8.09.2007 / 25 de Elul de 5766.
Parashah – Nitzavim / Vayelech – Dt.29:9- 30:20/31:1- 30
Haftarah – Is.61:10- 63:9 / Is. 50:6- 13
]Vós todos estais hoje presentes diante do Eterno, vosso D-us; Os cabeças de vossas tribos, vossos anciãos, e vossos policiais, todo o homem de Israel; 29:9.
Moisés fez reunir, no dia de sua morte, todo o povo de Israel a fim de introduzi-los na aliança, diante do Eterno. Esta concepção da aliança, chamada “Berith”, domina o Mosaismo e constitui um dos nomes pelo qual é designada a religião israelita. Os israelitas fiéis à Lei de Moisés são denominados “Filhos da Aliança” (Bené-Berith). Esta aliança de D-us, com a descendência dos patriarcas, foi feita para que ela ensinasse o caminho do Eterno, o direito, a justiça e a caridade as outras famílias da Terra. O sinal material desta aliança é a circuncisão, e o sinal espiritual é o sábado, dia destacado entre os dias da semana. Esta aliança é entre o D-us Único e o povo predileto, ligado a este pacto pelos mandamentos da Torah, “Não foi com nossos pais que fez o Eterno esta aliança, e, sim, conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos“.
No começo desta parashah enfrentamos-nos com um magno e imponente quadro: Todo o povo reunido, desde os altos dignitários, anciãos e polícias, até os rachadores de lenha e tiradores de água; até mesmo as mulheres e as crianças, todo o povo de Israel, pois, perante D-us, todos são iguais. A união de um povo sem distinção de classe, mostra a solidariedade dos indivíduos que o compõem, e esta á uma das condições de sua existência, pois, o povo não é uma aglomeração de células, porém um organismo, com vida própria, onde cada um possui o seu ser igual ao outro, uma alma própria, e é com este espírito que Moisés reuniu a todos, sem exceção alguma. Cada pessoa tem uma finalidade em sua própria existência, e forma uma parte da comunidade. Foi esta solidariedade que converteu o povo israelita, em povo imortal. “Vós todos estais, hoje, presentes!” (atém nitzavim hayom – 29:9): quantos povos não estão mais, enquanto vós o estarei para sempre, desde que sejais solidários uns com os outros e reconhecerdes a aliança que o Eterno vosso D-us faz convosco.
Não está nos céus para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que nô-lo traga, e nô-lo faça ouvir, para que o observemos? 30:12.
A Lei e o dever, diz Moisés, não são coisas que estão fora do nosso alcance; não se encontram nos céus nem além do mar! Não há que ir longe, para encontrá-los. Olhai em vós mesmos, interrogai a vossa consciência, é lá que os encontrareis. Estas coisas estão pertinho de nós; em nossa boca e em nosso coração; elas se manifestam, a quem se dá o trabalho de descobrí-las.
Uma outra interrogação do Midrash (Yalcut 940) diz, que a ciência sagrada não se deve procurar nas pessoas, cuja vaidade vai até os céus e despenca no oceano da vida. O verdadeiro sábio não conhece o orgulho; ele sabe muito bem que a sua ciência e inteligência não alcançarão jamais o infinito e o absoluto. Concluindo: O conhecimento da Lei Sagrada, só pode residir nas pessoas modestas.
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E disse Moisés: “Hoje completo cento e vinte anos de idade; já não poderei mais sair e entrar; e o Eterno disse-me: Não passarás este Jordão”. Dt.31:2
Com estas palavras, Moisés queria dizer que não tinha mais a permissão de ensinar a Lei ao povo, e que ele devia, por mandado de D-us, ceder o seu lugar a Josué. A outra versão de Rashi, diz, que Moisés, tendo completado os seus anos (cento e vinte), sentia que lhe faltava aquele vigor intelectual para ensinar ao povo a palavra de D-us. Não podendo mais “sair e entrar” (nos caminhos da ciência sagrada) Moisés devia ceder o seu lugar a outro. Quanto ao vigor físico, este, nunca lhe faltou, segundo lemos mais adiante: “E Moisés tinha a idade de cento e vinte anos, quando morreu; não se lhe escureceram os olhos, nem se lhe transformou o esplendor do seu rosto”. Dt.34:7.
E Moisés escreveu esta Lei e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi (v.9). “Esta Lei” quer dizer: desde o Gênesis até o fim do Pentateuco, que Moisés lhes entregou, antes da sua morte: entretanto o termo “esta Lei”, a do versículo onze, significa uma parte do Deuteronômio.
Quando todo Israel vier a comparecer diante do Eterno, teu D-us, no lugar que escolher, lerás esta Lei diante de todo Israel, aos seus ouvidos. Dt.31:11
Este mandamento de ler a Torah cabia ao rei de Israel. Em “Hol hamoed” (medianos) da festa de Sucot (cabanas) no começo do primeiro ano da Shemitá (ano sabático) tocavam-se as trombetas em Jerusalém, a fim de reunir o povo. Traziam uma bima (estrado) de madeira que colocavam na ezrat nashim (seção reservada para as mulheres, no Templo) e o rei sentava-se lá e todo Israel reunia-se ao redor. Então, o oficiante da congregação, pegava o rolo da Torah e entregava-o ao chefe da congregação, e assim passava de um para o outro, até que chegava às mãos do sumo sacerdote, o qual entregava-o por sua vez, ao rei. Este o recebia, e estando ele de pé, pronunciava a bênção da Torah e lia desde o começo do Deuteronômio até o trecho da “Shemá, asser teasser”, as admoestações da parashah de Ki Tavó, pois estes trechos estimulam a cumprir os preceitos da Torah e fortalecem a fé em D-us. Depois, o rei pronunciava a última bênção da Torah, sempre em hebraico. Nesta cerimônia, o rei representava o Estado, e a leitura da Torah significava a submissão de todo o povo ante a Lei Divina.
Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal