19 de Julho de 2008 / 16 de Tamuz de 5768.
Parashah - PINCHAS – Nm. 25:10- 30:1.
Haftarah – I Rs. 18:46- 19:21.
Afligireis aos Midianitas, e feri-los-eis (Nm. 25:17).
D-us ordena a guerra contra os Midianitas.
O exegeta Ramban faz esta observação: “porque só contra os Midianitas e não também contra os Moabitas, já que Moab havia contratado Bilam para amaldiçoar Israel?”
Esta diferença se deve, nos diz ele, porque os Moabitas temiam o povo de Israel e o seu medo era um medo material perante o poder de Israel, um temor político, nacional, que pode ter um país contra outro. Os Midianitas pelo contrário odiavam o povo de Israel. As suas terras não estavam no caminho por onde devia passar Israel e seu estado não estava em perigo. Apesar disso trataram de aniquilá-lo, e como não podia fazê-lo, usaram o meio da corrupção a fim de assimilá-lo. Por isso é que contra Midian somente caiu a ira do Eterno.
Por outra parte vemos no Deuteronômio que D-us proibiu Israel fazer guerra a Moab (Dt. 2:9), e o Talmude nos diz a razão: “porque de Moab tinha de nascer Ruth, e de sua descendência o Rei David e finalmente desta extirpe o Messias“.
Estas são as famílias dos filhos de Gad, segundo os que foram deles contados: Quarenta mil e quinhentos (Nm. 26:18).
São muitas as razões porque D-us ordenou contar aqui a congregação dos filhos de Israel. A Midrash escreve que em todo o lugar onde os israelitas tiveram que sofrer alguma mortandade, foram contados, assemelhando-se o caso ao pastor em cujo rebanho entraram lobos e mataram parte dos carneiros. O pastor os conta para saber quantos ficaram. Uma outra explicação é que os israelitas saindo do Egito foram entregues a Moisés, contados (Êx. 12:37). Agora que Moisés estava no fim de seus dias, ele tinha que entrega-los também contados. Uma terceira razão é que a Torah ao enumerar aqui as famílias de Israel logo após o assunto de ” Peor “, quer mostrar que estas conservaram sempre a sua pureza familiar e integridade moral. O erro de Zimri (Nm. 25:14), foi um dos casos singulares e únicos na história de Israel e por isso causou indignação entre o resto do povo que geralmente, conservou intacta a sua pureza.
Os filhos de Ache, segundo suas famílias: de Yimná, a família de Yimná; de Yishvi a famílias dos Yishvitas; de Beriá, a família dos Beriítas, ( Nm26: 44).
Nota-se que ao citar as famílias, a Escritura Sagrada os denomina em hebraico: “Hanoch, Hahanochi; Palu, Hapalui, etc” (cap. 26:5), para fazer com que a primeira e a última letra do nome hebraico da família, levassem o nome de D-us “Yah”, e fosse assim atribuída ao Eterno. Foi por isso que o Rei David denominou os filhos de Israel como sendo as tribos de D-us “Shibtê Yah” (Sl. 122). Porém no caso da família de Yimnah a Escritura Sagrada não teve a necessidade de dizer “Hayimni” dado que na palavra Yimnah mesmo, a primeira com a última letra, já formam o nome de D-us.
E vieram as filhas de Tzelofhad, filho de Heber, filho de Gilead, filho de Machir, filho de Manasés, das famílias de Manasse, filho de José; e estes são os nomes de suas filhas: Mahlá, Noá, Hoglá, Milcá e Tirtzá (Nm. 27:1).
Tzelofhad, o pai destas moças que se apresentaram perante Moisés, Eleazar, . . ., reclamando o direito de sua herança, era, segundo o Rabi Aqiba, aquele homem que apanhava lenha no dia de sábado e foi condenado a morte (Nm. 15:32- 36), mas segundo Rabi Simão, ele era um dos que se mostraram temerários para subir ao cume do monte e lutar, mas que caíram mortos pelos Amalekitas e os Cananeus (Nm. 14:44- 45).
E levou Moisés a causa delas ao Eterno (Nm. 27:5).
Segundo o Midrash, as filhas de Tzelofhad se apresentaram primeiro aos capitães de dezenas, os quais se recusaram resolver o caso, dizendo que este competia a uma autoridade superior. Elas consultaram os capitães de cinqüenta que responderam da mesma forma. Seguiram levando o seu caso perante os capitães de centenas e daí por diante, às autoridades superiores, porém todas se declararam incompetentes, até que chegaram a Moisés. O modesto Legislador de Israel, profundo conhecedor dos sentimentos humanos, não querendo ferir a sensibilidade dos capitães consultados, respondeu às filhas de Tzelofhad: “Eu também recuso pronunciar-me a respeito: existe um Juiz mais eminente que eu!” E Moisés levou a causa delas, perante o Eterno.
Que o Eterno, D-us dos espíritos de toda criatura, nomeie um homem sobre a congregação (Nm. 27:16).
D-us mandou Moisés subir ao monte de Abarim e ver a terra que ia dar aos filhos de Israel, informando-o que não teria a ventura de entrar na terra prometida. Moisés, em lugar de recriminar e queixar-se, suplica a D-us para não abandonar o rebanho que lhe foi confiado e que designasse um novo pastor. Eis aqui, um exemplo de sacrifício absoluto à causa pública! Nos ensina o Midrash que os grandes homens deixam de lado os seus próprios interesses, para se ocuparem dos demais.
Quando Moisés pediu um sucessor, dirigiu-se ao Eterno, qualificando-o “D-us dos espíritos de toda a criatura”, pois somente D-us conhece os corações, a inteligência, os sentimentos de cada um, e sabe aquele que é apto para ser chefe. Moisés pede para Israel um guia espiritual que esteja animado do espírito de Divino, isto é, que conheça inteiramente a natureza humana e se adapte ao espírito de cada ovelha de seu rebanho. Este é o guia infalível, o pastor ideal para uma comunidade.
Nesta seqüência de textos anotados e comentados, acredito que muito proveito podemos tirar para aplicar em cada dia, que o nosso Eterno nos dispensa.
Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal