Parashah - VAYERA
15 de Novembro de 2008 / 17 de Cheshvan de 5769.
Parashah – VAYERA – Gn.18:1- 22:24.
Haftarah – II Rs.4:1- 37
A destruição de Sodoma e livramento de Lot: Gn.18:16- 19:38. O pecado dos sodomitas havia chegado ao máximo e D-us estava preste a castigá-los. O Eterno revelou a Abraão que havia resolvido destruir Sodoma e Gomorra.
Por que D-us comunicou seu plano a Abraão? Em virtude de Abraão haver-se feito amigo de D-us e de manter comunhão com e Ele, foi que lhe deu uma antecipação de seu propósito. Os amigos compartilham os segredos entre si e “o segredo do Eterno é para os que o temem” Sl.25:14. Também era necessário que Abraão compreendesse que a destruição das cidades não era um acidente natural, mas o juízo divino sobre a repugnante imundície dos pecadores que nelas habitavam, para poder inculcar em seus descendentes o temor de D-us, pois a recompensa (o salário) do pecado é a morte.
A intercessão de Abraão põe em relevo que o amigo de D-us era-o também dos homens. Indiscutivelmente lhe daria asco a impureza dos habitantes destas cidades ao sul do mar Morto e se sentiria como um estranho entre eles, não obstante, a comunhão com D-us havia despertado nele um profundo amor ao próximo.
Em sua intercessão, Abraão apresentou o problema de todas as épocas: como podia o justo Juiz castigar os bons juntamente com os maus? Uma nota da bíblia de Jerusalém observa: “Sendo forte, no antigo Israel, o sentimento da responsabilidade coletiva, não cabe aqui a pergunta se os justos poderiam ser individualmente poupados”, Visto que todos haveriam de sofrer a mesma sorte, Abraão perguntou se acaso a presença dos justos não afastaria o juízo dos culpados. D-us respondeu afirmativamente, porém não havia sequer dez justos em Sodoma.
A intercessão de Abraão pode servir-nos de modelo. O patriarca combinou nesta intercessão a intrepidez com reverência, considerou o caráter de D-us e sua justiça e persistiu intercedendo até obter a certeza de que D-us perdoaria a cidade se houvesse nela dez justos. Depois deixou os resultados nas mãos de D-us. Embora D-us não tenha salvado a Sodoma, respondeu libertando a Lot e sua família.
O “justo” Lot foi afligido pela manhã pela má conduta dos sodomitas. Não obstante, podia-se encontrá-lo sentado à porta da cidade, isto é, imiscuía-se nos negócios e ouvia as palavras obscenas do povo. Também permitiu que suas filhas desposassem homens de Sodoma. Assim foi cedendo mais e mais. Não pode convencer seus futuros genros de que D-us julgaria o pecado. Demorou e vacilou. Sentia-se tão apegado aos benefícios materiais que nem mesmo a ameaça do enxofre e do fogo o fez capacitar-se. Abraão, pelo contrário, havia aprendido a desfrutar das coisas materiais, mas sem esquecer-se da esperança espiritual.
Por que a esposa de Lot olhou para trás? Porque seu tesouro estava em Sodoma; ali também estava seu coração. Parece que se atrasou na planície de Sodoma e ali foi alcançada pela chuva destruidora. Provavelmente se formou sobre seu corpo uma crosta de sal e ficou ali convertida em estatua como advertência às pessoas cujos corações estão no mundo. A destruição de Sodoma é também uma advertência de que D-us não suporta indefinidamente a maldade.
Em ambos os lados do mar Morto existem ainda jazidas de petróleo que se derretem e arde. Na mesma área foi encontrada também uma camada de sal misturas com enxofre. Conjetura-se que D-us acendeu os gases para produzir uma explosão enorme, e que assim sal e enxofre foram atirados sobre a cidade de modo que literalmente choveu enxofre e fogo, do Eterno desde os céus. Ainda há colunas de sal nas cercanias do extremo sul do mar Morto, As quais recebem o nome de “esposa de Lot”. Atualmente o local das cidades julgadas está coberto pelas águas do mar Morto.
Pobre Lot! Perdeu a esposa e o lar; suas filhas se corromperam e mediante um truque por elas planejado, Lot veio a ser o antepassado incestuoso dos grandes inimigos de Israel; os moabitas e os amonitas. Estes povos foram notórios por suas ambições idolatras e constituíram o perigo de contagio para Israel através dos séculos. Nm: 25:1- 3; Rs.11:7. Lot é uma amostra do homem carnal que procura ganhar o mundo e ao mesmo tempo reter o espiritual. Perdeu tudo, salvo sua própria alma.
Abraão e Abimeleque: Gn.20. Abraão, movido pelo temor recorreu ao engano como havia feito no Egito. Pôs assim em perigo o cumprimento do plano da redenção. Alguns crêem que este relato não se encontra em correta ordem cronológica, pois a esta altura Sara teria noventa anos. É possível que haja ocorrido nos primeiros anos em que o casal se encontrava em Canaan. D-us denomina a Abraão ”profeta” (20:7) não no sentido de ser como os outros profetas da Tanach, mas porque tinha relações privilegiadas com D-us e era um poderoso intercessor. Neste capitulo encontra-se a primeira referência à cura divina como respostas à oração (20:7).
Nascimento de Itzak, expulsão de Ismael: Gn. 21. O Eterno recompensou grandemente a fé que Abraão demonstrou durante os vinte e cinco anos de sua peregrinação a Canaan. Também interveio milagrosamente para dar-lhe um filho. O nome Itzak, dado ao recém nascido, que parecia uma censura ao riso incrédulo do velho casal, agora tem novo significado: era o riso de alegria por ter um filho.
A presença de Itzak no lar trouxe outra prova para o patriarca, Ismael, que teria aproximadamente dezesseis anos, demonstrou seu caráter zombando de Itzak. Parece que foi motivado por sua incredulidade e inveja. Sara percebeu que a natureza do rapaz não concordava com o espírito de fé prevalecente na família. As duas linhagens tinham de estar marcadamente separadas. Sara pediu ao seu marido que expulsasse a Ismael. Era penoso para Abraão fazê-lo, mas D-us o consolava dizendo-lhe que por meio de Itzak viria sua descendência. Além do mais, por amor a Abraão D-us cuidaria do jovem e sua descendência formaria uma grande nação.
Hagar e Ismael aprenderam que embora expulsos das tendas e sem proteção de Abraão, não estavam alijados da solicitude de D-us. Ele estava com Ismael e cuidou dele em sua juventude, possibilitando assim o cumprimento da promessa que ele mesmo fizera de que por meio de Ismael faria uma grande nação. Não se afastou da família de Abraão.
O incidente pelo quais os filisteus fizeram aliança com Abraão demonstra claramente que este com a benção de D-us chegara a ser um personagem de grande importância e influência, aos olhos dos senhores pagãos. Estes reconheceram que D-us estava com ele em tudo quanto fazia (21:22). Desejavam sua boa vontade e ser seus aliados. Este relato salienta também a importância dos poços naquela região aonde a quantidade de chuva chega a ser de 100 mm durante o mês de janeiro e diminui até chegar a nada nos quatro meses do verão. A posse dos poços seria no futuro motivo de rixas entre os filisteus e Itzak (Gn.26:17-0 33).
O sacrifício de Itzak: Gn:22. O pedido do Eterno de que Abraão oferecesse a Itzak como sacrifício foi a prova suprema da fé do patriarca. Podemos observar que lhe era difícil porque:
a – A alma de Abraão se desfazia ante o conflito de seu amor paternal e a obediência a D-us.
b – Parecia-lhe estranho porque Abraão já sabia que não agradava a D-us o conceito pagão de ganhar o favor dos deuses sacrificando seres humanos.
c – D-us não lhe deu razão alguma que apoiasse seu pedido como havia feito quando animou a Abraão a expulsar a Ismael.
d – O pedido era contrário a promessa de que somente por Itzak se formaria a nação escolhida, pois no entender humano D-us estava contra D-us, fé contra fé e promessa contra ordem.
O propósito da prova era aumentar a fé que Abraão tinha, dar-lhe à oportunidade de alcançar uma vitória maior e receber uma revelação mais profunda ainda de D-us e de seu plano. D-us não tentou a Abraão como algumas versões bíblicas traduzem Gn.22:1. A tentação é demoníaca e tem o propósito de conduzir o homem ao pecado. Ao contrário, D-us prova o homem para dar-lhe a oportunidade de demonstrar sua obediência e crescer espiritualmente. Antes de expor Abraão à prova final, havia-o submetido a uma longa preparação.
Embora Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de D-us, obedeceu imediatamente. Parece que enquanto caminhava para o monte Moriá meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar Itzak e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Teria pensado que a solução era crer que mesmo quando atravessasse com o cutelo o coração de Itzak e acendesse o fogo para que o corpo de seu filho fosse reduzido a cinzas, D-us ressuscitaria a Itzak do montão de cinzas. Por isso, ao deixar seus criados, disse-lhes que tornariam a eles (22:5). Crer no poder divino para ressuscitar os mortos foi o auge de sua fé.Tal tipo de fé é indispensável para alcançarmos a redenção.
O que aconteceu depois mostra-nos que D-us não quer que lhe ofereçamos um corpo morto, mas um sacrifício vivo, uma vida consagrada a Ele. Não estendas a tua mão sobre o moço . . . porquanto agora sei que temes a D-us, e não me negaste o teu filho, o teu único. Tudo o que D-us queria era a rendição de Abraão, um sacrifício em espírito. Queria que Abraão mostrasse que amava mais a D-us que a seu próprio filho e as promessas feitas. Exige D-us de nós algo que Ele próprio não esteja disposto a dar? Abraão teve sua fé grandemente recompensada. Recebeu a seu filho simbolicamente dentre os mortos e dali em diante esse filho lhe foi mais precioso que nunca. Da mesma forma, o que entregamos a D-us Ele no-lo devolve muito mais enriquecido e elevado que antes.
Shabat Shalom!
MSc. Moshe ben Mazal
