A criação do mundo

Hoje, 25 de Elul, no calendário judaico, é o primeiro dia da Criação, quando D-us criou o mundo, o tempo, a luz, o sol.

No dia de Rosh Hashaná, que é o primeiro dia de Tishrei, próximos dias 13 e 14 de setembro, comemoramos a criação do homem, que ocorreu no sexto dia da Criação.

Parashah - NITZAVIM / VAYELECH

8.09.2007 / 25 de Elul de 5766.

Parashah – Nitzavim / Vayelech – Dt.29:9- 30:20/31:1- 30
Haftarah – Is.61:10- 63:9 / Is. 50:6- 13

]Vós todos estais hoje presentes diante do Eterno, vosso D-us; Os cabeças de vossas tribos, vossos anciãos, e vossos policiais, todo o homem de Israel; 29:9.

Moisés fez reunir, no dia de sua morte, todo o povo de Israel a fim de introduzi-los na aliança, diante do Eterno. Esta concepção da aliança, chamada “Berith”, domina o Mosaismo e constitui um dos nomes pelo qual é designada a religião israelita. Os israelitas fiéis à Lei de Moisés são denominados “Filhos da Aliança” (Bené-Berith). Esta aliança de D-us, com a descendência dos patriarcas, foi feita para que ela ensinasse o caminho do Eterno, o direito, a justiça e a caridade as outras famílias da Terra. O sinal material desta aliança é a circuncisão, e o sinal espiritual é o sábado, dia destacado entre os dias da semana. Esta aliança é entre o D-us Único e o povo predileto, ligado a este pacto pelos mandamentos da Torah, “Não foi com nossos pais que fez o Eterno esta aliança, e, sim, conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos“.
No começo desta parashah enfrentamos-nos com um magno e imponente quadro: Todo o povo reunido, desde os altos dignitários, anciãos e polícias, até os rachadores de lenha e tiradores de água; até mesmo as mulheres e as crianças, todo o povo de Israel, pois, perante D-us, todos são iguais. A união de um povo sem distinção de classe, mostra a solidariedade dos indivíduos que o compõem, e esta á uma das condições de sua existência, pois, o povo não é uma aglomeração de células, porém um organismo, com vida própria, onde cada um possui o seu ser igual ao outro, uma alma própria, e é com este espírito que Moisés reuniu a todos, sem exceção alguma. Cada pessoa tem uma finalidade em sua própria existência, e forma uma parte da comunidade. Foi esta solidariedade que converteu o povo israelita, em povo imortal. “Vós todos estais, hoje, presentes!” (atém nitzavim hayom – 29:9): quantos povos não estão mais, enquanto vós o estarei para sempre, desde que sejais solidários uns com os outros e reconhecerdes a aliança que o Eterno vosso D-us faz convosco.

Não está nos céus para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que nô-lo traga, e nô-lo faça ouvir, para que o observemos? 30:12.

A Lei e o dever, diz Moisés, não são coisas que estão fora do nosso alcance; não se encontram nos céus nem além do mar! Não há que ir longe, para encontrá-los. Olhai em vós mesmos, interrogai a vossa consciência, é lá que os encontrareis. Estas coisas estão pertinho de nós; em nossa boca e em nosso coração; elas se manifestam, a quem se dá o trabalho de descobrí-las.

Uma outra interrogação do Midrash (Yalcut 940) diz, que a ciência sagrada não se deve procurar nas pessoas, cuja vaidade vai até os céus e despenca no oceano da vida. O verdadeiro sábio não conhece o orgulho; ele sabe muito bem que a sua ciência e inteligência não alcançarão jamais o infinito e o absoluto. Concluindo: O conhecimento da Lei Sagrada, só pode residir nas pessoas modestas.

. . .      . . .      . . .
E disse Moisés: “Hoje completo cento e vinte anos de idade; já não poderei mais sair e entrar; e o Eterno disse-me: Não passarás este Jordão”. Dt.31:2

Com estas palavras, Moisés queria dizer que não tinha mais a permissão de ensinar a Lei ao povo, e que ele devia, por mandado de D-us, ceder o seu lugar a Josué. A outra versão de Rashi, diz, que Moisés, tendo completado os seus anos (cento e vinte), sentia que lhe faltava aquele vigor intelectual para ensinar ao povo a palavra de D-us. Não podendo mais “sair e entrar” (nos caminhos da ciência sagrada) Moisés devia ceder o seu lugar a outro. Quanto ao vigor físico, este, nunca lhe faltou, segundo lemos mais adiante: “E Moisés tinha a idade de cento e vinte anos, quando morreu; não se lhe escureceram os olhos, nem se lhe transformou o esplendor do seu rosto”. Dt.34:7.

E Moisés escreveu esta Lei e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi (v.9). “Esta Lei” quer dizer: desde o Gênesis até o fim do Pentateuco, que Moisés lhes entregou, antes da sua morte: entretanto o termo “esta Lei”, a do versículo onze, significa uma parte do Deuteronômio.

Quando todo Israel vier a comparecer diante do Eterno, teu D-us, no lugar que escolher, lerás esta Lei diante de todo Israel, aos seus ouvidos. Dt.31:11

Este mandamento de ler a Torah cabia ao rei de Israel. Em “Hol hamoed” (medianos) da festa de Sucot (cabanas) no começo do primeiro ano da Shemitá (ano sabático) tocavam-se as trombetas em Jerusalém, a fim de reunir o povo. Traziam uma bima (estrado) de madeira que colocavam na ezrat nashim (seção reservada para as mulheres, no Templo) e o rei sentava-se lá e todo Israel reunia-se ao redor. Então, o oficiante da congregação, pegava o rolo da Torah e entregava-o ao chefe da congregação, e assim passava de um para o outro, até que chegava às mãos do sumo sacerdote, o qual entregava-o por sua vez, ao rei. Este o recebia, e estando ele de pé, pronunciava a bênção da Torah e lia desde o começo do Deuteronômio até o trecho da “Shemá, asser teasser”, as admoestações da parashah de Ki Tavó, pois estes trechos estimulam a cumprir os preceitos da Torah e fortalecem a fé em D-us. Depois, o rei pronunciava a última bênção da Torah, sempre em hebraico. Nesta cerimônia, o rei representava o Estado, e a leitura da Torah significava a submissão de todo o povo ante a Lei Divina.

Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal

Uma reforma islãmica

Nonie Darwish *

Nascida e educada como uma islâmica, eu cresci em Gaza e Cairo na época em que Gamal Abdel Nasser comprometeu o Egito com a unificação do mundo árabe para destruir Israel. O Egito mobilizou os árabes de Gaza e encorajou o “fedayeen” a fazer ataques de fronteira em Israel. Meu pai, um alto oficial do escalão egípcio, foi morto num desses ataques. Após a morte de meu pai, por algumas semanas as atenções foram pródigas com minha família. Entretanto, viúvas de “shahids” como meu pobre pai, foram deixadas distantes numa cultura que só respeita famílias lideradas por homens.

Em Gaza, a escola elementar ensinava o ódio, a vingança e retaliação aos judeus. Paz com Israel, jamais era mencionada como opção. Ensinou-me para não aceitar doces de estranhos, porque podiam ser judeus tentando envenenar-me.

Vivi no mundo árabe até completar trinta anos enfrentando três grandes guerras e a sempre crescente influencia do fundamentalismo islâmico. AQ liberdade de expressão fora suprimida. Os cidadãos desenvolveram um certo grau de conforto em serem controlados por ditadores. Suas estátuas e fotografias estavam nas mãos de todos e canções os enalteciam em cada estação de rádio. Testemunhei a opressão da mulher, a mutilação genital feminina, a poligamia, e tudo isto causando devastações na dinâmica familiar.

Finalmente sentia-me feliz em deixar tudo para trás e mudar-me para a América do Norte, em 1978. Repentinamente passei a usufruir liberdade de religião e igualdade entre classes e raças. Meu primeiro trabalho me foi dado por um empresário judeu. Testemunhei judeus, cristãos e muçulmanos praticando suas religiões pacificamente. Entre meus amigos judeus e cristãos eu ouvia palavras de amor, compaixão, perdão e “shalon”. Sinceramente eles se perguntavam o que poderiam fazer para que houvesse paz entre os árabes. Eu sentia a traição de minha cultura de origem advogando contra a violência ou conversando sobre paz somente perante os ocidentais. Compreendi que crescera atrás de muros de medos, mentiras da mídia e decepções que nos separavam do resto da humanidade. Mas eu não podia verbalizar estes pensamentos.

Quando visitei o Egito em 2001, a situação estava cada vez mais difícil por lá. Poluição, materiais e lixo perigosos eram encontrados às margens do Nilo. Existia uma extrema pobreza, desemprego, inflação alta, corrupção por todos os lados, e má administração.

Retornamos aos Estados Unidos em 1/09/2001. Na manhã seguinte o mundo mudou!

Percebi, no exato momento em que o segundo avião atingiu as Tôrres Gêmeas, que o Jihad começara na América. Para meu horror, o pais que me havia abrigado, protegido e devolvido a minha esperança, sofria um monstruoso ataque de minha própria cultura de origem. Imediatamente telefonei para alguns amigos muçulmanos. Sem exceção, eles se desculpavam pelo ataque terrorista, tirando a responsabilidade do mundo muçulmano e concluindo que tudo não passava de uma conspiração judaica. Eles não eram fundamentalistas radicais, mas muçulmanos  moderados, educados e viajados. Comecei então a refletir sobre a sociedade onde eu crescera.

Quem não praticava o islamismo fervorosamente ficava na mira dos radicais. O resultado eram as tempestades domésticas, assassinatos políticos, “fatwas” e terror. Os governos árabes constantemente brigavam para manter a estabilidade interna. E um inimigo não muçulmano é necessário para distrair a atenção popular. Lembro-me quando jovem, visitei um amigo cristão no Cairo, durante as orações da sexta. Do lado de fora da mesquita, ouvíamos os pregadores atacando cristãos e judeus: “Talvez Deus destrua os infiéis e os Judeus, inimigos de Deus!” “Não podemos ser amigos deles ou negociar com eles”! Também ouvíamos os fiéis respondendo: “Amem”! Meu amigo olhou amedrontado e eu estava atônita. Pela primeira vez percebi que era  muito perigoso o caminho pensado e praticado pela minha religião. São aquelas pregações as responsáveis por transformar em terroristas os nossos jovens. Nenhum governo mçulmano é perigoso para eles, e, dentro desta dinâmica, só os regimes tirânicos podem sobreviver. Modificar os pensamentos islâmicos não é fácil, especialmente porque as mudanças precisariam vir deles. E os muçulmanos não estão genuinamente interessados em reformas. Uma enorme e bem fundamentada campanha, em operação desde 11/09/2001, é um trabalho sobre a imagem e a reputação do Islã. Mas isto não confronta a fundamental necessidade de uma reforma islâmica. Após 11/09/2001, quebrei meu silencio. Alguns árabes e muçulmanos também encontraram a força, o comprometimento e a honestidade em seus corações para falar que os Estados Unidos e Israel não são os inimigos. Cruzando a América, tenho tido o privilégio de encontrar muitas pessoas. Temos partilhado temores e abraços com muitas mulheres e jovens estudantes. Americanos simplesmente se surpreendem pela cultura muçulmana. Querem saber porque os muçulmanos não se sentem ultrajados pelos acontecimentos de 11/09. Querem saber porque os muçulmanos moderados não se manifestam a respeito. Com o passar do tempo, comecei a receber e-mails de muçulmanos que concordavam comigo. Eles queriam viver em paz com Israel, mas estavam com medo de falar.   Entendi então que havia a necessidade de um fórum para expor idéias e falar livremente, abertamente ou como anônimos.  Recentemente, uma mulher palestina, vivendo agora nos Estados Unidos, que partilha meus pontos de vista, mandou-me um e-mail que coloquei no meu site. Fora do costume, deixei-a como anônima. Mas ela me respondeu pedindo que eu colocasse seu nome completo. Já é tempo dos árabes livrarem-se do tabu que é a crítica a si mesmo. Um movimento de reforma do mundo árabe é desesperadamente necessário. Lá existe virtude e bondade que precisa se manifestar. É dever do bom muçulmano ser compassivo e tolerante, não só através das palavras, mas principalmente através das ações. Nós precisamos de uma cultura no Oriente Médio que reflita a diversidade de seus povos e que respeite direitos iguais para todos, judeus, cristãos e muçulmanos. Um objetivo pode ser dar as boas vindas ao povo de Israel como vizinhos, e convidá-los para crescerem conosco numa atmosfera de coexistência e paz. Sinto-.me prudentemente otimista que o lado bom da natureza humana possa prevalecer.

* Nonie Darwish pode ser lida e conhecida através do site http://www.noniedarwish.com/pages/745436/index.htm

Nonie trabalha como editora e tradutora e é naturalizada norte-americana.

Fedayeen: palavra de origem árabe: aquele que aprende a sacrificar sua vida por uma causa.

Tradução: Regina Caldas: New.Aish.com

Canal para judeus lançado no próximo ano

De acordo com o site da Brand Republic, está previsto para o próximo ano o lançamento de um canal noticioso com 24 horas de programação em inglês, dirigido à comunidade judaica. O canal vai incluir programação relacionada com a situação política, social, cultural e religiosa da comunidade judaica em diferentes países. Confrontado com comparações que tomavam o canal como a “Al-Jazeera judaica”, Vladimir Sloutsker, ex-banqueiro com ligações políticas na Rússia, negou que o projeto (ainda sem nome) se posicionasse como uma “alternativa ao controverso canal árabe Al-Jazeera” e negou que vá transmitir propaganda, realçando que para ser comercialmente bem sucedido terá que ser objetivo e independente. O canal deverá ter sede num país da Europa, mas o local ainda não foi escolhido.

Leonardo Boff: Igreja Católica: uma grande seita?

Bento XVI está imprimindo um curso perigoso à Igreja Católica, provocando severas críticas não apenas de teólogos, mas de cardeais, de inteiros episcopados como o da França, de grupos de bispos da Alemanha e, espantosamente, de bispos da romaníssima Itália, além de outros líderes religiosos e de organismos ecumênicos mundiais.

Desde seu tempo de cardeal, tem tratado os grupos progressistas e os teólogos da libertação a bastonadas e com pele de pelica os conservadores e tradicionalistas, seguidores do bispo Léfèbvre, excomungado em 1988 e que, à revelia de Roma, ordenou bispos e padres. O Vaticano acabou por acatar seus seminários onde formam o clero no rito tradicionalista.

E, agora, acaba de atender a uma de suas demandas maiores: voltar à missa em latim do Concílio de Trento (1545-1563) com todas as limitações históricas, hoje inaceitáveis. Aí se reza “pelos pérfidos judeus” para que aceitem Jesus como Messias.

O mais grave ocorreu logo em seguida com a publicação de cinco questões sobre a Igreja, oriunda da Congregação da Doutrina da Fé e aprovada pelo papa, na qual se repete o que o então cardeal J. Ratzinger, em 2000, enfatizava no documento Dominus Jesus, verdadeiro exterminador do futuro do ecumenismo: a única Igreja de Cristo subsiste somente na Igreja Católica, fora da qual não há salvação.

As demais “igrejas” não o são, pois possuem apenas “elementos eclesiais” e a Igreja Ortodoxa, tida como uma expressão da catolicidade, foi rebaixada a simples igreja paticular. Estas posições reacendem a guerra religiosa quando todos estão buscando a paz, cuja realização é enfraquecida pela Igreja.

A Igreja está se isolando mais e mais de tudo. Sua base social são principalmente os movimentos, medíocres no pensamento e subservientes às autoridades; preferem a aeróbica de Deus a se confrontar com os problemas da pobreza e da injustiça. Uma Igreja se comporta como seita, segundo clássicos como Troeltsch e Weber, quando tem a pretensão absolutista de deter sozinha a verdade, quando se nega ao diálogo, rejeita o trabalho ecumênico e manifesta crescente autofinalização.

Nesse sentido, cabe lembrar que o Vaticano não assinou em 1948 a Carta dos Direitos Humanos, se recusou a entrar no Conselho Mundial de Igrejas porque ela se julga acima e não junto das demais igrejas, negou-se a apoiar a convocação de um Concílio universal de todos os cristãos na perspectiva da paz mundial, sob o pretexto de que cabe exclusivamente a Roma fazê-lo, proibiu a compra dos cartões do Unicef destinados à infância carente, alegando que esta entidade favorecia o uso de preservativos.

Ao lado disso, cresce o patrimônio imobiliário da Igreja que, segundo pesquisas (Adista 2/6/07), chega a 1/5 de todo o patrimônio italiano e romano. A especulação imobiliária e financeira rendeu ao Vaticano 1,47 bilhão de euros entre 2004-2005.

A estratégia doutrinal do atual papa é a do confronto direto com a modernidade, num pessimismo cultural inadmissível em alguém que deveria saber que o Espírito não é monopólio da Igreja e que a salvação é oferecida a todos. Não causaria espanto se alguns mais radicais, animados por gestos do atual papa tentassem um cisma na Igreja.

No século IV, quase todos os bispos aderiram à heresia do Arianismo (Cristo apenas semelhante a Deus). Foram os leigos que salvaram a Igreja, proclamando Jesus como Filho de Deus. É urgente atualizar esta história, dada a estreiteza de mente e o vazio teológico reinante nos altos escalões da Igreja.

Leonardo Boff, da Comissão da Carta da Terra, é teólogo.

Fonte: O Povo