Parashah - Yitro

26 de Janeiro de 2008 / 19 de Shevat de 5768.
 

Parashah YITRÓ – Êxodo l8. – 20.26
Haftarah – Isaías 6.1 – 7.6, 9.5,6
 

 

Esta parashah enfoca três temas básicos: A visita do sogro de Moisés, A subida de Moisés ao monte Sinai e Os Dez Mandamentos.
 

Jetro visita Moisés. Recaía sobre os ombros de Moisés a tarefa de organizar uma multidão tão grande e julgar o povo mesmo nas coisas insignificantes que surgiam entre eles a cada momento. Ele procurava fazer tudo em vez de repartir trabalhos e responsabilidades entre diversas pessoas. Quando seu sogro Jetro o visitou, trazendo-lhe sua esposa e filhos, Moisés recebeu seu conselho. Organizou Israel em grupos e colocou chefes sobre estes para resolver as dificuldades. Moisés demonstrou grande sabedoria e humildade ao receber as sugestões de outros.
 
Parece que nesta ocasião Jetro se converteu à religião do Senhor. Ao ouvir falar dos prodígios que D-us havia feito, Jetro reconheceu que D-us era supremo sobre os deuses pagãos e lhe ofereceu sacrifício (Ex.18.8,12).
 

A subida ao Sinai: Israel chegou ao monte Sinai aproximadamente seis semanas após sua partida do mar Vermelho. Ali permaneceu quase um ano (Núm.10.11). A montanha conhecida hoje como monte Sinai “é uma massa isolada de rocha que se levanta abruptamente da planície com imponente majestade”. O teólogo Ross observa: “Este local era muito apropriado para a promulgação da Lei. Havia uma magnífica concordância entre as rochas de granito do Sinai e os fundamentos duradouros da moral eterna”.
 

Ao pé do monte Sinai, Israel recebeu a lei e fez aliança com D-us como seu Rei. Esta forma de governo chama-se teocracia. Nota-se nas palavras Alexander MacLaren a importância dos Dez Mandamentos:
 

“Uma obscura tribo de escravos procedentes do Egito submerge nos desertos e depois de quarenta anos sai com um código sintetizado em dez frase, muito breves porém completas, onde estão entretecidas a moral e a religião, tão livre de peculiaridades locais ou nacionais e tão estritamente relacionadas com os deveres fundamentais, que hoje, após três mil anos, esse código é autoridade entres a  maioria dos povos civilizados.”
 

O pacto da lei não teve a intenção de ser meio de salvação. Foi celebrado com Israel depois de sua redenção alcançada mediante poder e sangue. D-us já havia restaurado Israel à justa relação com Ele, mediante a graça. Israel já era seu povo. D-us desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo seu povo e a ter uma relação mais intima com ele. O motivo que levasse a cumprir a lei haveria de ser o amor e a gratidão a D-us por havê-los redimido e feito filhos seus.
 

D-us prometeu três coisas condicionadas à obediência de Israel (Ex.l9.5,6)
 

* Israel seria sua “propriedade peculiar” ou possessão. Implica tanto um valor especial como uma relação íntima. O Senhor escolheu a Israel dentre todas as nações para seu povo especial e para ser como sua esposa (Isaías 54.5).
 

* Seria um “reino sacerdotal”. Os israelitas teriam acesso a D-us e deveriam representar o Senhor, seu Rei, perante o mundo inteiro.
 

* Seria “povo santo”, diferente das nações pagãs que o rodeavam,  uma  nação  separada  para  de D-us, a que serviria e prestaria culto.
 

 

Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a lei, mas não percebera quão fraca é a natureza humana nem quão forte é a tendência para pecar. Séculos depois parece que se esqueceram de que estavam obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o pacto era incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do favor divino (Jeremias 7.4-16).
 

Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça e não pudesse ser negociada pela obediência, podia, contudo, ser perdida pela desobediência.
 

Em geral são propósitos da Lei:
        
* Proporcionar uma norma moral pela qual os redimidos possam demonstrar que são filhos de D-us e viver em justa relação com seu Criador  e com o próximo.
 

* Demonstrar que D-us é Santo e Ele exige a santidade de toda a raça humana.
 

* Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e fazê-la entender que somente mediante a graça pode ser salva.
 

A Lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e ajudá-lo a permanecer em contato com D-us. Mas junto com a Lei  foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça. Os profetas posteriores demonstraram que sem fé e amor as formas, cerimônias e sacrifícios da Lei de nada valiam (Miquéias 6.6-8; Amós 5.21-24; Oséias 6.6; Isaías 1.1-15f).
 

Para gravar na mente hebraica a importância do pacto da Lei, D-us se apresentou em forma de nuvem, figura que Israel não poderia reproduzir, e  pronunciou  o  Decálogo em voz troante. A santidade infinita de D-us foi ressaltada pelos preparativos que Israel devia fazer. Primeiro, os israelita tinham de santificar-se lavando suas vestes e praticando a continência. Segundo, Moisés devia marcar ao povo um limite em torno do monte Sinai para que os israelitas não o tocassem. Assim se acentuaram a grandeza inacessível de D-us e sua sublime majestade.
 

“Do meio de uma tremenda tempestade, acompanhada de terremotos e do som sobrenatural de trombetas, com a montanha toda envolta em fumo e coroada de chamas aterradoras, D-us falou as palavras dos Dez Mandamentos e deu a Moisés a Lei.”
 

Os Dez Mandamentos: D-us fez escrever os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra. Foram guardadas dentro da arca durante séculos. Portanto, deu-se ao Tabernáculo o nome de “tenda do testemunho”, para lembrar aos israelitas que dentro da arca estava a lei e que deviam viver de acordo com ela. Os primeiros quatro mandamentos tratam das relações que devem imperar entre os homens e D-us, e os restantes têm que ver com as relações dos homens entre si. A ordem é muito apropriada. Somente os que amam a D-us podem em verdade amar o próximo.
 

O significado dos Dez Mandamentos consiste no seguinte:
 

A unicidade de D-us: “Não terás outros deuses diante de mim”. Há um só D-us e só a ele havemos de oferecer culto. Adoração a anjos, a santos ou qualquer outra coisa é violação do primeiro mandamento.
 

A espiritualidade de D-us: ”Não farás para ti imagem”. Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor. Dt.27:15. Proíbe-se não somente a adoração de imagens ou de deuses falsos, mas também o prestar culto ao verdadeiro D-us de forma errada. Tais coisas desagradam ao Criador, D-us é espírito e não tem forma.
 

A santidade de D-us: ”Não tomarás o nome do Senhor teu D-us em vão”. Este mandamento inclui qualquer uso do nome de D-us de maneira leviana. Blasfema ou insincera. Deve-se reverenciar o nome Divino porque revela o caráter de D-us.
 

A soberania de D-us: “Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar”. Um dia da semana pertence a D-us. Reconhece-se a soberania de D-us guardando o dia de repouso, visto que esse dia nos lembra que D-us é o Criador a quem devemos culto e serviço. “Santificar” o dia significa separá-lo para culto.
 

Respeito aos representantes de D-us. “Honra a teu pai e a tua mãe”. O homem que não honra a seus pais tampouco honrará a D-us, pois esta é à base do respeito a toda a autoridade.
 

A vida humana é sagrada: “Não matarás”. Este mandamento proíbe o homicídio mas não a pena capital, visto que a própria Lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra, visto como o soldado atua como agente do estado.
 

A família é sagrada: “Não adulterarás”. Este mandamento protege o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por D-us. Isto vigora tanto para o homem como para a mulher (Levítico 20.10).
 

Respeito à propriedade alheia: “Não furtarás”. Há muitas maneiras de violar este mandamento, tais como não pagar o suficientemente ao empregado, não fazer o trabalho correspondente ao salário combinado, cobrar demasiado, descuidar a propriedade do senhor, …
 

A Justiça: “]Não dirás falso testemunho”. O testemunho falso, desnecessário, sem valor ou sem fundamento constitui uma das formas mais seguras de arruinar a reputação de uma pessoa e impedi-la de receber tratamento justo por parte dos outros.
 

10° O controle dos desejos: “Não cobiçarás”. A cobiça é o ponto de partida de muitos pecados contra D-us e contra os homens.
 

As palavras “porque eu, o Senhor teu D-us, sou D-us zelos, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Ex.20.3) devem ser interpretadas à luz do caráter de D-us e de outras escrituras. D-us é zeloso no sentido de ser exclusivista, não tolerando que seu povo preste culto a outros deuses. Como um marido que ama sua esposa não permite que ela reparta seu amor com outros homens - Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; Ele será chamado o D-us de toda a terra. Is.54:5. D-us não tolera nenhum rival.
 

D-us não castiga os filhos pelos pecados de seus pais senão nos casos em que os filhos continuem nos pecados dos pais. Castiga os que o “aborrecem” e não os arrependidos. “A alma que pecar, essa morrerá”; “o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho” (Ezequiel 18.20). Em vez disso, a maldade passa de geração a geração pela influência dos pais quando chega a seu ponto culminante, D-us traz castigo sobre os pecadores (Gênesis 15.16; 2° Reis 17.6-23).
 

Shabat Shalom!
 

MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - B’SHALACH

18 de Janeiro de 2008 / 12 de Shevat de 5768.
 

Parashah BESHALACH – Ex.13: 7 – 17:16
Haftarah – Jz. 4:4 – 5:31.
 

Esta parashah enfoca: A travessia do mar Vermelho, A importância do êxodo, Israel indo para o Sinai, as Provações do deserto e a Guerra com Amaleque com a ajuda Divina
 

A travessia do mar Vermelho: D-us mesmo se constituiu em guia de seu povo manifestando-se em uma coluna de nuvem e de fogo. Por que Ele não conduziu Israel pela rota curta ao longo da linha costeira do mar Mediterrâneo? Porque nessa rota havia fortes guarnições egípcias e na Palestina o esperavam os belicosos filisteus. Se os israelitas seguissem por ali, teriam de lutar imediatamente. Como escravos recém-libertos, os hebreus não estavam preparados para lutar nem para entrar na terra prometida. Necessitavam ser organizados e disciplinados na escola do deserto, receber o pacto da Lei e o desenho do Tabernáculo. Além do mais, D-us os levou ao sul, para o mar Vermelho (possivelmente o mar de Canas) para levar Faraó à sua derrota final e desse modo destruir a ameaça egípcia e libertar para sempre os israelitas do Egito.
 

D-us colocou os hebreus em uma situação muito perigosa. Estavam encerados por montanhas, pelo deserto e pelo mar, e de repente viram o exército egípcio que se aproximava deles; D-us quis revelar-se como único guerreiro da batalha e protetor de seu povo dando-lhe um livramento inesquecível.  Ao verem os egípcios, os israelitas perderam sua confiança e começaram a lançar culpa sobre Moisés, porém Moisés sabia a quem recorrer em busca de ajuda. O fato de que o mar Vermelho se abrisse foi milagroso. Embora D-us tenha usado seu servo e um forte vento como instrumento para abrir o mar, o poder era Dele. Somente por um milagre pôde o vento ter soprado em duas direções ao mesmo tempo, amontoando a água de um lado e a outro do caminho aberto pelo leito do mar. A coluna de nuvem converteu-se na retaguarda de Israel, de maneira que a própria coluna que foi uma bênção para os israelitas, constituiu-se em obstáculo para seus inimigos. Os israelitas atravessaram pelo leito seco e o exército inimigo foi afogado. Um dos estudiosos observa que a travessia do mar Vermelho foi para Israel a salvação, a redenção, e o juízo de D-us, tudo em um mesmo ato.
 
Depois do espetacular livramento, os hebreus cantaram louvores ao Eterno pelo triunfo. A primeira parte do cântico de Moisés trata da vitória sobre os egípcios, a segunda profetiza a conquista de Canaã. Foram compostos para reconhecer a bondade e o inigualável poder de D-us, mediante os quais salvou a seu povo.
 

A importância do êxodo: Ao longo da história de Israel, legisladores, profetas e salmistas repetidamente assinalaram o caráter providencial, extraordinário e miraculoso dos acontecimentos que acompanharam a saída de Egito e, em especial, a travessia do mar Vermelho. Quando os hebreus se lembrassem desses favores, deviam sentir-se movidos à gratidão e à observância da Lei.
 

O êxodo do Egito foi o acontecimento mais significativo na história da nação, tão grande era a importância deste sucesso, que o Senhor D-us em todo o Tanach (Antigo Testamento) é “o que nos fez subir. . .  da terra do Egito.” (Js. 24:17; Am. 2:10; Mq. 6:4; Sl. 81:10 … ).
 

Israel vai para o Sinai: D-us conduziu Israel ao deserto, onde encontraram um lugar muito quente, estéril e vazio. Não havia água nem alimentos suficientes. Ali estiveram os israelitas em perigo de morrer de fome e de sede além do perigo de serem atacados pelas tribos aguerridas e ferozes. As dificuldades da caminhada no deserto são maiores do que podemos imaginar. Toda a viagem por ali foi muito penosa. Por que D-us os guiou por semelhante região? D-us tinha vários propósitos que concretizar:
 

1.       D-us colocou os israelitas na escola preparatória do deserto a fim de que as provações os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a terra prometida, pois ainda não estavam em condições de enfrentar as hostes de Canaã, nem estavam desenvolvidos espiritualmente para servir a D-us desde o momento da entrada na terra. Embora tenham sido libertados da escravidão, ainda tinham espírito de escravos, isto é, demonstravam traços de covardia, murmuração e rebeldia.
 

2.       D-us desejava que os israelitas aprendessem a depender inteiramente Dele. Desde o momento em que Israel partiu do Egito, D-us começou a submetê-lo a uma séria de provas, tendo em vista desenvolver e fortalecer a sua fé. Não havia água nem alimentos. A única maneira de conseguir tais elementos era confiarem em D-us. O deserto era uma praça de esportes onde se podia desenvolver os músculos espirituais.
 

 

3.       D-us conduziu-os a deserto para prová-los e trazer à luz o que havia em seus corações (Dt. 8:2,3). Obedecer-lhe-iam ou não? As provas e aflições no deserto demonstrariam se os hebreus creriam ou não na onipotência, no cuidado e no amor de D-us.
   
Provações no deserto:
 

1.       Desilusão em Mara: a árvore que tornou doces as águas: Decorridos três dias de viagem pelo deserto de Sul, os israelitas chegaram finalmente às fontes de Mara. Todavia, quão grande foi sua desilusão! As águas eram amargas. Imediatamente o povo começou a queixar-se, porém Moisés clamou a D-us. Eles não perceberam que D-us ali os provou. Não existe nenhuma prova de que a árvore que foi lançada nas fontes tivesse a propriedade de tornar potáveis as águas. D-us tornou-as doces. O milagre não somente mostrou que D-us tinha cuidado de seu povo, como também simbolizou no começo desta viagem que adoçaria as amargas experiências futuras se os israelitas buscassem sua ajuda.
 

a)       Às vezes, depois de alcançar grandes vitórias, como na travessia do mar Vermelho, vêm as experiências amargas.
 

b)       De igual maneira, assim como há épocas de severas provações, também á tempos de refrigério na presença do Eterno. Após a saída de Mara chegaram a Elim onde havia água em abundância além de palmeiras.
 

c)       As provas ofereceram uma solução muito acessível. Que significa a árvore lançada na água? Ao aceitar as provas como permitidas por D-us, as amargas experiências tornam-se doces.
 

 

d)       A experiência de Mara deu a oportunidade de revelar-se outro aspecto do caráter de D-us, por meio de um novo nome: Jeová Rafah, ou seja, o Senhor que sara ou, D-us provê a cura tanto material como espiritual. Como a mãe ama a seus filhos por inclinação natural, assim D-us cura a seu povo, pois está em sua natureza o curar. D-us é a saúde de seu povo. Se lhe obedecessem, Ele não traria nenhuma das enfermidades mediante as quais julgou os egípcios.
  
2.       A fome e o maná: Os israelitas sentiram fome no deserto e começaram a expressar de novo seus queixosos lamentos. Esquecendo-se da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância, as queixas eram dirigidas contra Moisés, porém em realidade murmuravam conta D-us, porém Ele retribui-lhes o mal com o bem; proveu codornizes e maná.
 

Grandes bandos de codornizes em suas viagens migratórias atravessam com freqüência o mar Vermelho e a península do Sinai. Esgotadas pelo longo vôo sobre o mar, às vezes grandes quantidades delas caem e são fáceis de caçar. D-us levou-as ao acampamento dos israelitas nesta ocasião e somente uma vez mais na marcha através do deserto ocorreu este fato. (Nm. 11: 31,32)
 

De modo natural D-us providenciou as codornizes, porém a provisão de maná foi um fato completamente milagroso. “Chovia” pão do céu. Durante todo tempo de peregrinação pelo deserto, o maná caía todas as noites juntamente com o orvalho. Era moído em moinhos ou em grãos e cozidos em panela para fazer pão. A ração diária era de um gômer (3,7 litros) por pessoa.
 

Destacam-se alguns ensinos:
 

a)         D-us deseja ensinar a seu povo, por meio do maná, a confiar Nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia de amanhã. D-us provia cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do sábado. É importante destacar que D-us nunca falhou com Seu povo nos quarenta anos de peregrinação.
 

b)         Por meio do maná D-us quis ensinar seu povo a não ser preguiçoso nem avaro. Embora o maná fosse dádiva do céu, cada família tinha de fazer sua parte recolhendo o maná todas as manhãs. Ao avaro que recolhia muito do que necessitava nada lhe sobrava.
 

 

c)         D-us também desejava ensinar os hebreus a obedecerem-lhe, por isso lhes deu normas para recolher o maná. Se por incredulidade ou avareza um hebreu guardava maná para o dia seguinte, o pão do céu bichava e apodrecia. Ou se passava por alto a ordem de recolher uma porção dobrada na sexta-feira, jejuava forçosamente no dia de descanso porque nesse dia não caía maná do céu. Desse modo D-us provou a seu povo e o preparou para receber a lei.
 

3.       A sede e a rocha de Horebe: Em vez de aprender a suportar as dificuldades, os israelitas murmuravam ainda mais. Os perigos, as aperturas e desconfortos parecem aumentar a irritação, a agitação e a ira. Chegados a Refidim onde esperavam encontrar um grande manancial, desiludiram-se. A falta de água causou sofrimento cuja severidade pode-se avaliar. Mas isto não justificava a reação dos israelitas.  Estavam prestes a apedrejar Moisés, e em sua incredulidade provocaram a D-us. Desconfiavam do cuidado do Eterno e com sarcasmo falaram a respeito da presença de D-us no meio deles a qual se manifestara a eles de modo tão patente na coluna de nuvem e na coluna de fogo e em seus livramentos no passado. Por isto se deu ao lugar o nome de Massá (prova) e Meribá (contenda). O líder levou consigo os anciãos de Israel afim de que presenciassem a fonte milagrosa e dela dessem testemunho.
 

4.         Guerra com Amaleque e a ajuda divina: Enquanto D-us trabalhava na vanguarda, uma tribo saqueadora, Amaleque, atacou pela retaguarda. As tribos nômades estavam sempre prontas para lançar-se sobre a presa, onde quer que houvesse oportunidade. Desta vez D-us mudou seus métodos e permitiu que Israel tomasse parte em sua própria salvação. Josué teria de ser o general da primeira batalha contra homens ímpios. Por que Moisés não dirigiu a batalha? D-us não quer que uma única pessoa faça tudo. Ele dá diferentes ministérios a homens diferentes. Ao Moisés cabia subir ao outeiro e desempenhar sua função espiritual. A vara representava a autoridade de D-us, e as mãos levantadas, a intercessão. Como necessitamos em nossos dias de homens como Aarão e Hur que lhes sustentem os braços! As orações de Moisés, combinadas com os esforços dos israelitas, tornaram eficazes as armas.
 

O juízo severo contra Amaleque foi pronunciado porque Amaleque levantou a mão contra o trono de D-us, isto é, recusou-se a reconhecer que era o Eterno quem operava maravilhas a favor de Israel. Os amalequitas provocaram a ira de D-us atacando desapiedadamente os fracos e cansados que ficavam para trás. (Dt. 25:17- 19)
 

Quando Moisés deu ao altar o nome de “O Senhor é minha bandeira”, reconheceu que o próprio D-us era Seu libertador e General. Por isso esse nome de D-us se relaciona com a milícia de seu povo.
 

Façamos deste comentário, a real bandeira para nossa vida espiritual!
 

 

Shabat Shalom!
 

MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - BO

12 de Janeiro de 2008 / 5 de Shevat de 5768.
Parashah – BO – Êx.10:1 – 13:22
Haftarah –Jr.46:1 –28.
Endurecimento do coração de Faraó: As imitações dos primeiros milagres de Aarão e Moisés por parte dos feiticeiros desacreditaram o poder do Eterno aos olhos de Faraó. Mas a vara de Aarão devorou as dos feiticeiros e isto constituiu indício da vitória final.
Faraó destaca-se por sua teimosia ao enfrentar os juízos de D-us. Seu arrependimento foi superficial, transitório e motivado apenas pelo medo e não pelo reconhecimento da necessidade que tinha de D-us. Embora se mantivesse obstinado, quebrando sua promessa toda vez que uma praga era suspensa, ia cedendo mais e mais as exigências de Moisés. Primeiro permitiu que os israelitas oferecessem sacrifícios dentro dos limites do Egito; depois, longe, porém com a condição que fossem somente os homens, e por fim permitiu que todos pudessem ir longe para sacrificar, mas deixando seu gado no Egito.
O texto bíblico mostra claramente que o Eterno ia endurecendo o coração de Faraó, mas é evidente que o coração do rei já estava obcecado e cheio de orgulho quando Moisés se apresentou perante ele pela primeira vez. As três palavras empregadas para indica a atitude de Faraó denotam a intensificação de um sentimento que já existia. D-us endureceu o coração de Faraó pela primeira vez após a sexta praga. O Eterno fez de Faraó o que este queria ser: o opositor de D-us. Apesar de tudo, o endurecimento do coração de Faraó deu a D-us a oportunidade de manifestar seu poder cada vez mais até que causasse uma impressão profunda e duradoura não somente nos egípcios e israelitas mas também nas nações distantes tais como os filisteus.

Israel sai do Egito
A Páscoa: A páscoa é para Israel o que o dia da independência é para um país, e mais ainda. O último juízo sobre o Egito e a provisão do sacrifício páscoa possibilitaram o livramento da escravidão e a peregrinação do povo para a terra prometida. A pascoal é um simbolismo profético do Messias, da salvação e do andar pela fé a partir da redenção. Além do livramento do Egito, a páscoa se constituiu em primeiro dia do ano religioso dos hebreus e o começo de sua vida nacional. Ocorreu no mês de Abibe (chamado Nisan na história posterior), que corresponde aos nossos meses de março e abril.
A palavra páscoa significa passar de largo, pois o anjo destruidor passou de largo as casa onde havia sido aplicado o sangue nas ombreiras e na verga da porta. Os detalhes do sacrifício e as ordenanças que o acompanhavam são muito significativos.
- O animal para o sacrifício devia ser um cordeiro macho de um ano, isto é, um carneiro plenamente desenvolvido e na plenitude de sua vida. Tinha de ser sem mácula. Para assegurar que assim fosse, os israelitas o guardavam em casa durante quatro dias.
- O cordeiro foi sacrificado pela tarde como substituto do primogênito. Por isso morreram os primogênitos das casas egípcias que não creram. Aprendemos que o “salário (o pagamento) do pecado é a morte”, porém D-us proveu um substituto que “foi ferido pelas nossas transgressões” Is.53:5.
- Os israelitas tinham de aplicar o sangue nas ombreiras e na verga das portas, indicando sua fé pessoal, aprendemos que somente pela fé a pessoa está salva da ira de D-us. O anjo exterminador representa a sua ira.
- As pessoas tinham que permanecer dentro de casa, protegidas pelo sangue. Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação?
- Tinham de assar a carne do cordeiro e come-la com pão sem fermento e ervas amargas. O fato de assar em vez de cozer o cordeiro exemplifica a perfeição do sacrifico do Messias e o fato de que deve ser recebido por completo. Assim os hebreus comeram a carne que lhes daria força para a peregrinação. O pão sem fermento simboliza a sinceridade e a verdade enquanto que as ervas amargas provavelmente representavam as dificuldades e as provações que o acompanhavam à redenção.
- Os israelitas deveriam comê-lo em pé e vestidos como viajantes a fim de que estivessem preparados para o momento de partida. Simboliza a nossa prontidão para com as ordens divinas expressa não nó na Torah, mas também na Tanach, através das profecias.
Desejamos um
Shabat Shalom !
MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - VA’ERA

05 de Janeiro de 2008 / 27 de Tevet de 5768.
Parashah – VA’ERÁ – Êx. 6:1 - 9:35.
Haftarah – Ez.28:25 - 29:21.
A dureza de Faraó: Com intrepidez Moisés e Aarão se apresentaram na sala de audiências de Faraó e lhe comunicaram a exigência do Eterno.
Por que D-us exigiu de Faraó somente a permissão de que seu povo fosse ao deserto para celebrar festa por três dias, quando pensava em efetuar sua saída permanentemente? D-us provou ao rei com uma petição pequena sabendo com antecedência a dureza de seu coração. Faraó respondeu com arrogância: “Quem é o     D-us, cuja voz eu ouvirei?” os faraós eram vistos como filhos de Rá, o deus solar do Egito, de maneira que Faraó se considerava a si mesmo um deus. Não tardou em comunicar a única razão pela qual desejavam celebrar a festa era estar demasiado ocioso, e tornou mais pesado o trabalho dos hebreus negando-lhes a palha necessária para produzir tijolos.
A atitude de Faraó não somente deixou os hebreus mais desejosos de sair do Egito, mas também os ajudou a perceber que somente o poder de D-us poderia livrá-los. Com freqüência, quando D-us começa a emancipar o homem do pecado, o efeito imediato é o aumento de dificuldades. Assim os primeiros feitos de Moisés só pioraram a situação, pois o inimigo de nossas almas (satanás) não se dá por vencido sem lutar tenazmente.
Os hebreus culparam amargamente a Moisés e este, por sua vez protestou perante o Eterno. Foi Faraó quem disse: “Quem é o D-us?” contudo, Faraó e os egípcios não eram os únicos que necessitavam ver a natureza de D-us. Israel o necessitava, e Moisés também. D-us respondeu a seu desanimado servo, reiterando as promessas feitas aos patriarcas e de novo prometeu livrar a seu povo.
Os israelitas encontravam-se tão desanimados depois da negativa de Faraó que não quiseram sequer ouvir a Moisés quando este lhes transmitiu o que o Eterno lhe havia revela. Era óbvio que se D-us os salvava, tinha de fazê-lo por pura graça. Somente depois que Israel veio a sentir-se completamente impotente foi que D-us começou a revelar-se por meio das pragas. O Eterno mandou Moisés dizer a Faraó que deixasse o povo hebreu sair. Prometeu fazer de Moisés um operador de prodígios, de modo que Faraó o visse como um deus e Aarão, porta-voz de Moisés fosse visto como profeta.
As pragas: Uma das palavras hebraicas que se traduzem por praga no êxodo significa dar golpes ou ferir. Outras duas palavras descrevem as pragas como sinais e juízos. De modo que as pragas foram tanto sinais divinos que demonstraram que o Eterno é D-us supremo, como atos divinos pelos quais D-us julgou os egípcios e libertou a seu povo.
As pragas foram respostas de D-us à pergunta de Faraó: ”Quem é o D-us, cuja voz eu ouvirei?” Cada praga foi, por outro lado, um deságio aos deuses egípcios e uma censura à idolatria. Os egípcios prestavam culto às forças da natureza tais como o rio Nilo, o sol, a Lua, a Terra, o touro e muitos outros animais. Agora as divindades egípcias ficaram em evidente demonstração de sua impotência perante o Eterno, não podendo proteger aos egípcios nem intervir a favor de ninguém.
A ordem das pragas é a seguinte:
- A água do Nilo converteu-se em sangue. Foi um golpe conta Hapi, o deus das inundações do Nilo.
- A terra ficou infestada de rãs. Os egípcios relacionavam as rãs com os deuses Hapi e Ecte.
- A praga dos piolhos (talvez mosquitos). O pó da terra, considerado sagrado no Egito, converteu-se em insetos muitos importunadores.
- Enormes enxames de moscas encheram o Egito. Deve ter sido um tormento para os egípcios.
- Morreu o gado. Amom, o deus adorado em todo o Egito, era um carneiro, animal sagrado. No Baixo Egito eram adoradas diversas divindades cujas formas eram de carneiro, de bode ou de touro.
- As cinzas que os sacerdotes egípcios espalhavam como sinal de bênção causava úlceras dolorosas.
- A tempestade de trovões, raios e saraiva devastou a vegetação, as colheitas de cevada e de linho e matou os animais do Egito. Este tipo de tempestade era quase desconhecido no Egito. O termo trovão em hebraico significa literalmente vozes de D-us e aqui se insinua que D-us falava em juízo. Os egípcios que escutaram a advertência misericordiosa de D-us, salvaram seu gado.
- A praga de gafanhotos trazida por um vento oriental consumiu a vegetação que havia sobrado da  tempestade de saraiva. Os deuses Isis e Seráfis foram impotentes,  eles que supostamente protegiam o Egito dos gafanhotos.
- As trevas que caíram sobre o país foi o grande golpe contra todos os deuses, especialmente contra Rá, o deus solar. As luminares celestes, objetos de culto, eram incapazes de penetrar a densa escuridão. Foi um golpe direto contra o próprio faraó, suposto filho do Sol.
- A morte dos primogênitos. O Egito havia oprimido o primogênito do Eterno e agora eles próprios sofriam a perda de todos os seus primogênitos.
Observação sobre as pragas: Calcula-se que o período das pragas tenha durado pouco menos de um ano. As primeiras três pragas: sangue, rãs e piolhos caíram tento sobre Israel como na terra egípcia, pois D-us quis ensinar a ambos os povos que erro o Eterno. Mas os sete seguintes açoites castigaram somente aos egípcios para que soubessem que o D-us que cuidava de Israel era também o soberano do Egito e mais forte do que seus deuses. As pragas foram progressivamente mais severas até que quase destruíram o Egito.
As nove primeiras pragas podem ser divididas em três grupos de três pragas cada um. O primeiro grupo: água convertida em sangue, rãs e piolhos causaram asco e repugnância. O segundo grupo: as moscas que picavam a peste sobre o gado e as úlceras sobre os egípcios caracterizavam-se por serem muito doloridas. O ultimo grupo: a saraiva, os gafanhotos e as trevas foram dirigidos contra a natureza; estas últimas produziram grande consternação. A morte dos primogênitos foi o golpe esmagador.
Os feiticeiros egípcios imitaram os dois primeiros açoites, mas quando o Egito foi ferido de piolhos, confessaram que o poder de D-us era superior ao deles e que esta praga era realmente sobrenatural. Os magos não tiveram de reproduzir a praga de úlceras. Não puderam livrar-se a si mesmos dos terríveis juízos nem muito menos a todo o Egito.
Em resumo, as pragas cumpriram os seguintes propósitos:
- Demonstraram que o Eterno é o D-us supremo e soberano. Tanto os israelitas como os egípcios souberam quem era o Eterno.
- Derrocaram as divindades do Egito.
- Castigaram os egípcios por haverem oprimido aos israelitas e por lhes haverem amargado tanto a vida.
- Efetuaram o livramento de Israel e o prepararam para conduzir-se em obediência e fé.
Shabat Shalom.
MSc. Moshe ben Mazal