SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA DE SANTA MARIA - 90 ANOS

Na data de hoje agradecemos ao nosso Eterno D-us, Bendito Seja Ele, de nos oportunizar o transcurso dos 90 anos de fundação da Sociedade Beneficente Israelita de Santa Maria (01.01.1919).
MSc. Moshe ben Mazal
– KEHILAH.NET –
 

Parashah - VAYIGASH

3 de Janeiro de 2009 / 07 de Tevet de 5769.
Parashah – VAYIGASH – Gn. 44:18 – 47:27.
Haftarah – Ez. 37:15- 28.
A humilde súplica de JudahA intercessão comovente de Judah, saturada de compaixão e amor para com seu irmão e pai, convenceu a José de que seu arrependimento era verdadeiro e não podia fazer outra coisa senão revelar-se a eles. Perdoou-lhes, e até mesmo os consolou dizendo-lhes que havia sido a mão de D-us que o enviara ao Egito e não eles. Disse: “Pelo que   D-us me enviou diante de vossa face, para conservar a vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (45:7).
José não somente perdoou a seus irmãos, mas proveu amplamente para satisfazer-lhes as necessidades. Mandou que trouxessem suas famílias e Jacó para o Egito onde habitariam na melhor região daquele país. D-us operou no coração de Faraó a fim de que concedesse gratuitamente a Jacó e a sua família, parte do Egito denominada Gósen. Assim demonstrou sua gratidão a José por haver salvado o Egito da fome. Gósen era a região nordeste do delta ao Nilo, separada geograficamente do restante do Egito, mas a vinte quilômetros da sede central de José, Tânis.era um lugar rico e ideal para que os israelitas levassem uma vida separada dos egípcios. Podiam ali viver juntos, multiplicar-se, conservar seus costumes e falar seu próprio idioma. Também seu trabalho como pastores ficavam protegido da influência egípcia, pois os egípcios menosprezavam aos pastores (46:34). Muito tempo antes, D-us havia revelado que seu povo viveria em terra estanha (15:13-16). Agora estava por cumprir-se. José foi o instrumento escolhido para transferir os israelitas para o Egito.
Jacó e sua família descem ao Egito: Gn.46:1-47:27. A partir daqui até ao capitulo 49 Jacó é a pessoa que mais se sobressai e se nota que já era um patriarca digno do novo nome que lhe fora dado em Peniel, Israel (Gn.32:30). Havia passado pela escola do sofrimento, incluindo sua fuga de Esaú, suas dificuldades com Labão, a morte de sua amada Raquel, a humilhação de Dinah e os muitos anos de solidão, durante os quais guardou luto por José. Quase não podia crer na notícia de que José não havia morrido e que era o governado do Egito. Ao ver os carros enviados por Faraó, o patriarca adquiriu ânimo. D-us confirmou-lhe a visão na qual lhe havia indicado ir para o Egito. Por isso não foi para a terra dos Faraós como um refugiado, mas como chefe de uma família que, seguindo a promessa de D-us, converter-se-ia em uma nação. A cena do reencontro do velho pai com seu nobre filho é comovente, para Jacó era como receber um morto ressuscitado. Para José, significava o ponto culminante da aprovação de D-us por sua fé e paciência.
A seguir José apresentou uma delegação de cinco de seus irmãos perante Faraó. Embora este houvesse convidado toda a família a vir para o Egito, José queria estar seguro de que não seria uma decisão passageira de Faraó. Era conveniente que os egípcios soubessem também que Faraó estava perfeitamente de acordo com que se radicassem no Egito.
A forma pela qual José apresentou seu velho pai a Faraó demonstra o profundo respeito que sentia por Jacó e que desejava expressar-lhe a honra mais assinalada. Apresentou ao rei do Egito como se apresentasse um monarca. O rústico e velho pastor demonstrou sua fé e dignidade nessa ocasião. Não se prostrou ante o grande potentado cercado do esplendor da corte egípcia, mas invocou a bênção do eterno sobre ele. Suas palavras a Faraó, “poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida”, contrastam marcadamente com suas palavras proferidas no final de sua carreira: “o D-us que me sustentou desde que eu nasci até este dia; o Anjo que me livrou de todo o mal . . .” (47:9; 48:15, 16). Entre as duas ocasiões, Jacó viu a mão de D-us a operar mediante as circunstâncias e conseqüentemente a auto-avaliação de sua vida mudou de forma radical.
Shabat Shalom !
MSc. Moshe ben Mazal

O CONFLITO EM GAZA

O mundo todo já esperava a resposta militar de Israel às provocações do Hamas. Tão logo Israel responde as provocações, o mundo todo, com raras exceções, se levanta contra a ação de autodefesa.
Na minha ótica, se analisarmos as repetidas investidas, Hamas usa os ataque como um jogo para barganhar, pois para acalmar a “ira”, Israel tem de favorecer algo.
O mais incrível de tudo isto é o Hamas usar a prática de escudos inocentes no sentido único de tornarem-se os coitadinhos e Israel tomar a posição de malvado, uso desigual de ataque, pois na conta da mídia Israel é um vil matador de inocentes.
Até quando irá este jogo baixo?
Quando o mundo irá abrir os olhos para a realidade?
Moshe ben Mazal
 

Parashah - MIKETZ

27 de Dezembro de 2008 /  30 de Kislev de 5769.
Parashah – MIKETZ – Gn.41:1– 44:17.
Haftarah – I Rs.3:15- 28.
José chega ao posto de primeiro-ministro: Gn.41. Ao contar trinta anos de idade e depois de treze anos de disciplina e preparação (37:2 e 41:46), D-us permitiu que José chegasse ao lugar onde podia honrá-lo. O Eterno deu a Faraó sonhos tais que nem os magos, nem os sábios versados na antiqüíssima sabedoria egípcia podiam interpretar. Então o principal copeiro lembrou-se de que José havia interpretado seu sonho na prisão. Faraó mandou chamar José. É de notar que José se negou a atribuir-se mérito algum na interpretação de sonhos; pelo contrário, testificou abertamente acerca de D-us perante Faraó. Apesar de José não ter visto ainda o cumprimento de seus próprios sonhos e de haver passado longos e difíceis anos como escravo e preso, não havia perdido sua confiança em D-us. Interpretou o sonho de Faraó como uma predição de sete anos de boas colheitas seguidos de sete anos de fome. Aconselhou também que se escolhesse uma pessoa prudente para fazer os preparativos necessários a enfrentar a fome, mas não sugeriu que fosse ele o escolhido; provavelmente não suspeitava que o designado seria ele.
De imediato Faraó nomeou a José como vizir ou primeiro-ministro do Egito. Apoiava-o com a plena autoridade real colocando em seu dedo seu próprio anel de selo como o qual todos os decretos e documentos oficiais eram legalizados e entravam em vigor. Ordenou que todos se ajoelhassem diante de José como se se  tratasse do próprio Faraó. Para que José tivesse posição social, Faraó concedeu-lhe um nome egípcio e lhe deu por esposa a filha do sacerdote de On (Heliópolis), o centro do culto ao Sol, cujo sacerdócio tinha grande importância política. Foi assim que José se aparentou com a mais alta nobreza do Egito.
José não se envaideceu de sua posição nem se aproveitou pessoalmente de sua autoridade; antes, reconheceu que foi levado para desempenhar um trabalho em beneficio de outros, trabalho que ele empreendeu imediatamente. Pensava mais em sua responsabilidade do que em sua dignidade. Primeiro percorreu toda a terra do Egito para inspecionar seus recursos e organizar o trabalho. Depois cumpriram de maneira sistemática as instruções prudentes que D-us lhe havia dado.
Os nomes que José deu a seus filhos indicavam que D-us lhe havia mostrado seu favor. O nome Manassés (o que faz esquecer) demonstra que José havia vencido a amargura. Era um testemunho de que D-us o havia feito esquecer-se de todo o trabalho dos longos anos de provação e de saudade de seu lar em Canaã. Foi, talvez, a maior vitória de sua vida. Depois chamou a seu segundo filho “Efráim” (fértil). D-us faz que frutifiquem os que sabem perdoar e esquecer. Anos mais tarde Jacó declarou que José era como um ramo frutífero junto a uma fonte (49:22). José podia frutificar porque tinha suas raízes em D-us, mantendo-se mediante a comunhão com Ele.
Os críticos liberais têm duvidado do fato que Faraó elevasse ao posto de primeiro-ministro do Egito um escravo estrangeiro, sob condenação e sem prestígio algum. Mas o relato deixa claro que Faraó e seus servos ficaram impressionados pelo fato de que o Espírito de D-us residia em José, de modo que a sabedoria do jovem hebreu não era humana, mas uma operação sobrenatural de D-us (41:38). Supõe-seque a ascensão de José foi facilitada porque também nesse período ocupava o trono do Egito uma dinastia de reis asiáticos, os hicsos ou reis-pastores. Os hicsos invasores tomaram o trono do Egito em 1720 aEC. e reinaram aproximadamente 140 anos. Eram semitas e às vezes nomeavam semitas para ocupara postos importantes. Seria natural que um rei dos conquistadores do Egito acolhesse os hebreus e os colocasse no melhor da terra. Não há o que estranhar que não se encontre menção alguma de José nos monumentos existentes no Egito, pois os egípcios odiavam aos hicsos. Ao expulsa-los do Egito, os egípcios procuraram erradicar toda marca de ocupação estrangeira de seu país, a tal ponto que os arqueólogos tem tido dificuldade para reconstruir os detalhes dos hicsos. Contudo, a arqueologia confirma que muitos pormenores mencionados no relato acerca de José concordam com os costumes daquele tempo. Por exemplo, encontram-se os titulo de chefe dos copeiros e chefe dos padeiros (40:2) em escritos egípcios. Outro dado confirmado é que se conheceram tempos de fome no Egito. Um faraó, segundo um escrito da época ptolomaica (2700 aEC) disse: “estou desolado porque o rio Nilo não transborda em um período de sete anos, falta grão, os campos estão secos e o alimento escasseia.” Desde a antiguidade era o Egito celeiro de Canaã em tempo de escassez. Na Pedra Roseta há um escrito que indica que Faraó tinha o costume de por em liberdade alguns presos no dia de seu aniversário. Tal como o fez no caso do copeiro-mor (40:20). Outro dado é fornecido pelas figuras egípcias nos monumentos antigos porque indicam que os homens não usavam barba e assim explicam a razão pela qual José se barbeou antes de comparecer perante o Faraó (41:14).A cena da investidura de José é nitidamente egípcia. Faraó deu a José seu anel de selo, fê-lo vestir-se com roupa de linho finíssimo e pôs um colar de ouro em seu pescoço (41:42), as três coisas mencionadas nas inscrições egípcias que descrevem investiduras. Além disso, os nomes Tzafnate-Paneach, Asenat e Poti Fera, são nomes egípcios.
José põe seus irmãos à prova: Gn.42. Ao ver os dez homens da família de Jacó que chegaram ao Egito para comprar alimento, José reconheceu de imediato seus irmãos, porem eles não o reconheceram. Por fim cumpriram-se os sonhos de José. Por que os tratou com severidade? Queria prová-los para ver se estavam arrependidos do crime cometido havia mais de vinte anos. Havia transferido sua inveja para Benjamim? José sabia que uma reunião sem comunhão constituiria um escárnio. Se ainda guardavam inveja e ressentimento não poderia ele desfrutar de sua companhia, nem eles da companhia de José. Por outro lado, há certos aspectos do trato de José com seus irmãos que demonstram que ele estava animado de profunda solicitude por isso. Também os nomes que deu a seus filhos atestam que não guardava ira nem desejo de vingança em seu coração.
Os três primeiros dias na prisão fizera os irmãos compreenderem a sorte a que havia m exposto José (42:21,22). O fato de que José mandou prender a Simeão em vez de Rúben, oi primogênito, que se opusera a maltratar José havia vinte anos, infundiu neles a sensação de que a justiça divina os estava alcançando. Seu temor aumentou quando encontraram o dinheiro nas bolsas. Agora chegaram à conclusão de que D-us estava acertando contas com eles. A oferta de Rúben de entregar à morte seus dois filhos em troca pareceria indicar uma mudança de coração, mas em realidade carecia de profundidade, pois Rúben sabia que Jacó não daria morte a seus netos. Não obstante, mostrando uma mudança de atitude, os dez irmãos não se ressentiram com a preferência que José revelava em relação a Benjamim. A mudança de coração evidenciou-se, sem dúvida alguma, quando se encontrou o copo de prata no saco de Benjamim. Todos os irmãos se ofereceram como escravos e se negaram a partir quando José exigiu de novo que somente Benjamim ficasse como escravo. Demonstraram que estavam mais preocupados por Benjamim do que por si mesmos.
Como podemos notar, a história de José é simplesmente ímpar! Que possamos tirar alto proveito do exemplo de vida.
Chag Sameach VeShabat Shalom!

Parashah -VAIESHEV

VAIÊSHEV – 20/12/2008 – 23 de Kislev de 5769.
Parashah – VAYESHEV – Gn.37:1; 40:23.
Haftarah – Am.2:6; 3:8
Comentário da Parashah:
Introdução à História de José: José é um dos mais atraentes personagens da Bíblia. O teólogo Ross observa que era um “idealista prático”, que no início de sua vida teve sonhos que o animaram e guiaram pelo resto de sua vida. Ele manifestou, talvez, o caráter mais correto de todas as pessoas descritas no Tanach. Nota-se a importância de José no fato de que a ele é dedicado quase tanto espaço no Livro de Gênesis quanto a Abraão. José é importante porque foi o elo entre a vida nômade dos hebreus em Canaã e sua vida sedentária no Egito.
D-us havia revelado a Abraão que sua descendência passaria quatro séculos em terra alheia (Gn.15:13-16). A paciência de D-us esperaria até que a maldade do amorreu chegasse ao ponto máximo antes de destruí-lo e entregar Canaã aos hebreus. É evidente também a necessidade de que Israel fosse para o Egito. A aliança matrimonial de Judah com uma cananéia e sua conduta vergonhosa descrita no capítulo 38 indica-nos o perigo que havia em Canaã de que os hebreus se corrompessem por completo e perdessem seu caráter essencial. No Egito os hebreus não seriam tentados a casar-se com mulheres egípcias nem a se misturar com os egípcios, pois estes desprezavam os povos pastores (Gn.46:34). Além do mais, tão logo os cananeus reconhecessem os planos dos israelitas de estabelecerem-se permanentemente em Canaã e assenhorear-se da terra, tê-los-iam exterminados. Tal coisa não sucederia em Gósen. Ali, sob a proteção do poderoso Egito, os hebreus poderiam multiplicar-se e desenvolver-se até chegar a ser uma nação numerosa.
D-us usou a José como instrumento para levar a cabo o plano de transferir seu povo para o Egito. Em toda a vida de José destaca-se a providência divina. A palavra providência deriva do latim – providere: videre significa “ver” e pro “antes”. De modo que quer dizer “ver com antecedência” ou “prever”. D-us prevê, e com isso também prepara os passos necessários para realizar tudo o que Ele prevê. O dicionário de Aulete define providência como “A suprema sabedoria atribuída a D-us com que ele governa todas as coisas”, e mais adiante: “O próprio D-us, considerado como supremo árbitro do universo”. O dicionário de Aurélio diz: “A suprema sabedoria com que D-us conduz todas as coisas”. E por extensão: “O próprio D-us.” Em nenhum outro relato da Bíblia brilha mais a providência de D-us do que nesta história. Ele lança mão dos desígnios distorcidos dos homens e os converte em meios para efetuar seus planos (Gn.50:20).
A venda de José por seus irmãos: Gn.37. O primeiro passo para situar José no Egito foi ser ele vendido como escravo por seus irmãos invejosos. Seus irmãos odiavam-no por vários motivos:
a . José comunicou a seu pai o mal que se propalava a respeito de seus irmãos. Aos dezessete anos foi enviado a seus para aprender a pastorear ovelhas. A irreverência e a baixa moralidade deles escandalizaram-no. Os filhos mais velhos de Jacó haviam cedido a certas práticas pagãs, fato que se vê na conduta de Judah relatada no capítulo 38. Parece que entre os filhos de Jacó somente José manteve em alta conta as elevadas normas da religião do Eterno. Se José tivesse participado das conversações imundas e da conduta vulgar, eles o teriam aceitado como um deles.
b . Jacó amava-o mais do que a seus outros filhos. Pois José nasceu na velhice de Jacó e era o primogênito de sua esposa predileta, Raquel. Expressou abertamente seu favoritismo presenteando a José com uma túnica de cores que lhe chegava até aos calcanhares e mangas que iam até às palmas das mãos. Este tipo de vestimenta era usado pelos governantes, sacerdotes e outras pessoas de distinção que não tinham de trabalhar manualmente. A túnica dos operários e pastores não tinha mangas e mal chegava até ao joelho. Os irmãos teriam perguntado entre si: “ Não se dará o caso de que nosso pai entregue a primogenitura a José, fazendo-o nosso chefe no culto e na guerra?” Jacó provocou, pois, a inveja de seus filhos mais velhos.
c . Ingenuamente José contou os sonhos que profetizavam que o restante de sua família se inclinaria diante dele da mesma forma que as pessoas prestavam homenagem aos reis naquele tempo. Em geral, não convém contar tais revelações até que se veja de que forma D-us as executará ou até que D-us mostre que devem ser contadas. Qual foi o propósito de D-us ao dar-lhe esses sonhos? Os sonhos deram a José a convicção de que D-us tinha algum alto propósito para a sua vida e mais tarde esses sonhos o sustentariam em seus longos anos de prova.
Ao enviar José a fim de obter informação acerca do bem-estar de seus irmãos, Jacó deu a estes a oportunidade que esperavam. Percebe-se claramente que a mão de D-us o guiava mesmo no meio das más paixões de seus irmãos. Haviam-se transferido de Siquém até Dotã, situada dezoito quilômetros ao norte. Dotã é uma palavra que significa “poços gêmeos” e existe até hoje em Dotã excelente abastecimento de água. A importância da transferência deles reside em que Dotã estava na rota das caravanas que se dirigiam ao Egito. Rúben se interpôs com a intenção de salvar a José dos planos assassinos de seus irmãos. Como filho mais velho era responsável pela vida de José e parece haver tido maior consideração por seu pai do que os demais. Não obstante, por contemporizar com seus irmãos, Rúben perdeu a oportunidade de salvar a José. Os ismaelitas chegaram no momento oportuno. Desta forma D-us operou usando homens maus para levar José ao Egito.
A forma, como os irmãos atuaram, mostra como a inveja e o ódio endurece a consciência humana. Passaram por alto a angustia e os rogos do jovem (42:21), sentaram-se tranqüilamente para comer pão depois de lançar José na cisterna. Depois de vendê-lo, felicitavam a si mesmos, sem dúvida, por sua misericórdia e bom tino para negócios. Mais tarde enganaram cruelmente a seu velho pai. Ao apresentar a túnica manchada de sangue, disseram-lhe insensivelmente: “Conhece agora se esta será ou não a túnica de teu filho”, como se José não fosse irmão deles. O fato de que as Escrituras relatem com franqueza os detalhes feios dos fundadores das tribos de Israel é evidência de sua autenticidade e inspiração. As lendas de outros povos sempre atribuem a seus fundadores características heróicas, porém não reconhecem falhas neles.
A angústia inconsolável do velho pai não está à altura de um homem que havia lutado com D-us e havia prevalecido. Embora não seja errado expressar o pesar. Parece que Jacó se esqueceu dos sonhos de José e não buscou o consolo divino. Pelo contrário, Jacó sentiu a perda do único filho que havia prezado o espiritual e que o havia consolado com sua presença e amor após a trágica morte de sua querida esposa Raquel.
José na casa de Potifar: Gn.39.1-20. Os midianitas não venderam José a uma pessoa desconhecida que vivia em um lugar obscuro e distante da civilização. Ao invés disso, levaram-no à própria capital do Egito e o venderam a Potifar, capitão da guarda real, pessoa de  influência na corte de Faraó. Assim José foi colocado onde se lhe ofereciam as melhores oportunidades de conhecer os costumes dos egípcios, de ser iniciado na arte de governar e, sobretudo, de ser introduzido na presença de Faraó.
A sorte que um escravo corria era muito dura, pois uma vez feito escravo, permanecia escravo para sempre. À parte disto, José teria sofrido dolorosamente a saudade da casa e a falta do carinho de seu pai. Não obstante, uma vez levado, não deu sinais de protesto. Consagrou-se de boa vontade a cumprir seus deveres de escravo. Destacou-se como jovem consciencioso, industrioso e digno de confiança. Quatro vezes se diz no capitulo 39: “o Eterno estava com José”. O teólogo F.B.Meyer observa: “O sentido da presença e proteção do D-us de seu pai penetrava em sua alma e a tranqüilizava, e o guarda em perfeita paz”. Reconhecendo que D-us fazia José prosperar, Potifar fê-lo administrador de sua casa.
A integridade que José manteve diante da tentação apresentada pela esposa de Potifar contrasta notavelmente com a conduta de Judah registrada no capítulo anterior, Judah era livre e de sua própria vontade incorreu no pecado em um lugar que ele pensava ser um santuário cananeu. Por sua parte, escravo, longe do lar, José tinha todo o pretexto para ceder à tentação, porém lançou mão de duas armas: a Divina e a humana. “Como faria eu este tamanho mal, e pecaria contra D-us?” Considerou esse ato de imoralidade como pecado contra seu senhor, contra a senhora, contra seu próprio corpo e sobretudo, contra D-us. Também usou a arma humana ao afastar-se dela e por fim fugiu quando a tentação se tornou forte. Ao ser caluniado, não reagiu acusando a mulher, nem ainda defendendo-se a si próprio. Parece que Potifar havia duvidado da verdade da acusação e se irou principalmente porque havia perdido um escravo tão bom. Em vez de matá-lo, que seria o castigo correspondente ao delito, Potifar impôs a José a pena mais leve possível em tais circunstâncias.
José na prisão: Gn.39:2 – 40:23. Depois de haver trabalhado com tanto afinco, sem queixas, e de haver chegado a um lugar de prestigio incomparável, José foi objeto de calunias e caiu ao ponto mais baixo e com menos esperança que a de um escravo. Mas José guardou silencio confiando sua causa às mãos de D-us e trabalhando serena e diligentemente. Por que D-us permitiu que José fosse encarcerado? Ali aprenderia muito dos altos personagens que compartilhavam a prisão com ele. Também o pesar e a privações, o jugo levado na juventude, tudo contribuiu para formar um caráter firme, paciente e maduro a fim de que José prestasse grandes serviços a D-us e aos homens quando chegasse o momento oportuno. Por último, sua estada no cárcere e sua faculdade de interpretar sonhos puseram-no em seu devido tempo em contato com Faraó.
Como deve ter brilhado o caráter de José no meio dos presos ressentidos e desanimados! Ele tinha consciência de que D-us o acompanhava e este era o segredo de seu êxito. O chefe da prisão notou sua industriosidade e sua responsabilidade e o encarregou do cuidado de toda a prisão e dos presos. No caso dos dois prisioneiros que eram funcionários do rei, vemos que José não permitiu que sua triste situação pessoal despojasse seu coração de solicitude por outro ou o cegasse para as necessidades deles. Por sua comunhão com um D-us amoroso, estava cheio de compaixão. Interrogou o copeiro e o padeiro, que estavam perturbados, e então lhes afirmou que D-us tinha a interpretação de seus sonhos. Embora as interpretações divinamente dadas a José se cumprissem ao pé da letra, viu ele frustradas as suas esperanças de que o copeiro intercedesse por ele perante Faraó. A demora é, com freqüência, parte da disciplina divina. Por isso D-us demorou também a libertação de José par proporcionar-lhe um cumprimento maior dos sonhos que lhe dera muitos anos antes.
Chag Sameach !
MSc Moshe ben Mazal
Texto da Parashah: Gn. 37:1; 40:23
Bereshit [Gênesis 37]
37. Jacó habitava na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã. 2. Estas são as gerações de Jacó. José, aos dezessete anos de idade, estava com seus irmãos apascentando os rebanhos; sendo ainda jovem, andava com os filhos de Bila, e com os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e José trazia a seu pai más notícias a respeito deles. 3. Israel amava mais a José do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. 4. Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no, e não lhe podiam falar pacificamente. 5. José teve um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais. 6. Pois ele lhes disse: Ouvi, peço-vos, este sonho que tive: 7. Estávamos nós atando molhos no campo, e eis que o meu molho, levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu molho. 8. Responderam-lhe seus irmãos: Tu pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós? Por isso ainda mais o odiavam por causa dos seus sonhos e das suas palavras. 9. Teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, dizendo: Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam perante mim. 10. Quando o contou a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e disse-lhe: Que sonho é esse que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, a inclinar-nos com o rosto em terra diante de ti? 11. Seus irmãos, pois, o invejavam; mas seu pai guardava o caso no seu coração. 12. Ora, foram seus irmãos apascentar o rebanho de seu pai, em Siquém. 13. Disse, pois, Israel a José: Não apascentam teus irmãos o rebanho em Siquém? Vem, e enviar-te-ei a eles. Respondeu-lhe José: Eis-me aqui. 14. Disse-lhe Israel: Vai, vê se vão bem teus irmãos, e o rebanho; e traze-me resposta. Assim o enviou do vale de Hebrom; e José foi a Siquém. 15. E um homem encontrou a José, que andava errante pelo campo, e perguntou-lhe: Que procuras? 16. Respondeu ele: Estou procurando meus irmãos; dize-me, peço-te, onde apascentam eles o rebanho. 17. Disse o homem: Foram-se daqui; pois ouvi-lhes dizer: Vamos a Dotã. José, pois, seguiu seus irmãos, e os achou em Dotã. 18. Eles o viram de longe e, antes que chegasse aonde estavam, conspiraram contra ele, para o matarem, 19. dizendo uns aos outros: Eis que lá vem o sonhador! 20. Vinde pois agora, matemo-lo e lancemo-lo numa das covas; e diremos: uma besta-fera o devorou. Veremos, então, o que será dos seus sonhos. 21. Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles, dizendo: Não lhe tiremos a vida. 22. Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cova, que está no deserto, e não lanceis mão nele. Disse isto para livrá-lo das mãos deles, a fim de restituí-lo a seu pai. 23. Logo que José chegou a seus irmãos, estes o despiram da sua túnica, a túnica de várias cores, que ele trazia; 24. e tomando-o, lançaram-no na cova; mas a cova estava vazia, não havia água nela. 25. Depois sentaram-se para comer; e, levantando os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade; nos seus camelos traziam tragacanto, bálsamo e mirra, que iam levar ao Egito. 26. Disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar nosso irmão e encobrir o seu sangue? 27. Vinde, vendamo-lo a esses ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele; porque é nosso irmão, nossa carne. E escutaram-no seus irmãos. 28. Ao passarem os negociantes midianitas, tiraram José, alçando-o da cova, e venderam-no por vinte siclos de prata aos ismaelitas, os quais o levaram para o Egito. 29. Ora, Rúben voltou à cova, e eis que José não estava na cova; pelo que rasgou as suas vestes 30. e, tornando a seus irmãos, disse: O menino não aparece; e eu, aonde irei? 31. Tomaram, então, a túnica de José, mataram um cabrito, e tingiram a túnica no sangue. 32. Enviaram a túnica de várias cores, mandando levá-la a seu pai e dizer-lhe: Achamos esta túnica; vê se é a túnica de teu filho, ou não. 33. Ele a reconheceu e exclamou: A túnica de meu filho! uma besta-fera o devorou; certamente José foi despedaçado. 34. Então Jacó rasgou as suas vestes, e pôs saco sobre os seus lombos e lamentou seu filho por muitos dias. 35. E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado, e disse: Na verdade, com choro hei de descer para meu filho até o Seol. Assim o chorou seu pai. 36. Os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda.

Bereshit[Gênesis 38]

38. Nesse tempo Judá desceu de entre seus irmãos e entrou na casa dum adulamita, que se chamava Hira, 2. e viu Judá ali a filha de um cananeu, que se chamava Suá; tomou-a por mulher, e esteve com ela. 3. Ela concebeu e teve um filho, e o pai chamou-lhe Er. 4. Tornou ela a conceber e teve um filho, a quem ela chamou Onã. 5. Teve ainda mais um filho, e chamou-lhe Selá. Estava Judá em Quezibe, quando ela o teve. 6. Depois Judá tomou para Er, o seu primogênito, uma mulher, por nome Tamar. 7. Ora, Er, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, pelo que o Senhor o matou. 8. Então disse Judá a Onã: Toma a mulher de teu irmão, e cumprindo-lhe o dever de cunhado, suscita descendência a teu irmão. 9. Onã, porém, sabia que tal descendência não havia de ser para ele; de modo que, toda vez que se unia à mulher de seu irmão, derramava o sêmen no chão para não dar descendência a seu irmão. 10. E o que ele fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que o matou também a ele. 11. Então disse Judá a Tamar sua nora: Conserva-te viúva em casa de teu pai, até que Selá, meu filho, venha a ser homem; porquanto disse ele: Para que porventura não morra também este, como seus irmãos. Assim se foi Tamar e morou em casa de seu pai. 12. Com o correr do tempo, morreu a filha de Suá, mulher de Judá. Depois de consolado, Judá subiu a Timnate para ir ter com os tosquiadores das suas ovelhas, ele e Hira seu amigo, o adulamita. 13. E deram aviso a Tamar, dizendo: Eis que o teu sogro sobe a Timnate para tosquiar as suas ovelhas. 14. Então ela se despiu dos vestidos da sua viuvez e se cobriu com o véu, e assim envolvida, assentou-se à porta de Enaim que está no caminho de Timnate; porque via que Selá já era homem, e ela lhe não fora dada por mulher. 15. Ao vê-la, Judá julgou que era uma prostituta, porque ela havia coberto o rosto. 16. E dirigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, deixa-me estar contigo; porquanto não sabia que era sua nora. Perguntou-lhe ela: Que me darás, para estares comigo? 17. Respondeu ele: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. Perguntou ela ainda: Dar-me-ás um penhor até que o envies? 18. Então ele respondeu: Que penhor é o que te darei? Disse ela: O teu selo com a corda, e o cajado que está em tua mão. Ele, pois, lhos deu, e esteve com ela, e ela concebeu dele. 19. E ela se levantou e se foi; tirou de si o véu e vestiu os vestidos da sua viuvez. 20. Depois Judá enviou o cabrito por mão do seu amigo o adulamita, para receber o penhor da mão da mulher; porém ele não a encontrou. 21. Pelo que perguntou aos homens daquele lugar: Onde está a prostituta que estava em Enaim junto ao caminho? E disseram: Aqui não esteve prostituta alguma. 22. Voltou, pois, a Judá e disse: Não a achei; e também os homens daquele lugar disseram: Aqui não esteve prostituta alguma. 23. Então disse Judá: Deixa-a ficar com o penhor, para que não caiamos em desprezo; eis que enviei este cabrito, mas tu não a achaste. 24. Passados quase três meses, disseram a Judá: Tamar, tua nora, se prostituiu e eis que está grávida da sua prostituição. Então disse Judá: Tirai-a para fora, e seja ela queimada. 25. Quando ela estava sendo tirada para fora, mandou dizer a seu sogro: Do homem a quem pertencem estas coisas eu concebi. Disse mais: Reconhece, peço-te, de quem são estes, o selo com o cordão, e o cajado. 26. Reconheceu-os, pois, Judá, e disse: Ela é mais justa do que eu, porquanto não a dei a meu filho Selá. E nunca mais a conheceu. 27. Sucedeu que, ao tempo de ela dar à luz, havia gêmeos em seu ventre; 28. e dando ela à luz, um pôs fora a mão, e a parteira tomou um fio encarnado e o atou em sua mão, dizendo: Este saiu primeiro. 29. Mas recolheu ele a mão, e eis que seu irmão saiu; pelo que ela disse: Como tens tu rompido! Portanto foi chamado Pérez. 30. Depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio encamado; e foi chamado Zerá.
Bereshit [Gênesis 39]
39. José foi levado ao Egito; e Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda, egípcio, comprou-o da mão dos ismaelitas que o haviam levado para lá. 2. Mas o Senhor era com José, e ele tornou-se próspero; e estava na casa do seu senhor, o egípcio. 3. E viu o seu senhor que Deus era com ele, e que fazia prosperar em sua mão tudo quanto ele empreendia. 4. Assim José achou graça aos olhos dele, e o servia; de modo que o fez mordomo da sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha. 5. Desde que o pôs como mordomo sobre a sua casa e sobre todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor estava sobre  tudo o que tinha, tanto na casa como no campo. 6. Potifar deixou tudo na mão de José, de maneira que nada sabia  do que estava com ele, a não ser do pão que comia. Ora, José era formoso de porte e de semblante. 7. E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os olhos em José, e lhe disse: Deita-te comigo. 8. Mas ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe o que está comigo na sua casa, e entregou em minha mão tudo o que tem; 9. ele não é maior do que eu nesta casa; e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto és sua mulher. Como, pois, posso eu cometer este grande mal, e pecar contra Deus? 10. Entretanto, ela instava com José dia após dia; ele, porém, não lhe dava ouvidos, para se deitar com ela, ou estar com ela. 11. Mas sucedeu, certo dia, que entrou na casa para fazer o seu serviço; e nenhum dos homens da casa estava lá dentro. 12. Então ela, pegando-o pela capa, lhe disse: Deita-te comigo! Mas ele, deixando a capa na mão dela, fugiu, escapando para fora. 13. Quando ela viu que ele deixara a capa na mão dela e fugira para fora, 14. chamou pelos homens de sua casa, e disse-lhes: Vede! meu marido trouxe-nos um hebreu para nos insultar; veio a mim para se deitar comigo, e eu gritei em alta voz; 15. e ouvigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, deixa-me deixou, aqui a sua capa e fugiu, escapando para fora. 16. Ela guardou a capa consigo, até que o senhor dele voltou a casa. 17. Então falou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: O servo hebreu, que nos trouxeste, veio a mim para me insultar; 18. mas, levantando eu a voz e gritando, ele deixou comigo a capa e fugiu para fora. 19. Tendo o seu senhor ouvido as palavras de sua mulher, que lhe falava, dizendo: Desta maneira me fez teu servo, a sua ira se acendeu. 20. Então o senhor de José o tomou, e o lançou no cárcere, no lugar em que os presos do rei estavam encarcerados; e ele ficou ali no cárcere. 21. O Senhor, porém, era com José, estendendo sobre ele a sua benignidade e dando-lhe graça aos olhos do carcereiro, 22. o qual entregou na mão de José todos os presos que estavam no cárcere; e era José quem ordenava tudo o que se fazia ali. 23. E o carcereiro não tinha cuidado de coisa alguma que estava na mão de José, porquanto o Senhor era com ele, fazendo prosperar tudo quanto ele empreendia.
Bereshit [Gênesis 40]
40. Depois destas coisas o copeiro do rei do Egito e o seu padeiro ofenderam o seu senhor, o rei do Egito. 2. Pelo que se indignou Faraó contra os seus dois oficiais, contra o copeiro-mor e contra o padeiro-mor; 3. e mandou detê-los na casa do capitão da guarda, no cárcere onde José estava preso; 4. e o capitão da guarda pô-los a cargo de José, que os servia. Assim estiveram por algum tempo em detenção. 5. Ora, tiveram ambos um sonho, cada um seu sonho na mesma noite, cada um conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que se achavam presos no cárcere: 6. Quando José veio a eles pela manhã, viu que estavam perturbados: 7. Perguntou, pois, a esses oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere da casa de seu senhor, dizendo: Por que estão os vossos semblantes tão tristes hoje? 8. Responderam-lhe: Tivemos um sonho e ninguém há que o interprete. Pelo que lhes disse José: Porventura não pertencem a Deus as interpretações? Contai-mo, peço-vos. 9. Então contou o copeiro-mor o seu sonho a José, dizendo-lhe: Eis que em meu sonho havia uma vide diante de mim, 10. e na vide três sarmentos; e, tendo a vide brotado, saíam as suas flores, e os seus cachos produziam uvas maduras. 11. O copo de Faraó estava na minha mão; e, tomando as uvas, eu as espremia no copo de Faraó e entregava o copo na mão de Faraó. 12. Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: Os três sarmentos são três dias; 13. dentro de três dias Faraó levantará a tua cabeça, e te restaurará ao teu cargo; e darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras seu copeiro. 14. Mas lembra-te de mim, quando te for bem; usa, peço-te, de compaixão para comigo e faze menção de mim a Faraó e tira-me desta casa; 15. porque, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus; e aqui também nada tenho feito para que me pusessem na masmorra. 16. Quando o padeiro-mor viu que a interpretação era boa, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos de pão branco estavam sobre a minha cabeça. 17. E no cesto mais alto havia para Faraó manjares de todas as qualidades que fazem os padeiros; e as aves os comiam do cesto que estava sobre a minha cabeça. 18. Então respondeu José: Esta é a interpretação do sonho: Os três cestos são três dias; 19. dentro de três dias tirará Faraó a tua cabeça, e te pendurará num madeiro, e as aves comerão a tua carne de sobre ti. 20. E aconteceu ao terceiro dia, o dia natalício de Faraó, que este deu um banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mor, e a cabeça do padeiro-mor no meio dos seus servos; 21. e restaurou o copeiro-mor ao seu cargo de copeiro, e este deu o copo na mão de Faraó; 22. mas ao padeiro-mor enforcou, como José lhes havia interpretado. 23. O copeiro-mor, porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu dele.
Texto da Haftarah de VAYESHEV (Am. 2:6 – 3:8)
Amós 2
6. Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos, 7. Suspirando pelo pó da terra, sobre a cabeça dos pobres, pervertem o caminho dos mansos; e um homem e seu pai entram à mesma moça, para profanarem o meu santo nome. 8. E se deitam junto a qualquer altar sobre roupas empenhadas, e na casa dos seus deuses bebem o vinho dos que tinham multado. 9. Todavia eu destruí diante dele o amorreu, cuja altura era como a altura dos cedros, e que era forte como os carvalhos; mas destruí o seu fruto por cima, e as suas raízes por baixo. 10. Também vos fiz subir da terra do Egito, e quarenta anos vos guiei no deserto, para que possuísseis a terra do amorreu. 11. E dentre vossos filhos suscitei profetas, e dentre os vossos jovens nazireus. Não é isto assim, filhos de Israel? diz o SENHOR. 12. Mas vós aos nazireus destes vinho a beber, e aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizareis. 13. Eis que eu vos apertarei no vosso lugar como se aperta um carro cheio de feixes. 14. Assim perecerá a fuga ao ágil; nem o forte corroborará a sua força, nem o poderoso livrará a sua vida. 15. E não ficará em pé o que maneja o arco, nem o ligeiro de pés se livrará, nem tampouco se livrará o que vai montado a cavalo. 16. E o mais corajoso entre os fortes fugirá nu naquele dia, diz o SENHOR.
Amós 3
1. OUVI esta palavra que o SENHOR fala contra vós, filhos de Israel, contra toda a família que fiz subir da terra do Egito, dizendo: 2. De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades. 3.  Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? 4. Rugirá o leão no bosque, sem que tenha presa? Levantará o leãozinho no seu covil a sua voz, se nada tiver apanhado? 5. Cairá a ave no laço em terra, se não houver armadilha para ela? Levantar-se-á da terra o laço, sem que tenha apanhado alguma coisa? 6. Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o SENHOR o tenha feito? 7. Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas. 8. Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor DEUS, quem não profetizará?

Next Page »