SHEMINI

2.04.2005 / 22 de Adar II de 5765.

Parashah – Lv.9:1- 11:47.
Haftarah – II Sm.6:1- 7: 17.

E foi no oitavo dia que Moises chamou Aarão e seus filhos, e aos anciãos de Israel, e disse a Aarão: - Toma para ti um bezerro, como oferta de pecado e um carneiro, como holocausto, sem defeito, e oferece-os diante do Eterno. (Lv.9:1, 2).

Segundo o que nos determinou o Eterno, só Aarão e seus descendentes é que oficiam as ofertas de holocausto, por que então convidar os anciãos de Israel para partilharem deste momento, se não lhes cabia tal tarefa sacerdotal?

Segundo o Midrash, a razão de tal ordenança de convocar os anciãos, era uma forma de honrar os mais velhos, o que é uma tradição judaica. Segundo expressão de alguns rabinos, o povo de Israel é como um pássaro, pois assim como as asas são para voarem, os anciãos de Israel são para serem consultados, pois em toda a história de Israel, sempre os anciãos foram consultados e levada em conta a sua larga experiência. No conceito do Rabi Iosef, somente o sábio deve ser chamado de zaken (velho), mesmo que ele tenha pouca idade.

Como lição fica claro que é um ato de gratidão, reconhecimento, louvor, respeitarmos o ancião, pois é uma forma não só de amarmos a D-us, mas especialmente buscarmos santidade, amando o próximo (no caso em foco o ancião) como a nós mesmos e a D-us sobre todas as demais coisas.

Ao iniciarmos a leitura do capitulo décimo do Livro de Levítico, nos deparamos com o relato da trágica morte dos filhos de Aarão, Nadab e Abihú. A morte foi o fruto da frontal desobediência dos mesmos para com D-us, pois ofereceram ao Eterno um fogo estranho. O acontecido com os filhos de Aarão serve-nos de lição, pois muitas vezes temos oferecido “fogo estranho” ao Eterno.

Tal fogo estranho infelizmente é muito presente entre o povo judeu em nossos dias, pois praticamos atos que colidem com os ensinamentos da Torah, ou Ela mudou? Creio que a Palavra do Eterno foi, é e será Eternamente. Acreditamos que tal atitude é a falta da leitura atenta das parashot, não só em hebraico, mas principalmente na língua portuguesa para que todos entendam e reconheçam quão longe estão dos preceitos do Eterno e voltem-se urgentemente para a vida Santa que o Eterno deseja de cada um de nós, “portanto vós vos santificareis, e sereis santos, porque Eu Sou Santo” Lv.11:44.

Shabat Shalom!

RESSURGIMENTO DO JUDAÍSMO NA RÚSSIA

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Tzav

26.03.2005 / 15 de Adar II de 5765.

Parashah – TZAV – Lv. 6:1- 8:36
Haftarah – Jr. 7:21- 34; 8:1- 3; 11: 22,23

Enfoques do Livro de Levítico, sobre o tema dos Sacrifícios:

SACRIFÍCIOS

Como a revelação era o meio que D-us usava para aproximar-se de seu povo, assim o sacrifício era o meio pelo qual o povo podia aproximar-se de D-us. O Senhor ordenou: Ninguém aparecerá vazio diante de mim (Ex.34:20; Dt.16:16). Como se originou a idéia do sacrifício? O sistema sacrifical foi instituído por D-us para ligar a nação israelita a Ele próprio. Não obstante, os sacrifícios remontam ao período primitivo da raça humana. Menciona-se o ato pela primeira vez em Gn. 4, no caso de Caim e Abel. Provavelmente D-us mesmo ensinou aos homens a oferecerem sacrifícios como meio de aproximar-se Dele. A idéia ficou gravada na mente humana e o costume foi transmitido a toda a humanidade. Com o transcorrer do tempo, os sacrifícios oferecidos pelos que não conheciam a D-us uniram-se a costumes pagãos e a idéias corruptas como, por exemplo, o conceito de que os deuses literalmente comiam o fumo e o odor do sacrifício.

Não se sabe se os israelitas, antes de chegarem ao Sinai, conheciam e distinguiam claramente os diversos tipos de ofertas. Como nação liberta da escravidão do Egito, já como povo da aliança, Israel recebeu instruções específicas com respeito aos sacrifícios.

O Sistema Mosaico de Sacrifícios.

1. Idéias relacionadas com o sacrifício:

a) O motivo básico dos sacrifícios é a substituição, e seu fim é a expiação. O pecado é sumamente grave porque é contra D-us. Além do mais, D-us “é tão puro de olhos que não pode ver o mal” (Habacuque 1:13). O homem que peca merece a morte. D-us propiciou que em seu lugar, morra um animal inocente, esta morte cancela ou retira o pecado.

No texto de Lv. 17:11 temos o texto-chave quanto à expiação: “A alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas”. Isso quer dizer que D-us designou o sangue como sacrifício, provendo assim a forma de atender a necessidade do homem.

Que significa sangue? Ele é considerado o princípio vital. Não tem significado em si mesmo senão como símbolo e demonstração de que se tirou a vida de um animal inocente para pagar pelos pecados do culpado. Portanto, o sangue usado na expiação simboliza uma vida oferecida na morte. Ao espargir sangue sobre pessoas ou coisas, mostra-se que a elas se aplicam os méritos dessa morte.

Esta possibilidade de alcançar a expiação do pecado mediante um sacrifício substitutivo evidencia a graça Divina e constituía o coração da aliança. Sem possibilidade de expiação, a lei permaneceria esplêndida, porém inatingível. Serviria apenas para condenar o homem, deixando-o frustrado e desesperado. Se não fosse pelos sacrifícios, ficaria anulada toda a possibilidade de que o homem se aproximasse de D-us. A idéia de um D-us Santo e o Concerto seriam uma desilusão. Por mais que o homem se esforçasse por cumprir a lei, fracassaria por sua fraqueza moral. Por isso, enquanto a lei revela as exigências da santidade de D-us, a expiação por meio do sacrifício manifesta a graça Divina que cumpre as exigências de D-us.

b) A segunda idéia relacionada com o sacrifício é a consagração. Ao colocar as mãos sobre o animal antes de degolá-lo, o ofertante identifica-se com o animal. Oferecida sobre o altar, a vítima representa aquele que a oferece e indica que o ofertante pertence a D-us.

c) A idéia de mordomia ou administração dos bens materiais também se vê na lei, por exemplo, em certas ofertas de alimentos e no fato de que a melhor parte do animal era queimada sobre o altar. Ao devolver a D-us uma porção dos bens que lhe custaram tempo e trabalho, o ofertante reconhece que tudo é do Senhor D-us.

d) Também está presente a idéia de jubilosa comunhão com D-us nas ofertas de paz, pois o ofertante participa da carne sacrificada em um banquete sagrado.

e) Naturalmente se encontra também a idéia de adoração ao sistema sacrifical. Sacrificar equivale a “prestar culto a D-us, atribuindo-lhe glória por ser o D-us de quem dependemos e a Quem devemos culto e submissão”.

Com o transcorrer do tempo, os israelitas chegaram a atuar como se o que importasse para D-us fossem os próprios sacrifícios em lugar do coração do ofertante. O Salmista David e os profetas procuraram inculcar no povo a verdade de que D-us não se contenta com as vítimas oferecidas quando faltam o arrependimento, a fé, a justiça e a piedade naqueles que as oferecem (I Sm. 15:22; Sl. 51:16, 17; Is. 1:11- 17; Mq. 6:6- 8) .

2. Tipo de animais que se ofereciam:

A lei não admitia mais do que estas cinco espécies de animais como aptas para o sacrifício: a vaca, a ovelha, a cabra, a pomba e a rola. Estes eram animais limpos; o animal imundo não podia ser símbolo do sacrifício santo.

Só eram sacrificados animais domésticos porque eram estimados por seus donos, caros e submissos. De outro modo não poderia ser figuras profética daquele que “como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is. 53:7). O animal tinha de ser propriedade do ofertante. Finalmente, deveria ser sem mancha, simbolizando desse modo o Redentor sem mácula.

3. A forma em que se ofereciam os sacrifícios:

Os passos no ato do sacrifício eram:

a) O ofertante levava pessoalmente o animal à porta da cerca do tabernáculo onde estava o altar do holocausto.

b) Depois o ofertante punha as mãos sobre o animal para indicar que este era seu substituto. Em determinados sacrifícios este ato indicava a transferência dos pecados para o animal, e em outros, a dedicação da própria pessoa mediante seu substituto; podia, também, indicar ambas as coisas.

c) O ofertante o degolava como sinal da justa paga de seus pecados. A seguir, o sacerdote derramava o sangue sobre o altar.

d) Segundo o tipo de sacrifício, todo o animal, ou uma parte dele era queimado; o restante da vítima era comido na arca do tabernáculo pelos sacerdotes e suas famílias ou, no caso do sacrifício pacífico, pelos sacerdotes e pelos adoradores.

Shabat Shalom !

VAYIKRA

19.03.2005 / 8 de Adar II de 5765.

Parashah – VAYIKRA – Lv. 1:1 – 5:26
Haftarah – Is. 43:21 – 44:23

Ao iniciarmos a leitura do livro de Levítico, faremos uma breve introdução ao citado livro.

1. Título e caráter: Em hebraico o terceiro livro da Torah é o Vayikrah, que na versão grega este livro recebeu o nome de Levítico porque ele trata das leis relacionadas com os ritos, sacrifícios e serviços do Sacerdócio Levítico. Nem todos os homens da tribo de Levi eram sacerdotes; o termo “levita” referia-se aos leigos que faziam o trabalho manual do tabernáculo. O livro não trata destes “levitas”, porém o título não é completamente inadequado porque todos os sacerdotes eram efetivamente da tribo de Levi.
Embora o livro de Levítico tenha sido escrito principalmente como manual dos sacerdotes, encontra-se muitas vezes a ordenança de D-us: “Fala aos filhos de Israel”, de modo que contém muitos ensinamentos para toda a nação. As leis que se encontram em Levítico foram dadas pelo próprio D-us (ver Lv.1:1; Nm. 7:89; Ex. 25:1), de modo que têm um caráter elevado.
2. Relação com Êxodo e com Números:
A revelação que encontra em Levítico foi entregue a Moisés quando Israel ainda se acampava diante do monte Sinai. Segue o fio da última parte de Êxodo, a qual descreve o Tabernáculo. A seguir, Números continua com o conteúdo de Levítico. Assim, os três livros formam um conjunto e estão estreitamente relacionados entre si. Todavia, Levítico difere dos outros dois em que é quase totalmente legislativo. Narra apenas três acontecimentos históricos: a investidura dos sacerdotes (capítulos 8 e 9), o pecado e castigo de Nadabe e Abiú (capítulo 10) e o castigo de um blasfemo ( 24:10-14,23).
3. Propósito e aplicação:
Assim como Êxodo tem por tema a comunhão que D-us oferece a seu povo mediante sua presença no tabernáculo, Levítico apresenta as leis pelas quais Israel haveria de manter essa comunhão. O Senhor D-us queria ensinar a seu povo a santificar-se. A palavra santificação significa aparta-se do mal e dedicar-se ao serviço de D-us. É condição necessária para desfrutar-se da comunhão com D-us. As leis e as instituições de Levítico faziam os israelitas tomarem consciência de sua pecaminosidade e de sua necessidade de receber a misericórdia Divina; ao mesmo tempo, o sistema de sacrifícios ensinava-lhes que o próprio D-us provia o meio de expiar seus pecados e de santificar sua vida. D-us é Santo e seu povo há de ser santo também. Israel deve ser diferente das outras nações e deve separar-se de seus costumes. “Não fareis segundo as obras da terra do Egito nem fareis segundo as obras da terra de Canaã”. O pensamento chave encontra-se em “Santo sereis porque Eu, o Senhor vosso D-us, sou Santo”. A palavra santo aparece setenta e três vezes no livro. O tabernáculo e seus móveis eram santos, santos os sacerdotes, santas as suas vestimentas, santas as ofertas, santas as festas, e tudo eram santo para que Israel fosse santo. Nota-se a Santidade Divina no castigo do pecado de Nadabe e Abiú e o do blasfemo. A Santidade de D-us impõe leis concernentes às ofertas, ao alimento, à purificação, à castidade, às festividades e outras cerimônias. Somente por seus mediadores, os sacerdotes, pode um povo pecaminoso aproximar-se do D-us Santo. Tudo isto ensinou aos hebreus que o pecado é que afasta o homem de D-us, que D-us exige a santidade e que só o sangue espargido sobre o altar pode expiar a culpa. De modo que Levítico fala de santidade, mas ao mesmo tempo fala da graça, ou possibilidade de obterem o perdão por meio de sacrifícios.
4. Significado e valor:
Embora Levítico pareça árido e pouco interessante a muitos leitores, o livro tem grande significado e valor quando bem compreendido.
a)
Proporciona-nos um antecedente que torna compreensíveis outros livros do Tanach (Bíblia). Se alguém deseja entender as referências aos sacrifícios, às cerimônias de purificação, às instituições tais como o sacerdócio ou as convocações sagradas, é necessário consultar o livro de Levítico. Os profetas destacados, Isaías, Jeremias e Ezequiel em suas visões contemplavam verdades permanentes dadas por via do simbolismo do Templo, das ofertas, das festas e das pessoas sagradas.
b)
Levítico apresenta princípios elevados da religião. As leis e cerimônias de Levítico mostram como D-us opera para remover o pecado mediante o sacrifício e a purificação, como D-us atua contra pecados sociais por meio do ano sabático e do ano do jubileu, e como Ele enfrenta a imoralidade por meio de leis de castidade e também mediante promessas e ameaças. É notável que em Levítico se encontra o sublime preceito “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
c)
Finalmente, este livro tinha o propósito de preparar a mente humana para as grandes verdades. Os sacrifícios da aliança, especialmente o do grande dia de expiação.
5. Conteúdo e métodos de estudar o Levítico:
Este estudo da Torah (Pentateuco) afastou-se mais de uma vez do método ‘capítulo por capítulo’ ao fazer sua exposição. Em seu lugar, desenvolveu temas na forma lógica e sistemática. O estudo de Levítico segue este método e não somente reúne material de várias partes do livro para desenvolver os temas, mas também emprega seções de Êxodo para completar o quadro de Levítico.

Shabat Shalom !

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