TOLEDOT

03.12.2005 / 2 de Kislev 5766.

Parashah –TOLEDOT – Gn.25:19 – 28:9.
Haftarah – Ml.1:1- 2:7.

Itzak passou a maior parte de sua vida no sul da Palestina, nas cercanias de Gerar, Reobote e Bersheva. Era homem dado à meditação, conciliador, tranqüilo e até passivo. Sua vida parece ser ”apenas um eco da de seu pai”. Cometeu seus mesmos erros, porém buscou a D-us. Com a exceção do capitulo 26, Itzak sempre ocupa lugar secundário no relato do Gênesis. Não obstante, foi homem de fé e obediência. Cumpriu o propósito de D-us para sua vida sendo guardião de suas promessas e transmitindo-as a Jacó. Foi “um elo necessário” para cumprir o pacto feito com Abraão.

Nascimento de Jacó e Esaú, e a rivalidade entre ambos: (Gn.25:19-34). Rebeca era estéril. Ao comparar-se o versículo 20 com o 26, vê-se que transcorreram 20 anos entre o casamento de Itzak com Rebeca e o nascimento de Esaú e Jacó. À semelhança do nascimento de José, de Sansão e de Samuel, o dos gêmeos ocorreu depois de um longo período de tristeza e oração. Foi dada a Rebeca a profecia de que os dois filhos seriam fundadores de duas nações antagônicas: a nação que descenderia do mais velho serviria à nação do mais novo, ou dela dependeria. Neste caso D-us trocou o costume daquele tempo que favorecia o filho mais velho.

O termo “Esaú” significa cabeludo e é o mesmo patriarca que depois de chamado “Edom”, ou seja, vermelho, por haver comido um guisado avermelhado (25:30). Esaú foi o antepassado dos edomitas que ocuparam a região ao oriente de Judá. A palavra “Jacó” significa o que segura pelo calcanhar, porém mais tarde Esaú o interpretou como o suplantador (27:36). Esaú converteu-se em hábil caçador seguindo uma vocação aloucada em emoções e aventuras. Era impulsivo e até generoso, mas sem domínio-próprio e incapaz de apreciar os valores espirituais. É uma amostra do caráter do homem natural. Em notável contraste com Esaú, Jacó era homem pacifico que amava a vida do lar, eficiente no manejo dos assuntos da família, porém interesseiro, ardiloso e astuto no trato com os demais. Apesar disto, preocupava-o espiritual. A diferença entre os dois acentuava-se pelo fato de os pais mostrarem parcialidade, cada qual por um dos filhos e não aturem como “uma só carne”. O casamento planejado no céu não foi um êxito absoluto na terra porque os esposos falharam.

A venda da primogenitura por um prato de lentilhas revela que Esaú não atribuía valor algum a ela, porque não tinha ideal fora da satisfação física imediata. Posteriormente desprezou o conceito de separação que seus pais tinham e se casou com uma pagã hetéia (26:34). É denominado “profano”, porque significa carente de espiritualidade. Por outro lado, Jacó anelava o espiritual, mas se enganou ao supor que era preciso algum ardil humano para colaborar com D-us no cumprimento de sua promessa. Os direitos e privilégios do primogênito, em geral abrangiam uma porção dupla da herança e da chefia da família durante a guerra e no culto. Neste caso incluía velar pelo pacto e perpetuar a linha messiânica.

Tabuas encontradas em Nuzu indicam que naquele tempo a primogenitura era transferível, e em um contrato dessa natureza um irmão pagou três ovelhas para receber uma parte da herança.

Itzak abençoado em Gerar: (Gn.26). Este capítulo registra três tentações que Itzak teve de enfrentar: abandonar a terra prometida em um período de fome, simular que Rebeca não era sua esposa em um momento de perigo, e reagir violentamente à provocação dos filisteus. Falhou em uma das provas (segunda), porém saiu vitorioso nas outras duas. Por que D-us permitiu que ele fosse tentado da mesma maneira em que o fora Abraão? Quis dar-lhe a oportunidade de demonstrar se dependia da fé que seu pai possuía ou estava disposto a confiar ele mesmo, implicitamente, em D-us. Tinha de aprender as lições de fé e consagração. Cada nova geração tem de aprender por experiência própria o que D-us pode fazer por ela.

O mesmo temor de uma fome terrível em Canaã, que apanhou a Abraão de surpresa na geração anterior, por pouco não afligiu a Itzak e o tentou a seguir o exemplo de seu pai. Mas o Eterno apareceu a Itzak e advertiu-o de que não se mudasse para o Egito. As promessas que lhe fez era simplesmente uma repetição das já feitas a Abraão (26:2-5). Rejeitaria Itzak a perspectiva de beneficiar-se da abundancia do Egito para alcançar as bênçãos invisíveis do futuro distante? Estaria disposto a perder as riquezas que seu pai havia acumulado? Atribuiria valor supremo ao espiritual?

Itzak demonstrou que tinha a mesma índole de fé que Abraão, morando como estrangeiro na terra prometida. Sem dúvida alguma, perdeu muitas riquezas, mas D-us empregou estas perdas pra ensinar-lhe lições espirituais. Depois da prova, o Eterno o enriqueceu com uma colheita extraordinária e o abençoou (26:12,13). Como Salomão, Itzak podia dizer: A benção do Eterno é que enriquece. (Pr.10:22).

Na segunda prova, Itzak cometeu o mesmo pecado em que seu pai havia caído, ao fingir que Rebeca era sua irmã. Abimeleque descobriu-o brincando dom sua esposa e esse descuido foi à evidência que D-us usou para proteger Rebeca. O Abimeleque deste relato não era o Abimeleque da época de Abraão, pois parece que este nome era um título dinástico dos filisteus dessa região.

Os filisteus eram um povo comerciante do mar Mediterrâneo; a Palestina derivou deles o seu nome. Os filisteus da região de Gerar são provavelmente um dos primeiros habitantes que se estabeleceram em Canaã e não eram tão belicosos quanto os filisteus que viveram ali posteriormente.

A paciência de Itzak foi grandemente recompensada por D-us. Teve a paz que desejava, não no estreito vale onde encontrou o primeiro poço, mas em um vale amplo e extenso onde havia muito território para ocupar. D-us apareceu-lhe, confirmando-lhe o pacto. Itzak enriqueceu sua vida espiritual edificando um altar e invocando o nome do Eterno. Seus velhos inimigos procedentes de Gerar viram que o Eterno o estava abençoando. Chegaram procurando fazer aliança com ele e deram um extraordinário testemunho deste pacificador (26:28). O relato nos mostra, pois, que D-us permite que seus filhos sofram perdas para dar-lhes algo melhor e para que se destaque seu caráter no caráter deles.

Jacó suplanta Esaú: Gn.27:1-40. O complô de Itzak para entregar a benção a Esaú e a contra-artimanha de Rebeca e Jacó põem em relevo a carnalidade da família toda. Cegado pelos impulsos carnais e pela parcialidade, Itzak estava decidido a dar a Esaú o que ele sabia não pertencer ao filho mais velho, segundo a profecia (25:23). Esaú, por sua vez, estava disposto a receber o que havia vendido por um prato de lentilhas. Rebeca e Jacó não estavam dispostos a deixar a situação nas mãos de D-us, nem a confiar que Ele fosse capaz de cumprir a promessa, mas quiseram contribuir com seus métodos carnais para a solução do problema. Como resultado, todos sofreram. Ao compreender que D-us havia prevalecido sobre seus planos, Itzak se estremeceu. Esaú desiludiu-se e se amargurou contra Jacó. Devido às ameaças formuladas por Esaú, Jacó teve de imediatamente abandonara o lar que ele tanto amava e dirigir-se a uma terra estanha. Aqui sofreu muito sob a mão corretora do Éter. Rebeca, por sua vez, teve de despedir-se do filho amado para não mais vê-lo; morreu antes que ele voltasse.

É interessante analisar as três bênçãos que Itzak pronunciou:

a. A benção transmitida a Jacó (27:27-29), revela que Itzak pensava na parte material que Esaú desejava, pois não mencionou as promessas mais importantes que D-us havia feito a Abraão. Pediu somente a riqueza que nasce dos campos, o senhorio sobre seus irmãos e sobre os cananeus.

b. A benção dada a Esaú (27:39) referia-se principalmente aos descendentes deste: os emitas. Estes habitariam onde era difícil cultivar a terra, fora da Palestina fértil. Transformariam suas relhas de arado em espadas para viver da rapina como bandoleiros. Se se submetessem Israel seriam libertados dessa situação. Historicamente se cumpriu, pois Israel dominou a Edom desde a monarquia em diante (Nm.24:18; II Sm.8:13,14; I Rs,11?:15,16) e Edom se livrou de Israel pouco a pouco (II Rs.8:20-22; Ez.35:3).

c. A bênção que Itzak transmitiu a Jacó quando este estava para dirigir-se a Padã-Arã (28:3,4) foi a verdadeira bênção de Abraão porque incluiu tanto a terra como a descendência. Na visão de Betel, D-us mesmo acrescentou a promessa messiânica (28:14). Desde esse tempo Jacó foi o herdeiro da Aliança.

Jacó vai a Mesopotâmia: Gn.27:41 – 28:9. Motivada em parte pelo medo do que pudesse Esaú fazer a Jacó se este permanecesse em casa e em parte pelo interesse de que Jacó não se casasse com uma cananéia, Rebeca animou Itzak a enviar Jacó à casa de Labão em Padã-Arã. Quando Jacó deixou a casa, Itzak animou-o comunicando-lhe a bênção da aliança e aconselhado-o a buscar uma esposa que fosse digna de compartilhar as bênçãos divinas.

Atentando para todo o enredo, tiramos uma bela lição, não desvirtuarmos em hipótese alguma aquilo que escrito está, devemos apenas fazer e viver nos caminhos que o Eterno já delineou.

Shabat Shalom !

CHAYÊ-SARAH

26.11.2005 / 24 de Cheshvan de 5766.

Parashah - CHAYÊ-SARAH – Gn.23:1- Gn.25:18.
Haftarah – I Rs.1:1- 31.

Morte e sepultura de Sarah[/b]

Sarah é a única mulher da Tanach de quem se menciona a idade que tinha ao morrer. Por que se dedica tanto espaço o seu falecimento e sepultura? Tinha a mesma fé que Abraão e é a mãe do povo eleito, por isso merece lugar de importância nas Escrituras.

O principal significado deste capítulo reside no fato de que ao comprar Abraão a sepultura para Sarah demonstrou que acreditava que seus descendentes herdariam Canaã. Não enviaria o corpo ao sepulcro familiar na Mesopotâmia, pois nesse caso seu túmulo não estaria na residência permanente dos descendentes.

A primeira propriedade que os patriarcas adquiriram em Canaã foi um cemitério. Ali foram sepultados Sara, Abraão, Itzak, Rebeca e Lia. Jacó, estando no Egito, expressou o desejo de ser sepultado em Hebron (49:29- 32); seu desejo foi acatado e seus filhos realizaram uma peregrinação especial aquele lugar. Por esta causa Macpela veio a ser o centro da terra prometida; o símbolo da posse da terra pelo povo escolhido.

Todos os pormenores do negócio da compra do lote de Macpela correspondem exatamente às leis já conhecidas dos heteus; mencionam-se as árvores, pesa-se a prata segundo as medidas da época e as testemunhas anunciam a compra na porta da cidade. O costume heteu era enterrar os membros da família em uma cova ou em perfurações feitas na rocha. Atualmente se encontra uma mesquita muçulmana no local que tradicionalmente se atribui à cova de Macpela.

Abraão procura esposa para Itzak

Chegada à hora em que Itzak devia casar-se, ocorreu na vida de Abraão outra oportunidade para exercitar sua fé. Segundo os costumes daquele tempo, cabia a Abraão fazer os arranjos para o casamento de seu filho.

Era muito importante que Itzak, como herdeiro da promessa, se casasse com uma mulher que valorizasse o pacto de D-us. Abraão queria que a futura esposa de Itzak fosse de sua parentela e não uma das cananéias pagãs. Abraão não enviou Itzak à Mesopotâmia provavelmente porque não quis que seu filho fosse tentado a ficar ali e abandonar a terra prometida. Portanto, enviou para lá seu criado mais antigo e fiel, que provavelmente era Eliêzer (15:2). Nas palavras de Abraão diz a seu servo, nota-se a confiança implícita do patriarca em D-us: “Ele enviará o seu anjo diante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho” (24:7). A história é tão importante, que no livro de Gênesis ocupa o capitulo mais longo.

Podemos tirar algumas lições praticas do capitulo 24:

- É responsabilidade dos pais procurarem que seus filhos se casem no círculo da mesma profissão de fé e de acordo com a vontade do Eterno.

- A oração deve ocupar um lugar importante ao cominar um matrimônio. Há amplos indícios de que Abraão e Itzak oraram ao Eterno, pedindo a direção e vida longa.

A prece do mordomo pedindo direção é muito instrutiva. Propôs um sinal que em si mesmo demonstraria que a jovem era uma pessoa digna. Rebeca era, em realidade, melhor do que ele havia pedido. Não era somente hospitaleira e bondosa, mas extraordinariamente bela e pura. Além disso, era uma mulher de caráter, que não vacilou quanto a fazer a vontade de D-us (24:58). Creu e de boa vontade se ofereceu a ir para um país distante a fim de casar-se com um homem ao qual nuca tinha visto. Quando Rebeca divisou o que seria seu futuro lar, Itzak encontrava-se no campo meditando, talvez orando para que D-us desse êxito a seu servo na missão encomendada. Ela aproximou-se de Itzak com humildade e respeito (24:65). Itzak recebeu-a com igual cortesia e respeito dando-lhe o lugar de honra na tenda de sua mãe. Casaram-se e Itzak amou-ª podemos afirmar que foi um casamento planejado no céu.

A Morte de Abraão

O fato de que Abraão, cujo corpo já estava “amortecido”, tenha podido gerar mais seis filhos com Quetura indica que recebeu novos poderes procriadores ao gerar Itzak. Os filhos dessa união vieram a ser ascendentes de algumas tribos árabes, as quais se radicaram mormente no norte e noroeste da Arábia. Assim Abraão foi pai de muitas nações. O último ato de Abraão foi entregar a Itzak tudo quanto tinha, fazendo-o desse modo herdeiro das promessas.

Abrão morreu aos 175 anos. “Foi congregado ao seu povo; e sepultaram-no Itzak e Ismael. . . na cova de Macpela (25:8). Posto que o povo de Abraão houvesse sido sepultado na Mesopotâmia, a frase “Foi congregado ao seu povo” não se refere ao local de sua sepultura, mas ao encontro com seus antepassados na habitação dos espíritos dos mortos, chamado Seol. Isto nos ensina que existia a esperança da imortalidade neste ponto da história bíblica

Em termos gerais, Abraão foi o maior, o mais puro e o mais venerável dos patriarcas. Era “amigo de D-us” e “pai dos adoradores do Eterno”, generoso, desprendido, um caráter magnífico e um homem cuja fé em D-us não tinha limites, e tudo isto, na vizinhança e ambiente de Sodoma e Gomorra.

Um Shabat Shalom!

VAYERA

19.11.2005 / 17 de Cheshvan de 5766

Parashah – VAYERA – Gn.18:1- 22:24.
Haftarah – II Rs.4:1- 37

A destruição de Sodoma e livramento de Lot: Gn.18:16- 19:38. O pecado dos sodomitas havia chegado ao máximo e D-us estava preste a castigá-los. O Eterno revelou a Abraão que havia resolvido destruir Sodoma e Gomorra.

Por que D-us comunicou seu plano a Abraão? Em virtude de Abraão haver-se feito amigo de D-us e de manter comunhão com e Ele, foi que lhe deu uma antecipação de seu propósito. Os amigos compartilham os segredos entre si e “o segredo do Eterno é para os que o temem” Sl.25:14. Também era necessário que Abraão compreendesse que a destruição das cidades não era um acidente natural, mas o juízo divino sobre a repugnante imundície dos pecadores que nelas habitavam, para poder inculcar em seus descendentes o temor de D-us, pois a recompensa (o salário) do pecado é a morte.

A intercessão de Abraão põe em relevo que o amigo de D-us era-o também dos homens. Indiscutivelmente lhe daria asco a impureza dos habitantes destas cidades ao sul do mar Morto e se sentiria como um estranho entre eles, não obstante, a comunhão com D-us havia despertado nele um profundo amor ao próximo.

Em sua intercessão, Abraão apresentou o problema de todas as épocas: como podia o justo Juiz castigar os bons juntamente com os maus? Uma nota da bíblia de Jerusalém observa: “Sendo forte, no antigo Israel, o sentimento da responsabilidade coletiva, não cabe aqui a pergunta se os justos poderiam ser individualmente poupados”, Visto que todos haveriam de sofrer a mesma sorte, Abraão perguntou se acaso a presença dos justos não afastaria o juízo dos culpados. D-us respondeu afirmativamente, porém não havia sequer dez justos em Sodoma.

A intercessão de Abraão pode servir-nos de modelo. O patriarca combinou nesta intercessão a intrepidez com reverência, considerou o caráter de D-us e sua justiça e persistiu intercedendo até obter a certeza de que D-us perdoaria a cidade se houvesse nela dez justos. Depois deixou os resultados nas mãos de D-us. Embora D-us não tenha salvado a Sodoma, respondeu libertando a Lot e sua família.

O “justo” Lot foi afligido pela manhã pela má conduta dos sodomitas. Não obstante, podia-se encontrá-lo sentado à porta da cidade, isto é, imiscuía-se nos negócios e ouvia as palavras obscenas do povo. Também permitiu que suas filhas desposassem homens de Sodoma. Assim foi cedendo mais e mais. Não pode convencer seus futuros genros de que D-us julgaria o pecado. Demorou e vacilou. Sentia-se tão apegado aos benefícios materiais que nem mesmo a ameaça do enxofre e do fogo o fez capacitar-se. Abraão, pelo contrário, havia aprendido a desfrutar das coisas materiais, mas sem esquecer-se da esperança espiritual.

Por que a esposa de Lot olhou para trás? Porque seu tesouro estava em Sodoma; ali também estava seu coração. Parece que se atrasou na planície de Sodoma e ali foi alcançada pela chuva destruidora. Provavelmente se formou sobre seu corpo uma crosta de sal e ficou ali convertida em estatua como advertência às pessoas cujos corações estão no mundo. A destruição de Sodoma é também uma advertência de que D-us não suporta indefinidamente a maldade.

Em ambos os lados do mar Morto existem ainda jazidas de petróleo que se derretem e arde. Na mesma área foi encontrada também uma camada de sal misturas com enxofre. Conjetura-se que D-us acendeu os gases para produzir uma explosão enorme, e que assim sal e enxofre foram atirados sobre a cidade de modo que literalmente choveu enxofre e fogo, do Eterno desde os céus. Ainda há colunas de sal nas cercanias do extremo sul do mar Morto, As quais recebem o nome de “esposa de Lot”. Atualmente o local das cidades julgadas está coberto pelas águas do mar Morto.

Pobre Lot! Perdeu a esposa e o lar; suas filhas se corromperam e mediante um truque por elas planejado, Lot veio a ser o antepassado incestuoso dos grandes inimigos de Israel; os moabitas e os amonitas. Estes povos foram notórios por suas ambições idolatras e constituíram o perigo de contagio para Israel através dos séculos. Nm:25:1- 3; Rs.11:7. Lot é uma amostra do homem carnal que procura ganhar o mundo e ao mesmo tempo reter o espiritual. Perdeu tudo, salvo sua própria alma.

Abraão e Abimeleque: Gn.20. Abraão, movido pelo temor recorreu ao engano como havia feito no Egito. Pôs assim em perigo o cumprimento do plano da redenção. Alguns crêem que este relato não se encontra em correta ordem cronológica, pois a esta altura Sara teria noventa anos. É possível que haja ocorrido nos primeiros anos em que o casal se encontrava em Canaan. D-us denomina a Abraão ”profeta” (20:7) não no sentido de ser como os outros profetas da Tanach, mas porque tinha relações privilegiadas com D-us e era um poderoso intercessor. Neste capitulo encontra-se a primeira referência à cura divina como respostas à oração (20:7).

Nascimento de Itzak, expulsão de Ismael: Gn. 21. O Eterno recompensou grandemente a fé que Abraão demonstrou durante os vinte e cinco anos de sua peregrinação a Canaan. Também interveio milagrosamente para dar-lhe um filho. O nome Itzak, dado ao recém nascido, que parecia uma censura ao riso incrédulo do velho casal, agora tem novo significado: era o riso de alegria por ter um filho.

A presença de Itzak no lar trouxe outra prova para o patriarca, Ismael, que teria aproximadamente dezesseis anos, demonstrou seu caráter zombando de Itzak. Parece que foi motivado por sua incredulidade e inveja. Sara percebeu que a natureza do rapaz não concordava com o espírito de fé prevalecente na família. As duas linhagens tinham de estar marcadamente separadas. Sara pediu ao seu marido que expulsasse a Ismael. Era penoso para Abraão fazê-lo, mas D-us o consolava dizendo-lhe que por meio de Itzak viria sua descendência. Além do mais, por amor a Abraão D-us cuidaria do jovem e sua descendência formaria uma grande nação.

Hagar e Ismael aprenderam que embora expulsos das tendas e sem proteção de Abraão, não estavam por isso alijados da solicitude de D-us. Ele estava com Ismael e cuidou dele em sua juventude, possibilitando assim o cumprimento da promessa que ele mesmo fizera de que por meio de Ismael faria uma grande nação. Não se afastou da família de Abraão.

O incidente pelo qual os filisteus fizeram aliança com Abraão demonstra claramente que este, com a benção de D-us chegara a ser um personagem de grande importância e influência aos olhos dos senhores pagãos. Estes reconheceram que D-us estava com ele em tudo quanto fazia (21:22). Desejavam sua boa vontade e ser seus aliados. Este relato salienta também a importância dos poços naquela região aonde a quantidade de chuva chega a ser de 100 mm durante o mês de janeiro e diminui até chegar a nada nos quatro meses do verão. A posse dos poços seriam no futuro motivo de rixas entre os filisteus e Itzak (Gn.26:17-0 33).

O sacrifício de Itzak: Gn:22. O pedido do Eterno de que Abraão oferecesse a Itzak como sacrifício foi a prova suprema da fé do patriarca. Podemos observar que lhe era difícil porque:

a – A alma de Abraão se desfazia ante o conflito de seu amor paternal e a obediência a D-us.

b – Parecia-lhe estranho porque Abraão já sabia que não agradava a D-us o conceito pagão de ganhar o favor dos deuses sacrificando seres humanos.

c – D-us não lhe deu razão alguma que apoiasse seu pedido como havia feito quando animou a Abraão a expulsar a Ismael.

d – O pedido era contrário a promessa de que somente por Itzak se formaria a nação escolhida, pois no entender humano D-us estava contra D-us, fé contra fé e promessa contra ordem.

O propósito da prova era aumentar a fé que Abraão tinha, dar-lhe à oportunidade de alcançar uma vitória maior e receber uma revelação mais profunda ainda de D-us e de seu plano. D-us não tentou a Abraão como algumas versões bíblicas traduzem Gn.22:1. A tentação é demoníaca e tem o propósito de conduzir o homem ao pecado. Ao contrário, D-us prova o homem para dar-lhe a oportunidade de demonstrar sua obediência e crescer espiritualmente. Antes de expor Abraão à prova final, havia-o submetido a uma longa preparação.

Embora Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de D-us, obedeceu imediatamente. Parece que enquanto caminhava para o monte Moriá meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar Itzak e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Teria pensado que a solução era crer que mesmo quando atravessasse com o cutelo o coração de Itzak e acendesse o fogo para que o corpo de seu filho fosse reduzido a cinzas, D-us ressuscitaria a Itzak do montão de cinzas. Por isso, ao deixar seus criados, disse-lhes que tornariam a eles (22:5). Crer no poder divino para ressuscitar os mortos foi o auge de sua fé.Tal tipo de fé é indispensável para alcançarmos a redenção.

O que aconteceu depois mostra-nos que D-us não quer que lhe ofereçamos um corpo morto, mas um sacrifício vivo, uma vida consagrada a Ele. Não estendas a tua mão sobre o moço . . . porquanto agora sei que temes a D-us, e não me negaste o teu filho, o teu único. Tudo o que D-us queria era a rendição de Abraão, um sacrifício em espírito. Queria que Abraão mostrasse que amava mais a D-us que a seu próprio filho e as promessas feitas. Exige D-us de nós algo que Ele próprio não esteja disposto a dar? Abraão teve sua fé grandemente recompensada. Recebeu a seu filho simbolicamente dentre os mortos e dali em diante esse filho lhe foi mais precioso que nunca. Da mesma forma, o que entregamos a D-us Ele no-lo devolve muito mais enriquecido e elevado que antes.

Shabat Shalom!

NOACH

05.11.2005 / 03 de Tishrei de 5766

Parashah: NOACH - Gn. 6:9- 11:32.
Haftarah - Is. 54:1- 55:5.

1. A corrupção da humanidade e a dor Divina: Gn. 6:1- 8. Com o transcorrer do tempo, a separação entre os descendentes de Set e os de Caim cessou por causa do casamento das duas linhagens (6:2). A união dos piedosos com mulheres incrédulas foi motivada pela atração física de tais mulheres.

Sem mães piedosas, a descendência de Set degenerou-se espiritualmente.

Os filhos dos casamentos mistos eram “gigantes” (pessoas extraordinárias) e parece que se destacavam pela violência. Exaltavam-se a si mesmos cada um procurando ser valente (herói) e também varão de renome. Corromperam a terra com sua imoralidade. Chegou o momento quando a família de Noé foi a única que cumpria as normas morais e espirituais de D-us. Parece que o anjo do mal (satanás), ao ver que não pode destruir a linha messiânica pela força bruta no caso de Abel, agora procura extingui-la mediante casamentos mistos; e por pouco não teve êxito.

A corrupção e violência dos homens doeram a D-us e lhe pesava havê-los criado. Determinou D-us destruírem a perversa geração. Horton observa que sua ira procedeu de um coração quebrantado. D-us concedeu a estes homens um prazo de 120 anos pra arrepender-se (6:3). Depois, se não o fizessem, retiraria deles seu espírito.

O propósito do dilúvio era tanto destrutivo como construtivo. A linhagem da mulher corria o perigo de desaparecer completamente pela maldade. Por isso D-us exterminou a incorrigível raça velha para estabelecer uma nova. O dilúvio foi também o juízo contra uma geração que havia rejeitado totalmente a justiça e a verdade. Isto nos ensina que a paciência de D-us tem limites.

2. Noé constrói a arca: Gn. 6:9- 22. Noé constrói um raio de esperança em uma época sombria. Seu pai Lameque provavelmente entesourava em seu coração a promessa de Gn. 3:15, pois deu o nome de Noé (descanso, consolo) a seu filho na esperança de que este viesse a ser um libertador (5:29), mas nunca sonhou de que maneira o Eterno cumpriria seu desejo expresso.

Noé destaca-se na Tanach como um dos mais completos varões de D-us. Somente ele, entre seus contemporâneos, achou a graça e o favor de D-us em forma pessoal (6:9), isto é, obteve uma amizade com D-us e desfrutou da comunhão Divina. Noé era justo e reto (6:9), uma pessoa de conduta irrepreensível, de integridade moral e espiritual no meio de uma geração perversa. Finalmente, era um proclamador da justiça. O segredo de seu caráter e constância encontra-se em seu andar diário com o Eterno.

D-us revelou a Noé seu plano de destruir a raça corrupta e de salvá-lo junto com sua família e, por ele, a humanidade inteira. Noé viria a ser o segundo pai da raça. Recebeu diretriz para a construção de uma nave flutuante bem proporcionada que seria o veículo de escape. Segundo certos cálculos, a arca teria 135m de comprimento, 22,5m de largura e 13,5m de altura e correspondia em tamanho a um transatlântico moderno. Constava de três pavimentos divididos em compartimentos e uma abertura de 45 cm de altura em volta, localizada entre espaços de parede na parte superior; acredita-se que tinha a forma de um caixão alongado. Alguns estudiosos calculam que a arca teria capacidade para 7.000 espécies de animais.

“Pela fé Noé. . . preparou a arca”. A Palavra de D-us foi a garantia única de que viria o dilúvio. Deve ter sido um projeto enorme e de longa duração construir e armazenar os alimentos necessários. Enquanto construía a nave, Noé propagava a necessidade da teshuvah, mas ninguém quis dar-lhe atenção. Sem dúvida alguma Noé e seus filhos eram alvos de incessantes zombarias, porém não vacilaram em sua fé. Acentua-se sua completa obediência: “conforme a tudo o que D-us lhe mandou, assim o fez” (6:22; 7:5).

3. D-us limpa a terra com o dilúvio: Gn. 7:1- 8:14. Sete dias antes de começar o dilúvio, D-us mandou que Noé, sua família e os animais entrassem na arca. Possivelmente D-us tenha feito que os animais pressentissem a iminente catástrofe e se tornassem mansos. Noé devia levar na arca um casal de animais de cada espécie (6:19) e sete casais dos animais limpos (7:2); os adicionais provavelmente era para fornecer carne e animais para o sacrifício. Supõe-se que a maioria dos animais estava invernando enquanto permaneciam na arca.

“O Eterno fechou a porta” (7:16). Significa que o período de graça (benevolência do Eterno para com o homem) já havia terminado; isto nos fala de redenção e juízo. Noé ficou dentro, protegido, e os pecadores impenitentes fora, expostos ao juízo. (Fato semelhante houve quando da décima praga sobre o Egito).

“Romperam-se todas as fontes do grande abismo e as janelas dos céus foram abertas” (7:11). Parece indicar que se produziram terremotos e estes fizeram que subissem impetuosamente as águas subterrâneas enquanto caiam chuvas torrenciais. Pensa-se que a terra, ao fender-se, produziu alterações nas suas superfície. Alguns crêem que estes verdadeiros cataclismos tenham sido acompanhados de gigantescos maremotos que atravessaram os oceanos e continentes até que nada restou da civilização daquele tempo. Foi um juízo cabal contra o mundo pecaminoso. Depois, D-us enviou um vento para fazer baixar as águas. Cinco meses após o começo do dilúvio, a arca pousou sobre o monte Ararate, porém Noé não saiu em seguida porque obedientemente esperou até receber a permissão divina. Ele e sua família permaneceram na arca aproximadamente um ano solar.

Qual foi a extensão do dilúvio? Foi universal ou limitado à área dos Oriente Médio? O Gênesis diz que as águas cobriram as montanhas mais altas e destruíram toda a criatura (fora da arca), sob os céus (7:19 - 23). Não obstante, há diferença de opiniões entre eruditos. Alguns pensam que se refere somente à terra habitada daquele tempo, pois o propósito divino era destruir a humanidade pecaminosa. Dizem que o uso bíblico da expressão “toda a terra” amiúde significa a terra conhecida pelo autor (Gn. 41:57; Dt. 2:25).

Por outro lado, os que crêem que o dilúvio foi universal notam que o relato bíblico emprega expressões fortes e as repete dando a impressão de um dilúvio universal. Pergunta: Qual era a extensão da população humana? Parece-lhes possível que esta se houvesse estendido até a Europa e África. Além do mais, certos estudiosos crêem que as grandes mudanças na crosta terrestre, repentinas e drásticas alterações no clima de áreas geográficas, como Alasca e Sibéria, podem ser atribuídas ao dilúvio. Talvez, com o transcurso do tempo, os geólogos encontrem evidencias conclusivas para determinar qual seja a interpretação correta.

São encontradas em diferentes continentes, tradições que aludem a um grande dilúvio, inclusive detalhes da destruição de toda a humanidade, exceto uma única família e a escapatória em um barco. A famosa epopéia Gilgames, poema babilônico, contém muitas semelhanças com o relato bíblico, embora seja politeísta em seu enfoque. Parece que o dilúvio deixou uma impressão indelével na memória da raça, e que as tradições, por mais corrompidas que estejam, testificam do fato que houve um dilúvio.

4. Estabelece-se a nova ordem do mundo: Gn. 8:15- 9:17. Ao sair da arca, Noé entrou em um mundo purificado pelo juízo de D-us; figurativamente era uma nova criação e a humanidade começaria de novo. A primeira coisa que Noé fez foi oferecer um grande sacrifício a D-us como sinal de sua gratidão pelo grande livramento passado e como consagração de sua vida a D-us para o futuro.

D-us estabeleceu a nova ordem dando provisões básicas pelas quais a vida do homem se regeria na terra depois do dilúvio:

. Para dar segurança ao homem prometeu que as estações ficariam restabelecidas para sempre.

. Reiterou o mandamento de que o homem se multiplicasse.

. Confirmou o domínio sobre os animais dando-lhe permissão para comer sua carne, porém não o seu sangue.

. Estabeleceu a pena capital.

. Fez aliança como homem prometendo-lhe que jamais voltaria a destruir a terra por meio de um dilúvio.

Por que foi proibido comer o sangue? Alguns estudiosos crêem que o sangue é o símbolo da vida, a qual só D-us pode dar; portanto, o sangue pertence a D-us e não cabe ao homem tomá-lo. Há, porém, uma explicação mais bíblica, ou seja, a proibição preparou o caminho para ensinar a importância do sangue como meio de expiação (Lv. 17:10- 14). O sangue representa uma vida entregue na morte.

D-us estabeleceu a pena capital para restringir a violência. O homem é de grande valor e a vida é sagrada, pois “D-us fez o homem conforme a sua imagem”. O magistrado não traz debalde sua espada, instrumento de execução.

D-us fez um pacto com Noé e com toda a humanidade prometendo não mais destruir o mundo por dilúvio. Ao presenciar a terrível destruição pelo juízo de D-us, o homem poderia perguntar-se: “Valerá a pena edificar e semear? Pode ser que haja outro dilúvio e arrase tudo”. Mas, para dar-lhe segurança de que a raça continuaria e o homem teria um futuro garantido, D-us fez aliança com ele. Deixou o Arco-de-D-us (o termo “arco-íris” é uma alusão à deusa Íris, mensageira dos deuses) como sinal de sua felicidade. É provável que o Arco-de-D-us já existisse, mas agora se reveste de novo significado. Ao ver o Arco-de-D-us nas nuvens, o homem se lembra da promessa misericordiosa de D-us.

A aliança com Noé é a primeira que se encontra na Bíblia. A relação de D-us com seu povo mediante aliança tornou-se tema importantíssimo. D-us estabeleceu sua aliança sucessivamente com Noé, com Abraão, com Israel (por meio de Moisés) e com Davi.

Que é uma aliança? Uma aliança humana é, em geral, um acordo mútuo entre duas partes com igual capacidade de firmá-lo; porém não é assim quanto às alianças Divinas, porque D-us é quem toma a iniciativa, estipula as condições e faz uma solene promessa pela qual se prende voluntariamente em benefício do homem. Embora na aliança com Noé, D-us impôs a si mesmo a obrigação de guardar a aliança apesar dos fracassos do homem, em geral não é assim. D-us exige como contrapartida a fidelidade de seu povo, a desobediência de Israel podia romper o vínculo da aliança, pelo menos temporariamente.

5. Noé abençoa a Sem e Jafé: Gn. 9:18- 29.Noé, o homem justo perante o mundo, caiu no pecado de embriaguez em seu próprio lar. Os longos anos de fidelidade não garantem que o homem esteja imune a tentações novas. As diferentes reações dos filhos deram-lhe ocasião de amaldiçoar a Cam (Canaã - pode ser que estivesse seguindo os passos de seu pai, zombando dele) e abençoar a Jafé e a Sem (Origem dos Semitas - Hebreus).

Nota-se que a maldição se aplica a Canaã e aos cananeus somente e não aos outros filhos de Cam. Aparentemente, Canaã era o único filho que compartilhava a atitude desrespeitosa de seu pai. A maldição, portanto, não pode aplicar-se aos egípcios ou a outros camitas africanos.

Além do mais, é provável que os cananeus tenham sido amaldiçoados não tanto pelo pecado de Cam e de seu filho Canaã, mas pela notória impureza que caracterizaria os cananeus nos séculos vindouros. Os descendentes de Canaã radicaram-se na Palestina e na Fenícia (Gn.10:15-19), e eram notoriamente imorais. Olhando adiante, D-us viu o caráter que teriam e inspirou Noé a pronunciar seu castigo. D-us empregou uma nação semita, os hebreus, para retribuir-lhes a sua maldade mediante a conquista de Canaã por Josué. Em referencias posteriores aos juízos divinos sobre os cananeus, Moises o relaciona com a extrema impiedade deles (Gn. 15:16; 19:5; Lv. 20:2; Dt. 9:5).

A bênção sobre Sem, traduzida literalmente é: Bendito seja o Eterno, o D-us de Sem (9:26a) e implica que o Eterno seria o D-us dos semitas. Cumpriu-se notavelmente no povo hebreu, uma raça semita. Os descendentes de Jafé (os indo-europeus) seriam os hóspedes dos semitas, dando-lhes estes proteção e unindo-se, inclusive aos semitas, e se vê o primeiro anúncio da entrada dos gentios (Jafé) na comunidade cristã que nasceu dos hebreus (Sem).

6. Dispersão das nações: Gn. 10- 11.

a. Rol das nações: Gn.10. Se a promessa de redenção havia de ser realizada pela linhagem de Sem, por que o escritor sagrado dedicou tanto espaço traçando a origem das outras nações? Para demonstrar que a humanidade é uma: D-us “de um pó fez toda a gerações dos homens”. Também o escritor insinua que no plano de D-us as nações não seriam excluídas para sempre de sua misericórdia. Mediante o povo escolhido seriam benditas e viriam a ser participantes da comum redenção (redenção, ou salvação, para todos).

Agrupam-se os povos não tanto por suas afinidades étnicas, mas segundo suas relações históricas e distribuição geográfica. Os descendentes de Jafé ocuparam a Ásia Menor e as ilhas do Mediterrâneo; formaram, inclusive, grupos como os celtas, citas, medos, persas e gregos. Os filhos de Cam povoaram as terras meridionais tais como: Egito, Etiópia, e Arábia. Canaã era o antigo povo da Palestina e Síria meridional antes da conquista dos hebreus. As nações semitas (elamitas, assírios, arameus e os antepassados dos hebreus) radicaram-se na Ásia, desde as praias do mar Mediterrâneo até o Oceano Índico, ocupando a maior parte do terreno entre Jafé e Cam.

Menciona-se a Ninrode como o fundador do império babilônico e construtor de Nínive e outras cidades (10:8- 12). Segundo Delitzsch, Ninrode significa “rebelar-nos-emos” e é possível que seus contemporâneos lho tenham atribuído por parecer mais um sobrenome que seu próprio nome. Destacou-se por ser o primeiro “poderoso na terra” (foi o primeiro potentado) e “poderoso caçador”. Alguns pensam que figurativamente significa que era “caçador de homens” (escravagista). Babel (Babilônia) veio a ser o símbolo do opressor do povo de D-us após o cativeiro babilônico. Alguns estudiosos julgam que Ninrode prefigura o homem iníquo que será o último e pior inimigo do povo de D-us.

b. A torre de Babel: Gn. 11:1- 19. A cidade de Babel foi edificada na planície que se encontra entre os rios Tigre e Eufrates. Por que desagradou a D-us, a construção da torre de Babel?

. Os homens passaram por alto o mandamento de que deviam espalhar-se e encher a terra (9:1; 11:4); um dos motivos que os impulsionavam e pelo qual tentaram a construção da torre, era que desejavam permanecer unidos. Sabiam que os edifícios permanentes e uma coletividade firmemente estabelecida produziria um modelo comum de vida que os ajudaria a permanecer juntos.

. Foram motivados pela intenção de exaltação pessoal (”façamo-nos um nome” - disseram) e de culto ao poder que posteriormente caracterizou Babilônia. Uma torre elevada e assim visível para todas as nações seria um símbolo de sua grandeza e de seu poder para dominar os habitantes da terra.

c. Excluíram a D-us de seus planos; ao glorificar seu próprio nome, esqueciam-se do nome de D-us, nome por excelência: o Eterno.

D-us desbaratou seus planos não só para frustrar-lhes o orgulho e independência, mas também para espalhá-los, afim de que povoassem a terra. Com escárnio se chama Babel (confusão) a cidade; originalmente queria dizer “Porta de D-us”. Por meio deste relato evidencia-se a insensatez de edificar sem D-us.

Tiramos deste tema uma grande lição: Quando os homens, motivados pelo orgulho, vangloriam-se de seu êxitos, nada resulta exceto divisão, confusão e falta de compreensão; mas quando se proclamam as obras maravilhosas de D-us, todo homem pode ouvir o outro em seu próprio idioma.

7. Genealogias de Sem e de Abraão: Gn. 11:10- 32. A história das nações gira agora em torno da genealogia dos semitas, a linhagem da promessa divina feita por meio de Noé (9:26a). Depois o horizonte se reduz aos antepassados de Abraão. Prepara-se, assim, o caminho para começar a história do povo escolhido de D-us.

A maioria dos estudiosos identifica a cidade natal de Abraão, Ur dos caldeus, com as ruínas de Mukayyar (montículo de betume) a 225 km ao sudeste da Babilônia. Estava sobre o rio Eufrates e se calcula que possuía 24.000 habitantes. Era a antiga capital da região civilizada e próspera da Suméria, considerada o berço da civilização. Era também o centro do culto imoral à deusa lunar Nanar-Sin. Ainda se vêem algumas ruínas de edifícios bem elaborados no local religioso da cidade. Entre eles está um zigurate (torre escalonada). Havia casas de dois pavimentos, possuíam sistemas de cloacas e também escolas. Têm sido achados no cemitério desta cidade tesouros que remontam a 3.000 anos. Existem provas, contudo, de outra Ur ao norte de Harã, situada onde se encontra a atual cidade de Edessa. Abraão, portanto, procedia de uma civilização altamente desenvolvida.

Shabat Shalom !