriosidade e sua responsabilidade e o encarregou do cuidado de toda a prisão e dos presos. No caso dos dois funcionários do rei que estavam presos, vemos que José não permitiu que sua triste situação pessoal despojasse seu coração de solicitude por outro ou o cegasse para as necessidades deles. Por sua comunhão com um D-us amoroso, estava cheio de compaixão. Interrogou o copeiro e o padeiro, que estavam perturbados, e então lhes afirmou que D-us tinha a interpretação de seus sonhos. Embora as interpretações divinamente dadas a José se cumprissem ao pé da letra, viu frustrada a sua esperanças de que o copeiro intercedesse por ele perante Faraó. A demora é, com freqüência, parte da disciplina divina. Por isso D-us demorou também a libertação de José par proporcionar-lhe um cumprimento maior dos sonhos que lhe dera muitos anos antes.

Shabat Shalom !

VAYISHLACH

27/11/2004 / 14 de Kislev de 5765.

Parashah – VAYISHLACH – Gn.32:4 – Gn.36:43.
Haftarah – Ob.1:1-21; Am.2:6-3:8.

Jacó envia mensageiros a Esaú :[/B] Jacó assustou-se ao ouvir que seu irmão ofendido vinha ao seu encontro com 400 homens (supõe-se que vinham armados). Não podia fugir, pois seus filhos e esposas o acompanhavam. Tomou precauções para que em caso de ataque não fossem destruídos. Enviou mensagens amistosas e depois andou astutamente presentes para apaziguar a ira de Esaú, porém seu irmão não lhe respondeu nem uma palavra sequer. Ao que parece, Jacó estava entre “a faca e a parede”. Orou de uma boa forma, lançando mão das promessas de D-us, reconhecendo sua própria indignidade e a fidelidade divina; mas não reconheceu a causa fundamental de suas dificuldades. Quis ver-se livre de Esaú, porém seu verdadeiro inimigo era ele próprio, Jacó. Foi faço que havia enganado e levantado obstáculos em seu próprio caminho. D-us quis livrá-lo de seu espírito egoísta e carnal antes de permitir-lhe entrar na terra prometida.

Na luta com o anjo junto ao ribeiro de Jaboque, aprecia-se em conjunto a vida de Jacó até esta altura. Sempre confiou em suas próprias forças, em sua astúcia e nas armas carnais e saíra vencedor. Agora de nada lhe serviam. Bastou um toque do anjo para que Jacó ficasse coxo e incapaz de continuar lutando. Lançou-se nos braços de D-us, não pedindo livramento de seu irmão nem de nenhuma outra coisa material, mas pedindo a bênção de D-us. Confessou que foi um “Jacó”, que foi um “suplantador”. Sua vitória foi à submissão a D-us.

O Anjo do Eterno mudou-lhe o nome e isto indica mudança de caráter (Gn.17:5).Agora é “o que luta com D-us” e o significado de seu novo nome dá a norma da maneira como venceu. Daqui para frente não era o enganador lutando astutamente com os homens, mas o homem que obtinha vitórias com D-us por meio da fé. Seu novo nome foi transmitido a seus descendentes, os quis foram chamados “israelitas” e “Israel” a nação da aliança. Sua coxeadura simbolizava a derrota de seu próprio eu, seu “espírito quebrantado” e um “coração quebrantado e contrito” (Sl.51:17).

Jacó estava agora preparado para entrar em Canaã. Possivelmente D-us tenha usado a manqueira de Jacó para tocar o coração de seu irmão Esaú de modo que este ao vê-lo manquitolando mudasse de atitude (era tradição poupar pessoas com defeitos físicos); parece que assim foi,porque toda a sua ira e ressentimento desapareceram.Os dois abraçaram-se e choraram. Ilustra-se a verdade de Pv.16:7 “Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Eterno, até a seus inimigos faz que tenha paz com ele.” Não obstante, Jacó prudentemente rejeitou a escolta oferecida por Esaú e foi por outro lado. Embora os dois irmãos se tenham reconciliado, eram muito diferentes em espírito e Carter; um era homem de mundo e o outro um servo de D-us. Convinha que estivessem separados.
Jacó e sua família na terra prometida: Gn.33:18- 36:43. Jacó havia prometido a D-us que voltaria a Betel (Gn.28:21)m porém foi somente até Siquém. Ali comprou uma propriedade bem perto da cidade cananéia e se radicou comodamente durante quase dez anos. Também edificou um altar, talvez para dar testemunho de que D-us havia sido fiel ao permitir-lhe regressar a Canaã e para expressar sua fé na promessa de possuir a terra da Palestina. Contudo, edificar um altar não compensava o descumprimento de não regressar a Betel.

Jacó pagou um elevado preço por não cumprir o voto, sua filha Dinah foi violentada e pela influência cananéia seus filhos Simeão e Levi converteram-se em seres cruéis, traidores e vingativos. É de estranhar que Jacó permitisse a união de seus filhos com as filhas do cananeus, porque eles deviam permanecer separados, visto que era o povo escolhido de D-us. A pouca autoridade que ele exercia em sua casa naquele tempo fica demonstrada pela forma de falar e atuar. O ultraje perpetuado contra os indefesos habitantes da cidade encheu o coração de Jacó com o temor de uma vingança coletiva dos cananeus, e isto o despertou para ouvir a voz de D-us que lhe ordenou a volta a Betel.

O patriarca respondeu imediatamente à ordem divina exortando sua família a remover todo indício do culto idólatra. Os pendentes (colares) às vezes indicavam seu determinado estado social ou elevado posto. Alguns tinham a figura de alguma divindade e os consideravam amuletos. Jacó não podia obedecer a D-us e adora-lo de todo o coração enquanto estes símbolos pagãos não fossem sepultados. Depois voltou a Betel. O Eterno interveio semeando terror nos corações do cananeus e protegendo assim a família de Jacó da vingança dos pagãos. Em Betel Jacó edificou um altar efetuando novamente suas primeiras obras. D-us manifestou-se a ele e lhe confirmou seu novo nome e as promessas do concerto. Depois ele se foi para Hebrom, lar de seu pai Itzak. Ali teve comunhão com D-us e algumas experiências tristes que o amadureceram espiritualmente, fazendo-o9 assim digno de seu nome “Israel”. Raquel, sua amada esposa, morreu no caminho para Hebrom. Ruben, seu filho mais velho, trouxe a vergonha ao pai cometendo incesto; por isso perdeu sua preeminência entre as tribos hebréias e esta passou para Judah (Gn.49:3-5). Itzak, seu velho pai, morreu também depois de haver vivido alguns anos com Jacó. Finalmente, José foi vendido enquanto Jacó residia em Hebrom.

Jacó e Esaú são visto junto pela ultima vez no enterro de seu pai Itzak. Esaú e seus descendentes ocuparam a aterra de Seir (vale entre o mar Morto, o golfo de Acaba e a região montanhosa situada em ambos os lados do vale). Assim se formou a nação de Edom. Depois do capitulo 36 já são se fala de Esaú. Ao longo da h9istória da nação de Israel, os edomitas foram seus perpétuos inimigos (Ob.10 – 14) e até foi edomita (idumeu) o rei Herodes.

A importância de Jacó: As lições que tiramos da vida de são as seguintes:

a – Exemplifica magnificamente a graça de D-us. A eleição de Jacó para continuar a linhagem messiânica e o concerto abrâmico não dependia do mérito humano mas da vontade de D-us. Era filho mais novo e tinha grave falha de caráter. D-us operou na vida de Jacó revelando-se a ele, guiando-o na casa de Labão (Gn.31:13), protegendo-o de Labão,e por fim transformando-o em Peniel. Tudo foi feito por graça.

b – Mostra que D-us usa os homens, tais quais ele são, para cumprir seus propósitos. Parece que D-us tem de fazer o melhor possível com o material que usa. Lançou mão de Jacó com todas as imperfeições deste, e fez dele um de seus grandes servos.

c – A luta com o anjo em Peniel ensina-nos que as vitórias espirituais não são ganhas por meios duvidosos tais como a força e a astúcia, mas aceitando a própria impotência e lançando-se nas mãos de D-us.

d – Ilustra a lei inexorável da semeadura e colheita, Jacó enganou a seu velho e cego pai, porem ele foi enganado Labão e, depois, cruelmente, por seus filhos, quando fizeram José desaparecer.

e – Nas famílias de Abraão e Itzak somente uma pessoa foi herdeira das promessas em cada família.Mas não houve eliminação de pessoas na de Jacó. Todos os filhos eram herdeiros da promessa e vieram a ser pais das doze tribos.

Um Shabat Shalom!

VAYTZE

20.11.2004 / 07 de Kislev de 5765.

Parashah – VAYTZE – Gn.28:10 –32:3.
Haftarah – Os.12:13-15; 13:1-15; 14:1-10.

O sonho de Jacó – No caminho para a casa de Labão, D-us deu a Jacó um sonho maravilhoso com o fim de animá-lo e firmar sua fé para que não vacilasse nos longos e duros anos vindouros. Na visão, a escada simbolizava que existia uma comunicação entre o céu e a terra, Jacó tinha o céu aberto. D-us ouviria suas orações e o ajudaria. Os anjos subiam e desciam pela escada como mensageiros e ministros do governo de D-us sobre a terra.

O Eterno confirmou a Jacó as promessas da aliança que seu pai havia feito ao abençoa-lo. Prometeu que o acompanharia, guardaria e traria de volta à terra prometida. Estaria com ele de forma ativa e contínua. Isto não significava que o Eterno aprovaria tudo quanto Jacó fizesse, mas que o acompanharia para levar a cabo completamente seu elevado propósito nele. A revelação divina em Betel era por pura graça. Jacó falhou muitas vezes, não obstante, havia algo nele que respondia a D-us e algo que D-us podia mudar.

Ao despertar, Jacó teve medo pensando que havia chegado por casualidade à habitação terrenal de D-us e à porta do céu. Depois seu temor se converteu em surpresa, pois reconheceu, de forma reverente, a presença de D-us. Ungiu uma pedra como um ato de culto a D-us e também para deixar um monumento recordatório do local que a visão santificou. Parece que Jacó procurou negociar com o Eterno (28:20,21), mas é pouco provável que fizesse tal coisa,pois foi movido pelo temor, reverencia e gratidão. Além do mais, tudo o que foi mencionado por Jacó em 28:20,21, D-us já lhe havia prometido em termos gerais (28:15). Admirado, Jacó respondeu às promessas divinas dizendo que se D-us ia fazer tudo isto por ele, não lhe restava nada mais senão adora-lo.

Jacó na casa de Labão – Gn.29-30. Os vinte anos que Jacó passou na casa de Labão foram difíceis. Labão empregou contra Jacó a velha arma do engano que o próprio Jacó anteriormente havia utilizado. D-us usou as experiências destes anos como uma escola para disciplinar e preparar Jacó a fim de que este fosse herdeiro das promessas da aliança.

Na providência de D-us, o primeiro membro da família com que Jacó se encontrou foi a formosa Taque. Parece que a amou desde o primeiro momento de seu encontro. Dado que Jacó não tinha dinheiro para compra-la como noiva. Pagaria seu preço com o trabalho. O grande valor que Jacó atribuía a Raquel, o trabalho de sete anos que “foram aos seus olhos como poucos dias” e a intensidade de seu amor jorram luz sobre o caráter do patriarca. Pelo fato de ser enganado por Labão, Jacó certamente compreendeu como Esaú se sentiu ao reconhecer que havia perdido a bênção que considerava caber-lhe; Jacó não protestou muito, provavelmente porque viu nisso a retribuição de D-us.Em vez de receber a amada Raquel, havia casado com leia que ra menos atraente. Depois de uma semana também Raquel lhe foi dada por esposa, mas teve de trabalhar mias outros sete anos, sem receber salário.

O casamento com as duas irmãs trouxe consigo dificuldades, ciúmes e conflitos. Tais matrimônios não foram proibidos até a promulgação da lei de Levítico 18:18. Da união polígama saíramos os pais das doze tribos de Israel, D-us demonstrou seu desagrado pelo tato que Jacó deu a Léia, fazendo Raquel estéril e Léia fecunda. À desprezada esposa devem sua origem seis das tribos e entre elas a de Judá. O que a Jacó parecia um ardil cruel, era realmente um grande meio de bênção.

A rivalidade entre Léia e Raquel explica os nomes de seus filhos, já que estes foram dados de acordo com as circunstancias ou sentimentos das mães:

Ruben significa eis um filho
Simeão “ ouviu
Levi “ unido
Judá “ louvor
Dã “ juiz ou julgou
Naftali “ minha luta
Gade “ afortunado
Aser “ bem-aventurança ou feliz
Issacar “ galardão
Zebulom “ morada
José “ acréscimo
Benjamim “ filho da mão direita

Os últimos dois filhos foram de Raquel; Benjamim nasceu anos mais tarde na terra de Canaã (35:16-20).

Durante os quatorze anos que Jacó serviu a Labão para conseguir a Raquel, D-us abençoou a Labão por causa de seu genro. Jacó quis voltar a Canaã, porém seu sogro instou com ele para que ficasse, prometendo pagar-lhe como ele quisesse. Impressionou-o o fato de que o Eterno estava com Jacó, porém ele próprio não buscou a D-us, antes pensou em beneficiar-se da relação entre seu genro e o Eterno. Jacó pediu para si o gado anormal (ovelhas negras e cabras malhadas), pois a cor normal das ovelhas era branca e a das cabras, preta. Labão acreditou estar fazendo um ótimo negócio e agiu com astúcia e prontidão mandando para longe os animais que proporcionariam a Jacó um aumento de salário. Nos anos seguintes mudou repetidamente a forma de pagamento, mas com a ajuda do Eterno Jacó ia tomando o pagamento de seu sogro. Jacó atribuiu a um sonho divino a ciência de como fecundar o gado para produzir mais com o qual Labão lhe havia atribuído, porém é melhor considerar que D-us operou um milagre para frustrar a esperteza de Labão e abençoar a Jacó. Assim foi que Jacó prosperou grandemente a expensas de seu sogro e este minguou.

Jacó volta à terra prometida: - Gn.31.1- 32:3. Depois de passar vinte anos na casa de Labão, Jacó viu que era tempo de sair de Padã-Arã. Como Jacó prosperava, Labão e seus filhos começaram a sentir inveja. D-us interveio e ordenou a Jacó que voltasse à terra prometida. Raquel e Léia deram seu consentimento à decisão de Jacó. Lembraram-se de que Labão havia exigido quatorze anos de trabalho de trabalho de Jacó como preço de suas filhas e não havia dado a elas o dote correspondente às noivas; elas já não estimavam a Labão. Antes de partir, Raquel furtou algumas pequenas imagens familiares (terafim) pertencentes a seu pai mediante as quis esperava reclamar sua herança, segundo o costume da época. Parece que Raquel não respeitava muito os terafins pois sentou-se sobre eles havendo-os escondido debaixo da albarda de seu camelo (31:43). Jacó se esquivou clandestinamente, por temor. Preocupado principalmente com o furto dos ídolos, Labão o perseguiu mas o Eterno advertiu-o de que não fizesse mal algum ao seu genro.

O pacto que Labão e Jacó fizeram demonstra que não confiavam um no outro. Levantaram uma pedra como sinal que servisse de limite entre os dois, fizeram um montão que serviria de testemunho do pacto e invocaram a D-us para que atuasse como sentinela vigiando por um e por outro enquanto estivessem separados.

Jacó não estava em condições de voltar à terra prometida e receber as promessas do pacto de seu pai Itzak; apesar disso, D-us o abençoou no caminho. Animou-o com uma visão de anjos protetores. Jacó chamou ao lugar “Maanaim”, palavra que significa “dois acampamentos”; um era seu próprio e indefeso acampamento e o outro do eterno, que rodeava ao de Jacó com sua presença e poder. O lugar de Maanaim ficou compreendido depois no limite entre Manassés e Gade e foi uma cidade de refúgio (Js.21:38).

Shabat Shalom !

TOLDOT

13.11.2004 / 07 de Kislev 5765.

Parashah –TOLDOT – Gn.25:19 – 28:9.
Haftarah – Ml.1:1- 2:7.

Itzak passou a maior parte de sua vida no sul da Palestina, nas cercanias de Gerar, Reobote e Bersheva. Era homem dado à meditação, conciliador, tranqüilo e até passivo. Sua vida parece ser ”apenas um eco da de seu pai”. Cometeu seus mesmos erros, porém buscou a D-us. Com a exceção do capítulo 26, Itzak sempre ocupa lugar secundário no relato do Gênesis. Não obstante, foi homem de fé e obediência. Cumpriu o propósito de D-us para sua vida sendo guardião de suas promessas e transmitindo-as a Jacó. Foi “um elo necessário” para cumprir o pacto feito com Abraão.

Nascimento de Jacó e Esaú, e a rivalidade entre ambos: (Gn.25:19-34). Rebeca era estéril. Ao comparar-se o versículo 20 com o 26, vê-se que transcorreram 20 anos entre o casamento de Itzak com Rebeca e o nascimento de Esaú e Jacó. À semelhança do nascimento de José, de Sansão e de Samuel, o dos gêmeos ocorreu depois de um longo período de tristeza e oração. Foi dada a Rebeca a profecia de que os dois filhos seriam fundadores de duas nações antagônicas: a nação que descenderia do mais velho serviria à nação do mais novo, ou dela dependeria. Neste caso D-us trocou o costume daquele tempo que favorecia o filho mais velho.

O termo “Esaú” significa cabeludo e é o mesmo patriarca que depois é chamado “Edom”, ou seja, vermelho, por haver comido um guisado avermelhado (25:30). Esaú foi o antepassado dos edomitas que ocuparam a região ao oriente de Judá. A palavra “Jacó” significa o que segura pelo calcanhar, porém mais tarde Esaú o interpretou como o suplantador (27:36). Esaú converteu-se em hábil caçador seguindo uma vocação aloucada em emoções e aventuras. Era impulsivo e até generoso, mas sem domínio próprio e incapaz de apreciar os valores espirituais. É uma amostra do caráter do homem natural. Em notável contraste com Esaú, Jacó era homem pacífico que amava a vida do lar, eficiente no manejo dos assuntos da família, porém interesseiro, ardiloso e astuto no trato com os demais. Apesar disto, preocupava-o espiritualmente. A diferença entre os dois acentuava-se pelo fato dos pais mostrarem parcialidade, cada qual por um dos filhos e não aturem como “uma só carne”. O casamento planejado no céu não foi um êxito absoluto na terra porque os esposos falharam.

A venda da primogenitura por um prato de lentilhas revela que Esaú não atribuía valor algum a ela, porque não tinha ideal fora da satisfação física imediata. Posteriormente desprezou o conceito de separação que seus pais tinham e se casou com uma pagã hetéia (26:34). É denominado “profano”, porque significa carente de espiritualidade. Por outro lado, Jacó anelava o espiritual, mas se enganou ao supor que era preciso algum ardil humano para colaborar com D-us no cumprimento de sua promessa. Os direitos e privilégios do primogênito, em geral abrangiam uma porção dupla da herança e da chefia da família durante a guerra e no culto. Neste caso incluía velar pelo pacto e perpetuar a linha messiânica.

Tábuas encontradas em Nuzu indicam que naquele tempo a primogenitura era transferível, e em um contrato dessa natureza um irmão pagou três ovelhas para receber uma parte da herança.

Itzak abençoado em Gerar: (Gn.26). Este capítulo registra três tentações que Itzak teve de enfrentar: abandonar a terra prometida em um período de fome, simular que Rebeca não era sua esposa em um momento de perigo, e reagir violentamente à provocação dos filisteus. Falhou em uma das provas (segunda), porém saiu vitorioso nas outras duas. Por que D-us permitiu que ele fosse tentado da mesma maneira em que o fora Abraão? Quis dar-lhe a oportunidade de demonstrar se dependia da fé que seu pai possuía ou estava disposto a confiar nele mesmo, implicitamente, em D-us. Tinha de aprender as lições de fé e consagração. Cada nova geração tem de aprender por experiência própria o que D-us pode fazer por ela.
O mesmo temor de uma fome terrível em Canaã, que apanhou a Abraão de surpresa na geração anterior, por pouco não afligiu a Itzak e o tentou a seguir o exemplo de seu pai. Mas o Eterno apareceu a Itzak e advertiu-o de que não se mudasse para o Egito. As promessas que lhe fez era simplesmente uma repetição das já feitas a Abraão (26:2-5). Rejeitaria Itzak a perspectiva de beneficiar-se da abundância do Egito para alcançar as bênçãos invisíveis do futuro distante? Estaria disposto a perder as riquezas que seu pai havia acumulado? Atribuiria valor supremo ao espiritual?

Itzak demonstrou que tinha a mesma índole de fé que Abraão, morando como estrangeiro na terra prometida. Sem dúvida alguma, perdeu muitas riquezas, mas D-us empregou estas perdas pra ensinar-lhe lições espirituais. Depois da prova, o Eterno o enriqueceu com uma colheita extraordinária e o abençoou (26:12,13). Como Salomão, Itzak podia dizer: A benção do Eterno é que enriquece. (Pr.10:22).

Na segunda prova, Itzak cometeu o mesmo pecado em que seu pai havia caído, ao fingir que Rebeca era sua irmã. Abimeleque descobriu-o brincando com sua esposa e esse descuido foi à evidência que D-us usou para proteger Rebeca. O Abimeleque deste relato não era o Abimeleque da época de Abraão, pois parece que este nome era um título dinástico dos filisteus dessa região.

Os filisteus eram um povo comerciante do mar Mediterrâneo; a Palestina derivou deles o seu nome. Os filisteus da região de Gerar são provavelmente um dos primeiros habitantes que se estabeleceram em Canaã e não eram tão belicosos quanto os filisteus que viveram ali posteriormente.

A paciência de Itzak foi grandemente recompensada por D-us. Teve a paz que desejava, não no estreito vale onde encontrou o primeiro poço, mas em um vale amplo e extenso onde havia muito território para ocupar. D-us apareceu-lhe, confirmando-lhe o pacto. Itzak enriqueceu sua vida espiritual edificando um altar e invocando o nome do Eterno. Seus velhos inimigos procedentes de Gerar viram que o Eterno o estava abençoando. Chegaram procurando fazer aliança com ele e deram um extraordinário testemunho deste pacificador (26:28). O relato nos mostra, pois, que D-us permite que seus filhos sofram perdas para dar-lhes algo melhor e para que se destaque seu caráter no caráter deles.

Jacó suplanta Esaú: Gn.27:1-40. O complô de Itzak para entregar a benção a Esaú e a contra-artimanha de Rebeca e Jacó põem em relevo a carnalidade da família toda. Cegado pelos impulsos carnais e pela parcialidade, Itzak estava decidido a dar a Esaú o que ele sabia não pertencer ao filho mais velho, segundo a profecia (25:23). Esaú, por sua vez, estava disposto a receber o que havia vendido por um prato de lentilhas. Rebeca e Jacó não estavam dispostos a deixar a situação nas mãos de D-us, nem a confiar que Ele fosse capaz de cumprir a promessa, mas quiseram contribuir com seus métodos carnais para a solução do problema. Como resultado, todos sofreram. Ao compreender que D-us havia prevalecido sobre seus planos, Itzak se estremeceu. Esaú desiludiu-se e se amargurou contra Jacó. Devido às ameaças formuladas por Esaú, Jacó teve de imediatamente abandonara o lar que ele tanto amava e dirigir-se a uma terra estanha. Aqui sofreu muito sob a mão corretora do Eterno. Rebeca, por sua vez, teve de despedir-se do filho amado para não mais vê-lo; morreu antes que ele voltasse.

É interessante analisar as três bênçãos que Itzak pronunciou:

a. A benção transmitida a Jacó (27:27-29), revela que Itzak pensava na parte material que Esaú desejava, pois não mencionou as promessas mais importantes que D-us havia feito a Abraão. Pediu somente a riqueza que nasce dos campos, o senhorio sobre seus irmãos e sobre os cananeus.

[/b]b. A bênção dada a Esaú (27:39) referia-se principalmente aos descendentes deste: os emitas. Estes habitariam onde era difícil cultivar a terra, fora da Palestina fértil. Transformariam suas relhas de arado em espadas para viver da rapina como bandoleiros. Se se submetessem Israel seriam libertados dessa situação. Historicamente se cumpriu, pois Israel dominou a Edom desde a monarquia em diante (Nm.24:18; II Sm.8:13,14; I Rs,11:15,16) e Edom se livrou de Israel pouco a pouco (II Rs.8:20-22; Ez.35:3).

c. A bênção que Itzak transmitiu a Jacó quando este estava para dirigir-se a Padã-Arã (28:3,4) foi a verdadeira bênção de Abraão porque incluiu tanto a terra como a descendência. Na visão de Betel, D-us mesmo acrescentou a promessa messiânica (28:14). Desde esse tempo Jacó foi o herdeiro da Aliança.

Jacó vai a Mesopotâmia: Gn.27:41 – 28:9. Motivada em parte pelo medo do que pudesse Esaú fazer a Jacó se este permanecesse em casa e em parte pelo interesse de que Jacó não se casasse com uma cananéia, Rebeca animou Itzak a enviar Jacó à casa de Labão em Padã-Arã. Quando Jacó deixou a casa, Itzak animou-o comunicando-lhe a bênção da aliança e aconselhado-o a buscar uma esposa que fosse digna de compartilhar as bênçãos Divinas.

Atentando para todo o enredo, tiramos uma bela lição, não desvirtuarmos em hipótese alguma daquilo que escrito está, devemos apenas fazer e viver nos caminhos que o Eterno já delineou.

Shabat Shalom !