Parashah - BO

27.01.2007 / 8 de Shevat de 5767

Parashah – BO – Êx.10:1 – 13:22
Haftarah –Jr.46:1 –28.

Endurecimento do coração de Faraó: As imitações dos primeiros milagres de Aarão e Moisés por parte dos feiticeiros desacreditaram o poder do Eterno aos olhos de Faraó. Mas a vara de Aarão devorou as dos feiticeiros e isto constituiu indício da vitória final.

Faraó destaca-se por sua teimosia ao enfrentar os juízos de D-us. Seu arrependimento foi superficial, transitório e motivado apenas pelo medo e não pelo reconhecimento da necessidade que tinha de D-us. Embora se mantivesse obstinado, quebrando sua promessa toda vez que uma praga era suspensa, ia cedendo mais e mais as exigências de Moisés. Primeiro permitiu que os israelitas oferecessem sacrifícios dentro dos limites do Egito; depois, longe, porém com a condição que fossem somente os homens, e por fim permitiu que todos pudessem ir longe para sacrificar, mas deixando seu gado no Egito.

O texto bíblico mostra claramente que o Eterno ia endurecendo o coração de Faraó, mas é evidente que o coração do rei já estava obcecado e cheio de orgulho quando Moisés se apresentou perante ele pela primeira vez. As três palavras empregadas para indica a atitude de Faraó denotam a intensificação de um sentimento que já existia. D-us endureceu o coração de Faraó pela primeira vez após a sexta praga. O Eterno fez de Faraó o que este queria ser: o opositor de D-us. Apesar de tudo, o endurecimento do coração de Faraó deu a D-us a oportunidade de manifestar seu poder cada vez mais até que causasse uma impressão profunda e duradoura não somente nos egípcios e israelitas mas também nas nações distantes tais como os filisteus.

Israel sai do Egito

A Páscoa: A páscoa é para Israel o que o dia da independência é para um país, e mais ainda. O último juízo sobre o Egito e a provisão do sacrifício páscoa possibilitaram o livramento da escravidão e a peregrinação do povo para a terra prometida. A pascoal é um simbolismo profético do Messias, da salvação e do andar pela fé a partir da redenção. Além do livramento do Egito, a páscoa se constituiu em primeiro dia do ano religioso dos hebreus e o começo de sua vida nacional. Ocorreu no mês de Abibe (chamado Nisan na história posterior), que corresponde aos nossos meses de março e abril.

A palavra páscoa significa passar de largo, pois o anjo destruidor passou de largo as casa onde havia sido aplicado o sangue nas ombreiras e na verga da porta. Os detalhes do sacrifício e as ordenanças que o acompanhavam são muito significativos.

- O animal para o sacrifício devia ser um cordeiro macho de um ano, isto é, um carneiro plenamente desenvolvido e na plenitude de sua vida. Tinha de ser sem mácula. Para assegurar que assim fosse, os israelitas o guardavam em casa durante quatro dias.

- O cordeiro foi sacrificado pela tarde como substituto do primogênito. Por isso morreram os primogênitos das casas egípcias que não creram. Aprendemos que o “salário (o pagamento) do pecado é a morte”, porém D-us proveu um substituto que “foi ferido pelas nossas transgressões” Is.53:5.
- Os israelitas tinham de aplicar o sangue nas ombreiras e na verga das portas, indicando sua fé pessoal, aprendemos que somente pela fé a pessoa está salva da ira de D-us. O anjo exterminador representa a sua ira.

- As pessoas tinham que permanecer dentro de casa, protegidas pelo sangue. Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação?

- Tinham de assar a carne do cordeiro e come-la com pão sem fermento e ervas amargas. O fato de assar em vez de cozer o cordeiro exemplifica a perfeição do sacrifico do Messias e o fato de que deve ser recebido por completo. Assim os hebreus comeram a carne que lhes daria força para a peregrinação. O pão sem fermento simboliza a sinceridade e a verdade enquanto que as ervas amargas provavelmente representavam as dificuldades e as provações que o acompanhavam à redenção.

- Os israelitas deveriam come-lo em pé e vestidos como viajantes a fim de que estivessem preparados para o momento de partida. simboliza a nossa prontidão para com as ordens divinas expressa não nó na Torah, mas também na Tanach, através das profecias.

Desejamos um

Shabat Shalom !

MSc. Moshe ben Mazal

PARASHAH - VA’ERA

20.01.2007 / 1° de Shevah de 5767.
Parashah – VAERÁ – Êx. 6:1 –9:35.
Haftarah – Ez.28:25 –29:21.
A dureza de Faraó: Com intrepidez Moisés e Aarão se apresentaram na sala de audiências de Faraó e lhe comunicaram a exigência do Eterno.
Por que D-us exigiu de Faraó somente a permissão de que seu povo fosse ao deserto para celebrar festa por três dias, quando pensava em efetuar sua saída permanentemente? D-us provou ao rei com uma petição pequena sabendo com antecedência a dureza de seu coração. Faraó respondeu com arrogância: “Quem é o     D-us, cuja voz eu ouvirei?” os faraós eram vistos como filhos de Rá, o deus solar do Egito, de maneira que Faraó se considerava a si mesmo um deus. Não tardou em comunicar a única razão pela qual desejavam celebrar a festa era estar demasiado ocioso, e tornou mais pesado o trabalho dos hebreus negando-lhes a palha necessária para produzir tijolos.
A atitude de Faraó não somente deixou os hebreus mais desejosos de sair do Egito, mas também os ajudou a perceber que somente o poder de D-us poderia livrá-los. Com freqüência, quando D-us começa a emancipar o homem do pecado, o efeito imediato é o aumento de dificuldades. Assim os primeiros feitos de Moisés só pioraram a situação, pois o inimigo de nossas almas (satanás) não se dá por vencido sem lutar tenazmente.
Os hebreus culparam amargamente a Moisés e este, por sua vez protestou perante o Eterno. Foi Faraó quem disse: “Quem é o D-us?” contudo, Faraó e os egípcios não eram os únicos que necessitavam ver a natureza de D-us. Israel o necessitava, e Moisés também. D-us respondeu a seu desanimado servo, reiterando as promessas feitas aos patriarcas e de novo prometeu livrar a seu povo.
Os israelitas encontravam-se tão desanimados depois da negativa de Faraó que não quiseram sequer ouvir a Moisés quando este lhes transmitiu o que o Eterno lhe havia revela. Era óbvio que se D-us os salvava, tinha de faze-lo por pura graça. Somente depois que Israel veio a sentir-se completamente impotente foi que D-us começou a revelar-se por meio das pragas. O Eterno mandou Moisés dizer a Faraó que deixasse o povo hebreu sair. Prometeu fazer de Moisés um operador de prodígios, de modo que Faraó o visse como um deus e Aarão, porta-voz de Moisés, fosse visto como profeta.
As pragas: Uma das palavras hebraicas que se traduzem por praga no êxodo significa dar golpes ou ferir. Outras duas palavras descrevem as pragas como sinais e juízos. De modo que as pragas foram tanto sinais divinos que demonstraram que o Eterno é D-us supremo, como atos divinos pelos quais D-us julgou os egípcios e libertou a seu povo.
As pragas foram resposta de D-us à pergunta de Faraó: ”Quem é o D-us, cuja voz eu ouvirei?” Cada praga foi, por outro lado, um deságio aos deuses egípcios e uma censura à idolatria. Os egípcios prestavam culto às forças da natureza tais como o rio Nilo, o sol, a Lua, a Terra, o touro e muitos outros animais. Agora as divindades egípcias ficaram em evidente demonstração de sua impotência perante o Eterno, não podendo proteger aos egípcios nem intervir a favor de ninguém.
A ordem das pragas é a seguinte:
- A água do Nilo converteu-se em sangue. Foi um golpe conta Hapi, o deus das inundações do Nilo.
- A terra ficou infestada de rãs. Os egípcios relacionavam as rãs com os deuses Hapi e Ecte.
- A praga dos piolhos (talvez mosquitos). O pó da terra, considerado sagrado no Egito, converteu-se em insetos muitos importunadores.
- Enormes enxames de moscas encheram o Egito. Deve ter sido um tormento para os egípcios.
- Morreu o gado. Amom, o deus adorado em todo o Egito, era um carneiro, animal sagrado. No Baixo Egito eram adoradas diversas divindades cujas formas eram de carneiro, de bode ou de touro.
- As cinzas que os sacerdotes egípcios espalhavam como sinal de bênção causaram úlceras dolorosas.
- A tempestade de trovões, raios e saraiva devastou a vegetação, destruiu as colheitas de cevada e de linho e matou os animais do Egito. Este tipo de tempestade era quase desconhecido no Egito. O termo trovão em hebraico significa literalmente vozes de D-us e aqui se insinua que D-us falava em juízo. Os egípcios que escutaram a advertência misericordiosa de D-us, salvaram seu gado.
- A praga de gafanhotos trazida por um vento oriental consumiu a vegetação que havia sobrado da  tempestade de saraiva. Os deuses Isis e Seráfis foram impotentes,  eles que supostamente protegiam o Egito dos gafanhotos.
- As trevas que caíram sobre o país foram o grande golpe contra todos os deuses, especialmente contra Rá, o deus solar. Os luminares celestes, objetos de culto, eram incapazes de penetrar a densa escuridão. Foi um golpe direto contra o próprio fará, suposto filho do Sol.
- A morte dos primogênitos. O Egito havia oprimido o primogênito do Eterno e agora eles próprios sofriam a perda de todos os seus primogênitos.
Observação sobre as pragas: Calcula-se que o período das pragas tenha durado pouco menos de um ano. As primeiras três pragas: sangue, rãs e piolhos caíram tento sobre Israel como na terra egípcia, pois D-us quis ensinar a ambos os povos que erro o Eterno. Mas os sete seguintes açoites castigaram somente aos egípcios para que soubessem que o D-us que cuidava de Israel era também o soberano do Egito e mais forte do que seus deuses. As pragas foram progressivamente mais severas até que quase destruíram o Egito.
As nove primeiras pragas podem ser divididas em três grupos de três pragas cada um. O primeiro grupo: água convertida em sangue, rãs e piolhos causaram asco e repugnância. O segundo grupo: as moscas que picavam a peste sobre o gado e as úlceras sobre os egípcios caracterizavam-se por serem muito doloridas. O ultimo grupo: a saraiva, os gafanhotos e as trevas foram dirigidas contra a natureza; estas últimas produziram grande consternação. A morte dos primogênitos foi o golpe esmagador.
Os feiticeiros egípcios imitaram os dois primeiros açoites, mas quando o Egito foi ferido de piolhos, confessaram que o poder de D-us era superior ao deles e que esta praga era realmente sobrenatural. Os magos não tiveram de reproduzir a praga de úlceras. Não puderam livrar-se a si mesmos dos terríveis juízos nem muito menos a todo o Egito.
Em resumo, as pragas cumpriram os seguintes propósitos:
Demonstraram que o Eterno é o D-us supremo e soberano. Tanto os israelitas como os egípcios souberam quem era o Eterno
Derrocaram as divindades do Egito.
Castigaram os egípcios por haverem oprimido aos israelitas e por lhes haverem amargado tanto a vida.
Efetuaram o livramento de Israel e o prepararam para conduzir-se em obediência e fé.
Shabat Shalom.
MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - SH’MOT

13.01.2007 / 23 de Tevet de 5767.
Parashah – SH’MOT – Ex.1:1-6:1
Haftarah – Is.27:6 –28:13; 29:22,23
D-us suscita um líder. Ex.1– 4.
Servidão no Egito: Ex.1. Transcorreram aproximadamente trezentos anos desde a morte de José. Os 70 hebreus que haviam se radicado no fértil delta do rio Nilo multiplicaram-se em centenas de milhares. Mas o povo israelita, outrora objeto do favor de Faraó, é agora escravo temido e odiado do rei egípcio.
A situação política mudou radicalmente no Egito. Os hicsos, povo que havia ocupado o país durante quase dois séculos, foram expulsos, e o Alto Egito e o Baixo Egito voltaram a unificar-se. O Egito chegou ao apogeu de seu poderio militar e se inicia um grande programa de construção de cidades de depósito. Uma nova família de faros assenta-se no trono egípcio e os serviços que José prestou ao Egito constituem apenas uma modesta lembrança do regime odiado que desapareceu. Não há gratidão para com os hebreus nos corações egípcios. Vêem com alarma o assombroso e sobrenatural crescimento da população israelita. Converter-se-ia gósen em uma via de entrada para conquistadores estrangeiros? Aliar-se-iam os israelitas e invasores para derrotar os egípcios? Por outro lado, Faraó não quer que os hebreus se retirem. Com dureza os obrigará a servir como escravos e desse modo os diminui8rá em numero; ao mesmo tempo se valera deles para realizar a construção de obras publicas. Faraó organiza os hebreus em grupos sob capatazes para tirar barro e fazer tijolos, construir edifícios, canais e prepara fossos, para irrigação.
Porque o Eterno permitiu que seu povo fosse tão cruelmente oprimido? Queria que nascesse neles o desejo de sair do Egito. É provável que os israelitas estivessem tão contentes em Gósen que se houvessem esquecido do concerto abrâmico pelo qual D-us lhes havia prometido a terra de Canaã. Alem disso, alguns dos israelitas apesar de viverem em Gósen separados dos egípcios, começaram a praticar a idolatria (Js.24:14;Ex.20:7,8). Tão grande foi sua decadência espiritual que o Egito se converteu em símbolo do mundo e os israelitas chegaram a representar o homem não regenerado. Era preciso algo drástico para sacudi-los a fim de que desejassem retornar à terra prometida.
Não obstante, D-us frustra o plano de Faraó. Quanto mais os egípcios oprimem aos hebreus, tanto mais se multiplicam e crescem. A tentativa de exterminar os hebreus matando os recém-nascidos do sexo masculino e conservando a vida das meninas pensando que elas se casariam com egípcios e assim perderiam sua identidade racial. A situação dos israelitas tornou-se grave. Para sobreviver como raça, necessitavam de um libertador.
A preparação de Moisés: Ex.2. Moisés figura junto a Abraão e Davi como um dos três maiores personagens do Tanach. Libertador, dirigente, mediador, legislador, profeta, foi sobretudo um grande homem de D-us. Quase se pode dizer que o livro de Êxodo é a história de um homem, do homem Moisés que representa o ponto central em torno do qual gira a crise do plano da redenção. No coração dele verifica-se o conflito, ele recebe a comunicação de D-us para o povo e sobre ele pesa toda a carga das peregrinações. É ele quem recebe o golpe da crítica do povo, pois se acha como mediador entre o povo e D-us e intercede perante D-us a favor deles.
Moisés narra o começo de sua história com tanta simplicidade e modéstia que nem mesmo menciona o nome de seus pais. São notáveis os fatores que D-us empregou para livrar o futuro libertador mediante a pequena arca: o amor perspicaz de Joquebede, a mãe, o choro do nenê, a compaixão da princesa e a sagacidade de Miriã, irmãzinha de Moisés. A seguir D-us fez mais do que os pais esperavam, pois lhes devolveu o menino para que o criassem e a mãe foi paga por seu trabalho.
D-us preparou a Moisés para ser líder e libertado de seu povo. A mão divina evidencia-se passo a passo:
- Moisés foi criado em um lar piedoso, pelo menos durante os primeiros cinco ou sete anos de sua vida, e assim aprendeu a ter não somente fé em D-us, mas também simpatia e a mor por seu povo oprimido.
- Foi educado no palácio do Egito, põe-se em relevo a providência divina em que por meio do decreto de matança Moisés foi conduzido ao palácio. Ali recebeu a melhor educação que o maior e mais culto império daquele tempo oferecia. A permanência no palácio não somente contribuiu para fazê-lo “poderoso em suas palavras e obras”, mas também o livrou do espírito covarde e servil de um escravo. A filha de Faraó foi possivelmente, Hatsepute que, segundo a tradição judaica, era casada, mas não tinha filhos e desejava ardentemente ter um filho.
- Adquiriu experiência no deserto. Aos 40 anos de idade, Moisés identificou-se com o povo israelita e procurou libertá-lo por suas próprias forças, mas nem Moisés estava preparado para libertá-lo, nem o povo para ser libertado. Parece que Moisés dava mostras de arrogância, provocando a pergunta: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós?” como pastor, Moisés aprendeu muitas lições que o ajudariam a governar com paciência e humildade os hebreus, pois como as ovelhas, eram embrutecidos, indefesos e não sabiam cuidar de si mesmos. Conheceu também o deserto através do qual guiaria a Israel em sua peregrinação de quarenta anos. Alem disso teve comunhão com D-us e chegou a conhecê-lo pessoalmente. Ali aprendeu a confiar nele e não em sua própria força.
Chamamento e comissão de Moisés: Ex.3-4. Moisés foi chamado enquanto pastoreava ovelhas no sopé do monte Horebe ou Sinai. O fogo na sarça simbolizava a presença  e santidade purificadora de D-us (Gn.15:17; Dt.4:24), e a sarça talvez representava a Israel em sua baixa condição. Como a sarça ardia sem consumir-se, assim Israel não foi consumido no forno da aflição. D-us revelou a Moisés a compaixão que sentia pelo povo oprimido e depois delineou os pormenores de seu plano para libertá-lo.
Moisés estava pouco disposto a aceitar a comissão de D-us. Respondeu com quatro escusas:
- Quem eu sou, que vá a Faraó?
- Em nome de quem me apresentarei diante de meu povo?
- Os israelitas não vão acreditar que eu sou o mensageiro de D-us.
- Não tenho facilidade de palavras.
Contestadas suas escusas, Moisés aceitou seu chamado e nunca mais olhos para trás. De imediato deu início à sua missão voltando ao Egito. O acontecimento segundo o qual D-us quis matar a Moisés (4:24-26) provavelmente fazendo–o enfermar a ponto de morrer, explica-se como uma advertência para circuncidar a seu filho. D-us não faz acepção de pessoas e os grandes servos de D-us devem obedecer-lhe tanto como os demais. “Se Moisés se tivesse apresentado perante o povo israelita sem haver circuncidado seu filho, sem haver cumprido o Antigo Concerto, ter-se-ia anulado sua influência juntos deles.”
Aarão uniu-se a Moisés no caminho e juntos trouxeram aos anciãos a promessa de livramento e lhes demonstraram os sinais. Acendeu-se a fé entre os hebreus e, muito em breve outras pessoas de Israel receberam as notícias (possivelmente reuniões secretas) e se inclinaram perante D-us em louvor e adoração.
Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - VAYECHI

06.01.2007 / 16 de Tevet de 5767.
Parashah – VEYECHI – Gn.47:28 – 50:26
Haftarah – I Rs.2:1-12.
Jacó contempla o futuro abençoando seus descendentes e profetizando: Embora Jacó, junto com sua família, desfrutasse do melhor do Egito, nunca perdeu a visão do futuro. À semelhança de Abraão e Itzak, Jacó considerava sua vida terrenal como uma peregrinação (47:9), pois “esperava a cidade . . .  da qual o artífice e construtor é D-us“. Tampouco se esqueceu das promessas da aliança de que Israel seria uma nação e herdaria a terra de Canaã (48:3,4). A confiança, tanto de José como de Jacó, de que os israelitas voltariam à terra prometida se observa nas instruções que deram quanto à sua sepultura. Jacó ordenou a seus filhos que o sepultassem no cemitério de Macpela, onde se encontravam os restos de seus pais, avós e também de Léa, sua esposa. José pediu-lhes também, que levassem seus ossos para Canaã porque “D-us certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, Itzak e a Jacó“ (50:42).
Ao abençoar Jacó, seus filhos, foram constituídos pais das tribos de Israel, Jacó profetizou com assombroso discernimento as características das doze tribos. Rúben, por seu caráter impetuoso e instável, não cumpriu seu alto desígnio, e por sua impureza moral fez-se indigno da proeminência. Sua tribo caracterizou-se pela indecisão na época de Débora (Jz.5:15,16), e mais tarde parece ter sido eclipsada por Gade. Por outro lado, de tempos em tempos foi devastada por Moabe.
Os violentos filhos de Simeão e de Levi foram amaldiçoados por seu aleivoso ataque contra Siquém quando vingaram sua violada irmã Dinah (Gn.34). Em pouco tempo ficariam dispersos entre as demais tribos de Israel. Simeão, no meio de Judah (Js.19:1), foi absorvida principalmente por esta tribo, por outro lado, a dispersão de Levi converteu-se em grande bênção, dado que esta tribo foi honrada com a função sacerdotal e a espada da violência foi substituída pelo cutelo do sacrifício. A mais importante bênção e a profecia mais transcendente do presente capítulo é a que se refere à tribo de Judah (49:8-12). O erudito Derek Kidner observa que esta profecia apresenta em miniatura o esquema bíblico da história. Compara-se Judah ao leão por sua valentia, força irresistível e supremacia sobre as outras tribos. Historicamente, Judah foi posta à cabeça do acampamento israelita na peregrinação pelo deserto (Nm.2:2-9; 10:14); foi divinamente designada para ser a primeira em retomar a guerra contra os cananeus após a morte de Josué (Jz.1:1,2); seu exército no período de Davi representava mais de um terço da totalidade dos soldados israelitas (II Sm.24:9). “O Cetro (insígnia real ou de comando) não se arredará de Judah.” A Judah foi concedida a grande honra de ser o progenitor da dinastia real, a casa de Davi.
Pela fé Jacó olhou para o futuro longínquo e contemplou a vinda do Messias. Judah exerceria a autoridade real sobre as outras tribos “até que venha Shiloh”. Não é claro o significado da palavra “Shiloh” no idioma hebraico, porém muitos estudiosos da Tanach (Bíblia) a interpretam de uma ou outra maneira por “pacificador” ou “aquele a quem pertence o direito real” não outro que o Messias. A última interpretação indicaria que o Cetro ou símbolo de autoridade real estaria em mãos de sucessivos reis de Judah até que viesse o Rei a quem D-us reservava o direito de reinar e a quem as nações renderiam homenagem (49:10). Ezequiel (21:26, 27) parece confirmar que Gênesis 49:10 deve ser considerada claramente uma passagem messiânica. Esta profecia antecipou o grande fato histórico de que a linhagem de Davi chegaria a ser eterna no Messias, “o Leão de Judah e Príncipe da Paz”.
Alguns comentaristas julgam que Gênesis 49:11,12 se refere à abundância de vinha no território de Judah, porém outros crêem que o texto fala em sentido figurado da exuberante abundância do reino universal do Messias, cujo advento é profetizado no versículo anterior.
É interessante notar como Jacó empregava outros símbolos de animais para caracterizar certas tribos. Issacar é comparado a um jumento forte que não perdeu seu vigor. À semelhança de muita gente, a tribo de Issacar estava disposta a ceder sua liberdade a fim de obter segurança econômica e uma vida sem riscos nem responsabilidade. Em vez de lutar por submeter os cananeus, aceitou ser submetida por eles. A comparação de Dan a uma serpente venenosa, que ataca sem aviso, talvez se refira profeticamente à tomada de Laís de surpresa por essa tribo (Jz.18:7-9). Naftali seria como uma cerva solta; efetivamente foi localizada em território fértil e tranqüilo. Nos capítulos 19 e 20 de Juízes nota-se algo da violência de um lobo na conduta dos benjamitas. Assim Jacó previu com exatidão algo do caráter e destino das tribos hebraicas. As bênçãos sobre seus filhos constituíram uma conclusão apropriada do período patriarcal.
Lições da vida de José: O livro de Gênesis termina com as palavras “num caixão no Egito”. José deixou o mundo dando testemunho de sua fé na promessa de que Israel voltaria a Canaã, pois ordenou que seu corpo fosse embalsamado a fim de ser levado para Canaã. Para os israelitas que estavam no Egito, o caixão era um símbolo de esperança.
- Podemos aprender muito estudando a história de José. Eis algumas lições que podemos extrair:
- Pureza pessoal. Se não fosse a vida religiosa de José e sua convicção quanto à importância da pureza, teria sido arrastado por paixões carnais e teria cedido à tentação. Mas resolvera levar uma vida pura e se conservou imaculado.
- A prosperidade nos negócios é possível para o fiel servo de D-us. D-us fez José prosperar e ele é um exemplo para nós.
- A importância de cuidar de nossos pais.
- Por meio da humildade, obter a coroa. José sofreu como escravo e depois como preso durante os anos de sua juventude. Foi perseguido pelos irmãos, caluniado pela mulher de Potifar e esquecido pelo copeiro. Tudo sofreu com paciência. Mas seus sofrimentos foram meios que o levaram a alcançar a coroa de autoridade no Egito.
- Toda a vida de José é um exemplo da providência Divina. D-us guiou todos os passos de José, desviando das maldades dos homens e os contratempos da vida para sua meta Divina.
Shabat Shalom !
MSc. Moshe ben Mazal