Parashah - SH’MOT

28 de Dezembro de 2007 / 20 de Tevet de 5766.
Parashah – SH’MOT – Ex.1:1-6:1
Haftarah – Is.27:6 –28:13; 29:22,23
D-us suscita um líder. Ex.1– 4.
Servidão no Egito: Ex.1. Transcorreram aproximadamente trezentos anos desde a morte de José. Os 70 hebreus que haviam se radicado no fértil delta do rio Nilo multiplicaram-se em centenas de milhares. Mas o povo israelita, outrora objeto do favor de Faraó, é agora escravo temido e odiado do rei egípcio.
A situação política mudou radicalmente no Egito. Os hicsos, povo que havia ocupado o país durante quase dois séculos, foram expulsos, e o Alto Egito e o Baixo Egito voltaram a unificar-se. O Egito chegou ao apogeu de seu poderio militar e se inicia um grande programa de construção de cidades de depósito. Uma nova família de faros assenta-se no trono egípcio e os serviços que José prestou ao Egito constituem apenas uma modesta lembrança do regime odiado que desapareceu. Não há gratidão para com os hebreus nos corações egípcios. Vêem com alarma o assombroso e sobrenatural crescimento da população israelita. Converter-se-ia gósen em uma via de entrada para conquistadores estrangeiros? Aliar-se-iam os israelitas e invasores para derrotar os egípcios? Por outro lado, Faraó não quer que os hebreus se retirem. Com dureza os obrigará a servir como escravos e desse modo os diminui8rá em numero; ao mesmo tempo se valera deles para realizar a construção de obras publicas. Faraó organiza os hebreus em grupos sob capatazes para tirar barro e fazer tijolos, construir edifícios, canais e prepara fossos, para irrigação.
Porque o Eterno permitiu que seu povo fosse tão cruelmente oprimido? Queria que nascesse neles o desejo de sair do Egito. É provável que os israelitas estivessem tão contentes em Gósen que se houvessem esquecido do concerto abrâmico pelo qual D-us lhes havia prometido a terra de Canaã. Alem disso, alguns dos israelitas apesar de viverem em Gósen separados dos egípcios, começaram a praticar a idolatria (Js.24:14;Ex.20:7,8). Tão grande foi sua decadência espiritual que o Egito se converteu em símbolo do mundo e os israelitas chegaram a representar o homem não regenerado. Era preciso algo drástico para sacudi-los a fim de que desejassem retornar à terra prometida.
Não obstante, D-us frustra o plano de Faraó. Quanto mais os egípcios oprimem aos hebreus, tanto mais se multiplicam e crescem. A tentativa de exterminar os hebreus matando os recém-nascidos do sexo masculino e conservando a vida das meninas pensando que elas se casariam com egípcios e assim perderiam sua identidade racial. A situação dos israelitas tornou-se grave. Para sobreviver como raça, necessitavam de um libertador.
A preparação de Moisés: Ex.2. Moisés figura junto a Abraão e Davi como um dos três maiores personagens do Tanach. Libertador, dirigente, mediador, legislador, profeta, foi sobretudo um grande homem de D-us. Quase se pode dizer que o livro de Êxodo é a história de um homem, do homem Moisés que representa o ponto central em torno do qual gira a crise do plano da redenção. No coração dele verifica-se o conflito, ele recebe a comunicação de D-us para o povo e sobre ele pesa toda a carga das peregrinações. É ele quem recebe o golpe da crítica do povo, pois se acha como mediador entre o povo e D-us e intercede perante D-us a favor deles.
Moisés narra o começo de sua história com tanta simplicidade e modéstia que nem mesmo menciona o nome de seus pais. São notáveis os fatores que D-us empregou para livrar o futuro libertador mediante a pequena arca: o amor perspicaz de Joquebede, a mãe, o choro do nenê, a compaixão da princesa e a sagacidade de Miriã, irmãzinha de Moisés. A seguir D-us fez mais do que os pais esperavam, pois lhes devolveu o menino para que o criassem e a mãe foi paga por seu trabalho.
D-us preparou a Moisés para ser líder e libertado de seu povo. A mão divina evidencia-se passo a passo:
- Moisés foi criado em um lar piedoso, pelo menos durante os primeiros cinco ou sete anos de sua vida, e assim aprendeu a ter não somente fé em D-us, mas também simpatia e a mor por seu povo oprimido.
- Foi educado no palácio do Egito, põe-se em relevo a providência divina em que por meio do decreto de matança Moisés foi conduzido ao palácio. Ali recebeu a melhor educação que o maior e mais culto império daquele tempo oferecia. A permanência no palácio não somente contribuiu para fazê-lo “poderoso em suas palavras e obras”, mas também o livrou do espírito covarde e servil de um escravo. A filha de Faraó foi possivelmente, Hatsepute que, segundo a tradição judaica, era casada, mas não tinha filhos e desejava ardentemente ter um filho.
- Adquiriu experiência no deserto. Aos 40 anos de idade, Moisés identificou-se com o povo israelita e procurou libertá-lo por suas próprias forças, mas nem Moisés estava preparado para libertá-lo, nem o povo para ser libertado. Parece que Moisés dava mostras de arrogância, provocando a pergunta: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós?” como pastor, Moisés aprendeu muitas lições que o ajudariam a governar com paciência e humildade os hebreus, pois como as ovelhas, eram embrutecidos, indefesos e não sabiam cuidar de si mesmos. Conheceu também o deserto através do qual guiaria a Israel em sua peregrinação de quarenta anos. Alem disso teve comunhão com D-us e chegou a conhecê-lo pessoalmente. Ali aprendeu a confiar nele e não em sua própria força.
Chamamento e comissão de Moisés: Ex.3-4. Moisés foi chamado enquanto pastoreava ovelhas no sopé do monte Horebe ou Sinai. O fogo na sarça simbolizava a presença  e santidade purificadora de D-us (Gn.15:17; Dt.4:24), e a sarça talvez representava a Israel em sua baixa condição. Como a sarça ardia sem consumir-se, assim Israel não foi consumido no forno da aflição. D-us revelou a Moisés a compaixão que sentia pelo povo oprimido e depois delineou os pormenores de seu plano para libertá-lo.
Moisés estava pouco disposto a aceitar a comissão de D-us. Respondeu com quatro escusas:
- Quem eu sou, que vá a Faraó?
- Em nome de quem me apresentarei diante de meu povo?
- Os israelitas não vão acreditar que eu sou o mensageiro de D-us.
- Não tenho facilidade de palavras.
Contestadas suas escusas, Moisés aceitou seu chamado e nunca mais olhos para trás. De imediato deu início à sua missão voltando ao Egito. O acontecimento segundo o qual D-us quis matar a Moisés (4:24-26) provavelmente fazendo–o enfermar a ponto de morrer, explica-se como uma advertência para circuncidar a seu filho. D-us não faz acepção de pessoas e os grandes servos de D-us devem obedecer-lhe tanto como os demais. “Se Moisés se tivesse apresentado perante o povo israelita sem haver circuncidado seu filho, sem haver cumprido o Antigo Concerto, ter-se-ia anulado sua influência juntos deles.”
Aarão uniu-se a Moisés no caminho e juntos trouxeram aos anciãos a promessa de livramento e lhes demonstraram os sinais. Acendeu-se a fé entre os hebreus e, muito em breve outras pessoas de Israel receberam as notícias (possivelmente reuniões secretas) e se inclinaram perante D-us em louvor e adoração.
Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - VAYECHI

22 de Dezembro de 2007 / 13 de Tevet de 5768.
Parashah – VEYECHI – Gn.47:28 – 50:26
Haftarah – I Rs.2:1-12.
Jacó contempla o futuro abençoando seus descendentes e profetizando: Embora Jacó, junto com sua família, desfrutasse do melhor do Egito, nunca perdeu a visão do futuro. À semelhança de Abraão e Itzak, Jacó considerava sua vida terrenal como uma peregrinação (47:9), pois “esperava a cidade . . .  da qual o artífice e construtor é D-us“. Tampouco se esqueceu das promessas da aliança de que Israel seria uma nação e herdaria a terra de Canaã (48:3,4). A confiança, tanto de José como de Jacó, de que os israelitas voltariam à terra prometida se observa nas instruções que deram quanto à sua sepultura. Jacó ordenou a seus filhos que o sepultassem no cemitério de Macpela, onde se encontravam os restos de seus pais, avós e também de Léa, sua esposa. José pediu-lhes também, que levassem seus ossos para Canaã porque “D-us certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, Itzak e a Jacó“ (50:42).
Ao abençoar Jacó, seus filhos, foram constituídos pais das tribos de Israel, Jacó profetizou com assombroso discernimento as características das doze tribos. Rúben, por seu caráter impetuoso e instável, não cumpriu seu alto desígnio, e por sua impureza moral fez-se indigno da proeminência. Sua tribo caracterizou-se pela indecisão na época de Débora (Jz.5:15,16), e mais tarde parece ter sido eclipsada por Gade. Por outro lado, de tempos em tempos foi devastada por Moabe.
Os violentos filhos de Simeão e de Levi foram amaldiçoados por seu aleivoso ataque contra Siquém quando vingaram sua violada irmã Dinah (Gn.34). Em pouco tempo ficariam dispersos entre as demais tribos de Israel. Simeão, no meio de Judah (Js.19:1), foi absorvida principalmente por esta tribo, por outro lado, a dispersão de Levi converteu-se em grande bênção, dado que esta tribo foi honrada com a função sacerdotal e a espada da violência foi substituída pelo cutelo do sacrifício. A mais importante bênção e a profecia mais transcendente do presente capítulo é a que se refere à tribo de Judah (49:8-12). O erudito Derek Kidner observa que esta profecia apresenta em miniatura o esquema bíblico da história. Compara-se Judah ao leão por sua valentia, força irresistível e supremacia sobre as outras tribos. Historicamente, Judah foi posta à cabeça do acampamento israelita na peregrinação pelo deserto (Nm.2:2-9; 10:14); foi divinamente designada para ser a primeira em retomar a guerra contra os cananeus após a morte de Josué (Jz.1:1,2); seu exército no período de Davi representava mais de um terço da totalidade dos soldados israelitas (II Sm.24:9). “O Cetro (insígnia real ou de comando) não se arredará de Judah.” A Judah foi concedida a grande honra de ser o progenitor da dinastia real, a casa de Davi.
Pela fé Jacó olhou para o futuro longínquo e contemplou a vinda do Messias. Judah exerceria a autoridade real sobre as outras tribos “até que venha Shiloh”. Não é claro o significado da palavra “Shiloh” no idioma hebraico, porém muitos estudiosos da Tanach (Bíblia) a interpretam de uma ou outra maneira por “pacificador” ou “aquele a quem pertence o direito real” não outro que o Messias. A última interpretação indicaria que o Cetro ou símbolo de autoridade real estaria em mãos de sucessivos reis de Judah até que viesse o Rei a quem D-us reservava o direito de reinar e a quem as nações renderiam homenagem (49:10). Ezequiel (21:26, 27) parece confirmar que Gênesis 49:10 deve ser considerada claramente uma passagem messiânica. Esta profecia antecipou o grande fato histórico de que a linhagem de Davi chegaria a ser eterna no Messias, “o Leão de Judah e Príncipe da Paz”.
Alguns comentaristas julgam que Gênesis 49:11,12 se refere à abundância de vinha no território de Judah, porém outros crêem que o texto fala em sentido figurado da exuberante abundância do reino universal do Messias, cujo advento é profetizado no versículo anterior.
É interessante notar como Jacó empregava outros símbolos de animais para caracterizar certas tribos. Issacar é comparado a um jumento forte que não perdeu seu vigor. À semelhança de muita gente, a tribo de Issacar estava disposta a ceder sua liberdade a fim de obter segurança econômica e uma vida sem riscos nem responsabilidade. Em vez de lutar por submeter os cananeus, aceitou ser submetida por eles. A comparação de Dan a uma serpente venenosa, que ataca sem aviso, talvez se refira profeticamente à tomada de Laís de surpresa por essa tribo (Jz.18:7-9). Naftali seria como uma cerva solta; efetivamente foi localizada em território fértil e tranqüilo. Nos capítulos 19 e 20 de Juízes nota-se algo da violência de um lobo na conduta dos benjamitas. Assim Jacó previu com exatidão algo do caráter e destino das tribos hebraicas. As bênçãos sobre seus filhos constituíram uma conclusão apropriada do período patriarcal.
Lições da vida de José: O livro de Gênesis termina com as palavras “num caixão no Egito”. José deixou o mundo dando testemunho de sua fé na promessa de que Israel voltaria a Canaã, pois ordenou que seu corpo fosse embalsamado a fim de ser levado para Canaã. Para os israelitas que estavam no Egito, o caixão era um símbolo de esperança.
- Podemos aprender muito estudando a história de José. Eis algumas lições que podemos extrair:
- Pureza pessoal. Se não fosse a vida religiosa de José e sua convicção quanto à importância da pureza, teria sido arrastado por paixões carnais e teria cedido à tentação. Mas resolvera levar uma vida pura e se conservou imaculado.
- A prosperidade nos negócios é possível para o fiel servo de D-us. D-us fez José prosperar e ele é um exemplo para nós.
- A importância de cuidar de nossos pais.
- Por meio da humildade, obter a coroa. José sofreu como escravo e depois como preso durante os anos de sua juventude. Foi perseguido pelos irmãos, caluniado pela mulher de Potifar e esquecido pelo copeiro. Tudo sofreu com paciência. Mas seus sofrimentos foram meios que o levaram a alcançar a coroa de autoridade no Egito.
- Toda a vida de José é um exemplo da providência Divina. D-us guiou todos os passos de José, desviando das maldades dos homens e os contratempos da vida para sua meta Divina.
Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - Vayigash

15 de Dezembro de 2007 / 06 de Tevet de 5768.
Parashah – VAYIGASH – Gn.44:18 – 47:27.
Haftarah – Ez.37:15- 28.
A humilde súplica de JudahA intercessão comovente de Judah, saturada de compaixão e amor  para com seu irmão e pai, convenceu a José de que seu arrependimento era verdadeiro e não podia fazer outra coisa senão revelar-se a eles. Perdoou-lhes, e até mesmo os consolou dizendo-lhes que havia sido a mão de D-us que o enviara ao Egito e não eles. Disse: “Pelo que   D-us me enviou diante de vossa face, para conservar a vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (45:7).
José não somente perdoou a seus irmãos, mas proveu amplamente para satisfazer-lhes as necessidades. Mandou que trouxessem suas famílias e Jacó para o Egito onde habitariam na melhor região daquele país. D-us operou no coração de Faraó a fim de que concedesse gratuitamente a Jacó e a sua família, parte do Egito denominada Gósen. Assim demonstrou sua gratidão a José por haver salvado o Egito da fome. Gósen era a região nordeste do delta ao Nilo, separada geograficamente do restante do Egito, mas a vinte quilômetros da sede central de José, Tânis.era um lugar rico e ideal para que os israelitas levassem uma vida separada dos egípcios. Podiam ali viver juntos, multiplicar-se, conservar seus costumes e falar seu próprio idioma. Também seu trabalho como pastores ficavam protegido da influência egípcia, pois os egípcios menosprezavam aos pastores (46:34). Muito tempo antes, D-us havia revelado que seu povo viveria em terra estanha (15:13-16). Agora estava por cumprir-se. José foi o instrumento escolhido para transferir os israelitas para o Egito.
Jacó e sua família descem ao Egito: Gn.46:1-47:27. A partir daqui até ao capitulo 49 Jacó é a pessoa que mais se sobressai e se nota que já era um patriarca digno do novo nome que lhe fora dado em Peniel, Israel (Gn.32:30). Havia passado pela escola do sofrimento, incluindo sua fuga de Esaú, suas dificuldades com Labão, a morte de sua amada Raquel, a humilhação de Dinah e os muitos anos de solidão, durante os quais guardou luto por José. Quase não podia crer na notícia de que José não havia morrido e que era o governado do Egito. Ao ver os carros enviados por Faraó, o patriarca adquiriu ânimo. D-us confirmou-lhe a visão na qual lhe havia indicado ir para o Egito. Por isso não foi para a terra dos Faraós como um refugiado, mas como chefe de uma família que, seguindo a promessa de D-us, converter-se-ia em uma nação. A cena do reencontro do velho pai com seu nobre filho é comovente, para Jacó era como receber um morto ressuscitado. Para José, significava o ponto culminante da aprovação de D-us por sua fé e paciência.
A seguir José apresentou uma delegação de cinco de seus irmãos perante Faraó. Embora este houvesse convidado toda a família a vir para o Egito, José queria estar seguro de que não seria uma decisão passageira de Faraó. Era conveniente que os egípcios soubessem também que Faraó estava perfeitamente de acordo com que se radicassem no Egito.
A forma pela qual José apresentou seu velho pai a Faraó demonstra o profundo respeito que sentia por Jacó e que desejava expressar-lhe a honra mais assinalada. Apresentou ao rei do Egito como se apresentasse um monarca. O rústico e velho pastor demonstrou sua fé e dignidade nessa ocasião. Não se prostrou ante o grande potentado cercado do esplendor da corte egípcia, mas invocou a bênção do eterno sobre ele. Suas palavras a Faraó, “poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida”, contrastam marcadamente com suas palavras proferidas no final de sua carreira: “o D-us que me sustentou desde que eu nasci até este dia; o Anjo que me livrou de todo o mal . . .” (47:9; 48:15, 16). Entre as duas ocasiões, Jacó viu a mão de D-us a operar mediante as circunstâncias e conseqüentemente a auto-avaliação de sua vida mudou de forma radical.
Shabat Shalom !
MSc. Moshe benMazal

Parashah - MIKETZ

8 de Dezembro de 2007 /  29 de Kislev de 5768.
Parashah – MIKETZ – Gn.41:1– 44:17.
Haftarah – I Rs.3:15- 28.
José chega ao posto de primeiro-ministro: Gn.41. Ao contar trinta anos de idade e depois de treze anos de disciplina e preparação (37:2 e 41:46), D-us permitiu que José chegasse ao lugar onde podia honrá-lo. O Eterno deu a Faraó sonhos tais que nem os magos, nem os sábios versados na antiqüíssima sabedoria egípcia podiam interpretar. Então o principal copeiro lembrou-se de que José havia interpretado seu sonho na prisão. Faraó mandou chamar José. É de notar que José se negou a atribuir-se mérito algum na interpretação de sonhos; pelo contrário, testificou abertamente acerca de D-us perante Faraó. Apesar de José não ter visto ainda o cumprimento de seus próprios sonhos e de haver passado longos e difíceis anos como escravo e preso, não havia perdido sua confiança em D-us. Interpretou o sonho de Faraó como uma predição de sete anos de boas colheitas seguidos de sete anos de fome. Aconselhou também que se escolhesse uma pessoa prudente para fazer os preparativos necessários a enfrentar a fome, mas não sugeriu que fosse ele o escolhido; provavelmente não suspeitava que o designado seria ele.
De imediato Faraó nomeou a José como vizir ou primeiro-ministro do Egito. Apoiava-o com a plena autoridade real colocando em seu dedo seu próprio anel de selo como o qual todos os decretos e documentos oficiais eram legalizados e entravam em vigor. Ordenou que todos se ajoelhassem diante de José como se se  tratasse do próprio Faraó. Para que José tivesse posição social, Faraó concedeu-lhe um nome egípcio e lhe deu por esposa a filha do sacerdote de On (Heliópolis), o centro do culto ao Sol, cujo sacerdócio tinha grande importância política. Foi assim que José se aparentou com a mais alta nobreza do Egito.
José não se envaideceu de sua posição nem se aproveitou pessoalmente de sua autoridade; antes, reconheceu que foi levado para desempenhar um trabalho em beneficio de outros, trabalho que ele empreendeu imediatamente. Pensava mais em sua responsabilidade do que em sua dignidade. Primeiro percorreu toda a terra do Egito para inspecionar seus recursos e organizar o trabalho. Depois cumpriram de maneira sistemática as instruções prudentes que D-us lhe havia dado.
Os nomes que José deu a seus filhos indicavam que D-us lhe havia mostrado seu favor. O nome Manassés (o que faz esquecer) demonstra que José havia vencido a amargura. Era um testemunho de que D-us o havia feito esquecer-se de todo o trabalho dos longos anos de provação e de saudade de seu lar em Canaã. Foi, talvez, a maior vitória de sua vida. Depois chamou a seu segundo filho “Efráim” (fértil). D-us faz que frutifiquem os que sabem perdoar e esquecer. Anos mais tarde Jacó declarou que José era como um ramo frutífero junto a uma fonte (49:22). José podia frutificar porque tinha suas raízes em D-us, mantendo-se mediante a comunhão com Ele.
Os críticos liberais têm duvidado do fato que Faraó elevasse ao posto de primeiro-ministro do Egito um escravo estrangeiro, sob condenação e sem prestígio algum. Mas o relato deixa claro que Faraó e seus servos ficaram impressionados pelo fato de que o Espírito de D-us residia em José, de modo que a sabedoria do jovem hebreu não era humana, mas uma operação sobrenatural de D-us (41:38). Supõe-seque a ascensão de José foi facilitada porque também nesse período ocupava o trono do Egito uma dinastia de reis asiáticos, os hicsos ou reis-pastores. Os hicsos invasores tomaram o trono do Egito em 1720 aEC. e reinaram aproximadamente 140 anos. Eram semitas e às vezes nomeavam semitas para ocupara postos importantes. Seria natural que um rei dos conquistadores do Egito acolhesse os hebreus e os colocasse no melhor da terra. Não há o que estranhar que não se encontre menção alguma de José nos monumentos existentes no Egito, pois os egípcios odiavam aos hicsos. Ao expulsa-los do Egito, os egípcios procuraram erradicar toda marca de ocupação estrangeira de seu país, a tal ponto que os arqueólogos tem tido dificuldade para reconstruir os detalhes dos hicsos. Contudo, a arqueologia confirma que muitos pormenores mencionados no relato acerca de José concordam com os costumes daquele tempo. Por exemplo, encontram-se os titulo de chefe dos copeiros e chefe dos padeiros (40:2) em escritos egípcios. Outro dado confirmado é que se conheceram tempos de fome no Egito. Um faraó, segundo um escrito da época ptolomaica (2700 aEC) disse: “estou desolado porque o rio Nilo não transborda em um período de sete anos, falta grão, os campos estão secos e o alimento escasseia.” Desde a antiguidade era o Egito celeiro de Canaã em tempo de escassez. Na Pedra Roseta há um escrito que indica que Faraó tinha o costume de por em liberdade alguns presos no dia de seu aniversário. Tal como o fez no caso do copeiro-mor (40:20). Outro dado é fornecido pelas figuras egípcias nos monumentos antigos porque indicam que os homens não usavam barba e assim explicam a razão pela qual José se barbeou antes de comparecer perante o Faraó (41:14).A cena da investidura de José é nitidamente egípcia. Faraó deu a José seu anel de selo, fê-lo vestir-se com roupa de linho finíssimo e pôs um colar de ouro em seu pescoço (41:42), as três coisas mencionadas nas inscrições egípcias que descrevem investiduras. Além disso, os nomes Tzafnate-Paneach, Asenat e Poti Fera, são nomes egípcios.
José põe seus irmãos à prova: Gn.42. Ao ver os dez homens da família de Jacó que chegaram ao Egito para comprar alimento, José reconheceu de imediato seus irmãos, porem eles não o reconheceram. Por fim cumpriram-se os sonhos de José. Por que os tratou com severidade? Queria prová-los para ver se estavam arrependidos do crime cometido havia mais de vinte anos. Havia transferido sua inveja para Benjamim? José sabia que uma reunião sem comunhão constituiria um escárnio. Se ainda guardavam inveja e ressentimento não poderia ele desfrutar de sua companhia, nem eles da companhia de José. Por outro lado, há certos aspectos do trato de José com seus irmãos que demonstram que ele estava animado de profunda solicitude por isso. Também os nomes que deu a seus filhos atestam que não guardava ira nem desejo de vingança em seu coração.
Os três primeiros dias na prisão fizera os irmãos compreenderem a sorte a que havia m exposto José (42:21,22). O fato de que José mandou prender a Simeão em vez de Rúben, oi primogênito, que se opusera a maltratar José havia vinte anos, infundiu neles a sensação de que a justiça divina os estava alcançando. Seu temor aumentou quando encontraram o dinheiro nas bolsas. Agora chegaram à conclusão de que D-us estava acertando contas com eles. A oferta de Rúben de entregar à morte seus dois filhos em troca pareceria indicar uma mudança de coração, mas em realidade carecia de profundidade, pois Rúben sabia que Jacó não daria morte a seus netos. Não obstante, mostrando uma mudança de atitude, os dez irmãos não se ressentiram com a preferência que José revelava em relação a Benjamim. A mudança de coração evidenciou-se, sem dúvida alguma, quando se encontrou o copo de prata no saco de Benjamim. Todos os irmãos se ofereceram como escravos e se negaram a partir quando José exigiu de novo que somente Benjamim ficasse como escravo. Demonstraram que estavam mais preocupados por Benjamim do que por si mesmos.
Como podemos notar, a história de José é simplesmente ímpar! Que possamos tirar alto proveito do exemplo de vida.
Shabat Shalom!