Parashah - KORACH

28 de Junho de 2008 / 25 de Sivan de 5768.
Parashah – KORACH – Nm.16:1- 18:32
Haftarah – I Sm11:14; 12:1- 22
Na presente Parashah lemos sobre a primeira revolta contra as autoridades, Moisés e Arão. Os interesses pessoais de Kôrach motivaram a sua rebeldia. O descontentamento deste, nos diz o Midrash, veio porque Elitzafan seu primo irmão, obteve um cargo ao qual Kôrach se achava no direito de ocupá-lo. Porém, Elitzafan tinha mais mérito; ele era mais apto que Kôrach para as funções que lhe eram confiadas e Moisés não podia sacrificar o interesse geral pela consideração de idade e de família.
Quanto a Datan e Abiram, a tradição nos ensina, que eles eram aqueles dois hebreus que brigaram no Egito e que disseram então a Moisés: “Quem te constituiu a ti príncipe e juiz sobre nós?” (Êx.2:13,14). Eles eram também os mesmos homens que infringiram a prescrição de D-us relativa ao maná (Êx.16:20). Kôrach, conhecendo as más disposições destes, apoiou-se sobre essa classe de gente, na sua revolta injusta.
Em todo homem, o mundo interior se reflete nos seus atos exteriores, e os interesses pessoais dos homens, afetam muitas vezes uma coletividade inteira. Uma questão privada de Haman contra Mordechai, levou o primeiro a fazer decretar aniquilação do povo israelita inteiro. (Livro de Ester) Também aqui vemos Kôrach, que pela sua ambição de subir ao poder, subleva todo um povo contra Moisés, o chefe espiritual modelo, que jamais fez mal a alguém. “Nenhum só jumento tenho tirado deles, nem a nenhum deles tenho feito mal” Nm.16:15. No primeiro versículo desta parashah, foi mencionado ao lado de Kôrach, Datam e Abiram, o nome de On, que não apareceu na revolta final (ver 16:27). O Talmud menciona a este propósito, o versículo dos provérbios: “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata a derruba com as suas mãos” (Pv.14:1). “A mulher sábia”, faz alusão a esposa de On, que com a sua habilidade fez com que seu esposo ficasse em casa e não saísse naquele dia, no qual salvou-o da morte, enquanto que “a mulher insensata” é a de Kôrach, que incitou seu marido à briga. Foi por isso que Kôrach resolveu destruir Moisés e sua obra.
O Midrash fala das conseqüências da discórdia. “Vejam o caso de Kôrach”, disse Rabi Berechia: “O tribunal celeste condena os pecadores da idade de vinte anos em diante; e o tribunal terrestre condena a partir da idade de treze anos. Entretanto, Kôrach foi castigado com todos os seus; jovens e velhos, crianças de um dia e homens maiores, sem distinção de idade”, segundo indica o versículo trinta e três. Por conseguinte, uma sociedade ou uma família que tem divergências em seu interior, contendas entre seus membros, está destinada perecer, e em seu aniquilamento, arrasta consigo pais e filhos, os que são responsáveis e os que não o são. D-us odeia os perturbadores da paz e condena severamente aqueles que a quebram, pois a harmonia foi à causa final da criação do mundo. Ao lermos Nm.17:16-25, acredito que nos surge uma pergunta: porque D-us não mandou fazer esta prova das varas desde o princípio a fim de ficar esclarecida a sua vontade a quem escolheria?
A Escritura sagrada nos dá com isso, uma lição de alta política. Não é no momento onde a sedição estala que as autoridades devem ceder aos insurgidos. A lei tem que ter a sua força, e cada qual deve submeter-se a ela e respeitá-la. Depois vêm as concessões, se há lugar para fazê-las. Isto é o que se passou nesta circunstância: Primeiro era necessário seviciar contra os mais amotinados, contra a quem continuamente induziam ao erro, o povo. A revolta vencida, o Eterno ordenou por meio de Moisés a prova das varas para manifestar a sua escolha. A vara de Aarão brotou em flores e deu amêndoas; D-us queria indicar com isso que a luz e a inteligência sairiam para o povo. Primeiramente da casa de Aarão, o sacerdote, como na amendoeira que brotam a flor e o fruto muito antes do que nas outras árvores.
Observando Nm.18:8, 9, temos de forma clara que os sacerdotes não tinham herança da terra, em compensação, D-us os concedeu vinte e quatro fontes de renda denominadas “Arba veesrim matenot kehuná”. Estas podem ser resumidas da seguinte maneira: Porções diversas dos sacrifícios e das oblações de farinha e azeite que os acompanham; a “Terumah Gedolá” ou aproximadamente 2% das colheitas de trigo, azeite e vinho; primícias de certos produtos agrícolas, coisas consagradas ao santuário, primogênitos de animais, dízimo do dízimo do que recebiam os levitas, primícias de lã. Dt.18:4
Os levitas também não tiveram parte na herança da Terra Prometida e viviam praticamente do dízimo da colheita que os israelitas lhes davam. Apesar disso, os levitas eram considerados como deserdados e a Torah os associa, pela sua situação material precária, ao estrangeiro, à viúva e ao órfão. (Dt.26:12,13)
O resgate dos primogênitos cuja cerimônia chama-se Pidion Haben, veio de que os primogênitos dos egípcios faleceram na décima e última praga, enquanto aqueles dos israelitas sobreviveram (Êx.13:15). Esta obrigação se refere aos filhos primogênitos cujos pais não são nem Cohen nem Levi, e se um homem tem várias mulheres, todo o primogênito de cada mulher, é considerado primogênito para este preceito. A cerimônia do Pidion Haben, realiza-se após completar os trinta dias do nascimento e se o trigésimo dia cai num sábado ou num dia de festa religiosa, faz-se-lhe mesmo assim a cerimônia do Pidion e não se espera que a criança seja circuncidada. A quantia de prata que se necessita para dar ao Cohen como resgate do primogênito é no mínimo cinco Selaim (moeda de prata que equivalem hoje a 96 gramas de prata pura). Pode-se fazer o resgate com prata ou outros objetos de valor, porém não com terrenos ou documentos.
Shabat Shalom !
MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - SH’LACH L’CHACH

21 de Junho de 2008 / 21 de Sivan de 5768. 

Parashah – SH’LACH L’CHACH – Nm.13:1- 15:41
Haftarah – Js.2:1- 24
A presente parashah trata sobre o envio de doze homens, um de cada tribo, para espiarem a terra de Canaã. D-us não ordenou enviar exploradores a terra, mas consentiu a este pedido do povo, segundo o lemos no Deuteronômio: “E dissestes, enviemos homens adiante de nós para que nos espie a terra.” Dt.1:22. Com o envio dos “meraguelim” (exploradores), os israelitas mostraram sua falta de fé, pois D-us já tinha dito que se tratava duma boa terra, e ia dá-la para eles. Porém o povo temia, e desconfiava. Por outra parte vemos Josué também enviar meragelim (Josué 2:1), mas desta vez com a fé, pois previam o triunfo, o que faltou no primeiro caso. E assim se entendem as palavras “shelah lechah”, cuja tradução é ‘envia para ti’ (3:2) e não disse D-us, “ajunta-me setenta homens” (11:16), quando ordenou a Moisés sobre a reunião dos setenta anciãos. Apesar de D-us conhecer o resultado negativo dos meragelim, Ele permitiu que os enviassem, pois D-us guia os homens cada qual pelo caminho que deseja ir, pois somos portadores do livre arbítrio.

No fim do capítulo 13, relata o retorno dos espias, e no início do capítulo 14, vemos o povo desanimado pelo informe dos meragelim, razão porque choraram a noite toda. Segundo o Rabi Yohanan disse: “Aquela noite era à noite de nove do mês hebreu Av, e D-us falou assim aos filhos de Israel: Vocês choram esta noite sem motivo, porém, Eu a marcarei como noite de choro, e com motivo, para vossas gerações”. Nesta mesma data, séculos depois, foram destruídos por duas vezes o Templo de Jerusalém e houve outros acontecimentos nefastos, pelos quais ainda hoje choramos neste dia marcado com sangue, onde a nossa coroa foi quebrada, nossa glória jogada ao chão e o nosso povo foi disperso por toda a parte do mundo. Porém, o profeta Zacharias promete ao povo de Israel que D-us converterá os quatro dias de jejum e tristeza do ano, em gozo e alegria, com a condição de amarmos a verdade e a paz. Assim diz o Eterno dos Exércitos: O jejum do quarto mês, 17 Tamuz, e o jejum do quinto mês, 9 de Av, e o jejum do sétimo mês, 3 Tishrei, isto é, o jejum de Gedalia e o jejum do décimo mês, 10 Tevet, se tornarão para a casa de Judá em gozo e alegria e em festas boas; portanto amai a verdade e a paz. Zacharias 8:19.

No 14:18 temos: “O Eterno é tardio em irar-se e grande em misericórdia; que perdoa iniqüidade e rebelião, e não livra o culpado que não faz penitência; visita o delito dos pais nos filhos, sobre terceira e quartas gerações:” D-us quis aniquilar o povo ingrato levado á rebeldia pelos doze exploradores, pois ele também teve culpa de ter crido nestes, e não na promessa de D-us. Porém Moisés interveio em favor do povo, fazendo recordar a D-us os seus divinos atributos, as treze qualidades mencionadas no livro do Êxodo 34:6, insistindo para que o perdoasse.

A Midrash escreve a este propósito que quando Moisés subiu ao Monte de Sinai, encontrou o Eterno escrevendo estas palavras: “O Eterno é tardio em irar-se”. - Somente para os bons e justos, propôs Moisés. - Não! Mesmo para os pecadores respondeu D-us! - Mas os pecadores não o merecem, disse Moisés. - Não fale assim, respondeu o Eterno “Chegará um dia em que tu mesmo pedirás misericórdia também para os pecadores”. Com efeito, mais tarde, Moisés teve que interceder uma vez em favor do povo adorador de bezerro de ouro, e uma segunda vez no caso dos exploradores.

No versículo 37 do capítulo 14, temos: “Aqueles homens que infamaram a terra morreram da praga diante do Eterno”. Os meragelim infamaram a terra que haviam espiado dizendo que ela consumia seus habitantes (14:32). Eles usaram a tática dos caluniadores e mentirosos que começam por falar bem e acabam falando mal (14:27, 28). Segundo Maimônides, o pecado dos meragelim está na palavra ‘éfes’ (mas). Eles disseram: ‘A terra emana leite e mel, mas . . .’. Como informantes, eles deviam declarar somente o que viram. Com este ‘mas’, eles queriam indicar que não poderiam conquistar a terra, debilitando assim o ânimo do povo.

Vejam o castigo da maledicência, nos diz Rab Elazar ben Parte! Os meragelim que infamaram a terra a qual é coisa inanimada, foram merecedores de morte, qual não seria o castigo para quem infama seu próximo!

O capítulo 15 relata as ofertas que deverão ser apresentadas, quando da chegada à terra prometida. No versículo 20 “Em primeiro lugar, separareis de vossa massa, uma torta; como oferta da eira, assim a separareis”. A Torah ordena tirar uma parte da Chalah para o sacerdote. A obrigação é só para massa feita de um dos cinco tipos de cereais, D-us ordenou separar da Chalah um ômer (volume de 43,1/5 ovos; quer isto dizer se o produto fosse moído em farinha, teria a capacidade necessária para conter o volume de quarenta e três ovos e uma quinta parte de ovo) de massa; sendo para uso da casa: 1/24, e para os padeiros: 1/48. Esta Lei se aplica somente quando todos os israelitas habitarem Medinat-Israel, porém, atualmente, faz-se isso por tradição a fim de que não seja esquecido este mandamento. Por isso há obrigação separar a Chalah e queimá-la no mesmo forno em que será cozido o pão. Ao separá-la, aproximadamente 28 gramas, cita-se a seguinte benção: Baruch atah Adonai Elohênu mélech haolam, asher kideshanu bemitzvotav, vetzivanú lehafrish chala min haissá, ou seja, Bendito és Tu D-us, Rei do mundo; que nos santificou com seus mandamentos e nos ordenou separar a Chalah. Este mandamento toca principalmente às mulheres.

O trecho do Maftir desta parashah constitui a terceira parte da Shemah na qual D-us nos ordena levar o Tzitzit,

A palavra Tzitzit significa franjas, e o valor numérico de suas letras em hebraico, acrescentando os oito fios e cinco nós de sua franja, somam seiscentos e treze, representando segundo o Talmud, o número total de preceitos da Torah. Olhar para Tzitzit significa por assim dizer, lembrar-se de toda a Lei de Moisés.

A lei prescreve ademais, colocar sobre o canto da franja, um cordão de lã pintado com o sangue de um peixe denominado Halazon, cuja cor (techélet) é a mesma que a do mar. A razão disso nos é dada no Talmud, “pois a cor do techélet assemelha-se aquela do mar onde D-us fez milagres a Israel” e a cor do mar assemelha-se a cor dos céus, onde se encontra o trono do Eterno.

Shabat Shalom!

MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - B’HA’ALOTCHA

14 Junho de 2008 / 16 de Sivan de 5768.
Parashah – B’HA’ALOTCHA – Nm.8:1- 12:16.
Haftarah – Zc.2:14- 4:7
D-us determina a Moisés a forma do acender as lâmpadas do candelabro. Num paralelismo, podemos tirar exemplo, dos quais citamos alguns:
A questão da lâmpada acesa é um chamamento para que em cada um judeu se inspire na condição, importância, utilidade e especialmente necessidade da existência da mesma em nossas vidas, tanto no interior para relacionar-se com D-us como no exterior para o relacionamento com o mundo, pois no instante que passamos a assumir tais destaques, sem dúvida alguma passamos a ser um referencial, ser o fiel da balança.
Com relação a disposições das velas no candelabro, é uma forma de destaque e respeito da comunidade para aquele que detém conhecimento e discernimento no campo espiritual, pois quer queiramos ou não, D-us chama cada um de nós para uma tarefa específica neste mundo, dentre tais, há aqueles que D-us chama para serem sacerdotes, pois por vivermos na galut, nem sempre tem um Cohen na comunidade, e não será pela ausência deste, que o povo judeu também ficará a mercê da diáspora espiritual. D-us sempre levanta um “pastor” para cuidar do Seu rebanho.
Um outro exemplo que podemos tirar é com relação ao candelabro. Este é construído em ouro, material nobre. Assim todo aquele que busca em D-us o seu norte fanal, sem dúvida alguma deixará de ter alto valor, será uma vida nobre frente às vicissitudes do mundo.
A luz que obtemos da vela indica vida e vida em abundância, por conseguinte todo aquele que se inclina inteiramente para os preceitos de D-us, é uma luz para a comunidade e para o mundo todo, o que, aliás, no presente momento é o que muito está a humanidade a carecer. Sejamos, pois, o reflexo da luz que D-us coloca em cada um de nós que o bendizemos, exaltamos, adoramos, louvamos e O tememos.
Creio que cada um dentro da sua experiência com D-us, possa tirar outros tantos significados das disposições das luzes do candelabro, para uma vida no dia-a-dia, repleta das bênçãos de D-us.
Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal

Parashah - NASO

7 de Junho de 2008 / 4 de Sivan de 5768.
Parashah – NASO – Nu. 4:21 - 7:89
Haftarah – Jz. 8:2-25
Nesta parashah, veremos algo mais sobre a tribo de Levi, pois além do encargo no serviço do Tabernáculo, era dividida também em quatro partes ao redor da Tenda sagrada. No ocidente, achava-se os filhos de Gershon que tinham a seu cargo a tenda, a sua coberta, o reposteiro etc. Ao sul, os filhos de Kehat, cuja missão era o transporte da Arca de D-us. Ao norte, os filhos de Merari, que tinham a seu cargo as madeiras, as tábuas do Tabernáculo, as travessas, colunas e afins, e na parte oriente estavam Moisés, Aarão e seus filhos, como guias espirituais do povo.

Apesar de Kehat ser mais jovem que Gershon, os kehatitas foram citados em primeiro, pois a sua missão no serviço do Tabernáculo era mais importante. Sem dúvida, os Gershonitas descendiam do filho primogênito de Levi, porém não atingiam o grau de perfeição dos filhos de Kehat, pois estes serviam na santidade das santidades, no meio de uma atmosfera de luz e pureza. A sabedoria é mais preciosa que as pérolas e nenhuma das coisas que se deseja pode ser comparadas com ela (Pv. 3:15), neste texto do rei Salomão, concluímos que o sábio é superior ao rei. Muitos são os que podem substituir um rei, porém nem todos podem substituir um sábio que desaparece. Os chefes de estado, os dignatários, e todos os que ocupam altos cargos, não deveriam ocupar as suas cadeiras por suas idades, títulos e fortunas, mas por seu próprio mérito.
Na presente parashah encontramos o seguinte texto:
O Eterno te abençoe e te guarde. Faça resplandecer o Eterno o seu rosto sobre ti, e te agracie. Tenha o Eterno misericórdia de ti, e ponha em ti a paz. Nm.6:24-26
Estes três passukim constituem a clássica benção do Cohanim para o povo de Israel. Denomina-se “Bircat Cohanim”, ou seja, Benção dos Sacerdotes. Os ministros de outros cultos, também a incluíram nos seus rituais. Conforme ao espírito da Torah e do Talmud, os Cohanim não são seres superiores que dão a sua benção, apenas são o veículo por intermédio dos quais, a benção de D-us desce para o povo. Eles não podem abençoar o povo de uma maneira arbitrária. Assim abençoarei os filhos de Israel (vers. 22) disse a Torah. Os sacerdotes não podem modificar esta fórmula, pois eles não são os legisladores, mas os executantes. Durante a oração, os Cohanim não podem abençoar a congregação sem antes serem chamados pelo Sheliah tsibur (oficiante, delegado da congregação) o qual não deve ser, se for possível um, um Cohen. Enquanto se recita (ora) o Bircat Cohanim, o público não deve olhar para suas mãos, pois a benção não reside nas mãos dos Cohanim, eles não são mais do que um instrumento, mas a benção vem de D-us que confirma as palavras dos Cohanim, e abençoa estes ao mesmo tempo. Este é o verdadeiro significado do versículo 27.
Muito teríamos a discorrer sobre a presente parashah, mas iremos lentamente absorvendo assunto por assunto, deve ser um crescimento lento mas proveitoso, é como uma grande construção, ergue-se colocando um tijolo após outro.
Shabat Shalom !
MSc.Moshe ben Mazal