Entenda o conflito que está acontecendo em Israel
Por que Israel reagiu com tanta força contra o Líbano?
Israel, sem ter provocado, sofreu um ataque em seu território vindo do território libanês. O ataque foi executado pelo Hezbollah, parte do governo do Líbano, contra cidadãos israelenses - civis e militares - em solo soberano de Israel. Nessas circunstâncias, Israel não teve alternativa a não ser defender seu território e cidadãos. Por essa razão, Israel agora está reagindo a um ato de guerra de um estado soberano vizinho. O propósito da operação de Israel tem dois objetivos: o de libertar seus soldados seqüestrados e acabar com a ameaça terrorista em sua fronteira norte. Israel vê o Líbano como responsável pela presente situação e esse país deve aceitar as conseqüências de tais atos.
Por que Israel está usando força desproporcional?
A proporção deve ser medida em termos da extensão da ameaça. As ações de Israel resultam não apenas do ataque do Hezbollah e do seqüestro dos dois soldados. A operação militar de Israel também está sendo executada contra a ameaça real e tangível do Hezbollah contra mais de um milhão de civis, na parte norte de Israel. O Hezbollah - uma organização terrorista dedicada à destruição de Israel, que controla a parte sul do Líbano - tem mais de 12 mil mísseis apontados para Israel, sendo que algumas centenas já foram disparadas nos últimos dias. O uso maciço desses mísseis pelo Hezbollah, causando a morte de civis, deixando centenas feridos e promovendo a destruição generalizada, tornam necessárias as ações de Israel. Alguém deveria perguntar: “O que outros países fariam se confrontados com uma ameaça dessa magnitude”?
Por que Israel não mostrou moderação e usou a diplomacia antes de recorrer à força?
Israel tem mostrado moderação por mais de seis anos. Em maio de 2000, Israel tomou a difícil decisão política de retirar-se por completo do sul do Líbano, tendo sido obrigado, anos antes, a estabelecer uma zona de segurança na região para prevenir ataques terroristas e lançamento de foguetes em cidades israelenses. O Conselho de Segurança da ONU reconheceu a retirada completa de Israel do sul do Líbano, em total acordância com a Resolução nº425 deste mesmo Conselho. Foi dada ao governo libanês a oportunidade de tomar controle absoluto do sul do Líbano e estabelecer uma fronteira pacífica com Israel. Em vez disso, escolheu sucumbir ao terror ao invés de vencê-lo, e permitiu que o Hezbollah ocupasse as áreas adjacentes à fronteira e acumulasse um vasto arsenal de foguetes e mísseis. Repetidamente, Israel emitiu advertências e pediu à comunidade internacional que forçasse o Líbano a controlar o Hezbollah, remover seus atiradores de posições na fronteira e desmantelar seu crescente armazenamento de mísseis. Tristemente, o Líbano não levou em consideração as demandas da comunidade internacional para que exercesse sua soberania e desarmasse o Hezbollah e, hoje, o povo libanês, infelizmente, sofre com as conseqüências da paralisia de seu governo.
Por que Israel e outros dizem que a Síria e o Irã têm envolvimento no terrorismo do Hamas e Hezbollah?
A Síria abriga, em sua capital Damasco, os quartéis-generais de diversos grupos terroristas jihadistas palestinos, incluindo o Hamas. Essas instalações oferecem abrigo e apoio logístico ao líder do Hamas, Khaled Mashaal, que mora na cidade há muitos anos. A partir de Damasco, Mashaal comanda terroristas nos territórios palestinos, os quais executam inúmeros ataques terroristas contra Israel e seus cidadãos, incluindo o bombardeio do sul de Israel com foguetes kassam e a infiltração terrorista recente que resultou no seqüestro do cabo Gilad Shalit. A Síria também fornece apoio ao Hezbollah, incluindo a transferência de armas, munição e homens através do aeroporto de Damasco e do cruzamento da fronteira para o Líbano. O Hezbollah não seria capaz de operar no Líbano sem o apoio claro da Síria. O Irã é o principal aliado do Hezbollah. O país fornece fundos, armamentos, diretrizes e até a estrutura iraniana (os guardas revolucionários “Pazdaran”), para essa organização terrorista. Os mísseis de longo alcance que atingiram as cidades israelenses de Haifa e Carmiel (no dia 13 de julho), foram fabricados pelo Irã, como também o míssel guiado disparado contra um barco israelense na costa libanesa. Para todos os efeitos, o Hezbollah é meramente uma arma do regime jihadista de Teerã. O Irã também já exerce forte influência nas organizações terroristas palestinas, incluindo a Brigada Fatah al-Aqsa e o grupo Iz-a-Din-al-Kassam, do Hamas. O Irã transfere fundos a essas células terroristas, além de instrução técnica e diretrizes operacionais.
O que motiva o Hamas e o Hezbollah, e por que a Síria e o Irã os apóiam?
O Hamas e o Hezbollah são movidos por uma ideologia jihadista extremista que conclama a destruição imediata do Estado de Israel, como parte de um esforço internacional de lançar uma “Guerra Santa” contra o mundo ocidental “infiel”, para que seu ramo de islamismo radical prevaleça em todo o mundo. A Síria e o Irã apóiam esses grupos, não apenas porque compartilham de sua ideologia, mas também porque oferecem a Damasco e a Teerã uma ferramenta para fortalecer a influência de seus próprios regimes e desviar a atenção de outros assuntos que os expuseram recentemente à pressão internacional. A Síria está encarando uma crescente crítica por seu envolvimento no assassinato do ex-Primeiro-Ministro libanês, Rafik Hariri, e sua interferência em assuntos libaneses. O Irã está exposto a uma pressão crescente por causa do desenvolvimento de seu programa nuclear. Além disso, a comunidade internacional está denunciando ambos os regimes por seu sombrio histórico contra os direitos humanos. Conseqüentemente, Israel considera o Hamas, o Hezbollah, a Síria e o Irã como os elementos primários do “Eixo de terror da Jihad”, ameaçando não apenas Israel, mas todo o mundo.
Como Israel responderá ao bombardeio de Haifa?
O lançamento de centenas de foguetes do Hezbollah a partir do Líbano contra Haifa e o norte de Israel, nos quais 12 civis foram mortos e muitos outros ficaram feridos, deveriam dar fim definitivo ao mito popular de que o Hezbollah é uma força de guerilha mal equipada. Com o aval do Irã, criado na década de 80 para executar atos hostis daquele país contra Israel - em desrespeito e violação da soberania libanesa - o Hezbollah tem recebido carregamentos maciços de armamentos sofisticados do arsenal de Teerã, transportados através da Síria. Um oficial graduado do exército do Irã disse no domingo ao jornal de língua árabe “Al-sharq al-Awsat” que a Guarda Revolucionária da República Islâmica colocou dezenas de bases avançadas de foguetes e mísseis no vale libanês e na fronteira com Israel. Entre 1992 e 2005, o Hezbollah recebeu aproximadamente 11,5 mil mísseis e foguetes de curto e médio alcance. Esse oficial disse também que o Hezbollah possui quatro tipos de mísseis avançados terra-a-terra: mísseis “Fajr” com alcance de 100 quilômetros, mísseis “Irã 130″ com um alcance de 90 a 110 quilômetros, mísseis “Shahin”, com alcance de até 150 quilômetros, e foguetes de 355 milímetros, com alcance de 150 quilômetros. Na noite da sexta-feira, dia 14 de julho, o Hezbollah demonstrou uma capacidade anteriormente desconhecida ao disparar um sofisticado míssel fabricado no Irã, mar-terra, guiado por radar contra uma corveta israelense, o “INS Hanit”, matando quatro marinheiros. Em face a essa grave agressão do Hezbollah, Israel fará o que for necessário para retirar a ameaça terrorista sobre suas cidades, como faria qualquer país em uma situação idêntica.
Como Israel pressionará a Síria e o Irã?
Há um amplo consenso no cenário internacional de que o terror da jihad é uma ameaça global que deve ser confrontada com determinação e firmeza. Israel tem estado em contato intenso com os governos estrangeiros e organizações internacionais para coordenar a pressão sobre esses regimes, assegurando que eles entendam que pagarão, em todo o mundo, um preço tremendamente alto por seu apoio ao terrorismo.
Por que Israel espera que o governo do Líbano tome medidas após anos de inatividade e ineficiência?
A recente redução da presença militar síria no Líbano deu a Beirute mais liberdade de ação para promover os interesses libaneses. O governo do Líbano tem responsabilidade pela ameaça do Hezbollah. Esse governo deu ao Hezbollah legitimidade oficial e permitiu que essa organização continuasse com suas operações sem impedimento. O Hezbollah nunca teria conseguido os mísseis e equipamento militar que tem a sua disposição se o governo libanes não tivesse permitido que esse armamento entrasse no Líbano. A ameaça do Hezbollah na fronteira com Israel não teria sido possível se não fosse a falha do governo libanês em enviar suas tropas para o sul do Líbano. É responsabilidade do governo do Líbano cumprir suas obrigações como estado soberano e extender seu controle sobre seu próprio território, de acordo com as resoluções nº425 e nº1559 do Conselho de Segurança da ONU. Através dessa operação, Israel espera pressionar o governo de Beirute a tomar uma atitude e facilitar esse controle providenciando encorajamento internacional e condições operacionais favoráveis ao desarmamento do Hezbollah e o deslocamento do exército libanês para o sul, em direção à fronteira israelense-libanesa. Um membro ativo do governo libanês, Mohammed Phenis, Ministro da Energia e da Água, é integrante da organização terrorista Hezbollah. No dia 13 de julho, o Primeiro-Ministro do Líbano, Fouad Siniora, declarou que seu governo não é responsável pela atividade do Hezbollah porque não foi previamente informado de suas intenções. Enfim, pode dizer-se que “se colhe o que se semeia”.
Por que Israel bombardeia prédios e infra-estrutura, colocando civis em perigo?
Israel tem como alvo apenas construções que servem diretamente às organizações terroristas em ataques contra Israel. Por exemplo, Israel alvejou as pistas do aeroporto internacional de Beirute e a rodovia Beirute-Damasco porque as mesmas servem ao reabastecimento de armas e munições do Hezbollah. Israel atingiu também edifícios, como os estúdios de televisão do Hezbollah, que são um meio vital de comunicação para os terroristas. Infelizmente, os terroristas propositadamente se esconderam e armazenaram seus mísseis em áreas residenciais, colocando em risco as populações civis nas cercanias. Na realidade, muitos dos mísseis disparados recentemente contra Israel foram armazenados e lançados de residências particulares sob comando de terroristas do Hezbollah, com o objetivo de proteger suas ações usando civis como escudos e assim impedir a resposta de Israel. Apesar dessa cruel exploração de civis, Israel está tomando um cuidado extremo para reduzir ao mínimo o risco que a população civil corre - às vezes às custas de vantagens operacionais. Por exemplo, folhetos são lançados pedindo aos residentes que evitem certas instalações do Hezbollah, mesmo que tais avisos antecipados reduzam o elemento surpresa de Israel.
Parece que Israel está enfrentando um conflito em duas frentes. Essas duas frentes estão relacionadas?
O Secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em sua coletiva de imprensa após o ataque de 12 de julho, apresentou uma lista de demandas para a libertação dos soldados israelenses seqüestrados. Entre elas, uma exigência para a libertação de terroristas do Hamas, como também membros do Hezbollah. Isso indica que o nível de coordenação desses dois grupos terroristas da jihad, não é apenas ideológico mas também operacional.
Israel declarou que não negociará com o Hamas, mas e com o Hezbollah?
Após o ataque do dia 12 de julho proveniente do Líbano, o Primeiro-Ministro de Israel, Ehud Olmert, declarou que “Israel não cederá à extorsão e não negociará com terroristas a vida de soldados israelenses”.
Quais são os caminhos diplomáticos disponíveis para dar fim à crise?
Israel entende que apesar das operações militares serem necessárias agora, para defender seus cidadãos neutralizando a ameaça apresentada pela infra-estrutura terrorista dos terroristas do Hezbollah no Líbano, a solução final é, de fato, diplomática. Nesse sentido, não há diferença real entre a posição israelense e a posição da comunidade internacional. Israel espera que a família das nações reforce o consenso internacional já aceito pelo Conselho de Segurança da ONU com relação ao Líbano e pressione o governo libanês a implementar as Resoluções nº 1559 e nº 1680, impor sua soberania na região fronteiriça com Israel e desarmar o Hezbollah. Em contribuição a esse esforço, as nações do G-8 reunidas em São Petesburgo deveriam juntar-se em uma ofensiva diplomática para alcançar um cessar-fogo rápido levando ao retorno dos soldados israelense seqüestrados, ao desarmamento do Hezbollah e sua transição para um papel político não-violento.
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